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MOSSORÓ (RN), QUARTA-FEIRA, 30/04/2008 (ATUALIZADO: 00:27hs)
 
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ONU se retrata com Brasil
sobre biocombustíveis e
produção de alimentos
Fiquei sem entender quando a ONU divulgou posicionamento contrário à produção de biocombustíveis pelo Brasil, por entender que isso iria prejudicar a produção de alimentos. Agora veio um pedido formal de desculpas. A ONU reconheceu que pisou na bola e que a situação do Brasil é bem diferente, por exemplo, dos Estados Unidos que estão produzindo etanol a partir do milho. Vejamos a matéria que está na imprensa: O mesmo relator para Direito à Alimentação da Organização das Nações Unidas (ONU), Jean Ziegler, que pediu a suspensão temporária da produção de biocombustíveis, elogiou, há menos de 10 dias, o programa de etanol e biodiesel brasileiro. Em carta encaminhada ao Itamaraty no último dia 21, Ziegler reconheceu que o caso do Brasil é diferente e, por isso, o país não pode ser acusado de usar alimentos para produzir essa fonte de energia. "O caso brasileiro é realmente específico", diz um trecho da carta. A informação é de matéria publicada no jornal O Globo de ontem. Segundo a reportagem, a intenção do funcionário da ONU era reparar o que chamou de "mal-entendido". Ele afirmou que houve má interpretação de um jornal francês a respeito de um relatório que apresentou neste mês, em Nova York, sobre o direito à alimentação. Na carta ao Itamaraty, Ziegler disse ter conversado com autoridades brasileiras sobre o programa de biocombustíveis do Brasil. Ele afirmou ter ficado "particularmente impressionado" com os programas sociais elaborados pela Petrobras, para ajudar os pequenos produtores que cultivam mamona e outros frutos de baixo valor de mercado. E citou ainda o fato de o Brasil extrair essencialmente o açúcar da cana, e não de outros alimentos básicos, numa referência indireta a países que utilizam, por exemplo, a beterraba, como os europeus. Para o deputado José Genoino (PT-SP), a declaração da ONU vai ao encontro do que o presidente Lula vem afirmando desde o início: o problema de desabastecimento alimentar não vem dos países em desenvolvimento, e sim dos países ricos, especialmente dos que produzem etanol a partir de milho. "Esse reconhecimento tardio da ONU dá melhores condições para que o Brasil dê continuidade à sua política de biocombustíveis. A produção de cana-de-açúcar não compromete a produção de grãos, até porque, entre uma safra e outra de cana é possível cultivar grãos. Essa declaração favorece o Brasil, que é um país com condições climáticas e territoriais favoráveis à expansão na produção de biocombustíveis, diferente de muitos outros países".

Pedro Wilson
Na avaliação do deputado Pedro Wilson (PT-GO), o Brasil produz biocombustíveis de cana-de-açúcar que custam a metade do preço de outros países que produzem o etanol usando milho. "O milho pode ser usado para uma gama de alimentos, desde o pão até o óleo, ao contrário da cana", exemplificou. Outro dado citado pelo deputado é o de que a produção de cana no país ocupa apenas 1% de toda a área destinada à produção agrícola no país. "A expansão da produção de cana-de-açúcar vem se expandindo principalmente em áreas já degradadas e em pastagens e o país já possui tecnologia para aproveitar, inclusive, o bagaço da cana para gerar energia, o que significa que há um aproveitamento de 100% do cultivo. Estamos eliminando o uso de queima na colheita da cana para evitar a poluição do meio ambiente e o aquecimento global. O Brasil deve continuar nessa linha", defendeu.

Financial Times
Em outra matéria, o jornal cita o Financial Times que diz que "o Brasil é uma solução óbvia, mas esquecida, para a alta global dos preços dos alimentos". O jornal chega a dizer que "o Brasil tem sua fatia de culpa" por não divulgar suficientemente sua capacidade de produção e fazer pouco para combater a "histeria sobre a suposta ameaça do etanol à floresta amazônica". Mas ressalta que o mundo desenvolvido parece "míope em relação às oportunidades que o Brasil representa".

Fotolegenda
Quem deverá estar em Natal na próxima quarta-feira, a nosso convite, é o ministro da Cultura, cantor e compositor Gilberto Gil. Em breve, confirmaremos e passaremos a agenda.

 



       




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