

Woden
mostra insensatez da prefeitura
Abro
espaço para reproduzir o comentário que o colega Woden
Madruga veiculou na última sexta-feira, 27, na coluna que
assina há mais de quarenta anos na segunda página
do diário Tribuna do Norte, a respeito do despropósito
cometido pela prefeitura da capital na Ribeira. Encimado pelo título
O largo da insensatez, eis o texto de WM:
Abri o envelope, li e tive um susto. Não quis acreditar.
Apesar de já ter passado dos 70, há coisas que acontecem
em Natal que não acredito possam acontecer. E acontecem.
E me aborrecem e me irritam. E olhe que eu não estou falando
no trânsito, muito menos em reforma de secretariado, tampouco
em aliança partidária. A irritação da
semana é por conta deste convite. Leia: A Prefeitura
Municipal do Natal convida você e sua família para
a solenidade de inauguração do Largo Dom Bosco. Um
espaço voltado para o lazer e entretenimento. Local: Largo
Dom Bosco (em frente ao Teatro Alberto Maranhão). É
a última pá de terra da Prefeitura na Praça
Augusto Severo, que agora em março fez 106 anos, sepultando-a
definitivamente. A Prefeitura oficializa e soleniza o fim da praça,
que foi o mais belo parque da cidade, no dizer do seu
historiador, o mestre Luís da Câmara Cascudo. Achando
pouco, deu novo nome ao lugar. Uma burrice dupla. Sim, porque o
Largo Dom Bosco existe há muitos anos, mas noutro lugar.
Não tem nada a ver com a Praça Augusto Severo. Era
situada em frente à entrada principal do Colégio Salesiano,
uma nesguinha de terra - em frente à antiga loja de móveis
do velho Canuto, depois prédio de José Tinôco
que abrigou a Força e Luz - como se separasse a Praça
da subida para a Junqueira Aires, e que hoje não passa de
uma fileira de gelos baianos, depois das reformas. Os
urbanistas e os arquitetos da Prefeitura
desconhecem a história da cidade. E por isso vêm praticando
estes estupros contra o seu passado, suas tradições,
seus costumes, seu patrimônio artístico e cultural.
Se este pessoal tivesse lido Luís da Câmara Cascudo,
Jaime Wanderley, Augusto Severo Neto, Lauro Pinto, Júlio
César de Andrade, Lenine Pinto, Pedro de Lima, Nair Tinoco,
Jeane Nesi, e tantos outros que escreveram livros que falam da Ribeira,
não cometeria essa insensatez com a Praça Augusto
Severo.
Música
e morte
As mortes violentas ocorridas na atual temporada junina em festas
em Natal, Campina Grande e Mossoró vieram reforçar
a tese defendida há tempos pelo engenheiro agrônomo
e empresário rural Marcos Lopes, criador do "Forró
da Lua" como trincheira de resistência da autêntica
música popular nordestina contra o "som de bunda"
imposto pela indústria fonográfica do moderno forró
praticado na região. Segundo ele, está aumentando
o número de mortes violentas em "shows" urbanos
com grandes bandas de forró que mais mostram nádegas
do que música.
Teleférico
Engavetado há muito tempo pelo governo Wilma de Faria, o
projeto de implantação de um teleférico entre
a Casa de Pedra e a cidade de Martins foi cobrado esta
semana, no plenário da Assembléia Legislativa, pelo
deputado estadual José Dias (PMDB).
Inventário
A nutricionista Ana Maria Macke Miani, que brilhou como iniciadora
da moderna gastronomia no Rio Grande do Norte ao classificar durante
vários anos seu restaurante típico regional, o "Raízes",
no "Guia 4 Rodas" e há quatro anos reside em Barcelona,
Espanha, onde faz curso de doutorado, permanecerá em Natal
até o próximo dia 12. Ela chegou aqui há uns
quinze dias para adquirir e mobiliar o apartamento que a família
pretende ocupar quando voltar de vez mas teve que esticar a permanência
para submetê-lo a uma reforma que não previa.
Livro
Intitula-se "Encontros passageiros com pessoas permanentes"
o livro de crônicas que o jornalista Osair Vasconcelos, diretor
de redação do Diário de Natal,
lançará no próximo dia 10.
Nordestino
ainda briga muito pela água
Há tempos não se tinha informação consolidada
sobre o quanto se luta pela água no Brasil e em especial
no Nordeste. Um relatório sobre conflitos provocados pelo
líquido no Nordeste e em parte de Minas Gerais acaba de ser
lançado pela Comissão Pastoral da Terra, merecendo
leitura pelos norte-rio-grandenses. Sem dispor do documento em si,
recorro a uma notícia que o diário Correio Braziliense
veiculou a respeito. Ei-lo:
O crescimento desordenado das cidades, o uso intensivo da água
para irrigação e a construção de usinas
hidrelétricas já criam situações de
conflito pelo uso da água no Brasil. Os casos mais críticos
são registrados em Minas Gerais e no Nordeste brasileiro
onde a ocupação da terra é intensa e a disponibilidade
de recursos hídricos menor. Segundo relatório produzido
pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), a briga pela utilização
da água foi responsável por 87 conflitos no interior
do país, que afetaram cerca de 32 mil pessoas no ano passado.
A CPT monitora os conflitos pela água desde 2003. Em relação
ao ano anterior, este tipo de divergência cresceu 93% - 45
conflitos foram registrados em 2006. "A disputa pela água
aumentou em todo o país. O controle dos recursos hídricos
será um dos principais problemas do campo nos próximos
10 anos", prevê Roberto Malvezzi, que assessora a Pastoral
da Terra em relação ao tema água. Ele alerta
para a relação que o assunto mantém com as
questões de justiça social. "A disputa envolve
interesses econômicos. Grandes fazendeiros ou grupos empresariais
conseguem fazer valer sua vontade por meio do dinheiro ou da força
política", afirma. No início do ano passado,
a menina Jéssia, de apenas 12 anos, morreu em uma situação
que a CPT caracteriza como resultado de um típico conflito
por água. Moradora de um assentamento em Petrolina (PE),
Jéssia foi buscar água para a família em um
aqueduto localizado a 1km de casa. Ao jogar o balde, a menina despencou
de uma altura de aproximadamente 15m. Para a CPT, não foi
simplesmente um acidente: o assentamento não conta com abastecimento
de água, enquanto o aqueduto leva água do Rio São
Francisco para a irrigação de frutas. "É
uma situação de desumanidade gritante", afirma
Malvezzi, que denunciou o caso a movimentos direitos humanos. O
estado brasileiro em que a CPT registrou maior número de
conflitos foi Minas Gerais. Além dos núcleos urbanos,
o território de Minas é intensamente ocupado pela
atividade agrícola e pela mineração. Na região
do município de Rio Pardo de Minas, as plantações
de eucalipto prejudicam os pequenos. Existem famílias
que estão sem água para plantar porque foram cercadas
por florestas de eucaliptos. Como precisam de muita água,
os eucaliptos esgotam o lençol freático, relata
o coordenador da Comissão Pastoral da Terra em Minas Gerais,
Antônio Maria Fortini.
Mais
Segundo fontes do Instituto de Pesos e Medidas (IPEM) em Natal,
deverá estender-se até amanhã a fiscalização
que uma equipe do órgão deveria ter concluído
ontem em postos de combustíveis de Mossoró.
Walfredo
O advogado e escritor Jurandir Navarro da Costa, autor de uma alentadíssima
biografia do legendário cônego Luiz Gonzaga Monte e
secretário de Estado durante o governo do monsenhor Walfredo
Gurgel, tem sido apontado em Natal como um dos poucos remanescentes
dessa equipe que desejam promover algum evento com o objetivo de
assinalar o transcurso, em dezembro, deste ano, do falecimento do
sacerdote e político seridoense.
Inflação
O fato de os índices de reajustes de aluguel terem experimentado
este mês a maior elevação registrada em cinco
anos é nova advertência para o fato de a inflação
estar se aboletando novamente no Brasil. O presidente Lula da Silva
vai dizer, depois, que não sabia de nada, e o presidente
do Banco Central, o banqueiro Henrique Meirelles, já cuida
de saltar fora, como se diz, pilotando nova candidatura, agora ao
governo de Goiás.
Grana
Iniciado na última sexta-feira, 27, anteontem, o pagamento
dos salários dos servidores do Governo do Estado, que ordinariamente
leva dois dias, será concluído amanhã.
Catracas limpas
Segundo dirigentes do ABC e do América, a limpeza das catracas
do estádio João Machado, em Natal, o distingue do
quadro de corrupção mostrado domingo passado pelo
programa Fantástico, da Rede Globo.
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