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MOSSORÓ (RN), DOMINGO, 29/06/2008 (ATUALIZADO: 18:27hs)
 
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UMA ESTRELA MORTA
Sentada no meio-fio da rua, num vestido que nas medidas era de outro corpo, o olhar perdido no mundo, a meninota era mais que certamente a imagem do abandono. Devia ter seus treze anos, mas parecia ter mais, o sofrimento tem o dom de falsificar a idade das pessoas que lhe caem nas garras. Não sei no que estaria a pensar ali sozinha, mas imagina-se.
A verdade é que não tinha jeito de quem ali estava esperando algum homem, como é comum nas da sua idade pelas condições de vida, hoje. A experiência que me deu a vida das tragédias humanas, porém, de logo me aguçou o faro do sofrimento que lhe empanava a fisionomia. E fiquei por ali sem saber se ia ou não tomar uma cerveja no bar da esquina, aquela hora ainda vazio.
Mas acabei entrando no bar com a intenção não realizada de tomar minha cerveja e, como tinha algum conhecimento com o dono, defendi logo uma cadeira à mesa do lado da porta da rua. O dono do bar, muito agradável, veio logo ter comigo, puxou a cadeira do outro lado da mesa, à minha frente, começou a conversa, não sem antes perguntar por que eu não tinha aparecido mais.
O diabo da labirintite, mais feito carrossel ultimamente, expliquei-lhe. Entrara só para descansar as pernas das andanças do dia, já ia no rumo de casa. Dando uma de médico, tendência natural de todo mundo, ele o dono do bar foi logo me prescrevendo um chá milagroso, nem me lembro mais de quê, e eu me pus a fingir-me interessado na sua medicina alternativa.
Já não me lembrava mais daquela meninota como perdida na cidade, ar de abandono, quando ele, apontando para ela, contou-me sua (dela) história de vida. Nisto foram chegando os habitantes noturnos do bar, meus conhecidos com certa intimidade, e aproveitei-me para uma cota em favor dela. O dono do bar foi entregar-lhe a apurado, em nome de todos, e ela se foi, noite afora, estrela morta de repente acesa.

SONETO
Num país de nostálgicos nevoeiros, / de paisagens em lenta mutação, / larguei de repente o meu bordão... / E hão de pasmar os outros caminheiros!

E andando como a lua nos outeiros / ao encontro da lenta procissão, / pousarias a mão na minha mão... / enamorados sempre... e sempre companheiros!
E diante de tão doces aparências / quem diria que em duas existências / nos separava o mundo - anos inteiros?

E, sentados à sombra de uns olmeiros, / trocaríamos falsas confidências... / cheias de sentimentos verdadeiros!

(Soneto de Mário
Quintana)

LINGUAGEM
INCONTINENTE. INCONTINENTI. Leitor do Jornal de Fato quer se existem no português os dois vocábulos e, no caso oposto, qual deles é o correto. Existem, sim. Só que se empregam em situações diferentes. O primeiro significa "imoderado", "falto de continência." O segundo quer dizer "imediatamente", "sem demora." No cotidiano observamos que as pessoas "incontinentes" são "incontinenti" prejudicadas por suas atitudes precipitadas.



       




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