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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS
JOSÉ
AGRIPINO
Não
trabalhamos
pretensão individual
Por:
Anna Ruth Dantas (Tribuna do Norte) - Foto: FRED VERAS
A disputa
pela Prefeitura de Natal formou um novo quadro político.
De um lado, a chamada base de apoio do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT). Um palanque que reúne o senador Garibaldi
Filho (PMDB) e a governadora Wilma Maria de Faria (PSB). Todos juntos
com o prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, apoiando a candidatura
da deputada federal Fátima Bezerra (PT). Do outro, meio que
isolado, está o senador José Agripino Maia (DEM),
no apoio a Micarla de Souza (PV). Apesar do somatório de
forças em torno de Fátima, Agripino garante que se
assusta e aposta em novos apoios para sua candidata. O senador também
fala sobre 2010. Agripino puxa o freio de mão da potencial
candidatura da senadora Rosalba Ciarlini (DEM) ao Governo do Estado,
e deixa bem claro que a prioridade é renovar seu mandato.
COMO o senhor visualiza, hoje, o cenário eleitoral em Natal
com candidatura de Micarla de Souza, com apoio dos Democratas contra
a chapa da deputada Fátima Bezerra, com apoio do PT, PSB
e PMDB?
JOSÉ AGRIPINO - Primeiro de tudo a candidata Micarla
tem se comportado com muita independência e muita autonomia
para escolher seus parceiros. E quem ela escolheu foi escolha dela.
Nós tivemos uma aproximação há meses
atrás, que ocorreu no primeiro momento em uma conversa comigo,
depois minha conversa com os três deputados estaduais, dois
deputados federais, com a senadora Rosalba, com os candidatos a
vereador, com o presidente do diretório municipal. Foi um
engajamento, que ainda não foi oficializado porque só
será com a convenção, passado a limpo em conversas
com as diversas lideranças do partido. Todas desejam uma
composição com Micarla. Nesse meio tempo sempre deixamos
muito claro para Micarla que ela tem inteira liberdade para procurar
os parceiros que ela julgar conveniente para ela ganhar a eleição.
Nesses últimos seis meses de convivência mais amiúde,
percebi em Micarla uma competência maior do que imaginei que
ela tivesse. Do ponto de vista político, ela é competente
para a idade que tem, como ela é extremamente interessada
na questão administrativa. Faz seminário no campo
da educação, no campo da saúde. Enquanto outros
candidatos se engalfinham na busca de apoio político, ela
usa o tempo dela no aprimoramento da sua proposta de Governo, que
é o mais importante e o que a população de
Natal mais quer, uma proposta de Governo exequível. Ela busca
apoio do PMN, PR, PSDB, PP. Onde eu posso ajudo, mas eu, em todos
os momentos e circunstâncias apóio o trabalho dela.
Ela é candidata para acordar Natal. Os grandes corredores
de Norte-Sul, Leste e Oeste foram projetados e executados há
bastante tempo. De lá para cá, o que fizeram foram
penteados. Em matéria de transporte a cidade parou há
algum tempo.
COLOCAR no mesmo palanque gestores com boas aprovações
como o presidente Lula, a governadora Wilma de Faria e o prefeito
Carlos Eduardo torna a disputa desigual?
O ELEITOR vai votar não é nem em Lula, nem em
Wilma e nem em Carlos Eduardo. Ele vai votar no futuro prefeito.
A escolha é municipal, do cidadão em quem ele mais
confia. Se Lula vier fazer a campanha do candidato dele, se Wilma
se engaja na candidatura que ela abraça ou o prefeito Carlos
Eduardo, serão apoios. Mas o eleitor não vai votar
em quem apóia. Nessa eleição o eleitor vai
votar em quem ele confia, com quem se identifica. Se você
me perguntar, assusta? Não assusta. Evidente que são
apoios expressivos, mas não são fatores decisivos.
E O FATOR decisivo para essa eleição, qual será?
A PROPOSTA e a confiança do eleitor. Proposta, história,
padrão ético será muito importante, a capacidade
de articulação, de quadros.
A CAMPANHA estava bipolar, agora surge o nome do deputado estadual
Wober Júnior.
ISSO dá mais opção para o eleitor. Não
tenho dúvida que no regime democrático, o aumento
do número de alternativas dá ao eleitor liberdade
maior de escolha. Agora o processo com a saída do deputado
Rogério Marinho da disputa, ele (o processo) vai se cingir,
fundamentalmente, no confronto entre Fátima e Micarla, sem
demérito a outras candidaturas postas e que tem todo direito
de postularem.
ENTÃO o senhor acredita que a eleição será
encerrada no primeiro turno?
ACREDITO. Acho que pode terminar em uma disputa no primeiro
turno. Não quero fazer prognóstico, mas avaliados
os números que há meses vem se mantendo o que há
é que Micarla tem índice de preferência muito
alto e índice de rejeição baixo. E a candidata
Fátima tem índice de preferência baixo e índice
de rejeição excessivamente alto.
QUAL a fotografia que a eleição de Natal este ano
projeta para a eleição no Rio Grande do Norte em 2010?
NÃO deve projetar porque a eleição de Natal
deve ser a eleição de Natal. Não se deve armar
o jogo de 2010 em função da eleição
municipal de Natal. Agora evidente que, na prática, na hora
em que muitas pessoas convergiram para a candidatura de Fátima
os pretendentes ao Governo do Estado viram que um palanque estava
congestionado e estão refletindo sobre isso e fazendo as
suas conjecturas. Agora acho, que em 2010, vai ter êxito para
a disputa do Governo e do Senado quem tiver melhor plataforma de
comportamento e realizações. Se você tem quatro
ou cinco pretendentes dentro do mesmo sistema político, esse
portifólio vai significar um congestionamento e uma dificuldade
a mais, daí porque algumas pessoas procuram dar o direcionamento
nessa disputa para o palanque onde o portifólio possa ter
uma variação mais livre.
ENTÃO o palanque de Micarla de Souza estaria mais "convidativo"
por ser menos "congestionado" de pré-candidatos
ao Governo?
ATÉ agora Micarla tem tido o apoio expressivo dos Democratas.
Mas tenho fortes expectativas que outros apoios Micarla ainda vai
conseguir. Conseguir onde moram e onde residem até outros
pretendentes para 2010.
A GOVERNADORA Wilma de Faria disse que não vai "brigar"
com os deputados Robinson Faria e João Maia por causa da
eleição. Isso alimenta mais a expectativa de ter esses
dois líderes no palanque de Micarla de Souza?
ACHO que a declaração da governadora foi sintomática.
Claro que ela deve ter tido razões para falar isso. Gostaria
muito e estimulo muito Micarla a buscar esses apoios, como também
o apoio do PSDB. Guardo fortes expectativas tanto do PR quanto o
PP e PMN.
QUANDO se fala em 2010, há uma temática de que o segundo
voto para senador é de José Agripino. Esse "segundo
voto" é uma estratégia do senhor?
ASOLUTAMENTE. Essa história de primeiro e segundo voto
é no mínimo curiosa. Se as pessoas podem dar dois
votos, o primeiro é tão importante quanto o segundo.
Criou-se um mito em torno da história de primeiro e segundo
voto. Se mantiverem na disputa a governadora Wilma, o senador Garibaldi
e o senador José Agripino, os três terão uma
parcela de primeiros votos e uma parcela de segundos votos. Para
nenhum dos três é demeritório o segundo voto.
O que vale é no cômputo geral a preferência final
do eleitor por dois nomes. Quando o eleitor votar em dois, vai votar
por igual, vai excluir alguém. Vamos desmistificar a história
de primeiro e segundo voto.
A SENADORA Rosalba Ciarlini disputará o Governo em 2010 pelo
DEM?
A SENADORA Rosalba é uma reserva do partido, reserva
da melhor qualidade. A senadora Rosalba pode querer disputar qualquer
posto na vida pública do Estado, mas ela é uma mulher
acima de tudo que é racional e ela sabe que faz parte de
um grupo político, claro que almejando a volta ao poder,
vai com racionalidade encontrar a melhor composição
de chapa para ganhar o Governo e as vagas para o Senado. A senadora
Rosalba já me disse muitas vezes que deseja ver seu companheiro
José Agripino eleito senador.
MAS para 2010 o senhor ainda vê chance de aliança PMDB
e DEM?
NO plano do Governo nós ainda estamos muito distantes
para fazer conjecturas. Até porque há partidos com
grande expressão PR, PMN, PP e o PMDB e o DEM. Então
você terá um processo de composição multipartidária,
onde aquela disputa encarnada vai perder a proeminência que
teve no passado.
O SENHOR diria que há um "congestionamento" de
candidatos ao Governo mais do que para o Senado?
NÃO tenha dúvida. Hoje, na base do Governo, eu
conto nos dedos, numa mão inteira, os pretendentes ao Governo.
São muitos. Não há dúvida que há
um forte congestionamento em matéria de candidato ao Governo
na base política da atual governadora.
E NA base do senador José Agripino?
HÁ uma grande folga e compreensão.
MAS se só há uma vaga para a candidatura ao Governo,
essa seria da senadora Rosalba Ciarlini?
NÃO trabalhamos com pretensão individual do partido.
Trabalhamos com a hipótese de composições para
ganhar a vaga de governador e de vice e as duas vagas de senador.
FALANDO agora de política nacional, a executiva do PT aprovou
alianças com o DEM em algumas cidades brasileiras. O PT estaria
recuando na postura de proibir alianças com o DEM?
O PT tem tido uma posição ambígua porque
acabou de desautorizar a aliança feita com o PSDB em Belo
Horizonte. Agora permite aliança em Campinas. Não
dá para entender muito a coerência do PT. Mas o PT
pode estar se rendendo às evidências municipais.
COMO o senhor avalia a Operação Hígia, feita
pela Polícia Federal para investigar denúncia de licitações
fraudulentas na Secretaria Estadual de Saúde?
Foi a coisa mais chocante que tenha ocorrido desde que estou
na vida pública do Estado. Essa não é só
minha opinião. Essa é a opinião que tenho ouvido
de muita gente. Agora os depoimentos estão dados, os fatos
que a Polícia Federal se apoiou para fazer as apreensões
tem que se transformar em provas. Foi um fato chocante.
CHOCANTE por envolver o filho da governadora ou por apontar um desvio
de R$ 36 milhões da Secretaria de Saúde?
CHOCANTE pelas duas coisas. Primeiro de tudo por envolver não
só o filho, mas também auxiliares do Governo em várias
pastas. É a denúncia de uma rede com muitos tentáculos
em vários órgãos do Governo sob o comando do
filho da governadora. Essa denúncia é grave também
porque está focada no dinheiro da Secretaria de Saúde,
a área onde a aplicação do recurso público
deveria ser a mais bem cuidada.
OS presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais tiveram um entendimento
diferente do TSE, defendendo um rigor maior na hora de analisar
a ficha do candidato a ser registrado. O senhor concorda com os
presidentes das Cortes regionais ou com o TSE?
EU não concordo e nem discordo. Eu tenho que concordar
com a Corte Suprema Eleitoral, que é o TSE, que já
se decidiu por maioria sobre esse assunto. A lei é clara.
A pessoa é culpada na instância em que a lei determina
e é condenada naquela instância, primeira, segunda
ou terceira instância, e aí é, definitivamente,
imputado de culpa. Antes disso, a lei é que determina se
a pessoa é ou não culpada. A lei existe para proteger
de abusos. As pessoas podem ser acusadas por razões diversas,
desde a procedência das acusações até
a perseguição física, e, para isso, a lei diz
que para proteger a pessoa de acusação improcedente,
para isso a lei diz que as pessoas precisam ser julgadas e condenadas
até a última instância para que não possam
ser condenadas. Por essa razão é que o Tribunal Superior
Eleitoral decidiu o que decidiu.
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