

Armadilhas
da lei seca
Luiz Leitão
A Lei Seca está aí, com tolerância praticamente
zero para a presença de álcool no sangue de motoristas,
e muita gente deve estar preocupada com a possibilidade, ainda muito
baixa, de ser flagrada dirigindo sob efeito de bebidas, não
só pelo alto valor de multa (R$955,00), mas, principalmente,
pelo risco de ser presa em flagrante. O novo limite é exageradamente
baixo, poderia muito bem ter permanecido em 0,6mg, e a pena de prisão
é um exagero, por que não substituí-la por
prestação de serviços comunitários?
Acabaram com a alegria do brasileiro, não se pode nem mais
tomar um chope com os amigos em paz, dirão muitos. Mas o
fato é que vários países vêm diminuindo
as taxas aceitáveis de álcool no sangue de condutores
de veículos, e a medida é correta por reduzir os acidentes
com mortos e feridos, aliviando os gastos públicos com o
socorro e tratamento das vítimas; assim, o dinheiro destinado
à área da saúde poderá melhor aproveitado.
Notícias de pessoas reprovadas no teste do bafômetro
por terem usado anti-séptico bucal causam preocupação,
e mesmo o consumo de bombons com licor podem trazer problemas, por
uma razão muito simples: a presença de etanol na boca
pode alterar a medição em prejuízo do motorista.
Por esta razão, os testes devem ser realizados na chamada
fase pós-absortiva, e convém exigir do policial a
espera de trinta minutos após a detenção para
se submeter ao bafômetro e obter um resultado confiável.
Mas há outra armadilha nesta história, para a qual
é preciso ficar muito atento: o tempo de eliminação
do álcool do organismo. O fígado só consegue
metabolizar dez gramas, ou uma unidade, de etanol por hora, de maneira
que não basta esperar algum tempo para que passe o efeito
da bebida, pois a eliminação total se faz entre seis
e 48 horas.
Portanto quem, no dia seguinte, acorda de um porre homérico,
não deve pensar que não tem mais nenhum vestígio
de álcool no corpo.
Ora, as pessoas que bebem socialmente não irão deixar
de fazê-lo, e para evitar problemas com a lei não
convém levar em conta que a maioria das cidades não
conta com um bafômetro sequer, porque o alto valor da multa
deverá estimular as prefeituras a adquiri-los pode-se
usar como orientação esta tabela: Uma dose é
igual a uma unidade de álcool, que contém dez gramas,
equivalente a um copo de cerveja; meia dose de uísque, cachaça
ou vodca; um copo de vinho, taça de champanhe ou copinho
de licor.
Cada uma destas doses ou unidades leva uma hora para ser eliminada
do organismo, e as concentrações sangüíneas
sempre apresentarão alguma variação, dependendo
do estado nutricional, peso, sexo.
Mais do que a multa, a possibilidade de ser preso e processado deve
ser levada em conta. Pode-se ser solto mediante o pagamento de fiança,
mas responder a processo criminal é algo que, definitivamente,
não convém.
Luiz
Leitão é colaborador.
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