

PREJUÍZO
PEC
333 tira R$ 3,7 milhões da Câmara
Julierme Torres
Da Redação
A aprovação, em primeiro turno, da proposta de emenda
à Constituição (PEC) 333/04, que cria 8.043
novas vagas de vereador em todo o Brasil, não trouxe a euforia
prevista na Câmara de Mossoró. Embora a cidade tenha
ganhado mais oito vagas no Legislativo municipal, a redução
no percentual de repasses da Prefeitura irritou os vereadores.
O projeto aprovado pelos deputados federais cria novas faixas, de
acordo com a população, para definir o número
de vereadores em cada cidade. Mossoró se enquadra na faixa
de população entre 160 mil e 300 mil habitantes, o
que dá direito a ter 21 vagas na Câmara. Por outro
lado, a mesma PEC definiu que os repasses para a manutenção
da Câmara serão feitos com base na arrecadação.
Municípios com receita acima de R$ 200 milhões por
ano, como é o caso de Mossoró, têm que repassar
apenas 2% de sua arrecadação para manter a Câmara
de Vereadores. Hoje, o Legislativo de Mossoró recebe 7% da
receita municipal e conta apenas 13 membros.
De acordo o Orçamento Geral do Município deste ano,
a Prefeitura de Mossoró deve fechar 2008 com uma receita
superior a R$ 284 milhões. Desse montante, foram reservados
R$ 9,3 milhões para o custeio da Câmara de Vereadores.
Se o repasse fosse reduzido para apenas 2%, como prevê a PEC
333, o valor para manutenção da Câmara cairia
para R$ 5,6 milhões. Na prática, uma economia de R$
3,7 milhões.
Ontem, o presidente da Câmara, vereador Júnior Escóssia
(DEM), admitiu que essa queda da arrecadação, associada
ao aumento do número de vereadores para 21, vai forçar
a redução de algumas vantagens dos legisladores. Os
primeiros cortes sugeridos por ele seriam na verba de gabinete e
no número de assessores.
Hoje, cada vereador tem direito a sete assessores. Júnior
Escóssia admite que esse número pode ser menor. O
presidente confirmou que até 2004, portanto antes de a Câmara
ter sido reduzida de 21 para 13 vereadores, por força da
resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o
número de assessores era de no máximo três por
gabinete.
"Essa Câmara já teve 21 vereadores e nessa época
cada vereador tinha de dois a três assessores", disse
Escóssia, admitindo que a existência de sete auxiliares
por gabinete não é condição para o bom
funcionamento do Legislativo municipal.
Esse argumento de Escóssia não foi acompanhado por
seus colegas de plenário. A vereadora Izabel Montenegro (PMDB)
afirmou que a redução do repasse vai deixar a Câmara
em dificuldades. Ela reclamou da provável redução
da verba de gabinete e do número de assessores e disparou
crítica aos deputados federais.
"O vereador é o parlamentar que está mais perto
da população. Já os deputados federais, que
estão lá em Brasília (DF), aumentaram a verba
para seus próprios gabinetes", afirmou Izabel Montenegro.
Durante a sessão ordinária de ontem, Izabel fez um
pronunciamento para reforçar essa crítica. Ela disse
que a redução dos recursos para a Câmara vai
deixar os vereadores economicamente mais frágeis e, com isso,
vulneráveis a interferências externas, como do Executivo.
"Não sejamos hipócritas. A redução
do salário fragiliza economicamente o vereador e favorece
certos procedimentos de reforço de orçamento, como
ceder a pressões financeiras do Executivo", afirmou
Izabel, que foi elogiada pelos colegas Renato Fernandes (PR) e Osnildo
Morais (PSL).
Osnildo, inclusive, reafirmou o alerta de Izabel quanto à
possibilidade de os vereadores cederem às vantagens oferecidas
pelo Executivo. "Realmente, haverá dificuldade com salário
menor de sobreviver à cultura assistencialista da política",
observou.
Infarto
mata desembargador Ítalo
Pinheiro durante viagem de avião
A morte do desembargador aposentado Ítalo
José de Medeiros Pinheiro, aos 74 anos, surpreendeu a classe
jurídica do Rio Grande do Norte, como o próprio presidente
do Tribunal de Justiça, desembargador Osvaldo Cruz, que se
encontrava em Brasília (DF), anteontem, quando soube do seu
falecimento do ex-presidente do TJ.
O desembargador Osvaldo Cruz lembra que estava jantando com o paraibano
Efraim Morais (DEM-PB) e o presidente do Senado, Garibaldi Filho
(PMDB-RN), quando foi informado da morte de Ítalo Pinheiro.
"Eu estava participando de um curso de gestão pública
em Brasília e antecipei a volta a Natal para receber o corpo
do amigo", disse Cruz.
Por causa da morte de Pinheiro, o expediente no TJ ontem foi até
o começo da tarde. As bandeiras do Brasil, do Rio Grande
do Norte e do Poder Judiciário, sediado na Praça 7
de Setembro, Centro, foram hasteadas a meio pau.
Segundo Osvaldo Cruz, o senador Garibaldi Filho, de imediato, contactou
o Governo da Bahia, que deu toda assistência à viúva,
Laura Pinheiro, inclusive colocando o seu avião à
disposição da família para fazer o traslado
do corpo até Natal.
O avião Xingu prefixo PT-BMT do Governo baiano saiu de Salvador
(BA) por volta das 12h30 de ontem, tendo aterrissado no aeroporto
Augusto Severo, em frente ao hangar do Governo do Rio Grande do
Norte às 15h.
Por causa da vistoria de um técnico da vigilância sanitária,
a liberação do corpo demorou 45 minutos. No hangar
do governo estadual esperam pelo corpo a vice-presidenta do TJ,
desembargadora Judite Nunes, e o desembargador Francisco Saraiva
Sobrinho e ainda o prefeito Parnamirim, Agnelo Alves, que era amigo
pessoal de Ítalo Pinheiro.
No avião do Governo baiano vinham a viúva e um de
seus quatro filhos, o juiz Eduardo Pinheiro, que havia viajado para
Salvador a fim de dar assistência a sua mãe, e ainda
o vereador de Parnamirim Sérgio Andrade, que é parente
da família. Ele ainda deixa os filhos Rogério, Cláudio
e Ítalo Pinheiro Filho.
Do aeroporto, o corpo de Ítalo Pinheiro seguiu escoltado
por quatro batedores da Polícia Militar para o Centro de
Velório do grupo Vila, na Avenida São José,
onde foi preparado para o velório no salão do Tribunal
do Júri, do Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Lagoa
Nova, onde também seria celebrada uma missa de corpo presente
às 19h. O sepultamento ocorreria às 22h, no cemitério
Morada da Paz, em Emaús.
Ítalo Pinheiro faleceu na noite de anteontem, depois de sofrer
um infarto, quando voava em um avião da TAM no trajeto Brasília-Salvador.
Ele voltava para Natal depois de participar do aniversário
de 80 anos de um parente em Curitiba (PR), tendo deixado na escala
de Brasília o cunhado Francisco Xavier Pinheiro, pai, casado
uma irmã.

Relatório
da oposição preserva Dilma
Brasília (AE) - A uma semana do fim
da CPI Mista dos Cartões Corporativos, a oposição
apresentou ontem relatório parcial sem criminalizar ou recomendar
o indiciamento ao Ministério Público Federal de nenhum
dos envolvidos com irregularidade no uso de cartões corporativos
nem com a montagem de dossiê com gastos exóticos do
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em 88 páginas, os
sub-relatórios dos deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Índio
da Costa (DEM-RJ) não citaram uma única vez o nome
da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, além de jogar
toda a responsabilidade do dossiê para José Aparecido
Nunes Pires, ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil,
que disse ter vazado o dossiê por engano.
Lido durante três horas, em uma sessão esvaziada, na
presença de apenas cinco parlamentares, o relatório
parcial de Sampaio e Índio da Costa aborda casos de mau uso
e despesas consideradas "estranhas" com o cartão
corporativo. Cita, por exemplo, que em 2 de setembro de 2003 o cartão
foi usado para pagar uma despesa de R$ 112,11 de serviço
de internet (o Universo Online) para Fábio Luis Lula da Silva,
filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outro exemplo
foi o uso do cartão para o pagamento de uma conta em motel,
no valor de R$ 100,00, em 11 de outubro de 2004, por José
Sobrinho, ecônomo da Fundação Universidade de
Brasília (FUB).
Surpresos com o relatório ameno, a base aliada do governo
na CPI comemorou as conclusões dos dois oposicionistas. "Desde
o primeiro momento, eu afirmei que o trabalho do Gabinete Civil
foi para constituir um banco de dados", disse o relator geral
da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), referindo-se ao dossiê
contra FHC. Ele vai apresentar suas conclusões na próxima
terça-feira, 3. "Os sub-relatores reafirmaram hoje a
minha convicção de que ele (o dossiê) serviu
de processo de discussão política, mas não
há dados consistentes para incriminar quem quer que seja
no Gabinete Civil, a não ser José Aparecido",
completou o relator.
"Esse relatório parcial é uma prova inequívoca
que o dossiê não existiu e a ministra Dilma não
tem nada a ver com isso", afirmou o deputado Paulo Teixeira
(PT-SP), coordenador da base aliada na CPI dos Cartões. "Essa
nossa CPI virou um velório. Estamos enterrando a CPI",
disse o deputado Vic Pires Franco (DEM-PA), que protagonizou um
rápido bate-boca com a presidente da CPI, senadora Marisa
Serrano (PSDB-MS).
Presidente
do Conselho de Ética
atrasará processo contra Paulinho
Brasília (AE) - Na contramão
da agilidade da mesa da Câmara em pedir a cassação
do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o novo presidente do
Conselho de Ética da Câmara, deputado Sérgio
Moraes (PTB-RS), disse que vai usar até 15 dias para poder
dar seguimento ao processo. O prazo que o presidente da comissão
se deu para analisar as duas representações contra
Paulinho, que já estão no colegiado, pode deixar o
julgamento do presidente da Força Sindical para o segundo
semestre, quando a Câmara já estará em recesso
branco por causa das eleições municipais em outubro.
Alguns prazos do processo são contados por sessões
realizadas na Casa, o que poderá adiar ainda mais a decisão
sobre Paulinho. Além de colocar em banho-maria o processo,
o deputado, eleito ontem para o cargo, sintonizou com Paulinho nas
reclamações que o pedetista faz a imprensa: "Não
vamos condenar ou absolver porque a imprensa já o fez",
disse Moraes no discurso de posse.
"Em até 15 dias, se estiver seguro, tranqüilo,
vou tomar o passo seguinte", declarou Moraes, depois de assumir
o cargo. "Somente depois disso é que vou designar um
relator, se for necessário", continuou, afirmando que
analisará as representações "com muita
cautela". O corregedor da Câmara, Inocêncio Oliveira
(PR-PE), reagiu: "Acho um absurdo. Só pode ser inexperiência.
Com o antecessor não acontecia isso", protestou. "Estou
estarrecido", disse Inocêncio.
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