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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS
JOÃO
MAIA
Existe
uma base aliada de primeira
e uma de segunda
Por:
JULIERME TORRES - Foto: FRED VERAS
Hoje
o deputado federal João Maia desembarca em Mossoró.
Vai se reunir com as pré-candidatas Larissa Rosado (PSB)
e Fafá Rosado (DEM) para decidir o rumo que o seu partido,
o PR, vai tomar nas eleições da cidade. O sentimento
que vai nortear essas conversas é antecipado nesta entrevista.
Embora tenha prevenido o repórter que, em suas respostas,
deixaria muitas lacunas, João Maia aponta as barreiras com
o grupo da deputada federal Sandra Rosado e admite maior facilidade
de diálogo com Fafá. Admite a insatisfação
com o acordo que uniu a base Lulista em Natal. "O PR não
foi convidado a comparecer", reclamou. O desabafo vai mais
além. João reafirma o entendimento com o deputado
estadual Robinson Faria (PMN). Os dois estarão juntos, para
se fortalecer na mesa de negociações de Natal, e admite
que episódios que estão distanciando o PR do PSB da
governadora Wilma, como nas cidades de Caraúbas, Ceará-Mirim
e Mossoró, revelam certo desgaste na relação.
JORNAL DE FATO - O senhor vem a Mossoró neste domingo (hoje)
para conversar com as candidatas Larissa (PSB) e Fafá Rosado
(DEM). O seu partido, o PR, se define nessas conversas?
JOÃO MAIA - Acho que nós daremos um passo definitivo.
A decisão do PR vai ser do PR de Mossoró. Tanto a
deputada Larissa (Rosado) quanto o deputado Leonardo (Nogueira)
e a prefeita Fafá, pediram para expor as razões porque
gostariam de contar com o apoio do PR. Eu, na verdade, vou ser um
ouvinte para assegurar que a decisão que o PR de Mossoró
tome seja amparada pela direção estadual.
JÁ que vem na condição de ouvinte, o que o
senhor espera ouvir?
EU tenho uma expectativa que as pré-candidatas tenham
uma posição que convença a gente, que já
tem uma definição prévia de ter candidatura
própria, de que é melhor para Mossoró e é
melhor para o partido caminhar com uma delas.
ESSE melhor passa por garantias que favoreçam a chapa proporcional
do PR?
ESSE é um ponto a ser considerado. Mas não é
só isso. Queremos saber qual é o projeto de desenvolvimento
para Mossoró.
Qual é a participação que nós teríamos
no Governo. Mas, é evidente que o PR é um partido
de gente que está entrando na política, e nós
esperamos não frustrar as expectativas que eles têm.
Queremos saber como participar desse projeto, porque nossa questão
não é apenas de arrumar emprego no governo.
A CANDIDATURA de Renato Fernandes é pra valer, ou tem apenas
o objetivo de forçar a negociação com outros
partidos?
ELA é pra valer. Hoje mesmo (sexta-feira, 23) nós
nos reunimos com o PC do B, em Natal. Estivemos com o Antenor (Roberto),
com o Capistrano, com o Canindé (de França). Nós
discutimos e o tom é de caminhar com a candidatura própria.
ESSA é mesmo a tendência?
EM política a gente precisa negociar, abrir alternativas.
Mas se não existir nada de novo, nós vamos caminhar
com a nossa candidatura. Esse é o nosso sentimento, com o
PC do B.
EM 2006 o senhor teve quase quatro mil votos em Mossoró.
Uma candidatura alternativa pode lhe render um desempenho eleitoral
menor e, ainda, perder a única cadeira que o PR tem na Câmara.
O senhor não teme ficar sem palanque, em 2010, no segundo
maior colégio eleitoral do Estado?
POLÍTICA é risco. A gente não pode abrir
mão de princípios, pela matemática. Entre os
princípios e a matemática, eu fico com os princípios.
O SECRETÁRIO Marcelo Rosado sempre foi colocado como a alternativa
do PR para disputar a Prefeitura de Mossoró. De repente,
o partido sacou o nome dele e apresentou Renato Fernandes. Qual
o motivo dessa troca?
NÃO é bem uma troca. É que Marcelo ainda
está entrando na política, como a maioria dos membros
do partido, em Mossoró. Ele vem fazendo um grande trabalho
na Secretaria de Desenvolvimento. Nós achamos que o Renato,
por ter dois mandatos de vereador, ter uma desenvoltura maior, poderia
representar esse discurso do novo. Complementando a questão
de Marcelo... Às vezes a gente não reconhece, mas
ele vem realizando um grande trabalho na atração dessas
fábricas de cimento, na consolidação desse
pólo cerâmico de Mossoró. Tudo isso tem muito
a ver com Marcelo Rosado. É importante manter Marcelo na
posição que ele está.
O PR anunciou que faria uma pesquisa qualitativa para ver o que
o eleitor de Mossoró estava querendo. A retirada do nome
de Marcelo ocorreu depois dessa pesquisa. O fato dele ter o sobrenome
Rosado pesou na decisão do partido?
NÃO. Nós não estamos fazendo campanha contra
e nem a favor dos Rosados. O PR reconhece que os Rosados são
uma parte importante e histórica da política de Mossoró.
Nós achamos isso e não temos nada para fazer campanha
contra os Rosados. O que nós queremos é criar uma
alternativa política e não de família para
Mossoró.
CASO o PR tivesse que decidir agora, seria mais fácil o entendimento
com o grupo da senadora Rosalba-prefeita Fafá Rosado, ou
com o da deputada federal Sandra Rosado-deputada estadual Larissa
Rosado?
É MAIS fácil com Fafá.
POR QUE?
PORQUE é um diálogo em cima de propostas, de projetos.
Não é nada pessoal, mas é sabido que o PR de
Mossoró... Isso não quer dizer nada, que a gente não
possa se entender, mas eu admito que, francamente falando, o PR
de Mossoró se sente mais confortável no diálogo
com Fafá.
ISSO ainda é reflexo de 2006?
NÃO. É muito aquela história de que são
pessoas que estão chegando na política e que tem um
objetivo a seguir, com um projeto mais construtivo. Tem o fato de
Renato Fernandes ter problemas, entendeu? Nós tivemos problemas
com a questão da CODERN (Companhia Docas do Rio Grande do
Norte). Nós tivemos problemas. Pode ser superado. Mas você
me perguntou no dia de hoje. E no dia de hoje, eu diria com toda
a honestidade que o diálogo é mais fácil com
Fafá.
ATÉ que ponto o processo eleitoral de Natal terá influência
nessa decisão do PR em Mossoró?
O PR é um partido municipalista. A gente prima pela autonomia,
pela independência, desde que seja em cima de princípios,
das decisões municipais. Daí porque, antes que se
decidisse definitivamente pela candidatura própria, nós
fizemos questão que a direção do PR de Mossoró
ouvisse a pré-candidata Larissa e a prefeita Fafá
Rosado, que também é pré-candidata à
reeleição. Essa decisão tem que ser local.
Eu não tenho nenhuma pretensão de que exista qualquer
influência na decisão do partido em Mossoró.
MAS o senhor terá uma conversa com a governadora Wilma de
Faria (PSB) na segunda-feira. O tema Mossoró está
na pauta?
É QUASE impossível que Mossoró não
entre na pauta.
SE É impossível que não entre, como o assunto
será tratado com a governadora, tendo em vista que ela (Wilma
de Faria) tem uma candidata em Mossoró?
QUE o partido em Mossoró terá um candidato, ou
uma candidata. Mas eu, pessoalmente, não decido nada sem
ouvir a governadora Wilma. Mas, como eu lhe falei, você pode
acreditar, é uma decisão do diretório de Mossoró.
EM Natal o PR é disputado pela deputada estadual Micarla
de Souza (PV) e pela base Lulista, que quer o partido apoiando a
candidatura da deputada federal Fátima Bezerra (PT). O senhor
está mais perto de desembarcar em qual palanque?
NA coluna do meio.
NA coluna do meio?
É.
E O que é que vai fazer o PR deixar essa coluna do meio e
pender para um lado, ou para o outro?
NÃO, eu acho que está exatamente no meio.
Exatamente no meio?
SIM.
A FORMA como a deputada federal Fátima Bezerra foi escolhida
irritou o senhor e o PR?
NÃO é que irritou. Mas eu manifestei de público
que foi um acordo que mostrou que existe uma base aliada de primeira
e uma base aliada de segunda. O PR não participou do acordo.
Nem foi convidado a comparecer. A gente tem procurado ouvir a deputada
Fátima, a governadora Wilma. Nós vamos tomar uma decisão
com serenidade.
FOI noticiado que o senhor fechou um acordo com o presidente da
Assembléia, deputado estadual Robinson Faria, para que os
dois tomassem uma decisão conjunta. Esse acordo ainda está
mantido?
EU estive hoje (sexta-feira, 23) com o deputado Robinson Faria
novamente. Atualizamos as informações. A gente ponderou
juntos. Esse acordo nosso é pra valer. Nós vamos criar
um limite para que a gente participe.
ENTÃO podemos afirmar que onde Robinson estiver João
Maia também vai estar. É isso?
NÃO. A relação não é assim
não. A relação é que nós dois
vamos exaurir todas as possibilidades e partirmos do desejo de caminharmos
juntos.
O SENADOR José Agripino também está nesse entendimento?
NÃO. Esse entendimento é meu com o presidente
da Assembléia, Robinson Faria. O que a gente precisa é
caminhar junto na decisão de Natal e ter alguns discernimentos
sobre o que está acontecendo na política do Estado.
Então, esse é o entendimento que está mantido.
DEPOIS que a senadora Rosalba Ciarlini anunciou o apoio à
candidatura da deputada Micarla de Souza, em Natal, se especula
que haverá um compromisso de Micarla com ela, em 2010. Isso
fez com que o senhor passasse a refletir sobre o apoio do PR a ela?
NÃO. Esse argumento pra mim não é uma coisa
relevante não. Mas como, aqui no Rio Grande do Norte, 2010
chegou antes de 2008, não há muito como fugir dessa
discussão. Mas esse não creio que seja um ponto muito
relevante na minha discussão com o deputado Robinson Faria.
EM Caraúbas o PSB lançou candidato próprio
e o prefeito Eugênio, do PR, até desistiu da reeleição.
Existe dificuldade entre PSB e PR em Ceará-Mirim. Também
em Mossoró. Não estaria havendo um desgaste na relação
do PR com a governadora Wilma?
CARAÚBAS tem uma sintonia com o padre Paulo Brasil, do
PC do B, e nós queremos procurar um acordo com o PT. Terem
os uma candidatura própria em Caraúbas, com o objetivo
de continuar o projeto da nova Caraúbas, com desenvolvimento,
emprego e paz. Nós vamos ter candidato em Caraúbas.
MAS é uma série de fatores. Caraúbas, Ceará-Mirim
e também Mossoró. Não há um desgaste
na relação do PR com a governadora Wilma?
QUANDO a gente procura fortalecer um partido, a gente tem desgaste
com todo mundo. Isso é natural. Eu sou presidente do partido.
Eu pretendo fortalecer os meus aliados, os meus partidários.
Isso é normal. Eu não vejo isso com preocupação.
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