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DÍVIDA RURAL
Medida
deve renegociar R$ 180 mi
MAGNOS ALVES
Da Redação
Publicada ontem (28) a Medida Provisória 432, que reestrutura
a dívida rural brasileira, deve renegociar R$ 180 milhões
no Rio Grande do Norte. Esse é o montante das dívidas
acumuladas pelo setor desde a década de 80 até junho
de 2006, de acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
Em todo país, a proposição dá tratamento
a R$ 75 bilhões e tem o potencial de atender 2,8 milhões
de contratos.
No Estado, o número de agricultores beneficiados ainda não
foi contabilizado. "Não temos levantamento do número
de contratos que serão renegociados", informou Manoel
Candido, presidente da Federação dos Trabalhadores
na Agricultura do Rio Grande do Norte (FETARN).
Porém, ele adiantou que milhares de agricultores serão
cobertos pela MP no Estado. São agricultores que têm
dívida em atraso com os bancos do Brasil e do Nordeste.
A MP define diferentes formas de negociação para cada
grupo de dívida, ou seja, as propostas variam por programa
e tipicidade. As diretrizes são de redução
dos encargos por inadimplementos incidentes sobre as prestações
vencidas e não pagas; de diluição do saldo
devedor vencido entre as parcelas vincendas; de concessão
de prazo adicional para pagamento; de redução das
taxas de juros das operações com encargos mais elevados;
e de concessão de descontos para liquidação
das operações antigas com risco da União.
Para Manoel Candido, a MP é uma vitória para os agricultores.
"A Medida está dentro das reivindicações
feitas durante do Grito da Guerra 2008", ressaltou.
Na prática, a MP transforma agricultores inadimplentes em
adimplentes, permitido que estes voltem a ter acesso a novos créditos
para investimentos na produção agrícola. Além
das dívidas que foram individualizadas, facilitando a renegociação.
Manoel Candido destacou também que presidente Lula garantiu
que nenhuma área rural em posse de agricultores endividados
será penhorada. "Os bancos já estavam notificando
os agricultores e ameaçando penhorar suas terras, mas o presidente
Lula garantiu que o melhor é anistiar a dívida dos
agricultores", destacou.
A MP propõe ainda medidas que pretendem estimular o desenvolvimento
da agricultura familiar e do agronegócio brasileiro, com
destaque para a autorização para renegociação
de dívidas de mutuário inscrito no Cadastro Informativo
de Créditos não Quitados do Setor Público Federal
(CADIN), desde que o motivo que originou a inscrição
seja a dívida objeto da renegociação, e para
a prorrogação do prazo de contratação
das operações do Financiamento de Recebíveis
do Agronegócio (FRA) para 30 de setembro de 2008.
Manoel Candido disse que os agricultores estão confiante
que a MP vai melhorar as condições da agricultura
familiar. "Essa decisão do Governo Lula vai gerar novos
investimentos na agricultura familiar, melhorando as condições
dos agricultores", reiterou.
Banco
do Nordeste amplia
financiamento para exportação
De R$ 500 mil para R$ 5 milhões. O aumento
no limite de financiamento é uma das modificações
aprovadas pelo Banco do Nordeste para a execução do
Cresce Nordeste Exportação, a linha de crédito
do BNB destinada a incrementar a participação das
empresas nordestinas no volume de exportações nacional.
As alterações nos financiamentos ainda incluem um
prazo de pagamento de até 18 meses (antes era de até
12 meses) e a concessão de crédito a grandes empresas
exportadoras (antes o produto era restrito a micro, pequenas e médias
empresas). Com recursos provenientes do Fundo Constitucional de
Financiamento do Nordeste - FNE, o Cresce Nordeste Exportação
é voltado à aquisição de matérias-primas,
insumos e mercadorias destinados ao mercado externo.
Segundo o gerente do Ambiente de Operações de Câmbio
do BNB, Ernesto Leite, a ampliação da linha de crédito
está em sintonia com os propósitos do Governo Federal
em estimular as exportações brasileiras. "Essa
é uma ação que traduz bem os esforços
do banco de incentivo às exportações na Região
Nordeste. O Cresce Nordeste Exportação representa
uma oportunidade de abertura de novos mercados para os produtos
nordestinos", afirmou o gerente, que acredita que os ajustes
proporcionarão condições mais vantajosas para
a realização de negócios no setor.
Lançado no início de abril, o Cresce Nordeste Exportação
tem disponibilidade inicial de R$ 50 milhões em créditos
para empresas instaladas em qualquer município da Região
Nordeste ou norte dos estados de Minas Gerais ou Espírito
Santo. "Com taxa de juros muito atrativa e operacionalização
desburocratizada, essa nova linha de crédito, em consonância
com a programação do FNE, prioriza áreas mais
carentes como localidades do semi-árido e municípios
de baixa renda", afirmou Ernesto Leite.
A assessoria de comunicação do BNB no Rio Grande do
Norte informou que operações já foram feitas
através do Cresce Nordeste Exportação. No entanto,
ainda não era possível informar quais os valores arrematados.
A assessoria informou também que o Cresce Nordeste Exportação
será lançado em Mossoró na primeira quinzena
de junho. Motivo é Mossoró ser um dos pólos
exportadores do Estado.
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