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TOTAL
Cultura
na ponta do lápis
Com uma história conceituada no meio
artístico e cultural de Mossoró, a Companhia Escarcéu
de Teatro mostra que trabalhar com cultura é muito mais que
levar graça ao público. Depois de percorrer oito escolas
da rede estadual de ensino, com a apresentação da
peça Negra, os atores do grupo querem saber que
resultados o trabalho provocou entre os alunos que prestigiaram
as apresentações e esse balanço vai ser conhecido
através de um concurso de redação, que encerra
a inscrição hoje.
O concurso faz parte do projeto Negra na Escola, que
conta com patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB)
e procura despertar em cada um dos estudantes a preocupação
com o preconceito e formas de combater esse problema. Para a direção
da companhia, estimular a escrita e o potencial intelectual dos
jovens é o que se pretende com essa iniciativa. Queremos
ver na ponta do lápis o que ficou desse trabalho na mente
dos alunos que puderam assistir às nossas apresentações
e fazer que a questão do preconceito racial seja vista com
outros olhos por esses jovens, explicou o ator e diretor da
companhia, Nonato Santos.
Mais de 300 alunos já procuraram a direção
das escolas para fazer a inscrição e a expectativa
do grupo é que esse número aumente, já que
duas escolas ainda faltam ser visitadas pelo projeto. Por
causa das chuvas, duas escolas que estavam abrigando famílias
não foram atendidas. Mas vamos abrir uma exceção
para esses alunos participar também, comenta.
É interesse dessa trupe promover uma reflexão sobre
a importância da cultura negra na região, ressaltando
seus aspectos positivos, como forma de contribuir na formação
de valores e incentivar a discussão acerca do preconceito
no âmbito da comunidade escolar, não somente os relacionados
às questões religiosas, como também as questões
étnico-raciais. Já percebemos que existem alunos
negros que depois de ver a peça e entrar na discussão
passam a se valorizar mais, explica Nonato Santos.
As escolas Jerônimo Rosado e Ambulatório José
Pereira Lima ainda vão receber a visita do projeto, em data
a ser definida.
O regulamento do concurso de redação está disponível
no site da Cia Ecarcéu - www.escarceu.com.br.
Quase
sem rodeios
Fabíola Tavernard
Do PopTevê
Otaviano Costa é um contador de histórias. Mais precisamente,
de suas próprias. Falante, simpático e bem-humorado,
o cuiabano de 34 anos conta com desenvoltura e várias
pausas para piadas como foi o início de sua carreira.
Ele recorda a adolescência - época em que trabalhou
como locutor da rádio Jovem Pan de São Paulo -, as
idas e vindas em várias emissoras do país, a primeira
chance como apresentador e, mais recentemente, sua entrada, por
acaso, em Amor e Intrigas, trama em que interpreta
o conquistador Felipe. Muita gente não sabe, mas comecei
a carreira como ator. De qualquer forma, é muito bom voltar,
após 12 anos sem atuar, e pegar um personagem tão
rico, comemora.
Jurando que nem cogitava atuar em uma novela, em meados de 2007
Otaviano estava montando uma peça sobre os bastidores da
tevê. Em busca de material, ligou para a Record e pediu seus
arquivos da época em que apresentava programas por lá,
como Domínio Público e Jogos de
Família. Na mesma hora, o produtor que o atendeu entrou
em contato com o diretor Edson Spinello, que disse que havia um
papel em aberto na trama, e o convidou para um teste. Pego de surpresa,
o ator aceitou a proposta, foi aprovado e começou a gravar.
Tudo no impulso. Fui pego desprevenido. Fiquei nervoso porque
tevê é muita coisa para pensar ao mesmo tempo. Câmara,
texto, naturalidade... Mas é um exercício maravilhoso
de emoções, avalia.
Seu personagem, Bruno, é o garanhão da
história. Prova disso é que, desde o início
da trama, ele já conquistou várias mulheres. Em sua
extensa lista estão Sílvia, de Cássia
Linhares, Fabíola, vivida por Bruna Di Túlio, e Rafaela,
de Mylla Christie, com que se casou. Esta, coitada, sofreu uma baita
desilusão após pegar o marido na cama com Valquíria,
vilã interpretada por Renata Dominguez. Minhas primeiras
cenas foram gravadas no motel. De cara, percebi que ele seria incorrigível
neste sentido, avalia, aos risos. Como se não bastasse
a fama de galanteador, Bruno há tempos virou a pedra
no sapato de Felipe, de Luciano Szafir, ao se meter nas contas
da empresa Junqueira de Albuquerque, na qual tem participação.
Depois que a Dorotéia descobre que o Felipe é
o larápio da história, ele passa a perturbar a vida
do Felipe, explica, referindo-se à matriarca da família
vivida por Esther Góes.
Embora este seja seu primeiro papel fixo em uma novela, Otaviano
há tempos flerta com a atuação. Aos 15 anos,
enquanto ainda apresentava o programa Pandemônio,
na rádio Jovem Pan de São Paulo, ele passou a integrar
o elenco da Escolinha do Golias, no SBT. Depois, passou
dois anos como VJ da MTV e em seguida virou ator da novelinha infantil
do programa Casa da Angélica. Em 1994, fez uma
participação em Éramos Seis, também
do SBT. Paralelo a isso, Otaviano sempre atuou no teatro. Mas só
ficou conhecido do grande público ao apresentar o O+,
na Band, entre 1999 e 2001. Achavam que eu estava começando
ali, mas já tinha 12 anos de carreira, pontua ele,
que também ajudou a implementar a MTV em Cuiabá, foi
manipulador de marionetes, ator de pegadinhas e repórter
do Domingão do Faustão por dois anos.
Se eu olhar para trás, já fiz muita coisa. A
tevê tem o lado ruim da imprevisibilidade.

A
última tentação
Carla Neves
PopTevê
Foi com a divertida caipira Marcinha, de Malhação,
que a paulistana Giovana Ewbank, de 21 anos, se tornou conhecida
do público brasileiro. Mas é com uma contraditória
personagem que a bela atriz promete roubar a cena em A Favorita.
Na próxima trama das oito da Globo, com estréia prevista
para o dia 2 de junho, Giovana vai interpretar uma garota de programa
para lá de religiosa. Batizada de Maria do Perpétuo,
a personagem usa o nome de guerra Sharon para trabalhar
em um bordel. A personagem é do tipo que faz promessa,
mas sonha em colocar silicone e posar nua, antecipa Giovana,
que não precisou fazer mudanças drásticas no
visual. Só dei uma clareadinha nos fios, conta.
Na trama assinada por João Emanuel Carneiro e dirigida por
Ricardo Waddington, a atriz vai morar no bordel de Dona Cilene,
cafetina interpretada por Elizângela. Mãe de Halley,
vivido por Cauã Reymond, a agenciadora não vai permitir
que nenhuma de suas agenciadas entre elas, Giovana,
Emanuelle Araújo, Raquel Galvão e Thiare se
envolva com o filho. A Dona Cilene é a mãezona
das meninas, mas deixa bem claro que nenhuma delas pode se relacionar
com o Halley. Só que todas já ficaram com ele, que
é um mulherengo, conta, aos risos. Giovana adianta
que as meninas vão viver bem vestidas, já que terão
clientes de alto nível social. Acho que a minha personagem
é a mais básica. Mas ela não deixa de ser sensual,
assegura a atriz, que na história ainda vai ser mãe
de um filho pequeno, ainda sem ator escalado.
Assim que recebeu o convite para viver a paradoxal garota de programa,
Giovana começou a fazer o dever de casa. Coincidentemente,
a atriz descobriu que sua massagista, que mora em Copacabana, na
Zona Sul do Rio, é vizinha de uma prostituta. Fui apresentada
a ela, que me levou a algumas casas de shows, lembra. Ciceroneada
pela profissional, a atriz conheceu jovens como Maria do Perpétuo,
que trabalham na noite, mas durante o dia exercem outras funções.
É uma vida completamente diferente da que imaginava,
surpreende-se.
A atriz conta que o papel, absolutamente diferente da simpática
caipira de Malhação, está exigindo
dedicação exclusiva. Tanto que, diariamente, ela tem
tido aulas com a instrutora de dramaturgia Andréa Cavalcanti.
É bem complexa essa contradição da personagem,
que é religiosa mas, ao mesmo tempo, sonha em ser famosa
e junta dinheiro para colocar silicone, acredita. Tanta complexidade,
contudo, não intimida a atriz, que já assume a ousadia
da personagem. Sempre me perguntam se tenho medo da comparação
com a Bebel. Mas não tem nada a ver, garante, referindo-se
à exuberante prostituta vivida por Camila Pitanga em Paraíso
Tropical, exibida ano passado na Globo.
A Favorita e toda sua atmosfera típica de novela
das oito está possibilitando a Giovana a realização
de um sonho de dez entre dez jovens atrizes: atuar no horário
nobre. Estou gostando muito. Espero que faça um bom
trabalho, torce. Aliás, saber que seu trabalho vai
ser analisado por milhões de telespectadores não assusta
a atriz. Não temo as críticas. Estou estudando
muito, indo atrás para valer do universo dessas garotas de
programa, garante.
Se estudar já faz parte do dia-a-dia de Giovana, observar
o comportamento dos colegas de elenco também passou a tomar
conta do cotidiano da atriz. A Elizângela, por exemplo,
é incrível. Me dá vários toques,
derrete-se. Além de atriz, Giovana é modelo, estilista
e dona de uma grife, que se chama As Filhas. Apesar
das mil facetas, é pela tevê que seu coração
bate mais forte. Me apaixonei de cara pela tevê, principalmente
porque depois de fazer vários cursos consegui superar minha
timidez, revela ela, que tem contrato com a Globo até
2011.
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