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MOSSORÓ (RN), TERÇA-FEIRA, 29/04/2008 (ATUALIZADO: 00:27hs)
 
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Cultura na ponta do lápis
Com uma história conceituada no meio artístico e cultural de Mossoró, a Companhia Escarcéu de Teatro mostra que trabalhar com cultura é muito mais que levar graça ao público. Depois de percorrer oito escolas da rede estadual de ensino, com a apresentação da peça “Negra”, os atores do grupo querem saber que resultados o trabalho provocou entre os alunos que prestigiaram as apresentações e esse balanço vai ser conhecido através de um concurso de redação, que encerra a inscrição hoje.
O concurso faz parte do projeto “Negra na Escola”, que conta com patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e procura despertar em cada um dos estudantes a preocupação com o preconceito e formas de combater esse problema. Para a direção da companhia, estimular a escrita e o potencial intelectual dos jovens é o que se pretende com essa iniciativa. “Queremos ver na ponta do lápis o que ficou desse trabalho na mente dos alunos que puderam assistir às nossas apresentações e fazer que a questão do preconceito racial seja vista com outros olhos por esses jovens”, explicou o ator e diretor da companhia, Nonato Santos.
Mais de 300 alunos já procuraram a direção das escolas para fazer a inscrição e a expectativa do grupo é que esse número aumente, já que duas escolas ainda faltam ser visitadas pelo projeto. “Por causa das chuvas, duas escolas que estavam abrigando famílias não foram atendidas. Mas vamos abrir uma exceção para esses alunos participar também”, comenta.
É interesse dessa trupe promover uma reflexão sobre a importância da cultura negra na região, ressaltando seus aspectos positivos, como forma de contribuir na formação de valores e incentivar a discussão acerca do preconceito no âmbito da comunidade escolar, não somente os relacionados às questões religiosas, como também as questões étnico-raciais. “Já percebemos que existem alunos negros que depois de ver a peça e entrar na discussão passam a se valorizar mais”, explica Nonato Santos.
As escolas Jerônimo Rosado e Ambulatório José Pereira Lima ainda vão receber a visita do projeto, em data a ser definida.
O regulamento do concurso de redação está disponível no site da Cia Ecarcéu - www.escarceu.com.br.

Quase sem rodeios
Fabíola Tavernard
Do PopTevê

Otaviano Costa é um contador de histórias. Mais precisamente, de suas próprias. Falante, simpático e bem-humorado, o cuiabano de 34 anos conta com desenvoltura – e várias pausas para piadas – como foi o início de sua carreira. Ele recorda a adolescência - época em que trabalhou como locutor da rádio Jovem Pan de São Paulo -, as idas e vindas em várias emissoras do país, a primeira chance como apresentador e, mais recentemente, sua entrada, “por acaso”, em “Amor e Intrigas”, trama em que interpreta o conquistador Felipe. “Muita gente não sabe, mas comecei a carreira como ator. De qualquer forma, é muito bom voltar, após 12 anos sem atuar, e pegar um personagem tão rico”, comemora.
Jurando que nem cogitava atuar em uma novela, em meados de 2007 Otaviano estava montando uma peça sobre os bastidores da tevê. Em busca de material, ligou para a Record e pediu seus arquivos da época em que apresentava programas por lá, como “Domínio Público” e “Jogos de Família”. Na mesma hora, o produtor que o atendeu entrou em contato com o diretor Edson Spinello, que disse que havia um papel em aberto na trama, e o convidou para um teste. Pego de surpresa, o ator aceitou a proposta, foi aprovado e começou a gravar. Tudo no impulso. “Fui pego desprevenido. Fiquei nervoso porque tevê é muita coisa para pensar ao mesmo tempo. Câmara, texto, naturalidade... Mas é um exercício maravilhoso de emoções”, avalia.
Seu personagem, Bruno, é o “garanhão” da história. Prova disso é que, desde o início da trama, ele já conquistou várias mulheres. Em sua extensa “lista” estão Sílvia, de Cássia Linhares, Fabíola, vivida por Bruna Di Túlio, e Rafaela, de Mylla Christie, com que se casou. Esta, coitada, sofreu uma baita desilusão após pegar o marido na cama com Valquíria, vilã interpretada por Renata Dominguez. “Minhas primeiras cenas foram gravadas no motel. De cara, percebi que ele seria incorrigível neste sentido”, avalia, aos risos. Como se não bastasse a fama de galanteador, Bruno há tempos virou a “pedra no sapato” de Felipe, de Luciano Szafir, ao se meter nas contas da empresa Junqueira de Albuquerque, na qual tem participação. “Depois que a Dorotéia descobre que o Felipe é o larápio da história, ele passa a perturbar a vida do Felipe”, explica, referindo-se à matriarca da família vivida por Esther Góes.
Embora este seja seu primeiro papel fixo em uma novela, Otaviano há tempos flerta com a atuação. Aos 15 anos, enquanto ainda apresentava o programa “Pandemônio”, na rádio Jovem Pan de São Paulo, ele passou a integrar o elenco da “Escolinha do Golias”, no SBT. Depois, passou dois anos como VJ da MTV e em seguida virou ator da novelinha infantil do programa “Casa da Angélica”. Em 1994, fez uma participação em “Éramos Seis”, também do SBT. Paralelo a isso, Otaviano sempre atuou no teatro. Mas só ficou conhecido do grande público ao apresentar o “O+”, na Band, entre 1999 e 2001. “Achavam que eu estava começando ali, mas já tinha 12 anos de carreira”, pontua ele, que também ajudou a implementar a MTV em Cuiabá, foi manipulador de marionetes, ator de “pegadinhas” e repórter do “Domingão do Faustão” por dois anos. “Se eu olhar para trás, já fiz muita coisa. A tevê tem o lado ruim da imprevisibilidade.

A última tentação
Carla Neves
PopTevê

Foi com a divertida caipira Marcinha, de “Malhação”, que a paulistana Giovana Ewbank, de 21 anos, se tornou conhecida do público brasileiro. Mas é com uma contraditória personagem que a bela atriz promete roubar a cena em “A Favorita”. Na próxima trama das oito da Globo, com estréia prevista para o dia 2 de junho, Giovana vai interpretar uma garota de programa para lá de religiosa. Batizada de Maria do Perpétuo, a personagem usa o “nome de guerra” Sharon para trabalhar em um bordel. “A personagem é do tipo que faz promessa, mas sonha em colocar silicone e posar nua”, antecipa Giovana, que não precisou fazer mudanças drásticas no visual. “Só dei uma clareadinha nos fios”, conta.
Na trama assinada por João Emanuel Carneiro e dirigida por Ricardo Waddington, a atriz vai morar no bordel de Dona Cilene, cafetina interpretada por Elizângela. Mãe de Halley, vivido por Cauã Reymond, a agenciadora não vai permitir que nenhuma de suas “agenciadas” – entre elas, Giovana, Emanuelle Araújo, Raquel Galvão e Thiare – se envolva com o filho. “A Dona Cilene é a mãezona das meninas, mas deixa bem claro que nenhuma delas pode se relacionar com o Halley. Só que todas já ficaram com ele, que é um mulherengo”, conta, aos risos. Giovana adianta que as meninas vão viver bem vestidas, já que terão clientes de alto nível social. “Acho que a minha personagem é a mais básica. Mas ela não deixa de ser sensual”, assegura a atriz, que na história ainda vai ser mãe de um filho pequeno, ainda sem ator escalado.
Assim que recebeu o convite para viver a paradoxal garota de programa, Giovana começou a fazer o “dever de casa”. Coincidentemente, a atriz descobriu que sua massagista, que mora em Copacabana, na Zona Sul do Rio, é vizinha de uma prostituta. “Fui apresentada a ela, que me levou a algumas casas de shows”, lembra. Ciceroneada pela profissional, a atriz conheceu jovens como Maria do Perpétuo, que trabalham na noite, mas durante o dia exercem outras funções. “É uma vida completamente diferente da que imaginava”, surpreende-se.
A atriz conta que o papel, absolutamente diferente da simpática caipira de “Malhação”, está exigindo dedicação exclusiva. Tanto que, diariamente, ela tem tido aulas com a instrutora de dramaturgia Andréa Cavalcanti. “É bem complexa essa contradição da personagem, que é religiosa mas, ao mesmo tempo, sonha em ser famosa e junta dinheiro para colocar silicone”, acredita. Tanta complexidade, contudo, não intimida a atriz, que já assume a ousadia da personagem. “Sempre me perguntam se tenho medo da comparação com a Bebel. Mas não tem nada a ver”, garante, referindo-se à exuberante prostituta vivida por Camila Pitanga em “Paraíso Tropical”, exibida ano passado na Globo.
“A Favorita” e toda sua atmosfera típica de novela das oito está possibilitando a Giovana a realização de um sonho de dez entre dez jovens atrizes: atuar no horário nobre. “Estou gostando muito. Espero que faça um bom trabalho”, torce. Aliás, saber que seu trabalho vai ser analisado por milhões de telespectadores não assusta a atriz. “Não temo as críticas. Estou estudando muito, indo atrás para valer do universo dessas garotas de programa”, garante.
Se estudar já faz parte do dia-a-dia de Giovana, observar o comportamento dos colegas de elenco também passou a tomar conta do cotidiano da atriz. “A Elizângela, por exemplo, é incrível. Me dá vários toques”, derrete-se. Além de atriz, Giovana é modelo, estilista e dona de uma grife, que se chama “As Filhas”. Apesar das mil facetas, é pela tevê que seu coração bate mais forte. “Me apaixonei de cara pela tevê, principalmente porque depois de fazer vários cursos consegui superar minha timidez”, revela ela, que tem contrato com a Globo até 2011.



       




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