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MOSSORÓ (RN), TERÇA-FEIRA, 29/04/2008 (ATUALIZADO: 00:27hs)
 
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CONJECTURAS
Amanheci hoje com seu Leoncinho presente em mim. José Leôncio de Santana. Brasileiro, casado, funcionário público graduado, católico apostólico romano. Era, na linguagem do passado, um santo. Dele, não se dizia outra coisa mais que não fosse bondade. É verdade: dessa figura digamos santa, já falei de outras vezes neste espaço de jornal. Tantas. E volto-lhe à memória. Com suave saudade.
Conheci-o de contato pessoal rapazinho, eu. Era o tempo em que eu buscava, numa inquietação existencial dominante, a crença na existência de Deus. Não era seu Leoncinho um teólogo ou mesmo filósofo, no sentido vulgar do termo, mas, pela sua fé puramente vivida, parecia-me ser ele o caminho que me levaria a Deus. Mas, infelizmente, não foi assim, confesso.
Verdade seja que, diante dele, do seu coração na doçura paternal das feições e do riso puro, como que eu sentia a presença de Deus, mas tudo não durava mais do que o instante da presença (dele, seu Leoncinho). E ele me dizia, com voz digamos de luz, a mão macia no meu ombro, não acreditava no meu ateísmo, porque não podia acreditar na existência de ateus. E me envolvia no que nele era essência humana (ia dizer divina).
O mal no mundo. Sempre achei, até hoje, tanta inconsistência na argumentação em favor da existência de Deus quanto fosse preciso para o convencimento, mas, confesso, a bondade vivencial de seu Leoncinho era como se me convencesse do contrário. Explico-me. O amor de Deus se provava ou, antes, se evidenciava nos Leoncinho, com meridiana clareza, vá o lugar-comum.
Fico pensando: o mal existe, sim, mas não se pode negar que seja ele a negação do bem, como queria Agostinho de Hipona. Como explicar tantas, numerosas pessoas assim de sentimentos nobres, direi melhor, puros, na mais completa aplicação do termo? Sem ódio, sem inveja, sem despeito, digamos, a positiva afirmação da nobreza da condição humana. Era assim seu Leoncinho, e talvez mais do que isso.

CRUZ
Há cem anos, o Brasil, com Oswaldo Cruz, acabou com a febre amarela. Ação conjunta dos governos federal, estaduais e municipais. Hoje, com mais recursos, de medicina e financeiros, vê-se o país vencido por um mosquito. Só o Rio de Janeiro, há quinze anos convive com a dengue. Não temos mais um Oswaldo Cruz.

IPTU
O governo municipal, como os outros, vive da arrecadação da contribuição da coletividade. Em forma de impostos e taxas. De modo que o pagamento do IPTU significa uma obrigação municipal, que o município não pode prescindir da renda própria. Ou não será digno dessa categoria política. Mossoró aliás precisa dar bom exemplo, pela sua importância no contexto do Estado.

LINGUAGEM
• Vem aí mais uma reforma ortográfica, que outra finalidade não terá que a de desfigurar a língua portuguesa. O francês, que tem uma tradição cultural invejável, não se desfaz de sua acentuação caprichosa, exigência de sua fonética. Pode-se dizer que muito equivocado andou o escritor Monteiro Lobato querendo acabar com os acentos no idioma pátrio, por influência do inglês, sem a consideração científica da realidade fonética dos dois idiomas. O acento diferencial, por exemplo, é uma necessidade do português. Vamos ver na próxima coluna.



       




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