

CONJECTURAS
Amanheci
hoje com seu Leoncinho presente em mim. José Leôncio
de Santana. Brasileiro, casado, funcionário público
graduado, católico apostólico romano. Era, na linguagem
do passado, um santo. Dele, não se dizia outra coisa mais
que não fosse bondade. É verdade: dessa figura digamos
santa, já falei de outras vezes neste espaço de jornal.
Tantas. E volto-lhe à memória. Com suave saudade.
Conheci-o de contato pessoal rapazinho, eu. Era o tempo em que eu
buscava, numa inquietação existencial dominante, a
crença na existência de Deus. Não era seu Leoncinho
um teólogo ou mesmo filósofo, no sentido vulgar do
termo, mas, pela sua fé puramente vivida, parecia-me ser
ele o caminho que me levaria a Deus. Mas, infelizmente, não
foi assim, confesso.
Verdade seja que, diante dele, do seu coração na doçura
paternal das feições e do riso puro, como que eu sentia
a presença de Deus, mas tudo não durava mais do que
o instante da presença (dele, seu Leoncinho). E ele me dizia,
com voz digamos de luz, a mão macia no meu ombro, não
acreditava no meu ateísmo, porque não podia acreditar
na existência de ateus. E me envolvia no que nele era essência
humana (ia dizer divina).
O mal no mundo. Sempre achei, até hoje, tanta inconsistência
na argumentação em favor da existência de Deus
quanto fosse preciso para o convencimento, mas, confesso, a bondade
vivencial de seu Leoncinho era como se me convencesse do contrário.
Explico-me. O amor de Deus se provava ou, antes, se evidenciava
nos Leoncinho, com meridiana clareza, vá o lugar-comum.
Fico pensando: o mal existe, sim, mas não se pode negar que
seja ele a negação do bem, como queria Agostinho de
Hipona. Como explicar tantas, numerosas pessoas assim de sentimentos
nobres, direi melhor, puros, na mais completa aplicação
do termo? Sem ódio, sem inveja, sem despeito, digamos, a
positiva afirmação da nobreza da condição
humana. Era assim seu Leoncinho, e talvez mais do que isso.
CRUZ
Há cem anos, o Brasil, com Oswaldo Cruz, acabou com a febre
amarela. Ação conjunta dos governos federal, estaduais
e municipais. Hoje, com mais recursos, de medicina e financeiros,
vê-se o país vencido por um mosquito. Só o Rio
de Janeiro, há quinze anos convive com a dengue. Não
temos mais um Oswaldo Cruz.
IPTU
O governo municipal, como os outros, vive da arrecadação
da contribuição da coletividade. Em forma de impostos
e taxas. De modo que o pagamento do IPTU significa uma obrigação
municipal, que o município não pode prescindir da
renda própria. Ou não será digno dessa categoria
política. Mossoró aliás precisa dar bom exemplo,
pela sua importância no contexto do Estado.
LINGUAGEM
Vem aí
mais uma reforma ortográfica, que outra finalidade não
terá que a de desfigurar a língua portuguesa. O francês,
que tem uma tradição cultural invejável, não
se desfaz de sua acentuação caprichosa, exigência
de sua fonética. Pode-se dizer que muito equivocado andou
o escritor Monteiro Lobato querendo acabar com os acentos no idioma
pátrio, por influência do inglês, sem a consideração
científica da realidade fonética dos dois idiomas.
O acento diferencial, por exemplo, é uma necessidade do português.
Vamos ver na próxima coluna.
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