

O PREÇO DO "GADO"
Tem dia
que a gente amanhece mal, assim: enjoado, sem vontade de falar com
ninguém, completa indisposição para fazer qualquer
coisa, somente uma vontade não se sabe bem de quê.
Nos meus dias assim, dou uma escapulida do trabalho, a pretexto
de qualquer coisa, que a mentira aí não desfeita ninguém,
e saio rua acima, rua abaixo, assim como se diz no rumo das ventas.
Mas me curo logo.
Pois hoje foi assim. Depois de bater pernas por aí, e confesso,
procurando evitar cruzar-me com gente das minhas relações,
que não queria papo com seu ninguém, num enjôo
dos diabos, fui parar ali nos baixos da Câmara de Vereadores.
E não sei mesmo onde fui tirar a idéia, mal como estava,
de procurar conversa com os tradicionais mercadores do voto alheio,
caras identificadas.
Que em tempo de eleição, logo cedo da manhã
se juntam ali nos arredores da Câmara, cismo eu que à
espera da cantada de algum vereador, dissimulada num insinuante
mas um tanto discreto "quero falar com você." Porém,
a verdade seja dita, enquanto ali me demorei a ouvir os arrotos
eleitorais dos tais mercadores, quase sempre donos de associações
comunitárias, vereadores chegando para a sessão, não
presenciei nenhuma cantada.
Muito pelo contrário, digo, os vereadores iam chegando era
com o celular colado à orelha, notadamente fingindo uma conversa
com, numa forma de despistar os pedintes e, quem sabe, os próprios
mercadores do voto alheio, que lhes lançavam, aos vereadores,
olhares de "estou às ordens." Bom, foi só
o que pude notar cá do meu posto de observação,
que não vou dizer o que não vi nem tampouco ouvi.
Nada disso.
Sim, ouvi apenas a queixa dos mercadores, que era quando os vereadores,
no geral, descem do carro à porta da Câmara, vão
logo botando o celular ao ouvido, se estivessem mesmo a atender
alguém, de modo a evitar os prováveis pedidos que
ali os esperam engatilhados em bocas às mais vezes mal acostumadas,
deve ser dito. E meteram o pau no lombo dos vereadores, que são
isto, que são aquilo, mais aquilo outro, e que este ano a
coisa é diferente. Querendo dizer... o preço do "gado".
EXPOFRUIT
Dia 5 é a instalação da Expofruit, no Campus
da UFERSA, Mossoró, às 20 horas. Vai até 7.
ENCÍCLICA
Recebo, do padre Sátiro, a carta encíclica Deus caritas
est, de Bento 16. Leitura reservada para o domingo que vem.
SEMEADOR
Gostei muito do número 78 de "O semeador", sobretudo
pelo texto sobre a presença de Maria no Pentecostes. Muito
obrigado.
LINGUAGEM
O estudante
Vivaldo Macedo quer saber se uma oração subordinada
pode ser assindética. Diz que leu isto num manual de língua
pátria, mas entendeu direito. Pode, sim. Vejamos este período:
Não sei onde ela está. O oração "onde
ela está" é subordinada substantiva objetiva
direta, assindética, porque não é introduzida
por conjunção integrante. No caso, "onde",
sendo advérbio de lugar, funciona como adjunto adverbial
de lugar da oração subordinada. A oração
principal e a subordinada estão justapostas.
|