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ELEIÇÕES 2008
Bastidores
quentes na política de Patu
Jotta
Paiva
Regy Carte
Da Redação
Patu - A proximidade do período das convenções
homologatórias de candidaturas, em junho, apressa definições
do quadro político de Patu para as eleições
deste ano. Oposição e situação se articulam
para fortalecimento com vistas à disputa da Prefeitura no
pleito de 5 de outubro. O governismo partiu na frente e já
fechou chapa. O empresário João Godeiro (PC do B)
está definido como pré-candidato à Prefeitura,
com apoio do prefeito Possidônio Queiroga (PTB).
Godeiro, conhecido também como "João Croché",
é pai do secretário municipal de Finanças,
Jéferson Godeiro, genro do ex-vereador Mário Solano
(in memorian), que exerceu quatro mandatos na Câmara Municipal,
cunhado do ex-prefeito Lair Solano e seu filho Segundo Godeiro foi
vice-prefeito de Ednardo Moura de 1997 a 2000.
"João Godeiro é capacitado e tem fortes laços
e tradição na política de Patu. A família
do saudoso Mário Solano, sogro dele, fez parte de chapas
de todas as disputas da Prefeitura de Patu de 1988 para cá
e venceu três das cinco disputas", enaltece Possidônio
Queiroga, que não pode concorrer à reeleição
este ano porque foi reeleito em 2004.
O pré-candidato a vice foi indicado pelo líder do
PMDB de Patu e presidente da Câmara Municipal, Alexandrino
Suassuna, "Xan-xam": vereador José Nair Nunes (PMDB),
companheiro de Ednardo Moura na chapa derrotada por Possidônio
Queiroga em 2000.
A composição tem o aval da cúpula do PMDB no
Rio Grande do Norte: presidente do Senado, Garibaldi Filho, deputado
federal Henrique Alves, deputados estaduais Walter Alves e José
Dias e, segundo Possidônio, também o deputado estadual
Gustavo Carvalho (PSB). É resultado de articulação
do secretário de Walter Alves, o patuense Saint Clair Linhares.
O acordo prestigia diretamente Alexandrino Suassuna, também
protagonista das articulações, que deve ter reeleição
tranqüila de mandato de vereador, na presidência da Câmara
Municipal e participação na eventual futura administração.
"Vamos fazer governo de coalizão", garante Possidônio
Queiroga, que ainda espera aval da governadora Wilma de Faria à
chapa, segundo ele, em retribuição ao seu apoio à
reeleição dela em 2006, quando venceu Garibaldi Filho
em Patu por diferença de 1.410 votos.
Grupo
oposicionista aposta em Ednardo
A oposição se articula para tomar o poder nas urnas
em outubro e quebrar a hegemonia de oito anos do grupo governista.
Os líderes Aluísio Dutra (PT), Atimar Godeiro (PDT)
e João Dantas (PV), representado pela filha Gorete Dantas,
definiram apoio à pré-candidatura do ex-prefeito Ednardo
Moura (PSB).
A reunião ocorreu na tarde do último sábado,
24, na residência do vereador João Fernandes Dantas.
Sobre as informações publicadas na imprensa dizendo
que o PSB definiu apoio à candidatura do bloco situacionista,
Ednardo Moura disse que essa conversa não tem fundamento.
"Essa é mais uma prática daqueles que vivem enganando
o povo com conversa fiada", disse.
Ednardo informou que a oposição está unida
e vai disputar a eleição deste ano com propostas,
através de um plano de governo que contempla as políticas
públicas que visam a uma melhor qualidade de vida para o
povo patuense.
Nos próximos dias, o pré-candidato conversará
com a governadora Wilma de Faria sobre a decisão do bloco
oposicionista em apoiar seu nome.
Ele se reunirá com a líder socialista acompanhado
do deputado federal João Maia (PR) e do estadual Gilson Moura
(PV). Caso Wilma confirme o apoio a Ednardo Moura, a disputa em
Patu será polarizada entre Ednardo e João Godeiro.
VICE
O PT deverá indicar o vice na chapa de Ednardo Moura (PSB).
A indicação só já não foi fechada
porque, segundo os petistas, ainda é preciso definir alguns
detalhes.
O PT apresentou dois nomes: Aluísio Dutra de Oliveira, presidente
do partido, e o da professora e sindicalista Lucélia Ribeiro,
presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais.
O grupo vai se reunir e decidir o nome que será apresentado
na próxima reunião dos partidos que compõem
o bloco da oposição. Para Aluísio Dutra, o
PT vem contribuindo muito com o município e vai contribuir
ainda mais se indicado à chapa majoritária.
Projeto
cultural deve voltar à Câmara
Janduís - Passados dois meses da reprovação
da Fundação Municipal de Cultura pela bancada oposicionista,
o projeto deverá voltar à Câmara para nova apreciação.
Será uma iniciativa popular, já que o Poder Executivo
não pode mais encaminhar o projeto para votação
nos moldes em que se encontra. A decisão de dar novo gás
a iniciativa surgiu após várias reuniões da
classe artística que se sentiu prejudicada após a
negativa dos vereadores, no dia 18 de março.
Os artistas se reuniram no auditório da Casa de Cultura Popular
Vapor das Artes para discutir sobre essas deliberações.
Também estiveram presentes no encontro representantes da
prefeitura, das escolas municipais, da sociedade civil organizada
e da própria Câmara. O projeto precisa de, pelo menos,
500 assinaturas para ser reenviado para votação no
legislativo.
O grupo organizou uma mobilização pacífica
defronte a Biblioteca Professor Teófilo Régis, no
centro de Janduís para tratar do tema. O evento contou com
apresentações dos diversos segmentos culturais existentes
no município como grupos de dança, teatro de rua,
capoeira e poetas.
Com participação popular maciça, o público
pôde acompanhar as apresentações de Poroquinha
e seu Regional, Grupo Criançarte, Ginga Faceira de Capoeira,
Companhia Cultural Ciranduís, Balai de Arte, PDA Carnaúba,
Filhos do Sol e do cantor Marcos Lima.
O teatrólogo Lindemberg Bezerra, coordenador da Ciranduís,
afirmou que o evento foi pensado para sensibilizar a população
sobre a importância da fundação cultural.
"Queremos um diálogo entre a classe artística
e a Câmara para que o projeto seja aprovado. Hoje em Janduís
há mais de duas mil pessoas que produzem cultura e que precisam
desse apoio", comentou.
O município já contabiliza os prejuízos com
a não aprovação da Fundação.
O projeto "Mais Cultura", do Governo Federal, vai investir
R$ 1,4 milhão em municípios do Rio Grande do Norte
que contam com órgãos culturais.
Na mobilização, a população também
foi informada sobre a realização do XXIV Escambo de
Teatro de Rua, que Janduís vai sediar entre os dias 20 e
23 de novembro de 2008.
TJ
condena Prefeitura a pagar R$ 32 mil
Areia
Branca - O município de Areia Branca deve pagar ao Escritório
Central de Arrecadação e Distribuição
(ECAD) o valor de R$ 32.018,32, referente a uma ação
de cobrança de direitos autorais, pelo uso de propriedade
autoral por ocasião das festividades realizadas no período
carnavalesco pelo Município nos anos de 2000 a 2002.
A decisão foi proferida, inicialmente, pelo Juízo
de Direito da vara única da comarca de Areia Branca e confirmada
pela 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça,
à unanimidade, terça-feira, 20, ao analisar remessa
necessária remetida pelo Juízo daquela comarca.
A remessa necessária ocorre quando o Juízo de Primeiro
Grau submete a sentença à confirmação
pela Corte de Justiça, ante o decurso do prazo legal sem
que houvesse a interposição de quailquer recurso.
O atual prefeito do município, Manoel Cunha Neto, "Souza"
(PP), não comentou a decisão. Afirmou que aguarda
conhecer o conteúdo do que foi decido quando for publicado
no Diário Oficial do Estado. Recentemente, ele passou sete
meses afastado da Prefeitura por determinação da Justiça
Eleitoral. Durante esse período, esteve no governo Ruidemberg
Ferreira Souto.
Na ação, o Ecad alegou que houve a tentativa de negociação
do débito através da formalização de
acordo com o parcelamento da dívida, o que não foi
cumprido pelo Município, razão pela qual ingressou
com o processo. Segundo o advogado André Luiz, lamentavelmente
houve esses contratempos. "Agora só nos resta avaliar
como pode ser revista essa situação", diz.
O Município contestou os pedidos do Ecad e levantou preliminar
de ilegitimidade de parte, argumentando que os direitos autorais
cobrados somente podem ser titularizados pelos próprios artistas,
os quais, por sua vez, devem ser filiados ao Ecad.
Argumentou a falta da descrição detalhada das obras
musicais e dos detentores dos direitos autorais, o que configura
inexistência da causa de pedir. No mérito, negou a
existência da dívida, tendo em vista que os documentos
acostados pelo Ecad não são dotados de idoneidade
por estarem desacompanhados de assinaturas de testemunhas.
O Juízo da comarca condenou o Município ao pagamento.
Já em análise no Tribunal de Justiça, o relator
da remessa, desembargador Aderson Silvino, considerou que, a partir
da leitura do artigo 28 da lei ordinária federal 9.610/98,
que trata dos direitos de uso, fruição e de dispor,
decorrentes do direito subjetivo sobre a obra, fica clara a legitimidade
da cobrança exercida pelo Ecad nos autos, sendo correta a
sentença de 1º grau ao rejeitar a preliminar de ilegitimidade
de parte.
Para o relator, não pode o Município se esquivar do
pagamento dos dividendos resultantes do uso dos direitos autorais,
pois teve ele proveito com a utilização das obras
musicais alheias, como o incremento no turismo, publicidade das
ações administrativas, aquecimento do comércio
local, dentre outros. Assim, na sua visão, não é
necessário haver lucro direto.
ATUAL GESTÃO
O atual assessor jurídico da Prefeitura, advogado André
Luiz Gomes de Oliveira, disse que aguarda a publicação
da decisão para avaliar se vai recorrer a uma instância
superior ou pagar a dívida. "Nós não participamos
do início desse processo e não conhecemos o conteúdo
ainda", explica André Luiz.

Evolução
espera 2 mil trabalhadores
Assu
- O Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental
do Rio Grande do Norte (EVOLUÇÃO) espera, no mínimo,
dois mil trabalhadores rurais às 7h de hoje na BR-304, trevo
de acesso ao município de Paraú, no município
de Assu. Os trabalhadores vão interditar a BR-304 em protesto
pela demora do Governo em liberar os recursos para amenizar os prejuízos
deixados pela cheia do rio Piranhas-Açu.
O principal líder do movimento, Antônio de Pauta Batista,
"Neto Borrego", disse ontem à tarde que protocolou
no Gabinete da Crise, em Natal, um documento com as principais exigências
dos trabalhadores do Vale do Açu. Porém, até
o final da tarde de ontem, não havia recebido qualquer retorno
por parte do Gabinete da Crise, que tem à frente o vice-governador
Iberê Ferreira de Souza.
"Para não ser injusto, hoje recebi uma ligação
da secretária de Articulação com os Municípios,
Fátima Morais, pedindo informações sobre esse
documento. Informei a ela que uma cópia estava à disposição
dela na Vice-Governadoria em Natal. Fora esse contato, nada mais
foi feito por parte dos Governos do Estado ou Federal. O nosso medo
é que quanto mais tempo passa mais difícil vai ficando
de recuperar a produção", reclama Neto Borrego,
reconhecendo que a interdição da BR-304 vai causar
um grande transtorno.
No levantamento inicial feito pela ONG Evolução junto
aos trabalhadores, o prejuízo somente com a safra que estava
em andamento é de aproximadamente R$ 100 milhões.
Os grandes produtores de frutas em áreas irrigadas no Vale
do Açu reclamam prejuízo mais ou menos do mesmo tamanho.
"Existe uma necessidade urgente de um socorro de R$ 200 milhões
e encontramos nenhuma resposta do Governo", ressalta o representante
dos trabalhadores.
No documento entregue ao Governo do Estado, os trabalhadores pedem
aos Governos do Estado e Federal a prorrogação das
dívidas dos pequenos produtores com bancos; a criação
de um crédito emergencial para os que haviam investido com
recursos próprios ou uma espécie de "bolsa enchente"
de um salário mínimo para meeiros e dois salários
mínimos para os donos de pequenas propriedades; cobertura
da conta de energia nos próximos seis meses; inclusão
do seguro agrícola no Proad do Governo do Estado; formatação
de política de modernização da fruticultura
irrigada no Vale do Açu; entre outras propostas.
Segundo Neto Borrêgo, somente o município de Assu tem
511 pequenos produtores que estão dispostos a ir até
o fim na questão. Os demais municípios do Vale do
Açu também já se colocaram à disposição
para contribuir com o movimento e também exigir mais agilidade,
ao menos, na recuperação de estradas, como a RN-404,
Estrada do Camarão, RN-408, e as estradas vicinais de acesso
à zona rural, que, de tão ruim, está prejudicando
o acesso do transporte escolar.
A concentração está prevista para começar
às 6h, no trevo da BR-304, de acesso ao município
de Paraú. "A concentração será
lá para evitar que os carros usem a BR-226, de Jucurutu,
como desvio do protesto", explica Neto Borrêgo, acrescentando
que o Governo do Estado sempre negligenciou com obras importantes
com o Vale do Açu, como por exemplo o Canal do Rio Panon
e da Lagoa do Piató, e agora os pequenos produtores não
estão dispostos a esperar a situação piorar
ainda mais do que já está.
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