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MOSSORÓ (RN), QUARTA-FEIRA, 28/05/2008 (ATUALIZADO: 01:37hs)
 
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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS

JOÃO
MAIA

‘Existe uma base aliada de primeira
e uma de segunda’

Por: JULIERME TORRES - Foto: FRED VERAS

Hoje o deputado federal João Maia desembarca em Mossoró. Vai se reunir com as pré-candidatas Larissa Rosado (PSB) e Fafá Rosado (DEM) para decidir o rumo que o seu partido, o PR, vai tomar nas eleições da cidade. O sentimento que vai nortear essas conversas é antecipado nesta entrevista. Embora tenha prevenido o repórter que, em suas respostas, deixaria muitas lacunas, João Maia aponta as barreiras com o grupo da deputada federal Sandra Rosado e admite maior facilidade de diálogo com Fafá. Admite a insatisfação com o acordo que uniu a base Lulista em Natal. "O PR não foi convidado a comparecer", reclamou. O desabafo vai mais além. João reafirma o entendimento com o deputado estadual Robinson Faria (PMN). Os dois estarão juntos, para se fortalecer na mesa de negociações de Natal, e admite que episódios que estão distanciando o PR do PSB da governadora Wilma, como nas cidades de Caraúbas, Ceará-Mirim e Mossoró, revelam certo desgaste na relação.

JORNAL DE FATO - O senhor vem a Mossoró neste domingo (hoje) para conversar com as candidatas Larissa (PSB) e Fafá Rosado (DEM). O seu partido, o PR, se define nessas conversas?
JOÃO MAIA - Acho que nós daremos um passo definitivo. A decisão do PR vai ser do PR de Mossoró. Tanto a deputada Larissa (Rosado) quanto o deputado Leonardo (Nogueira) e a prefeita Fafá, pediram para expor as razões porque gostariam de contar com o apoio do PR. Eu, na verdade, vou ser um ouvinte para assegurar que a decisão que o PR de Mossoró tome seja amparada pela direção estadual.

JÁ que vem na condição de ouvinte, o que o senhor espera ouvir?
EU tenho uma expectativa que as pré-candidatas tenham uma posição que convença a gente, que já tem uma definição prévia de ter candidatura própria, de que é melhor para Mossoró e é melhor para o partido caminhar com uma delas.

ESSE melhor passa por garantias que favoreçam a chapa proporcional do PR?
ESSE é um ponto a ser considerado. Mas não é só isso. Queremos saber qual é o projeto de desenvolvimento para Mossoró.
Qual é a participação que nós teríamos no Governo. Mas, é evidente que o PR é um partido de gente que está entrando na política, e nós esperamos não frustrar as expectativas que eles têm. Queremos saber como participar desse projeto, porque nossa questão não é apenas de arrumar emprego no governo.

A CANDIDATURA de Renato Fernandes é pra valer, ou tem apenas o objetivo de forçar a negociação com outros partidos?
ELA é pra valer. Hoje mesmo (sexta-feira, 23) nós nos reunimos com o PC do B, em Natal. Estivemos com o Antenor (Roberto), com o Capistrano, com o Canindé (de França). Nós discutimos e o tom é de caminhar com a candidatura própria.

ESSA é mesmo a tendência?
EM política a gente precisa negociar, abrir alternativas. Mas se não existir nada de novo, nós vamos caminhar com a nossa candidatura. Esse é o nosso sentimento, com o PC do B.

EM 2006 o senhor teve quase quatro mil votos em Mossoró. Uma candidatura alternativa pode lhe render um desempenho eleitoral menor e, ainda, perder a única cadeira que o PR tem na Câmara. O senhor não teme ficar sem palanque, em 2010, no segundo maior colégio eleitoral do Estado?
POLÍTICA é risco. A gente não pode abrir mão de princípios, pela matemática. Entre os princípios e a matemática, eu fico com os princípios.

O SECRETÁRIO Marcelo Rosado sempre foi colocado como a alternativa do PR para disputar a Prefeitura de Mossoró. De repente, o partido sacou o nome dele e apresentou Renato Fernandes. Qual o motivo dessa troca?
NÃO é bem uma troca. É que Marcelo ainda está entrando na política, como a maioria dos membros do partido, em Mossoró. Ele vem fazendo um grande trabalho na Secretaria de Desenvolvimento. Nós achamos que o Renato, por ter dois mandatos de vereador, ter uma desenvoltura maior, poderia representar esse discurso do novo. Complementando a questão de Marcelo... Às vezes a gente não reconhece, mas ele vem realizando um grande trabalho na atração dessas fábricas de cimento, na consolidação desse pólo cerâmico de Mossoró. Tudo isso tem muito a ver com Marcelo Rosado. É importante manter Marcelo na posição que ele está.

O PR anunciou que faria uma pesquisa qualitativa para ver o que o eleitor de Mossoró estava querendo. A retirada do nome de Marcelo ocorreu depois dessa pesquisa. O fato dele ter o sobrenome Rosado pesou na decisão do partido?
NÃO. Nós não estamos fazendo campanha contra e nem a favor dos Rosados. O PR reconhece que os Rosados são uma parte importante e histórica da política de Mossoró. Nós achamos isso e não temos nada para fazer campanha contra os Rosados. O que nós queremos é criar uma alternativa política e não de família para Mossoró.

CASO o PR tivesse que decidir agora, seria mais fácil o entendimento com o grupo da senadora Rosalba-prefeita Fafá Rosado, ou com o da deputada federal Sandra Rosado-deputada estadual Larissa Rosado?
É MAIS fácil com Fafá.

POR QUE?
PORQUE é um diálogo em cima de propostas, de projetos. Não é nada pessoal, mas é sabido que o PR de Mossoró... Isso não quer dizer nada, que a gente não possa se entender, mas eu admito que, francamente falando, o PR de Mossoró se sente mais confortável no diálogo com Fafá.

ISSO ainda é reflexo de 2006?
NÃO. É muito aquela história de que são pessoas que estão chegando na política e que tem um objetivo a seguir, com um projeto mais construtivo. Tem o fato de Renato Fernandes ter problemas, entendeu? Nós tivemos problemas com a questão da CODERN (Companhia Docas do Rio Grande do Norte). Nós tivemos problemas. Pode ser superado. Mas você me perguntou no dia de hoje. E no dia de hoje, eu diria com toda a honestidade que o diálogo é mais fácil com Fafá.

ATÉ que ponto o processo eleitoral de Natal terá influência nessa decisão do PR em Mossoró?
O PR é um partido municipalista. A gente prima pela autonomia, pela independência, desde que seja em cima de princípios, das decisões municipais. Daí porque, antes que se decidisse definitivamente pela candidatura própria, nós fizemos questão que a direção do PR de Mossoró ouvisse a pré-candidata Larissa e a prefeita Fafá Rosado, que também é pré-candidata à reeleição. Essa decisão tem que ser local. Eu não tenho nenhuma pretensão de que exista qualquer influência na decisão do partido em Mossoró.

MAS o senhor terá uma conversa com a governadora Wilma de Faria (PSB) na segunda-feira. O tema Mossoró está na pauta?
É QUASE impossível que Mossoró não entre na pauta.

SE É impossível que não entre, como o assunto será tratado com a governadora, tendo em vista que ela (Wilma de Faria) tem uma candidata em Mossoró?
QUE o partido em Mossoró terá um candidato, ou uma candidata. Mas eu, pessoalmente, não decido nada sem ouvir a governadora Wilma. Mas, como eu lhe falei, você pode acreditar, é uma decisão do diretório de Mossoró.

EM Natal o PR é disputado pela deputada estadual Micarla de Souza (PV) e pela base Lulista, que quer o partido apoiando a candidatura da deputada federal Fátima Bezerra (PT). O senhor está mais perto de desembarcar em qual palanque?
NA coluna do meio.

NA coluna do meio?
É.

E O que é que vai fazer o PR deixar essa coluna do meio e pender para um lado, ou para o outro?
NÃO, eu acho que está exatamente no meio.

Exatamente no meio?
SIM.

A FORMA como a deputada federal Fátima Bezerra foi escolhida irritou o senhor e o PR?
NÃO é que irritou. Mas eu manifestei de público que foi um acordo que mostrou que existe uma base aliada de primeira e uma base aliada de segunda. O PR não participou do acordo. Nem foi convidado a comparecer. A gente tem procurado ouvir a deputada Fátima, a governadora Wilma. Nós vamos tomar uma decisão com serenidade.

FOI noticiado que o senhor fechou um acordo com o presidente da Assembléia, deputado estadual Robinson Faria, para que os dois tomassem uma decisão conjunta. Esse acordo ainda está mantido?
EU estive hoje (sexta-feira, 23) com o deputado Robinson Faria novamente. Atualizamos as informações. A gente ponderou juntos. Esse acordo nosso é pra valer. Nós vamos criar um limite para que a gente participe.

ENTÃO podemos afirmar que onde Robinson estiver João Maia também vai estar. É isso?
NÃO. A relação não é assim não. A relação é que nós dois vamos exaurir todas as possibilidades e partirmos do desejo de caminharmos juntos.

O SENADOR José Agripino também está nesse entendimento?
NÃO. Esse entendimento é meu com o presidente da Assembléia, Robinson Faria. O que a gente precisa é caminhar junto na decisão de Natal e ter alguns discernimentos sobre o que está acontecendo na política do Estado. Então, esse é o entendimento que está mantido.

DEPOIS que a senadora Rosalba Ciarlini anunciou o apoio à candidatura da deputada Micarla de Souza, em Natal, se especula que haverá um compromisso de Micarla com ela, em 2010. Isso fez com que o senhor passasse a refletir sobre o apoio do PR a ela?
NÃO. Esse argumento pra mim não é uma coisa relevante não. Mas como, aqui no Rio Grande do Norte, 2010 chegou antes de 2008, não há muito como fugir dessa discussão. Mas esse não creio que seja um ponto muito relevante na minha discussão com o deputado Robinson Faria.

EM Caraúbas o PSB lançou candidato próprio e o prefeito Eugênio, do PR, até desistiu da reeleição. Existe dificuldade entre PSB e PR em Ceará-Mirim. Também em Mossoró. Não estaria havendo um desgaste na relação do PR com a governadora Wilma?
CARAÚBAS tem uma sintonia com o padre Paulo Brasil, do PC do B, e nós queremos procurar um acordo com o PT. Terem os uma candidatura própria em Caraúbas, com o objetivo de continuar o projeto da nova Caraúbas, com desenvolvimento, emprego e paz. Nós vamos ter candidato em Caraúbas.

MAS é uma série de fatores. Caraúbas, Ceará-Mirim e também Mossoró. Não há um desgaste na relação do PR com a governadora Wilma?
QUANDO a gente procura fortalecer um partido, a gente tem desgaste com todo mundo. Isso é natural. Eu sou presidente do partido. Eu pretendo fortalecer os meus aliados, os meus partidários. Isso é normal. Eu não vejo isso com preocupação.



       
 




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