..:: JORNAL DE FATO ::.. JORNALISMO DE VERDADE
MOSSORÓ (RN), SEXTA-FEIRA, 27/06/2008 (ATUALIZADO: 01:27hs)
 
Untitled Document



Meu jeito de ser
A bem dizer, não sei se o gostar de aparecer é natural à criatura humana. Evidentemente, digo aparecer aqui no sentido da evidência, do destaque público, do chamariz dos olhos e atenções alheios. Se for, me resta confessar em público e raso que este aprendiz de cronista, talvez menos do que isso, é um belo exemplo de exceção à regra, pois toda regra, se diz, tem lá sua exceção.
Só que o autor desse dizer, se é que não se trata de pura verve da alma coletiva, esqueceu de dizer se as exceções às regras (falo do meu caso) são, ou não, sintomas de anomalias psíquicas, de desajustes, sei lá mais como dizer. O fato é que ficou o toda regra tem exceção, e pronto. Assim é que, à falta desse complemento, fico sem saber se sou um anormal por não gostar de aparição pública. Não tenho jeito. Então, não me solicitem.
Seja isto ou não, o que pouco me importa, sou como Deus foi servido que eu fosse, e se isto porventura vir a ser incômodo para alguém, pois para mim não é, então vá tirar satisfações com meu criador. Repito, sou como sou, não posso ser diferente, e nunca jamais perdi o sono preocupado em fazer-me à feição do gosto alheio. Dito assim, porque já encontrei quem se chateasse comigo, por negar-me a entrevista. Ora, quem sou eu...
Pois imaginem que, quando se dá o caso de fazer-se fotografia em conjunto, estando eu presente, dou logo um jeito de esconder-me por trás dos outros, se dá tempo. Chame-se a isso complexo de inferioridade, ou que outro nome mais vistoso em psicologia se queira dar, mas para mim é a coisa mais natural deste mundo. E de uma coisa tenho a certeza: não é por isso que o salário mínimo do Brasil é menor que o da Argentina.
No fim das contas, uns gostam de éter, outros de serpentina, diz lá o poeta maior, e está muito certo. Ou o cristão seria um ser fabricado em série. Se você tem a sua maneira de encarar as coisas, por que não posso eu ter a minha também? Negativa? Vá lá. Mas é o meu natural. O que me importa é viver de acordo com minha consciência, quanto posso, e isto, amigo velho, parece-me ser, neste mundo velho, o quanto me que basta.

Oposição
Isto de atribuir à prefeita Fafá Rosado as cenas de crime nos festejos do Cidade Junina, vê-se logo que se trata, e apenas, de intriga da oposição, cujo jeito de fazer política é sobremaneira conhecido. O problema da violência, na cidade daqui como em todas as cidades brasileiras, é menos de deficiência do aparelho policial do que de organização geral do país, como verdadeiro Estado de Direito. Vamos ser menos hipócritas e mais sensatos.

LINGUAGEM
ONDE HÁ INJUSTIÇA, NÃO HÁ LIBERADE. A leitora Maria das Neves, de Natal, quer saber como se deve analisar a oração "onde há injustiça", pois não concorda com o autor de certo manual de análise sintática, que a considera como oração subordinada substantiva apositiva. Você, Maria das Neves, tem razão. Não cabe dúvida nenhuma de que se trata de uma oração subordinada adverbial locativa, como ensina o mestre Antenor Nascentes (Método Prático de Análise Sintática).



       




Todos os direitos reservados à Santos Editora de Jornais Ltda.
É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site para fins comerciais sem prévia autorização.