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MOSSORÓ (RN), SEXTA-FEIRA, 27/06/2008 (ATUALIZADO: 01:27hs)
 
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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS

JOSÉ
AGRIPINO

‘Não trabalhamos
pretensão individual’

Por: Anna Ruth Dantas (Tribuna do Norte) - Foto: FRED VERAS

A disputa pela Prefeitura de Natal formou um novo quadro político. De um lado, a chamada base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Um palanque que reúne o senador Garibaldi Filho (PMDB) e a governadora Wilma Maria de Faria (PSB). Todos juntos com o prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, apoiando a candidatura da deputada federal Fátima Bezerra (PT). Do outro, meio que isolado, está o senador José Agripino Maia (DEM), no apoio a Micarla de Souza (PV). Apesar do somatório de forças em torno de Fátima, Agripino garante que se assusta e aposta em novos apoios para sua candidata. O senador também fala sobre 2010. Agripino puxa o freio de mão da potencial candidatura da senadora Rosalba Ciarlini (DEM) ao Governo do Estado, e deixa bem claro que a prioridade é renovar seu mandato.

COMO o senhor visualiza, hoje, o cenário eleitoral em Natal com candidatura de Micarla de Souza, com apoio dos Democratas contra a chapa da deputada Fátima Bezerra, com apoio do PT, PSB e PMDB?
JOSÉ AGRIPINO - Primeiro de tudo a candidata Micarla tem se comportado com muita independência e muita autonomia para escolher seus parceiros. E quem ela escolheu foi escolha dela. Nós tivemos uma aproximação há meses atrás, que ocorreu no primeiro momento em uma conversa comigo, depois minha conversa com os três deputados estaduais, dois deputados federais, com a senadora Rosalba, com os candidatos a vereador, com o presidente do diretório municipal. Foi um engajamento, que ainda não foi oficializado porque só será com a convenção, passado a limpo em conversas com as diversas lideranças do partido. Todas desejam uma composição com Micarla. Nesse meio tempo sempre deixamos muito claro para Micarla que ela tem inteira liberdade para procurar os parceiros que ela julgar conveniente para ela ganhar a eleição. Nesses últimos seis meses de convivência mais amiúde, percebi em Micarla uma competência maior do que imaginei que ela tivesse. Do ponto de vista político, ela é competente para a idade que tem, como ela é extremamente interessada na questão administrativa. Faz seminário no campo da educação, no campo da saúde. Enquanto outros candidatos se engalfinham na busca de apoio político, ela usa o tempo dela no aprimoramento da sua proposta de Governo, que é o mais importante e o que a população de Natal mais quer, uma proposta de Governo exequível. Ela busca apoio do PMN, PR, PSDB, PP. Onde eu posso ajudo, mas eu, em todos os momentos e circunstâncias apóio o trabalho dela. Ela é candidata para acordar Natal. Os grandes corredores de Norte-Sul, Leste e Oeste foram projetados e executados há bastante tempo. De lá para cá, o que fizeram foram penteados. Em matéria de transporte a cidade parou há algum tempo.

COLOCAR no mesmo palanque gestores com boas aprovações como o presidente Lula, a governadora Wilma de Faria e o prefeito Carlos Eduardo torna a disputa desigual?
O ELEITOR vai votar não é nem em Lula, nem em Wilma e nem em Carlos Eduardo. Ele vai votar no futuro prefeito. A escolha é municipal, do cidadão em quem ele mais confia. Se Lula vier fazer a campanha do candidato dele, se Wilma se engaja na candidatura que ela abraça ou o prefeito Carlos Eduardo, serão apoios. Mas o eleitor não vai votar em quem apóia. Nessa eleição o eleitor vai votar em quem ele confia, com quem se identifica. Se você me perguntar, assusta? Não assusta. Evidente que são apoios expressivos, mas não são fatores decisivos.

E O FATOR decisivo para essa eleição, qual será?
A PROPOSTA e a confiança do eleitor. Proposta, história, padrão ético será muito importante, a capacidade de articulação, de quadros.

A CAMPANHA estava bipolar, agora surge o nome do deputado estadual Wober Júnior.
ISSO dá mais opção para o eleitor. Não tenho dúvida que no regime democrático, o aumento do número de alternativas dá ao eleitor liberdade maior de escolha. Agora o processo com a saída do deputado Rogério Marinho da disputa, ele (o processo) vai se cingir, fundamentalmente, no confronto entre Fátima e Micarla, sem demérito a outras candidaturas postas e que tem todo direito de postularem.

ENTÃO o senhor acredita que a eleição será encerrada no primeiro turno?
ACREDITO. Acho que pode terminar em uma disputa no primeiro turno. Não quero fazer prognóstico, mas avaliados os números que há meses vem se mantendo o que há é que Micarla tem índice de preferência muito alto e índice de rejeição baixo. E a candidata Fátima tem índice de preferência baixo e índice de rejeição excessivamente alto.

QUAL a fotografia que a eleição de Natal este ano projeta para a eleição no Rio Grande do Norte em 2010?
NÃO deve projetar porque a eleição de Natal deve ser a eleição de Natal. Não se deve armar o jogo de 2010 em função da eleição municipal de Natal. Agora evidente que, na prática, na hora em que muitas pessoas convergiram para a candidatura de Fátima os pretendentes ao Governo do Estado viram que um palanque estava congestionado e estão refletindo sobre isso e fazendo as suas conjecturas. Agora acho, que em 2010, vai ter êxito para a disputa do Governo e do Senado quem tiver melhor plataforma de comportamento e realizações. Se você tem quatro ou cinco pretendentes dentro do mesmo sistema político, esse portifólio vai significar um congestionamento e uma dificuldade a mais, daí porque algumas pessoas procuram dar o direcionamento nessa disputa para o palanque onde o portifólio possa ter uma variação mais livre.

ENTÃO o palanque de Micarla de Souza estaria mais "convidativo" por ser menos "congestionado" de pré-candidatos ao Governo?
ATÉ agora Micarla tem tido o apoio expressivo dos Democratas. Mas tenho fortes expectativas que outros apoios Micarla ainda vai conseguir. Conseguir onde moram e onde residem até outros pretendentes para 2010.

A GOVERNADORA Wilma de Faria disse que não vai "brigar" com os deputados Robinson Faria e João Maia por causa da eleição. Isso alimenta mais a expectativa de ter esses dois líderes no palanque de Micarla de Souza?
ACHO que a declaração da governadora foi sintomática. Claro que ela deve ter tido razões para falar isso. Gostaria muito e estimulo muito Micarla a buscar esses apoios, como também o apoio do PSDB. Guardo fortes expectativas tanto do PR quanto o PP e PMN.

QUANDO se fala em 2010, há uma temática de que o segundo voto para senador é de José Agripino. Esse "segundo voto" é uma estratégia do senhor?
ASOLUTAMENTE. Essa história de primeiro e segundo voto é no mínimo curiosa. Se as pessoas podem dar dois votos, o primeiro é tão importante quanto o segundo. Criou-se um mito em torno da história de primeiro e segundo voto. Se mantiverem na disputa a governadora Wilma, o senador Garibaldi e o senador José Agripino, os três terão uma parcela de primeiros votos e uma parcela de segundos votos. Para nenhum dos três é demeritório o segundo voto. O que vale é no cômputo geral a preferência final do eleitor por dois nomes. Quando o eleitor votar em dois, vai votar por igual, vai excluir alguém. Vamos desmistificar a história de primeiro e segundo voto.

A SENADORA Rosalba Ciarlini disputará o Governo em 2010 pelo DEM?
A SENADORA Rosalba é uma reserva do partido, reserva da melhor qualidade. A senadora Rosalba pode querer disputar qualquer posto na vida pública do Estado, mas ela é uma mulher acima de tudo que é racional e ela sabe que faz parte de um grupo político, claro que almejando a volta ao poder, vai com racionalidade encontrar a melhor composição de chapa para ganhar o Governo e as vagas para o Senado. A senadora Rosalba já me disse muitas vezes que deseja ver seu companheiro José Agripino eleito senador.

MAS para 2010 o senhor ainda vê chance de aliança PMDB e DEM?
NO plano do Governo nós ainda estamos muito distantes para fazer conjecturas. Até porque há partidos com grande expressão PR, PMN, PP e o PMDB e o DEM. Então você terá um processo de composição multipartidária, onde aquela disputa encarnada vai perder a proeminência que teve no passado.

O SENHOR diria que há um "congestionamento" de candidatos ao Governo mais do que para o Senado?
NÃO tenha dúvida. Hoje, na base do Governo, eu conto nos dedos, numa mão inteira, os pretendentes ao Governo. São muitos. Não há dúvida que há um forte congestionamento em matéria de candidato ao Governo na base política da atual governadora.

E NA base do senador José Agripino?
HÁ uma grande folga e compreensão.

MAS se só há uma vaga para a candidatura ao Governo, essa seria da senadora Rosalba Ciarlini?
NÃO trabalhamos com pretensão individual do partido. Trabalhamos com a hipótese de composições para ganhar a vaga de governador e de vice e as duas vagas de senador.

FALANDO agora de política nacional, a executiva do PT aprovou alianças com o DEM em algumas cidades brasileiras. O PT estaria recuando na postura de proibir alianças com o DEM?
O PT tem tido uma posição ambígua porque acabou de desautorizar a aliança feita com o PSDB em Belo Horizonte. Agora permite aliança em Campinas. Não dá para entender muito a coerência do PT. Mas o PT pode estar se rendendo às evidências municipais.

COMO o senhor avalia a Operação Hígia, feita pela Polícia Federal para investigar denúncia de licitações fraudulentas na Secretaria Estadual de Saúde?
Foi a coisa mais chocante que tenha ocorrido desde que estou na vida pública do Estado. Essa não é só minha opinião. Essa é a opinião que tenho ouvido de muita gente. Agora os depoimentos estão dados, os fatos que a Polícia Federal se apoiou para fazer as apreensões tem que se transformar em provas. Foi um fato chocante.

CHOCANTE por envolver o filho da governadora ou por apontar um desvio de R$ 36 milhões da Secretaria de Saúde?
CHOCANTE pelas duas coisas. Primeiro de tudo por envolver não só o filho, mas também auxiliares do Governo em várias pastas. É a denúncia de uma rede com muitos tentáculos em vários órgãos do Governo sob o comando do filho da governadora. Essa denúncia é grave também porque está focada no dinheiro da Secretaria de Saúde, a área onde a aplicação do recurso público deveria ser a mais bem cuidada.

OS presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais tiveram um entendimento diferente do TSE, defendendo um rigor maior na hora de analisar a ficha do candidato a ser registrado. O senhor concorda com os presidentes das Cortes regionais ou com o TSE?
EU não concordo e nem discordo. Eu tenho que concordar com a Corte Suprema Eleitoral, que é o TSE, que já se decidiu por maioria sobre esse assunto. A lei é clara. A pessoa é culpada na instância em que a lei determina e é condenada naquela instância, primeira, segunda ou terceira instância, e aí é, definitivamente, imputado de culpa. Antes disso, a lei é que determina se a pessoa é ou não culpada. A lei existe para proteger de abusos. As pessoas podem ser acusadas por razões diversas, desde a procedência das acusações até a perseguição física, e, para isso, a lei diz que para proteger a pessoa de acusação improcedente, para isso a lei diz que as pessoas precisam ser julgadas e condenadas até a última instância para que não possam ser condenadas. Por essa razão é que o Tribunal Superior Eleitoral decidiu o que decidiu.



       
 




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