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MOSSORÓ (RN), SEXTA-FEIRA, 27/06/2008 (ATUALIZADO: 01:27hs)
 
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É hora de agir
Alcyr Veras

São medidas necessárias para o momento, mas devem ser acompanhadas de outras, como por exemplo, incentivo aos investimentos privados, por serem mais reprodutivos e darem respostas a curto prazo.
O que nos assusta com essa rápida elevação de preços acima dos índices esperados? Duas coisas fundamentais que estamos cansados de saber, inclusive por serem naturalmente óbvias, são as seguintes: o aumento da oferta faz os preços baixarem e o aumento da produção gera novos empregos. Visto dessa maneira, parece tratar-se de coisas muito simples. E são realmente simples. Mas, para algumas pessoas, as coisas claras e evidentes parecem ofuscar-lhes a visão, impedindo de vê-las com lucidez.
A ameaça da inflação exceder ao controle, constitui hoje a principal fonte de preocupação do governo, razão pela qual o Banco Central elevou recentemente a taxa SELIC em 0.5 pontos percentuais, fixando-a em 12.25% ao ano. De imediato, isso causa a redução da oferta monetária, o que teoricamente reduziria a pressão inflacionária sobre os preços. Por outro lado,porém, a redução da oferta monetária, aliada à elevação da taxa de juros, faz aumentar o custo do dinheiro, o que, conseqüentemente, provoca a diminuição da demanda. A queda do consumo, por sua vez, diminui o ritmo da atividade econômica fazendo aumentar a taxa de desemprego, ou, na melhor das hipóteses não cria novos empregos. Essa complicada teia lembra o caso típico do chamado “lençol curto”.
O efeito dominó que se inicia com uma tímida variação de preços, vai, aos poucos, provocando uma reação em cadeia, sempre crescente, que se espalha nas mais variadas direções e acaba, assim, contagiando todos os segmentos econômicos.
É lamentável saber que determinados setores da economia (infelizmente são poucos), ainda preferem trabalhar com expectativas inflacionárias, apoiados na falsa tese dos ganhos fáceis e do acúmulo lotérico de fortunas. Parte da elite econômica brasileira de hoje, oriunda da classe média alta, chegou ao topo da pirâmide social graças a um “passado promissor”, franqueado por ações políticas paternalistas, por concessões e facilidades chanceladas pelo poder público e, em alguns casos, com a complacência do regime militar de então. Elite essa que construiu um patrimônio exuberante na esteira da “gorda generosidade” da inflação, cunhou uma imagem de sucesso ocupando espaços vitais na política e na atividade econômica. O surgimento do Real, no entanto, fez ruir, para aquela sociedade do “over night”, a festa inflacionária que a divertira por mais de duas décadas.
O atual governo tem razão em manter uma política vigilante sobre o controle da inflação. Inicialmente, a elevação de preços estava concentrada apenas nos alimentos, mas agora a inflação já começa a atingir também outros produtos e serviços. É hora de agir.
Na reunião do Presidente Lula com sua equipe econômica foram propostas medidas, tais como: a elevação do superávit primário de 3.8% para 4.8% do PIB; mais cortes nos gastos públicos; conter a expansão do crédito; e conceder reajustes mínimos para programas sociais como o bolsa-família e outros.
São medidas necessárias para o momento, mas devem ser acompanhadas de outras, como por exemplo, incentivo aos investimentos privados, por serem mais reprodutivos e darem respostas a curto prazo. Somente não posso concordar com a idéia dos seguidores do modelo anti-expansionista, que acham que a inflação só pode ser controlada através da repressão ao consumo.

Alcyr Veras
é Economista.



       




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