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MOSSORÓ (RN), QUINTA-FEIRA, 26/06/2008 (ATUALIZADO: 01:27hs)
 
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Considerações sobre junho
Ainda bem que junho vai no fim. Tenho visceral antipatia pelos festejos juninos, e é desde que me entendo por gente. Coisa mais sem sentido. E esse são-joão de agora, entre carnaval e não sei mais o que seja, então, me enche definitivamente o saco. Não sei se nos lugares com tradição de festa junina, como é o caso de Campina Grande e Caruaru, o são-joão mudou de como era.
Mas não será um são-joão de todo improvisado como o da cidade daqui, que, a bem da verdade, nunca teve tradição de festa junina oficial. Pelo menos que eu saiba. Quero dizer, nas cidades com essa tradição, velha e revelha, sem esquecer o Assu, aqui bem pertinho de nós, mesmo que o são-joão se tenha desfigurado da feição antiga, há de restar sempre, em boa dose, alguma coisa do passado mais passado.
Evidente que essa minha antipatia pelos festejos ditos juninos, confesso, não é mesmo tão radical assim como se possa pensar pelo que ficou dito. Não. Quando o são-joão era tipicamente uma festa sertaneja, ou então, uma festa da religiosidade sertaneja, se achar melhor assim, até que eu o apreciava, mas sempre a distância. As lanternas de papel colorido, à feição de estrelas, na frente das casas, logo à boquinha da noite, uma beleza!
As meninas brincando de roda em redor das fogueiras, os balões de Pedro Abílio e Miraboa (que era Mirabeaux Dantas) soltados da cantaria da calçada de casa e ganhando as alturas até desaparecerem suas cores acesas (isto lá na minha terra), ah! tudo aquilo me comunicava ao espírito um enlevo poético em forma de visão das plagas sertanejas. E havia em tudo, por falar assim, um cheiro de primitiva inocência.
Mas esse carnaval junino, muito vistoso porém sem graça nenhuma, pelo menos para mim, não, essa idiotice não dá mesmo para matar no peito, usando a linguagem do futebol. Pois é isso mesmo. Ainda bem que junho vai se findando, com essas fogueiras de fumaça, até de molambos e trastes velhos, que se espalham pela minha rua, de uma ponta à outra, e ardendo a noite toda - para desgraça dos meus olhos glaucomatosos.

Alcides
Morre em Fortaleza, aos 83 anos, o escritor e poeta José Alcides, vítima de acidente no trânsito. Perda numerosa para a literatura cearense. José Alcides nos deixou, entre outras obras, o romance Os Verdes Abutres da Colina. O real fantástico.

Jornal
Já na oficina a nona edição do Poranduba, jornal do ICOP, editado pelo seu presidente, Rubens Coelho.

Espírito
A graça dos festejos juninos está da parte do espírito de tradição.

LINGUAGEM
• ANTES DA FESTA COMEÇAR... Que tal? A gramática normativa vê aí erro de regência. Entende que a preposição "de" está regendo o sujeito "festa". Nada mais falso. Trata-se, em verdade, de um caso de eufonia. Tanto se pode construir "ante da festa começar" como "antes de a festa começar". É a lição dos mestres João Ribeiro, Silveira Bueno e, atualmente, Evanildo Bechara, o maior gramático vivo do Brasil. Uma e outra construção encontramos na tradição clássica da língua.



       




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