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MOSSORÓ (RN), DOMINGO, 25/05/2008 (ATUALIZADO: 18:37hs)
 
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» Remanescentes formam novas quadrilhas

» Apenados escapam e voltam a delinqüir
» Marido enciumado tenta matar mulher e incendeia casa


CONSTATAÇÃO
Remanescentes formam novas quadrilhas
Andrey Ricardo
Da Redação

Há cinco anos, o líder de uma das maiores quadrilhas que já atuaram no Rio Grande do Norte foi morto em confronto com a Polícia Civil. Dois anos depois, um outro grupo que despontava como o anterior foi desbaratado noutra ação policial e, novamente, perdeu seu comandante. Eram José Valdetário Carneiro Benevides e Hélio Cosme da Silva, “Mangueira”. Eles e outros integrantes das duas quadrilhas morreram, mas uma parte escapou da Polícia e voltou a atuar novamente.
Com a perda dos seus líderes, os assaltantes que conseguiram permanecer na ativa ou aqueles que foram presos e agora estão em liberdade – seja fugitivo ou com o consentimento judicial – estão agindo mais uma vez, principalmente no Vale do Açu e Médio Oeste Potiguar. Com a experiência adquirida dentro dos presídios ou até mesmo na companhia dos antigos chefes, essa nova leva de bandidos está mais ousada, mas ainda não há uma liderança. Para a Polícia, são grupos remanescentes das grandes quadrilhas, que voltam a agir e, casualmente, se unem para realizar uma “parada” – é o termo usado pelos bandidos.
Em um pequeno intervalo de tempo, a Polícia registrou uma grande quantidade de assaltos que são praticados de maneira semelhante, reforçando a tese de que sejam os integrantes de um mesmo grupo ou de várias células que estão se unindo. Os investigadores que trabalham nos inquéritos instaurados para apurar delitos da quadrilha já têm o nome da maioria. São pelo menos dez que participam diretamente das ações, além de outros que dão apoio logístico. “São várias células que agem em determinadas regiões e, dependendo do local onde vão agir, dão apoio ou se unem”, esclarece um oficial militar.
O delegado regional da cidade de Macau, Claiton Pinho, diz que os remanescentes daquelas grandes quadrilhas, na época, não representavam perigo para a Segurança Pública, já que eles eram iniciantes, mas hoje estão mais ousados e bem armados. “Esse pessoal que está agindo são pessoas que eram recém-ingressas nesses grupos. Não era nem tido como pessoas perigosas, mas em função da continuidade nas ações delituosas foram se tornando perigosos, ingressando em outros crimes e hoje eles estão fazendo assaltos maiores”, explica Claiton, acrescentando que “eles estão preocupando”.
Claiton, que durante anos foi delegado da Especializada em Furtos e Roubos de Mossoró, ressalta ainda que outro fator preponderante que facilita o retorno desse pessoal é a rede de amizades que eles adquirem dentro dos presídios por onde já passaram – e são muitos. “É gente que foi presa por crimes menores, mas depois de presos, eles voltam cometendo crimes maiores, como aconteceu com esse pessoal que está agindo agora”, destaca. “Eles migram de um grupo para outro. Isso vai depender da necessidade. Quando pegam um ‘trabalho’ para fazer, um assalto de maior envergadura”, acrescenta.
Diferentemente da quadrilha de Mangueira e Valdetário, que tinha alvos específicos, a nova geração, remanescentes desses grupos antigos, atua em todos os ramos - tráfico de drogas, assaltos contra casas lotéricas, carros de passageiros, veículos de carga e até pistolagem. “São pessoas que se juntam para fazer qualquer trabalho e depois se separam. Eles não têm mais um ramo específico. Eles vão atrás do que dá mais dinheiro. E hoje o lucro maior é nesses assaltos contra ônibus, pequenos comércios, ‘saidinha’ de banco. É isso que dá mais dinheiro hoje...”, esclarece o delegado de Macau.

Apenados escapam e voltam a delinqüir
A Polícia acredita que parte das pessoas envolvidas nos crimes ocorridos no Vale do Açu e no Médio Oeste Potiguar já foi presa e condenada na Justiça a pagar pelos seus crimes, mas fugiram ao receber o direito de sair do regime fechado, onde viviam cercados por policiais e agentes o dia inteiro, para um campo aberto, sem vigilância. Nos últimos dez anos, cerca de 150 presos do Complexo Penal Agrícola Mário Negócio que receberam a progressão para o regime semi-aberto fugiram e não voltaram mais. Soltos, eles voltam a delinqüir. Aqueles que voltam são recapturados cometendo alguma infração.
Para o delegado regional de Macau, Claiton Pinho, parte dos assaltos ocorridos em Mossoró são praticados pelos presos que fugiram do regime semi-aberto da penitenciária, que abriga apenados de várias cidades do interior potiguar. “Essa enorme quantidade de assaltos que estão ocorrendo aí em Mossoró não é outra coisa. É esse pessoal que saiu do semi-aberto e está agindo de novo”, dispara o delegado, que faz críticas ao sistema: “Esses caras são condenados a cinco, seis anos de cadeia... Mas não passam nem a metade disso e recebem a progressão para o regime semi-aberto e fogem.”
Claiton Pinho cita o exemplo de Djangues Santiago Cruz, de 33 anos, que foi preso e condenado pela prática de pequenos furtos e que na manhã do dia 15 deste mês foi recapturado durante uma tentativa de assalto com reféns na Diótica, situada no Centro da cidade. O delegado diz que, assim como o pessoal que integra a quadrilha que está agindo no interior, Djangues saiu da prisão pior. “Ele foi preso porque fazia pequenos furtos. Quando saiu do regime fechado, não demorou muito e fugiu. Agora, ele está fazendo assaltos à mão armada. É isso que acontece”, conta Claiton Pinho, que foi delegado em Mossoró.
O major PM Alvibar Gomes, diretor do Complexo Penal de Mossoró, admite que o sistema deveria ser mais rigoroso ao avaliar se um preso está apto a retornar à sociedade, já que o regime semi-aberto é o passo inicial para a liberdade. “Com certeza, é preciso haver uma maior fiscalização. Os exames têm que ser feitos com maior responsabilidade”, esclarece o oficial militar, explicando que o preso, antes de ser liberado para progredir de regime, é submetido a uma comissão, formada por um psicanalista, um psicólogo e uma assistente social. “Eles analisam cada um dos presos”, ressalta Alvibar Gomes.
Segundo Alvibar, cada um dos profissionais faz sua análise da situação dos apenados e envia um laudo técnico para o juiz da Vara de Execuções Penais, que por sua vez envia a documentação ao Ministério Público. O promotor analisa o caso e reenvia para o juiz, que vai dar a sentença final. Apesar da participação de diversas pessoas, o parecer final fica ao encargo do magistrado. “Ele é quem vai conceder ou não a progressão”, ratifica Alvibar Gomes, reconhecendo que não é fácil afirmar se um determinado preso vai se comportar ou não ao ser posto em liberdade. “É uma avaliação difícil”, destaca.

Marido enciumado tenta matar mulher e incendeia casa nas Barrocas II
Esdras Marchezan
Da Redação

Em um ano e sete meses de convivência com o catador de lixo José Rodrigues da Silva, 42 anos, dona Neli Severiano da Silva, 42 anos, nunca desconfiou que o companheiro pudesse demonstrar tanta agressividade como na noite de sexta-feira, 23, quando ele, depois de tentar matá-la com uma faca, ateou fogo na casa onde os dois moravam com mais três filhos e dois netos, no bairro Barrocas II. A casa foi totalmente destruída e a família ficou desabrigada, sem roupas e mantimentos, dependendo da solidariedade de amigos. Toda a revolta do acusado tem apenas um motivo: ciúmes.
"Ele era tranqüilo, mas desde que um amigo da gente veio aqui, ele ficou criando coisa e depois de beber fez essa tristeza aqui", disse dona Neli ainda inconformada.
A revolta de José Rodrigues começou na tarde de sexta-feira, quando, embriagado, tentou matar a companheira com uma faca. "Meu filho me acudiu e jogou uma pedra na cabeça dele (marido). A gente chamou a polícia, mas eles não deram nem atenção", disse a dona-de-casa.
O companheiro foi levado até o Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) para tratar do ferimento da cabeça, mas depois de liberado voltou ao local, dessa vez para destruir a casa. "Eu fugi pra casa da minha filha, no Wilson Rosado, quando soube que ele tinha tocado fogo na casa. A gente perdeu tudo, geladeira, fogão, roupa, documentos. Ficamos sem nada", disse.
Depois de cinco horas de demora, uma viatura da PM chegou ao local para conter o acusado, mas ele conseguiu fugir pelo matagal e está foragido.
Quem puder prestar alguma ajuda à família de dona Neli, seja através de roupas, dinheiro ou comida, pode entrar em contato com ela pelos telefones 8815-5568 e 9604-5063.



       




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