

CONSTATAÇÃO
Remanescentes
formam novas quadrilhas
Andrey Ricardo
Da Redação
Há cinco anos, o líder de uma das maiores quadrilhas
que já atuaram no Rio Grande do Norte foi morto em confronto
com a Polícia Civil. Dois anos depois, um outro grupo que
despontava como o anterior foi desbaratado noutra ação
policial e, novamente, perdeu seu comandante. Eram José Valdetário
Carneiro Benevides e Hélio Cosme da Silva, Mangueira.
Eles e outros integrantes das duas quadrilhas morreram, mas uma
parte escapou da Polícia e voltou a atuar novamente.
Com a perda dos seus líderes, os assaltantes que conseguiram
permanecer na ativa ou aqueles que foram presos e agora estão
em liberdade seja fugitivo ou com o consentimento judicial
estão agindo mais uma vez, principalmente no Vale
do Açu e Médio Oeste Potiguar. Com a experiência
adquirida dentro dos presídios ou até mesmo na companhia
dos antigos chefes, essa nova leva de bandidos está mais
ousada, mas ainda não há uma liderança. Para
a Polícia, são grupos remanescentes das grandes quadrilhas,
que voltam a agir e, casualmente, se unem para realizar uma parada
é o termo usado pelos bandidos.
Em um pequeno intervalo de tempo, a Polícia registrou uma
grande quantidade de assaltos que são praticados de maneira
semelhante, reforçando a tese de que sejam os integrantes
de um mesmo grupo ou de várias células que estão
se unindo. Os investigadores que trabalham nos inquéritos
instaurados para apurar delitos da quadrilha já têm
o nome da maioria. São pelo menos dez que participam diretamente
das ações, além de outros que dão apoio
logístico. São várias células
que agem em determinadas regiões e, dependendo do local onde
vão agir, dão apoio ou se unem, esclarece um
oficial militar.
O delegado regional da cidade de Macau, Claiton Pinho, diz que os
remanescentes daquelas grandes quadrilhas, na época, não
representavam perigo para a Segurança Pública, já
que eles eram iniciantes, mas hoje estão mais ousados e bem
armados. Esse pessoal que está agindo são pessoas
que eram recém-ingressas nesses grupos. Não era nem
tido como pessoas perigosas, mas em função da continuidade
nas ações delituosas foram se tornando perigosos,
ingressando em outros crimes e hoje eles estão fazendo assaltos
maiores, explica Claiton, acrescentando que eles estão
preocupando.
Claiton, que durante anos foi delegado da Especializada em Furtos
e Roubos de Mossoró, ressalta ainda que outro fator preponderante
que facilita o retorno desse pessoal é a rede de amizades
que eles adquirem dentro dos presídios por onde já
passaram e são muitos. É gente que foi
presa por crimes menores, mas depois de presos, eles voltam cometendo
crimes maiores, como aconteceu com esse pessoal que está
agindo agora, destaca. Eles migram de um grupo para
outro. Isso vai depender da necessidade. Quando pegam um trabalho
para fazer, um assalto de maior envergadura, acrescenta.
Diferentemente da quadrilha de Mangueira e Valdetário, que
tinha alvos específicos, a nova geração, remanescentes
desses grupos antigos, atua em todos os ramos - tráfico de
drogas, assaltos contra casas lotéricas, carros de passageiros,
veículos de carga e até pistolagem. São
pessoas que se juntam para fazer qualquer trabalho e depois se separam.
Eles não têm mais um ramo específico. Eles vão
atrás do que dá mais dinheiro. E hoje o lucro maior
é nesses assaltos contra ônibus, pequenos comércios,
saidinha de banco. É isso que dá mais
dinheiro hoje..., esclarece o delegado de Macau.
Apenados
escapam e voltam a delinqüir
A Polícia acredita que parte das pessoas
envolvidas nos crimes ocorridos no Vale do Açu e no Médio
Oeste Potiguar já foi presa e condenada na Justiça
a pagar pelos seus crimes, mas fugiram ao receber o direito de sair
do regime fechado, onde viviam cercados por policiais e agentes
o dia inteiro, para um campo aberto, sem vigilância. Nos últimos
dez anos, cerca de 150 presos do Complexo Penal Agrícola
Mário Negócio que receberam a progressão para
o regime semi-aberto fugiram e não voltaram mais. Soltos,
eles voltam a delinqüir. Aqueles que voltam são recapturados
cometendo alguma infração.
Para o delegado regional de Macau, Claiton Pinho, parte dos assaltos
ocorridos em Mossoró são praticados pelos presos que
fugiram do regime semi-aberto da penitenciária, que abriga
apenados de várias cidades do interior potiguar. Essa
enorme quantidade de assaltos que estão ocorrendo aí
em Mossoró não é outra coisa. É esse
pessoal que saiu do semi-aberto e está agindo de novo,
dispara o delegado, que faz críticas ao sistema: Esses
caras são condenados a cinco, seis anos de cadeia... Mas
não passam nem a metade disso e recebem a progressão
para o regime semi-aberto e fogem.
Claiton Pinho cita o exemplo de Djangues Santiago Cruz, de 33 anos,
que foi preso e condenado pela prática de pequenos furtos
e que na manhã do dia 15 deste mês foi recapturado
durante uma tentativa de assalto com reféns na Diótica,
situada no Centro da cidade. O delegado diz que, assim como o pessoal
que integra a quadrilha que está agindo no interior, Djangues
saiu da prisão pior. Ele foi preso porque fazia pequenos
furtos. Quando saiu do regime fechado, não demorou muito
e fugiu. Agora, ele está fazendo assaltos à mão
armada. É isso que acontece, conta Claiton Pinho, que
foi delegado em Mossoró.
O major PM Alvibar Gomes, diretor do Complexo Penal de Mossoró,
admite que o sistema deveria ser mais rigoroso ao avaliar se um
preso está apto a retornar à sociedade, já
que o regime semi-aberto é o passo inicial para a liberdade.
Com certeza, é preciso haver uma maior fiscalização.
Os exames têm que ser feitos com maior responsabilidade,
esclarece o oficial militar, explicando que o preso, antes de ser
liberado para progredir de regime, é submetido a uma comissão,
formada por um psicanalista, um psicólogo e uma assistente
social. Eles analisam cada um dos presos, ressalta Alvibar
Gomes.
Segundo Alvibar, cada um dos profissionais faz sua análise
da situação dos apenados e envia um laudo técnico
para o juiz da Vara de Execuções Penais, que por sua
vez envia a documentação ao Ministério Público.
O promotor analisa o caso e reenvia para o juiz, que vai dar a sentença
final. Apesar da participação de diversas pessoas,
o parecer final fica ao encargo do magistrado. Ele é
quem vai conceder ou não a progressão, ratifica
Alvibar Gomes, reconhecendo que não é fácil
afirmar se um determinado preso vai se comportar ou não ao
ser posto em liberdade. É uma avaliação
difícil, destaca.
Marido
enciumado tenta matar mulher e incendeia casa nas Barrocas II
Esdras Marchezan
Da Redação
Em um ano e sete meses de convivência com o catador de lixo
José Rodrigues da Silva, 42 anos, dona Neli Severiano da
Silva, 42 anos, nunca desconfiou que o companheiro pudesse demonstrar
tanta agressividade como na noite de sexta-feira, 23, quando ele,
depois de tentar matá-la com uma faca, ateou fogo na casa
onde os dois moravam com mais três filhos e dois netos, no
bairro Barrocas II. A casa foi totalmente destruída e a família
ficou desabrigada, sem roupas e mantimentos, dependendo da solidariedade
de amigos. Toda a revolta do acusado tem apenas um motivo: ciúmes.
"Ele era tranqüilo, mas desde que um amigo da gente veio
aqui, ele ficou criando coisa e depois de beber fez essa tristeza
aqui", disse dona Neli ainda inconformada.
A revolta de José Rodrigues começou na tarde de sexta-feira,
quando, embriagado, tentou matar a companheira com uma faca. "Meu
filho me acudiu e jogou uma pedra na cabeça dele (marido).
A gente chamou a polícia, mas eles não deram nem atenção",
disse a dona-de-casa.
O companheiro foi levado até o Hospital Regional Tarcísio
Maia (HRTM) para tratar do ferimento da cabeça, mas depois
de liberado voltou ao local, dessa vez para destruir a casa. "Eu
fugi pra casa da minha filha, no Wilson Rosado, quando soube que
ele tinha tocado fogo na casa. A gente perdeu tudo, geladeira, fogão,
roupa, documentos. Ficamos sem nada", disse.
Depois de cinco horas de demora, uma viatura da PM chegou ao local
para conter o acusado, mas ele conseguiu fugir pelo matagal e está
foragido.
Quem puder prestar alguma ajuda à família de dona
Neli, seja através de roupas, dinheiro ou comida, pode entrar
em contato com ela pelos telefones 8815-5568 e 9604-5063.
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