|


FESTEJOS JUNINOS
Desafio
do acesso à formalidade
Regy Carte
Da Redação
O crescimento da economia de Mossoró cria novas oportunidades
e encoraja pequenos empreendedores à ampliação
do negócio. Para isso, especialistas recomendam abandono
da informalidade para assumir desafios do mercado formal. Eles defendem
que a formalização permite acesso a linhas de crédito
com taxas de juros e prazos adequados às pequenas empresas,
ampliação do empreendimento e conquista de novos mercados.
O acesso à formalidade está mais fácil, mas
ainda não tão simples. Demanda custo com obrigações
tributárias e outros encargos. É mais caro ser formal.
Assim, a maioria dos microempresários de Mossoró se
mantém na informalidade.
É o caso do comerciante José Maria Rebouças
Vieira, 44, dono de armarinho no Centro. Ele não aderiu à
Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas (Supersimples) este ano
por causa de débito com Imposto Sobre Circulação
de Mercadoria e Serviços (ICMS) e Prefeitura.
Mas sei da importância da formalidade. Estou pagando
meu débito, vou ver com meu contador o que ainda tem pendente
para aderir ao Supersimples no próximo ano, diz José
Maria, apesar do receio que diz ainda ter da burocracia e dos custos
da adesão ao chamado mundo formal.
DESINFORMAÇÃO
A falta de informação, porém, favorece o estigma
de que a formalidade é cara, burocrática, incompensável
e afasta o empreendedor do negócio formal. Para mudar essa
mentalidade, a segunda etapa do Mutirão da Cidadania Empresarial,
quarta-feira, 28, das 8h às 14h, no Serviço Brasileiro
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), orientará
o empreendedor informal de como formalizar seu negócio e
as vantagens dessa mudança.
O mutirão será promovido em mais de 250 municípios
brasileiros pelo Sebrae, Banco do Brasil, Federação
Nacional de Empresas de Serviços Contábeis (FENACON),
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior (MDIC), e Receita Federal do Brasil, que fornecerão
informações técnicas, empresarial e de crédito
aos empreendedores informais que já possuem negócio
e pretendem expandir o empreendimento.
O mutirão mostrará o caminho mais curto para formalização,
documentação necessária, linhas de crédito
disponíveis, oportunidades de mercado, treinamentos e outras
informações.
A proposta é reunir num único local todas as
orientações que o pequeno empreendedor precisa saber
para formalizar e fomentar seu negócio, haja vista o grande
grupo de empresas fora da formalidade, informa o gerente-geral
do Banco do Brasil em Mossoró, Edinei Pereira de Oliveira,
que vê o mutirão como semente para fortalecimento das
microempresas.
São elas que movem o país. A microempresa gera
emprego. O sujeito passa a trabalhar nela, a comprar e a mover a
economia. E essa cadeia começa quando a microempresa abre
as portas. Claro que as grandes empresas são importantes,
mas cada dois ou três empregos gerados pela microempresa é
muito significativo para economia do Brasil, observa Edinei
Pereira.
Ele recomenda a formalização como forma de fortalecê-las
através do acesso ao crédito e ao que ele chama de
bancarização. Que é a empresa ter uma
conta bancária diferenciada, acesso ao crédito com
juros inferiores a 1%, operar com cartão de crédito.
Temos 90 mil cartões de crédito em Mossoró,
explica.
Sebrae:
nova lei favorece a formalidade
O primeiro passo para o acesso à formalidade é a abertura
da empresa, que se tornou mais fácil com a vigência
da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas (Supersimples), em 2007,
que simplifica o regime tributário para o pequeno negócio
e favorece o acesso de pequenos empreendimentos ao mercado informal,
segundo o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(SEBRAE).
Porém, ainda é alto o número de empresas que
não aderiram ao Supersimples. Estima-se que apenas 5 milhões
das 15 milhões de pequenas empresas no Brasil estão
na formalidade.
No entanto, o gerente do escritório regional do Sebrae, João
Vidal Fernandes Sobrinho, é otimista e acredita no aumento
de empresas no mundo formal.
Ele explica que as facilidades tributárias decorrentes da
vigência do Supersimples favorece à formalização
e iniciativas do tipo do Mutirão da Cidadania Empresarial
reforçam essa tendência.
A idéia é aproveitar o ambiente econômico
favorável do Brasil, facilidades tributárias do Supersimples
e trazer o autônomo, o candidato a empresário, o recém-formado
para a formalidade e permiti-lhes acesso às vantagens do
mundo formal, entre as quais, o crédito, diz João
Vidal.
O público-alvo, segundo ele, também são pessoas
que sobrevivem de pequenos negócios, feirantes do vuco-vuco,
do mercado central. O grande número de empresas na
formalidade se deve à legislação antiga, que
de certa forma dificultava a formalização. O Supersimples
veio para ficar e facilitar o pequeno negócio, frisa.
A primeira etapa do Mutirão da Cidadania Empresarial em Mossoró
ocorreu em 20 de novembro de 2007 e atendeu 87 pessoas. A expectativa
é que a segunda supere cem atendimentos.
Ator
global se apresenta hoje com Um Certo Van Gogh
Dividido entre a televisão e o teatro,
o ator Bruno Gagliasso se apresenta hoje no palco do Teatro Municipal
Dix-huit Rosado com o espetáculo 'Um Certo Van Gogh', sob
a direção de João Fonseca e texto de Daniela
Pereira de Carvalho.
A vida de Vincent Van Gogh, o pintor holandês mundialmente
conhecido, e, de vida trágica, é encenada por Gagliasso
que recria um artista a partir da contemporaneidade, método
que o desobrigou de seguir uma narrativa biográfica e que
faz com que a platéia possa refletir sobre o que foi provocado
pelo pintor na história das artes plásticas.
A idéia de realizar esse espetáculo se deu com a produção
associada entre a Chaim Produções e o ator Bruno Gagliasso
com o patrocínio nacional do Banco Real. O ator foi um dos
defensores do projeto e convidou para compor o elenco os atores
Marcelo Valle, Larissa Bracher e Pedro Garcia Netto. Todos os atores
interpretam mais de um personagem reproduzindo duas épocas.
Assim, Um certo Van Gogh ao invés de falar da vida do pintor,
marcada pelo desconhecimento do seu trabalho (ele só vendeu
um único quadro em vida), abre espaço para a geniosidade
do artista e seu impressionismo.
"O que a gente quer é apresentar um olhar sobre os sentimentos
do Van Gogh, não sobre sua vida. Essa coisa de ter sido internado
e sofrer de depressão todo mundo sabe. A dimensão
artística do Van Gogh me impressiona muito", afirma
Bruno Gagliasso.
O espetáculo já passou por várias cidades do
país. Ontem, o espetáculo foi aplaudido pelo público
natalense no Teatro Alberto Maranhão.
Em Mossoró a peça terá uma única sessão,
às 20h. As senhas estão sendo vendidas na bilheteria
do teatro e na loja 'A Graciosa' do West Shooping aos preços
de R$ 30,00 inteira e R$ 15,00 a meia para estudantes.
Morte
materna, o que fazer para evitar?
Edilson Damasceno
Da Redação
O sexo está livre e os jovens iniciam cada vez mais cedo,
mas a maioria não tem cuidado de usar meios para evitar a
gravidez, que pode ser de alto risco e resultar em morte materna.
Idade, problemas cardíacos, diabetes e outros fatores de
saúde implicam em aumento nas estatísticas relacionadas
à mortalidade de mães durante e após a gestação.
Além dessas implicações, outro agravante soma:
a falta de médicos obstétricos na cidade. Em números
reais, de 2005 até o mês de março passado, morreram
14 mulheres em Mossoró, segundo informações
do Sistema de Informações à Mortalidade (SIM),
da Vigilância Sanitária órgão
da Gerência Executiva da Saúde. No Rio Grande do Norte,
a Secretaria Estadual de Saúde Pública (SESAP) informa
que os óbitos chegam a 50, com relação a 2006
(36 mortes) e 2007 (14).
A mortalidade materna, segundo o médico ginecologista Inavan
Lopes, é elevada no Brasil, com agravantes na região
Nordeste, e que as causas mais comuns são pré-eclampsia,
hemorragias e infecções. O profissional, contudo,
afirma que é possível evitar que a estatística
seja crescente e diz que o ponto chave para tal é a realização
do pré-natal por parte das grávidas. Analisando o
quadro de Mossoró, o ginecologista diz que o município
vem realizando um bom trabalho, mas diz que boa parte das mortes
ainda poderia ser evitada. Com um pré-natal, as patologias
que acometem essas mulheres podem ser evitadas. A taxa de mortalidade
materna é alta no Brasil, mas vem caindo nos últimos
anos, especialmente em Mossoró, comenta.
O médico, que atende no complexo hospitalar da Casa de Saúde
Dix-sept Rosado, afirma que o que eleva essa estatística
em Mossoró é o fato de o município receber
pacientes de cidades do Oeste, Alto Oeste e cidades da Paraíba
e do Ceará. Muitos óbitos não são
de Mossoró, afirma. E ele tem razão. A coordenadora
do SIM, Maria José Silva de Góis, informa que dos
sete casos registrados em 2005, três eram de fora, sendo de
Afonso Bezerra, Baraúna e Grossos.
Ela informa que a mortalidade materna pode ocorrer durante a gestação
e até os primeiros dias do parto, podendo ser provocada por
complicações obstétricas na gravidez, parto
e puerpério (quando ainda amamenta), morte obstétrica
indireta (causada por doenças que a mulher tinha antes ou
que se desenvolveram durante a gravidez) e mortalidade materna não-obstétrica
(causada por incidentes ou acidentes).
Não era para haver morte materna. A mulher não
era para morrer na gravidez, pois se ela engravidou, quer dizer
que está em sua plenitude, mas infelizmente morre. Fazer
um pré-natal bem-feito evita complicações,
comenta Maria José, informando que um dos óbitos registrados
neste ano foi provocado por uma leucemia aguda. A mulher fez
todos os exames, mas sofria de dores fortes de cabeça, e
quando cuidou era tarde. Outro caso, a grávida tinha um tumor
na cabeça, diz.
Gerente
diz que falta obstetra em Mossoró
A gerente executiva da Saúde, Dorinha Burlamaqui, afirma
que a Prefeitura tem direcionado atenção para reduzir
a mortalidade materna. Contudo, afirma que um dos problemas enfrentados
diz respeito à gravidez de alto risco. Às vezes,
realmente faltam médicos. Quem fazia essa parte de garantir
obstetras para acompanhar as mulheres que têm gravidez de
alto risco era o Estado. Agora a gestação de alto
risco é acompanhada no Hospital da Polícia Militar,
informa.
Dorinha Burlamaqui diz que a questão não é
que não existam obstetras em Mossoró. O problema,
segundo a gerente, é que esses profissionais não querem
realizar atendimentos pelo Sistema Único de Saúde
(SUS).
O médico Inavan Lopes informa que os obstetras que trabalham
na Casa de Saúde Dix-sept Rosado atendem a algumas mulheres
que têm gravidez de alto risco, mas somente quando elas vão
parir.
Vereador
propõe audiência pública para discutir tema
O problema da mortalidade materna chegou à Câmara Municipal.
O vereador Renato Fernandes (PR) propõe que o assunto seja
discutido em audiência pública na quarta-feira, 28,
Dia Mundial de Combate à Mortalidade Materna. Estamos
preocupados com o assunto, diz o vereador, acrescentando que
a idéia é reunir a classe médica e representantes
de hospitais para discutir o que realmente existe de política
pública voltada para a área.
Segundo Fernandes, é importante que se debata a questão
do pré-natal, a importância dos exames contínuos
para que as mulheres grávidas tenham noção
da importância do acompanhamento médico, bem como colocar
em discussão outro problema: a falta de infra-estrutura do
município para atender esse público.
A gerente executiva da Saúde, Dorinha Burlamaqui, concorda
que a ausência de infra-estrutura para atender às grávidas
é um complicador, e enfatiza que a construção
do Hospital Municipal é um dos propósitos da prefeita
Fafá Rosado. Segundo ela, o município precisa não
apenas de estrutura para acomodar uma maternidade, e sim de um setor
específico para crianças.
O ginecologista Inavan Lopes afirma que a questão de uma
unidade de terapia intensiva (UTI) para atender às grávidas
e parturientes é importante, e diz que na Casa de Saúde
Dix-sept Rosado existe um acordo com a diretoria para disponibilizar
um leito de UTI para atender essa necessidade.
Mossoró
tem as únicas desistências do RN
JANAÍNA HOLANDA
Da Redação
Nove famílias da zona urbana e rural de Mossoró já
começaram a responder os questionários da Pesquisa
de Orçamentos Familiares (POF 2008-2009) do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) que vai investigar o modo
de viver e consumir de 65 mil famílias de todo o país.
Nessa primeira etapa, 71 domicílios serão visitados
pelos pesquisadores em Mossoró. No Rio Grande do Norte, a
meta é chegar a 1.670 domicílios de 20 Municípios
escolhidos aleatoriamente, com exceção de Natal, Mossoró
e Parnamirim que são considerados Municípios de referência
para o IBGE.
Em todo o Estado, o trabalho está sendo desenvolvido por
19 pesquisadores. Até agora, apenas duas desistências
foram registradas.
Por incrível que pareça, só tivemos problemas
com Mossoró. As duas desistências que registramos até
agora foi em Mossoró, de famílias que alegaram falta
de tempo para fazer as anotações, afirmou Jailson
Filgueira, coordenador da POF no Rio Grande do Norte.
Mesmo assim, a adesão é considerada satisfatória
pela coordenação local da POF. São casos
isolados, mas no geral, a pesquisa está tendo uma boa adesão
pela população, comentou o diretor da agência
do IBGE em Mossoró, Ezídio Costa explicando que a
pesquisa vai durar o ano inteiro.
Até julho, os dois pesquisadores de Mossoró estarão
visitando famílias nos bairros Abolição (zona
oeste da cidade), Belo Horizonte (zona sul), Barrocas (zona norte),
Alto de São Manoel (zona leste), além de toda extensão
rural que faz limite com os Municípios de Arreia Branca,
Serra do Mel e Assu.
Ao invés de aplicar apenas um questionário, as famílias
terão que fazer anotações de seus hábitos
durante uma semana.
Tem o dia da visita, aí a gente deixa um questionário
para que a família tome nota de tudo que consome, de quanto
gastou e até o peso do alimento durante uma semana. Depois
a gente volta para recolher. Apesar das famílias não
terem o costume de fazer esse tipo de observação,
elas estão colaborando, falou o pesquisador Rogério
Henrique.
Ele explicou que essas informações são importantes
para saber como os potiguares estão gastando o seu dinheiro.
Com a pesquisa também será possível saber como
está o consumo de produtos diet e o destino do lixo doméstico.
As contas de água, luz e telefone também entram no
levantamento, que terá mais uma novidade: o IBGE quer saber
se as campanhas de uso de energia alternativa têm dado resultado.
Outra novidade é que cada morador será medido e pesado
para avaliar situações de subnutrição
ou obesidade. Os dados recolhidos pelos pesquisadores vão
revelar o que mudou no consumo, na vida das famílias do início
da década pra cá. A gente pesa e mede cada morador
individualmente, para complementar as variáveis referentes
ao tema de nutrição, segurança alimentar,
afirmou Rogério.
Além disso, a precisão dessas informações
é muito importante porque elas servirão para calcular
os índices de inflação que vão influenciar
nos salários, nos preços e na vida de todo mundo.
Há ainda um questionário de percepção,
que é respondido por uma pessoa da família, sobre
o que ela acha da prestação de serviços públicos
e da sua renda, se, por exemplo, é suficiente para alimentar
a família.
O diretor da agência do IBGE em Mossoró, Ezildo Costa,
esclarece que os informantes que vão ser visitados pelos
pesquisadores não precisam se preocupar se vão ter
tempo para receber os agentes do órgão. Na verdade,
o coletor do IBGE, o agente de pesquisa da POF, está à
disposição do informante, então ele agenda
todo o preenchimento, ele marca horário, explicou.
Nas próximas fases, além de Mossoró, serão
pesquisadas famílias de Areia Branca, Caraúbas e Baraúna.
A última pesquisa de orçamentos familiares foi realizada
entre 2002 e 2003. Os primeiros resultados da pesquisa 2008 devem
ser divulgados no fim de 2009.
|