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DESENVOLVIMENTO
Projeto
Dom Helder deve ser renovado
Oeste
- Essa semana o diretor do Projeto Dom Helder Câmara, Expedito
Rufino de Araújo, estará retornando ao Rio Grande
do Norte com a finalidade de acompanhar as atividades de sistematização
das ações desenvolvidas pelo Dom Helder nos últimos
quatro anos. As ações beneficiaram cerca de duas mil
famílias de agricultores em quase 60 assentamentos e comunidades
rurais de dez municípios do território sertão
do Apodi.
O objetivo é captar as experiências positivas para
servirem de referência a outros projetos de combate a pobreza
rural que a Organização das Nações Unidas
(ONU) e próprio governo brasileiro estão apoiando.
O trabalho está sendo coordenado pelo Fundo Internacional
para o Desenvolvimento da Agricultura (FIDA), órgão
da ONU especializado em sistematização e avaliação
participativas.
No caso do RN foram compostas duas equipes para coordenar este trabalho
que envolve consultas a agricultores familiares, instituições
das três esferas governamentais e ONGs.
De acordo com Expedito Rufino, em recente avaliação
feita com uma missão do Fida, o Projeto Dom Helder Câmara
tem sido uma das mais exitosas iniciativas que a ONU vem apoiando
nos países da América Latina e África. O resultado
motivou o Fundo a expressar para o Governo do Brasil o interesse
em renovar a parceria para se implantar uma nova fase do PDHC numa
perspectiva de mais seis ou oito anos.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel,
respondeu a proposta da Organização das Nações
Unidas autorizando Expedito a apresentar uma versão para
o novo momento. Segundo ele, tudo indica que o PDHC/SDT/MDA-FIDA/ONU
poderá ter seu período de atuação estendido
do final de 2009 para, pelo menos, 2013 ou 2015.
As atividades de sistematização devem ser concluídas
no mês de julho com uma apresentação dos resultados
para o conjunto de parceiros que atuam junto ao PDHC. A expectativa
é envolver os seis estados de atuação do Projeto
Dom Helder no Nordeste: Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí,
Paraíba, Pernambuco e Ceará.
Supervisor
do PDHC participou de comitiva
No final de 2007, o supervisor do Projeto Dom Helder Câmara
no RN, engenheiro agrônomo Caramuru Paiva, integrou uma comissão
de representantes de oito países que foram convidados pelo
Procasur do Chile e Riscip do Equador para sistematizarem as experiências
de combate à pobreza rural a partir da estratégia
de desenvolvimento territorial com identidade cultural.
A viagem durou quinze dias e envolveu o intercâmbio e a pesquisa
em trabalhos comunitários realizados no interior do Equador,
Vale Del Colca no Peru e na quinta região do Chile.
Ao final da viagem a comitiva gerou um relatório que vai
se constituir num plano de inovações que o Procasur
e Riscip apresentarão ao Fida. Como único brasileiro
na comitiva, Caramuru Paiva avaliou que foi muito positivo as atividades
desenvolvidas. "Podemos perceber que existem boas ações
em andamento nas mais diversas realidades da América e vimos
que através delas é possível integrar ainda
mais os povos latinos", concluiu.
PDHC
coordena comitê
Recentemente o Governo Federal lançou o Programa Territórios
da Cidadania com a finalidade de promover o desenvolvimento das
regiões mais pobres do país através da ação
articulada por 19 ministérios, em parceria com governos estaduais
e prefeituras municipais para potencializar os recursos investidos.
O território sertão do Apodi foi uma dessas áreas
selecionadas e a coordenação das ações
será realizada pelo comitê territorial do PDHC/SDT/MDA-FIDA/ONU.
Somente para o ano de 2008 estão previstos investimentos
na ordem de R$ 118,3 milhões destinados à infra-estrutura,
segurança hídrica, atividades produtivas, educação,
saúde e desenvolvimento social.
Ao todo, no Estado do Rio Grande do Norte, foram beneficiados três
territórios da cidadania. O trabalho estadual é coordenado
pela Delegacia Federal do Desenvolvimento Agrário, através
da operacionalização feita pela Secretaria Nacional
de Desenvolvimento Territorial.
O delegado do MDA, Hugo Manso, avalia que o Programa dos Territórios
é ousado e que nos próximos anos deverá promover
mudanças significativas no padrão de vida dos agricultores
familiares bem como em todo o interior do Estado.
Criadores
apostam na caprinocultura
Valdir Julião
Da Tribuna do Norte
A caprinocultura tem atraído novos criadores na região
Agreste, como é o caso de Hugo de Oliveira e Silva, que já
tentou de tudo na sua propriedade de sete hectares - a Fazenda Vivenda
de Orion, em Arena, no município de São José
do Mipibu, onde ele produz dois mil litros de leite de cabra ao
mês.
Oliveira já foi criador de galinhas, codornas, coelhos, plantio
de mamão e coqueiros. Há três anos, ele concentrou
seus esforços na criação de cabras e de leite
e não se arrepende, pois, além disso, agrega valor
ao negócio fazendo queijos sob encomendas, inclusive para
turistas e hotéis de Natal.
"Para melhorar a qualidade", Oliveira explica que coloca
alguns ingredientes no queijo de coalho, conforme o gosto do cliente
- pimenta, tomate, orégano. O quilo, segundo ele, é
vendido entre R$ 22,00 e R$ 25,00.
"Quem define o tipo de queijo são os gringos",
disse ele, que credita a melhoria do seu negócio à
propaganda boca a boca. "Eles dizem, quero queijo assim, com
mel, não coloque sal, como se fosse frescal", exemplificou
ele, que finalizou: "o importante é produzir e saber
a quem vender".
Outro criador que não se arrepende de ter entrado no negócio
é o técnico agrícola José Etelvino da
Fonseca Filho, que tem uma pequena granja por trás do terreno
onde funcionou o Alecrim F. C, na BR-101.
Etelvino Filho conta que tinha um emprego de dez anos na Emater
e há alguns anos pediu demissão para criar bovinos.
Perdeu tudo, porque comprador do gado não pagou. Agora, com
a ajuda de um filho de 12 anos, vai tocando a criação
de cabras. "Hoje produzo 20 litros de leite por dia, mas quero
chegar a 50 e 100 litros até o fim do ano", diz ele,
que mesmo não tendo muito recurso financeiro, diz que trabalha
para selecionar o seu criatório.
A produção mensal de Etelvino Filho, que teve a ajuda
de Luiz Carlos Dantas para começar no negócio, que
lhe emprestou inclusive um freezer, vai toda para a usina da Apasa,
de Angicos.
Homens
buscam apoio do Projeto Aprisco
Os criadores de caprinos do Agreste estão tentando o apoio
do projeto Aprisco da Secretaria Estadual de Agricultura, da Pesca
e da Pecuária (SAPE), que está a depender de recursos
da Sudene para ser ampliado.
Por enquanto, segundo a secretária da Sape, Larissa Rosado,
o investimento conveniado entre o Governo do Estado e a Sudene consistiu
em elevar a produção e a qualidade dos produtos da
caprinovinocultura, "tornando-a competitiva e sustentável
a partir da otimização dos sistemas de produção
e de manejo dos caprinos e ovinos visando a produção
de leite, carne e pele bem como a maximização do retorno
econômico dessas atividades".
Até agora, o projeto Aprisco atendeu a 240 famílias
no Seridó, onde integrou 33 municípios: Bodó,
Caicó, Acari, Carnaúba dos Dantas, Cerro Cora, Cruzeta,
Currais Novos, Equador, Florânia, Ipueira, Jardim de Piranhas,
Jardim do Seridó, Jucurutu, Lagoa Nova, Ouro Branco, Parelhas,
Santana do Seridó, São João do Sabugi, São
Fernando, São José do Seridó, São Vicente,
Serra Negra do Norte, Tenente Laurentino e Timbaúba dos Batistas.
Na região Central, os municípios beneficiados são
Afonso Bezerra, Pedro Avelino, Pedra Preta, Jardim de Angicos, Angicos,
Lajes, Fernando Pedrosa, Caiçara do Rio dos Ventos e Santana
do Matos.
A secretária Larissa Rosado confirmou, também, que
o projeto foi estendido à região Oeste na segunda
etapa e ali está beneficiando com o mesmo tipo de atendimento
mais 150 produtores rurais nos municípios de Alexandria,
Antônio Martins, Francisco Dantas, Itaú, José
da Penha, Marcelino Vieira, Olho d'Água do Borges, Patu,
Pau dos Ferros, Rafael Fernandes, São Francisco do Oeste,
Severiano Melo, Tabuleiro Grande, Tenente Ananias, Umarizal, Mossoró
e Apodi, onde estão sendo investidos recursos de mais de
R$ 290 mil.
Região
investem na produção leiteira
A caprinocultura é uma nova aposta do agronegócio
na região Agreste/Trairi do Rio Grande do Norte, onde se
destacam, por exemplo, a cultura canavieira, e a criação
de bovinos é uma tradição. Criadores de cabra
leiteira também querem mostrar que essa não é
uma atividade exclusiva e típica do sertão, cujo ambiente,
culturalmente assim se definiu, seria mais propício para
o criatório extensivo, ou seja, em grandes áreas,
de caprinos e ovinos.
Os caprinocultores do Agreste/Trairi acreditam que o maior trunfo
para atrair investidores é a produtividade no criatório
intensivo, como informa o criador Luiz Carlos Correia Dantas, do
Rancho Colorado, sediado em Macaíba. "Em abril, a produção
de 37 criadores foi de 21.444 litros de leite", comparou ele,
contra cerca de 30 mil litros produzidos por mais de 200 caprinocultores
do de Afonso Bezerra, o município com maior produção
de leite de cabra do Estado.
Luiz Carlos Dantas diz que toda a produção da região
Agreste/Trairi é levada para usina de beneficiamento de leite
da Apasa, em Angicos, que a exemplo das usinas de pasteurização
em São José do Seridó e em Apodi, vende toda
a produção para o Governo Estadual que distribui diariamente
leite de vaca e cabra para famílias de baixa renda.
Para tanto, os criadores já contam com o apoio da Associação
Norte-rio-grandense de Criadores de Ovinos e Caprinos (ANCOC), cujo
vice-presidente José Ayrton da Silva, é dono da Estância
Caprichosa, também localizada em Macaíba, onde ele
produz 1.600 litros de leite por mês numa área de criação
de apenas 1,3 hectare, enquanto Dantas produz dos mil litros/mês
em 14 hectares.
"Nós queremos mostrar que o manejo de caprinos e ovinos
é viável em qualquer lugar", diz Ayrton da Silva,
para explicar que a criação das cabras e de bodes
reprodutores na Região Agreste e em parte do litoral, é
diferente do sertão, onde o clima seco não favorece
a verminose.
Terra
treme no Ceará e assusta no RN
A
construção de barragens motiva a ocorrência
de tremores de pequenas proporções no Rio Grande do
Norte. Mas há ocorrências sendo registradas também
por outras razões, atualmente na região de Tabuleiro
Grande e no passado na região de João Câmara.
E são essas mesmas razões que nesta semana fizeram
a população de várias cidades da região
de Sobral (CE) dormir na rua. Os tremores no Ceará assustam
no Rio Grande do Norte.
A ocorrência de tremores no Nordeste é monitorada pelo
Departamento de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande
do Norte (UFRN) e também pela Universidade de Brasília
(UnB). Atualmente, a UFRN tem estações sismológicas
modernas em Agrestina (PE), Solânia (PB), Ocara, na região
de Sobral, e nos municípios potiguares de Parelhas e Taboleiro
Grande.
No Rio Grande do Norte, existe uma outra estação de
sismologia ainda mais moderna e com alcance mundial. Está
instalada em Riachuelo. O projeto da UFRN, segundo Eduardo Menezes,
um dos coordenadores da Estação de Monitoramento Sismológico,
é ampliar o raio de monitoramento na região Nordeste.
Esse projeto será financiado pela Petrobras com apoio do
CNPq. Serão 16 novas estações instaladas no
Nordeste.
Atualmente, o Departamento de Sismologia da UFRN conta dois doutores,
dois técnicos e seis estudantes. Quando a estrutura de monitoramento
for ampliada, o número de pesquisadores também será
ampliado, mesmo os novos equipamentos que estão sendo adquiridos
nos Estados Unidos da América ser de alta resolução
e com transmissão em banda larga via satélite.
Com a atual estrutura de pesquisa, os pesquisadores da UFRN, segundo
Eduardo Menezes, já comprovaram que quando uma barragem é
construída, são registrados diversos pequenos tremores.
Foi o que aconteceu com a Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves,
no Vale do Açu. "O que ocorre são acomodações
das rochas no subsolo devido à pressão da água",
explica Eduardo Menezes.
O mesmo está acontecendo na região de Upanema e Campo
Grande, assim como próximo à Barragem de Santa Cruz,
em Apodi. Conforme o especialista, esses pequenos tremores, assim
como aconteceu com a barragem Armando Ribeiro, vão parar.
"Só não é possível precisar se
num ano ou 50 anos. Vai depender do tamanho da falha geológica
em cada região afetada", explica.
Especialista
não descarta tremores maiores
Eduardo Menezes acrescenta que não é necessário
haver um motivo para acontecer tremor. Em João Câmara,
as acomodações geológicas já estão
em evidência há vários anos. Os tremores maiores
chegaram a atingir 5,3 graus de magnitude, derrubando casas e danificando
outras.
No Estado do Ceará, a ocorrência de tremores é
maior do que no Rio Grande do Norte. Só neste ano, já
foram mais de mil tremores. O maior aconteceu no final da tarde
de quarta-feira, 21, com epicentro na zona rural de Sobral, com
magnitude de 4,3 graus.
O professor e fotógrafo Hudson Costa conta que houve correria
e desespero nas ruas. Nas regiões mais próximas do
epicentro, o posto de saúde, conforme o jornal O Povo, atendeu
há vários moradores com problemas de pressão.
A possibilidade de voltar a acontecer tremores acima de 5 graus
de magnitude não é descartada pelos especialistas
da UFRN. "Vai depender muito do tamanho da fissura nas placas
tectônicas de cada região com incidência de tremores",
explica.
Mas Eduardo Menezes diz que um tremor com a intensidade do que aconteceu
na China, matando mais de 55 mil pessoas, não é provável
que aconteça no Brasil, nem mesmo nas regiões do Ceará
e do Rio Grande do Norte, que atualmente têm registrado grande
incidência de tremores de terra.

Produtores
vão interditar BR dia 28
Vale
do Açu - A pouca mobilidade dos Governos do Estado e Federal
para ajudar as vítimas da enchente do rio Piranhas/Açu
motiva um protesto dos pequenos e médios produtores do Vale
do Açu na próxima quarta-feira, em Assu. A BR-304
e alguns prédios públicos do município de Assu
serão interditados.
O movimento está sendo articulado desde a semana passada
pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental
do Rio Grande do Norte (Evolução), com sede em Assu.
O articulador do movimento é Antônio de Paula Batista,
"Neto Burrego".
As principais reivindicações dos pequenos produtores
são: prorrogação das dívidas dos produtores
que investiram recursos que pegaram emprestados nos bancos; criação
de um crédito emergencial para os que perderam tudo; dois
salários para pequenos proprietários e um salário
para meieiros.
Os pequenos produtores também querem anistia de dívida
de programas, como Programa de Apoio à Agricultura Familiar,
e cobertura dos prejuízos que investiram com recursos próprios.
Pedem ainda que a conta de energia seja paga pelo Governo por um
período mínimo de seis meses.
A última reivindicação é a inclusão
de alguns trabalhadores no Seguro-Agrícola. "É
claro que essas reivindicações visam somente atender
a todos os pequenos produtores em seus mais diversos meios de produção",
explica "Neto Burrego".
O vice-governador Iberê Ferreira de Souza se reuniu no último
dia 8 com os pequenos produtores. Prometeu, na ocasião, enviar
uma equipe do Ministério da Integração, do
Ministério do Trabalho, do Banco do Nordeste para explicar
aos produtores no Vale do Açu como será feita a recuperação
dos estragos deixados pela cheia do rio Piranhas/Açu.
Entretanto, até o momento, essa reunião não
foi realizada. "Os grandes produtores estão alegando
prejuízo de 70 milhões de dólares. Os cerca
de três mil pequenos e médios produtores rurais já
calculam prejuízo superior a R$ 100 milhões. "E,
apesar de toda a encenação política passando
pela região durante a cheia, até agora só chegaram
feiras", reclama Neto Burrego.
Sobre o protesto que será realizado na próxima quarta-feira,
os pequenos produtores estão orientados a se reunir em Assu
logo no início da manhã para interditar acessos a
prédios públicos e principalmente a BR-304. "A
meta é chamar a atenção das autoridades para
os estragos deixados para milhares de familiares humildes que perderam
tudo", diz o organizador do movimento.
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