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MOSSORÓ (RN), DOMINGO, 25/05/2008 (ATUALIZADO: 18:37hs)
 
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» Criadores apostam na caprinocultura
» Terra treme no Ceará e assusta no RN
» Produtores vão interditar BR dia 28


DESENVOLVIMENTO

Projeto Dom Helder deve ser renovado
Oeste - Essa semana o diretor do Projeto Dom Helder Câmara, Expedito Rufino de Araújo, estará retornando ao Rio Grande do Norte com a finalidade de acompanhar as atividades de sistematização das ações desenvolvidas pelo Dom Helder nos últimos quatro anos. As ações beneficiaram cerca de duas mil famílias de agricultores em quase 60 assentamentos e comunidades rurais de dez municípios do território sertão do Apodi.
O objetivo é captar as experiências positivas para servirem de referência a outros projetos de combate a pobreza rural que a Organização das Nações Unidas (ONU) e próprio governo brasileiro estão apoiando. O trabalho está sendo coordenado pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura (FIDA), órgão da ONU especializado em sistematização e avaliação participativas.
No caso do RN foram compostas duas equipes para coordenar este trabalho que envolve consultas a agricultores familiares, instituições das três esferas governamentais e ONGs.
De acordo com Expedito Rufino, em recente avaliação feita com uma missão do Fida, o Projeto Dom Helder Câmara tem sido uma das mais exitosas iniciativas que a ONU vem apoiando nos países da América Latina e África. O resultado motivou o Fundo a expressar para o Governo do Brasil o interesse em renovar a parceria para se implantar uma nova fase do PDHC numa perspectiva de mais seis ou oito anos.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, respondeu a proposta da Organização das Nações Unidas autorizando Expedito a apresentar uma versão para o novo momento. Segundo ele, tudo indica que o PDHC/SDT/MDA-FIDA/ONU poderá ter seu período de atuação estendido do final de 2009 para, pelo menos, 2013 ou 2015.
As atividades de sistematização devem ser concluídas no mês de julho com uma apresentação dos resultados para o conjunto de parceiros que atuam junto ao PDHC. A expectativa é envolver os seis estados de atuação do Projeto Dom Helder no Nordeste: Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí, Paraíba, Pernambuco e Ceará.

Supervisor do PDHC participou de comitiva
No final de 2007, o supervisor do Projeto Dom Helder Câmara no RN, engenheiro agrônomo Caramuru Paiva, integrou uma comissão de representantes de oito países que foram convidados pelo Procasur do Chile e Riscip do Equador para sistematizarem as experiências de combate à pobreza rural a partir da estratégia de desenvolvimento territorial com identidade cultural.
A viagem durou quinze dias e envolveu o intercâmbio e a pesquisa em trabalhos comunitários realizados no interior do Equador, Vale Del Colca no Peru e na quinta região do Chile.
Ao final da viagem a comitiva gerou um relatório que vai se constituir num plano de inovações que o Procasur e Riscip apresentarão ao Fida. Como único brasileiro na comitiva, Caramuru Paiva avaliou que foi muito positivo as atividades desenvolvidas. "Podemos perceber que existem boas ações em andamento nas mais diversas realidades da América e vimos que através delas é possível integrar ainda mais os povos latinos", concluiu.

PDHC coordena comitê
Recentemente o Governo Federal lançou o Programa Territórios da Cidadania com a finalidade de promover o desenvolvimento das regiões mais pobres do país através da ação articulada por 19 ministérios, em parceria com governos estaduais e prefeituras municipais para potencializar os recursos investidos. O território sertão do Apodi foi uma dessas áreas selecionadas e a coordenação das ações será realizada pelo comitê territorial do PDHC/SDT/MDA-FIDA/ONU.
Somente para o ano de 2008 estão previstos investimentos na ordem de R$ 118,3 milhões destinados à infra-estrutura, segurança hídrica, atividades produtivas, educação, saúde e desenvolvimento social.
Ao todo, no Estado do Rio Grande do Norte, foram beneficiados três territórios da cidadania. O trabalho estadual é coordenado pela Delegacia Federal do Desenvolvimento Agrário, através da operacionalização feita pela Secretaria Nacional de Desenvolvimento Territorial.
O delegado do MDA, Hugo Manso, avalia que o Programa dos Territórios é ousado e que nos próximos anos deverá promover mudanças significativas no padrão de vida dos agricultores familiares bem como em todo o interior do Estado.

Criadores apostam na caprinocultura
Valdir Julião
Da Tribuna do Norte

A caprinocultura tem atraído novos criadores na região Agreste, como é o caso de Hugo de Oliveira e Silva, que já tentou de tudo na sua propriedade de sete hectares - a Fazenda Vivenda de Orion, em Arena, no município de São José do Mipibu, onde ele produz dois mil litros de leite de cabra ao mês.
Oliveira já foi criador de galinhas, codornas, coelhos, plantio de mamão e coqueiros. Há três anos, ele concentrou seus esforços na criação de cabras e de leite e não se arrepende, pois, além disso, agrega valor ao negócio fazendo queijos sob encomendas, inclusive para turistas e hotéis de Natal.
"Para melhorar a qualidade", Oliveira explica que coloca alguns ingredientes no queijo de coalho, conforme o gosto do cliente - pimenta, tomate, orégano. O quilo, segundo ele, é vendido entre R$ 22,00 e R$ 25,00.
"Quem define o tipo de queijo são os gringos", disse ele, que credita a melhoria do seu negócio à propaganda boca a boca. "Eles dizem, quero queijo assim, com mel, não coloque sal, como se fosse frescal", exemplificou ele, que finalizou: "o importante é produzir e saber a quem vender".
Outro criador que não se arrepende de ter entrado no negócio é o técnico agrícola José Etelvino da Fonseca Filho, que tem uma pequena granja por trás do terreno onde funcionou o Alecrim F. C, na BR-101.
Etelvino Filho conta que tinha um emprego de dez anos na Emater e há alguns anos pediu demissão para criar bovinos. Perdeu tudo, porque comprador do gado não pagou. Agora, com a ajuda de um filho de 12 anos, vai tocando a criação de cabras. "Hoje produzo 20 litros de leite por dia, mas quero chegar a 50 e 100 litros até o fim do ano", diz ele, que mesmo não tendo muito recurso financeiro, diz que trabalha para selecionar o seu criatório.
A produção mensal de Etelvino Filho, que teve a ajuda de Luiz Carlos Dantas para começar no negócio, que lhe emprestou inclusive um freezer, vai toda para a usina da Apasa, de Angicos.

Homens buscam apoio do Projeto Aprisco
Os criadores de caprinos do Agreste estão tentando o apoio do projeto Aprisco da Secretaria Estadual de Agricultura, da Pesca e da Pecuária (SAPE), que está a depender de recursos da Sudene para ser ampliado.
Por enquanto, segundo a secretária da Sape, Larissa Rosado, o investimento conveniado entre o Governo do Estado e a Sudene consistiu em elevar a produção e a qualidade dos produtos da caprinovinocultura, "tornando-a competitiva e sustentável a partir da otimização dos sistemas de produção e de manejo dos caprinos e ovinos visando a produção de leite, carne e pele bem como a maximização do retorno econômico dessas atividades".
Até agora, o projeto Aprisco atendeu a 240 famílias no Seridó, onde integrou 33 municípios: Bodó, Caicó, Acari, Carnaúba dos Dantas, Cerro Cora, Cruzeta, Currais Novos, Equador, Florânia, Ipueira, Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, Jucurutu, Lagoa Nova, Ouro Branco, Parelhas, Santana do Seridó, São João do Sabugi, São Fernando, São José do Seridó, São Vicente, Serra Negra do Norte, Tenente Laurentino e Timbaúba dos Batistas.
Na região Central, os municípios beneficiados são Afonso Bezerra, Pedro Avelino, Pedra Preta, Jardim de Angicos, Angicos, Lajes, Fernando Pedrosa, Caiçara do Rio dos Ventos e Santana do Matos.
A secretária Larissa Rosado confirmou, também, que o projeto foi estendido à região Oeste na segunda etapa e ali está beneficiando com o mesmo tipo de atendimento mais 150 produtores rurais nos municípios de Alexandria, Antônio Martins, Francisco Dantas, Itaú, José da Penha, Marcelino Vieira, Olho d'Água do Borges, Patu, Pau dos Ferros, Rafael Fernandes, São Francisco do Oeste, Severiano Melo, Tabuleiro Grande, Tenente Ananias, Umarizal, Mossoró e Apodi, onde estão sendo investidos recursos de mais de R$ 290 mil.

Região investem na produção leiteira
A caprinocultura é uma nova aposta do agronegócio na região Agreste/Trairi do Rio Grande do Norte, onde se destacam, por exemplo, a cultura canavieira, e a criação de bovinos é uma tradição. Criadores de cabra leiteira também querem mostrar que essa não é uma atividade exclusiva e típica do sertão, cujo ambiente, culturalmente assim se definiu, seria mais propício para o criatório extensivo, ou seja, em grandes áreas, de caprinos e ovinos.
Os caprinocultores do Agreste/Trairi acreditam que o maior trunfo para atrair investidores é a produtividade no criatório intensivo, como informa o criador Luiz Carlos Correia Dantas, do Rancho Colorado, sediado em Macaíba. "Em abril, a produção de 37 criadores foi de 21.444 litros de leite", comparou ele, contra cerca de 30 mil litros produzidos por mais de 200 caprinocultores do de Afonso Bezerra, o município com maior produção de leite de cabra do Estado.
Luiz Carlos Dantas diz que toda a produção da região Agreste/Trairi é levada para usina de beneficiamento de leite da Apasa, em Angicos, que a exemplo das usinas de pasteurização em São José do Seridó e em Apodi, vende toda a produção para o Governo Estadual que distribui diariamente leite de vaca e cabra para famílias de baixa renda.
Para tanto, os criadores já contam com o apoio da Associação Norte-rio-grandense de Criadores de Ovinos e Caprinos (ANCOC), cujo vice-presidente José Ayrton da Silva, é dono da Estância Caprichosa, também localizada em Macaíba, onde ele produz 1.600 litros de leite por mês numa área de criação de apenas 1,3 hectare, enquanto Dantas produz dos mil litros/mês em 14 hectares.
"Nós queremos mostrar que o manejo de caprinos e ovinos é viável em qualquer lugar", diz Ayrton da Silva, para explicar que a criação das cabras e de bodes reprodutores na Região Agreste e em parte do litoral, é diferente do sertão, onde o clima seco não favorece a verminose.

Terra treme no Ceará e assusta no RN
A construção de barragens motiva a ocorrência de tremores de pequenas proporções no Rio Grande do Norte. Mas há ocorrências sendo registradas também por outras razões, atualmente na região de Tabuleiro Grande e no passado na região de João Câmara. E são essas mesmas razões que nesta semana fizeram a população de várias cidades da região de Sobral (CE) dormir na rua. Os tremores no Ceará assustam no Rio Grande do Norte.
A ocorrência de tremores no Nordeste é monitorada pelo Departamento de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e também pela Universidade de Brasília (UnB). Atualmente, a UFRN tem estações sismológicas modernas em Agrestina (PE), Solânia (PB), Ocara, na região de Sobral, e nos municípios potiguares de Parelhas e Taboleiro Grande.
No Rio Grande do Norte, existe uma outra estação de sismologia ainda mais moderna e com alcance mundial. Está instalada em Riachuelo. O projeto da UFRN, segundo Eduardo Menezes, um dos coordenadores da Estação de Monitoramento Sismológico, é ampliar o raio de monitoramento na região Nordeste. Esse projeto será financiado pela Petrobras com apoio do CNPq. Serão 16 novas estações instaladas no Nordeste.
Atualmente, o Departamento de Sismologia da UFRN conta dois doutores, dois técnicos e seis estudantes. Quando a estrutura de monitoramento for ampliada, o número de pesquisadores também será ampliado, mesmo os novos equipamentos que estão sendo adquiridos nos Estados Unidos da América ser de alta resolução e com transmissão em banda larga via satélite.
Com a atual estrutura de pesquisa, os pesquisadores da UFRN, segundo Eduardo Menezes, já comprovaram que quando uma barragem é construída, são registrados diversos pequenos tremores. Foi o que aconteceu com a Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, no Vale do Açu. "O que ocorre são acomodações das rochas no subsolo devido à pressão da água", explica Eduardo Menezes.
O mesmo está acontecendo na região de Upanema e Campo Grande, assim como próximo à Barragem de Santa Cruz, em Apodi. Conforme o especialista, esses pequenos tremores, assim como aconteceu com a barragem Armando Ribeiro, vão parar. "Só não é possível precisar se num ano ou 50 anos. Vai depender do tamanho da falha geológica em cada região afetada", explica.

Especialista não descarta tremores maiores
Eduardo Menezes acrescenta que não é necessário haver um motivo para acontecer tremor. Em João Câmara, as acomodações geológicas já estão em evidência há vários anos. Os tremores maiores chegaram a atingir 5,3 graus de magnitude, derrubando casas e danificando outras.
No Estado do Ceará, a ocorrência de tremores é maior do que no Rio Grande do Norte. Só neste ano, já foram mais de mil tremores. O maior aconteceu no final da tarde de quarta-feira, 21, com epicentro na zona rural de Sobral, com magnitude de 4,3 graus.
O professor e fotógrafo Hudson Costa conta que houve correria e desespero nas ruas. Nas regiões mais próximas do epicentro, o posto de saúde, conforme o jornal O Povo, atendeu há vários moradores com problemas de pressão.
A possibilidade de voltar a acontecer tremores acima de 5 graus de magnitude não é descartada pelos especialistas da UFRN. "Vai depender muito do tamanho da fissura nas placas tectônicas de cada região com incidência de tremores", explica.
Mas Eduardo Menezes diz que um tremor com a intensidade do que aconteceu na China, matando mais de 55 mil pessoas, não é provável que aconteça no Brasil, nem mesmo nas regiões do Ceará e do Rio Grande do Norte, que atualmente têm registrado grande incidência de tremores de terra.

Produtores vão interditar BR dia 28
Vale do Açu - A pouca mobilidade dos Governos do Estado e Federal para ajudar as vítimas da enchente do rio Piranhas/Açu motiva um protesto dos pequenos e médios produtores do Vale do Açu na próxima quarta-feira, em Assu. A BR-304 e alguns prédios públicos do município de Assu serão interditados.
O movimento está sendo articulado desde a semana passada pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Rio Grande do Norte (Evolução), com sede em Assu. O articulador do movimento é Antônio de Paula Batista, "Neto Burrego".
As principais reivindicações dos pequenos produtores são: prorrogação das dívidas dos produtores que investiram recursos que pegaram emprestados nos bancos; criação de um crédito emergencial para os que perderam tudo; dois salários para pequenos proprietários e um salário para meieiros.
Os pequenos produtores também querem anistia de dívida de programas, como Programa de Apoio à Agricultura Familiar, e cobertura dos prejuízos que investiram com recursos próprios. Pedem ainda que a conta de energia seja paga pelo Governo por um período mínimo de seis meses.
A última reivindicação é a inclusão de alguns trabalhadores no Seguro-Agrícola. "É claro que essas reivindicações visam somente atender a todos os pequenos produtores em seus mais diversos meios de produção", explica "Neto Burrego".
O vice-governador Iberê Ferreira de Souza se reuniu no último dia 8 com os pequenos produtores. Prometeu, na ocasião, enviar uma equipe do Ministério da Integração, do Ministério do Trabalho, do Banco do Nordeste para explicar aos produtores no Vale do Açu como será feita a recuperação dos estragos deixados pela cheia do rio Piranhas/Açu.
Entretanto, até o momento, essa reunião não foi realizada. "Os grandes produtores estão alegando prejuízo de 70 milhões de dólares. Os cerca de três mil pequenos e médios produtores rurais já calculam prejuízo superior a R$ 100 milhões. "E, apesar de toda a encenação política passando pela região durante a cheia, até agora só chegaram feiras", reclama Neto Burrego.
Sobre o protesto que será realizado na próxima quarta-feira, os pequenos produtores estão orientados a se reunir em Assu logo no início da manhã para interditar acessos a prédios públicos e principalmente a BR-304. "A meta é chamar a atenção das autoridades para os estragos deixados para milhares de familiares humildes que perderam tudo", diz o organizador do movimento.



       




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