

Carcinicultura,
a vítima maior
João Lyra Neo
As fortes chuvas que caíram no Rio Grande do Norte, causaram
enormes prejuízos para a economia agrícola e, mais
ainda, para quem explora uma atividade como é o caso da carcinicultura.
As enchentes, que invadiram as cidades do interior, promoveram uma
verdadeira desordem, sofrendo, o Estado, com o volume dágua
caído. A invasão das águas trouxe prejuízo
para os cultivadores de camarão, previsto em Cr$38 milhões,
pela falta de projetos para a contenção das cheias.
Afora isso, a agricultura foi duramente atingida, ultrapassando
um total de Cr$300 milhões de reais. A conclusão dos
produtores se resume numa frase: faltam projetos de contenção
de cheias. Nunca antes sofreu a carcinicultura tamanho prejuízo,
no Rio G. do Norte.
Segundo o presidente da associação Brasileira de Criadores
de Camarão, Itamar Rocha, 60% dos viveiros do Estado foram
atingidos pelas águas. Municípios como: Pendência,
Porto do Mangue e Macau, responsáveis por mais de 40% da
produção de camarão, em todo o Rio Grande do
Norte, foram seriamente afetados. Isso é uma situação
que deixou os produtores com total prejuízo, pela volta que
tem que fazer para recomeçar o trabalho de reparação
da cultura. É realmente, difícil a situação
da carcinicultura pelo representa para a economia do Estado. Essa
lavoura passou a ser uma lavoura da maior importância. É
responsável por 20 mil empregos diretos, fora a contribuição
que gera para a economia regional. Outras duas enchentes, em 1985
e 2004, não chegaram a afetar tanto a cultura, a economia,
como a recente. Não havia em 1985, como se fala grande atividade
na época.
Todavia, as intensas chuvas não se prejudicaram somente os
criadores de camarão. A agricultura também foi muito
afetada pelo volume dágua caído em todas as
áreas de cultivo. O que vinha prejudicando a lavoura, não
só no Rio G. do Norte, como no Nordeste inteiro, era a falta
de chuvas. O agricultor passava mal, pois como não tinha
como explorar a terra, pela falta dágua e não
ter alimentos para sua manutenção, no seu dia a dia.
O fornecimento dágua era uma das coisas principais
que faltava, e o uso de motobomba era apenas usado pelo agricultor
ou os donos da terra, que tinham mais recursos financeiros de exploração
agrícola em todo o Nordeste. Agora, quem sofre mais, foi
a cultura do camarão. Isso aconteceu também em pequenos
municípios do Estado, como é o caso especifico de
São Gonçalo, com 34 viveiros de camarão.
João
Lyra Neo
é Jornalista
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