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SISMOLOGIA
UFRN
registra tremor de 6.5 graus no mar
Um
tremor de 6.5 graus na escala Richter foi registrado ontem pelo
sismógrafo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN) instalado no município de Riachuelo. O abalo, considerado
de alta magnitude, ocorreu às 9h14, dois depois de um outro,
de 5.2 graus, sentido em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa
Catarina e Paraná. De acordo com o coordenador do Laboratório
Sismológico da UFRN, professor Joaquim Ferreira, o epicentro
do tremor de ontem foi no oceano Atlântico, a 1.400 quilômetros
da costa do Rio Grande do Norte no sentido leste-nordeste, numa
zona sísmica, no encontro das placas tectônicas africana
e sul-americana.
Apesar da intensidade, o abalo não foi sentido em nenhuma
cidade da costa nordestina. Nem mesmo em Fernando de Noronha, o
paraíso turístico do Atlântico. Consultado ontem
pela Tribuna do Norte, moradores, visitantes e donos de pousada
disseram não ter sentido nenhum vibração ou
qualquer outra situação de anormalidade. Um funcionário
da TV e Rádio Golfinho disse ter conhecimento do abalo, mas
que até aquele momento, 18 horas, a emissora não havia
sido procurada por ninguém da ilha querendo informações
sobre o assunto.
Joaquim Ferreira disse ontem que apesar dos 6.5 graus, não
houve risco de tsunami. Segundo ele, as ondas gigantes geralmente
ocorrem em eventos acima de sete graus, dependendo da área
e do relevo do fundo do mar.
LABORATÓRIOS
Os centros de estudos sismológicos nacionais começaram
a ser avaliados para verificar a necessidade de investimentos na
área de detecção de fenômenos como terremotos,
afirmou ontem o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio
Rezende. Segundo ele, o tremor registrado terça-feira na
costa brasileira acendeu uma luz amarela para o governo. Por
causa desse último terremoto, estamos fazendo um levantamento
das necessidades nessa área para ver quais providências
podemos tomar, garantiu em entrevista a emissoras de rádio,
no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação(EBC),
em Brasília.
O ministro reconheceu que os laboratórios instalados no país
possuem limitações e que os poucos investimentos no
passado foram em razão de circunstância econômicas.
As Universidades de Brasília (UnB) e de São Paulo
(USP) foram mencionadas pelo ministro como importantes centros de
pesquisa sobre abalos sísmicos. Mas, Rezende reconheceu que,
mesmo sendo avaliados como referência, os laboratórios
dessas instituições também demandam investimentos.
Momento
é de calcular os prejuízos
causados pelas águas em Natal
Baixado o volume das águas, o momento
foi de arregaçar as mangas, limpar a sujeira e calcular os
prejuízos causados pelas seis horas de chuvas que caíram
em Natal na última terça-feira. Ontem, o dia foi de
muito trabalho tanto para os populares como para a prefeitura que
já começou a trabalhar em alguns pontos da cidade.
Na lavanderia de José Francisco da Silva, que na terça-feira
foi invadida pela água, o estrago foi menor do que ele imaginava.
Graças a Deus eu não perdi nenhuma máquina,
conseguimos desligar todas a tempo. O prejuízo maior foi
com muro lateral que caiu e com o tempo de trabalho e com algumas
peças de roupa que a correnteza levou. Mas, ainda bem que
ninguém se machucou, disse o proprietário.
No muro da lavanderia deu para ver a marca da água, que chegou
a uma altura de aproximadamente 1,50m. Dava para ver os estragos
em toda a avenida Capitão Mor Gouveia e ruas próximas.
Entre elas, a rua Mandacaru, onde mora a dona de casa Ana Paula
Costa. Hoje o dia foi de faxina, quer dizer, desde a terça-feira
estamos tentando colocar a casa em ordem.
Quem sofreu na pele os problemas da enchente vai demorar muito para
esquecer os momentos de tensão. Nunca vi uma coisa
daquela, a minha sorte é que as pessoas vieram nos ajudar
porque se fosse depender dos bombeiros estaríamos ilhados.
Foi um dos piores momentos da minha vida, contou emocionada
a funcionária da lavanderia, Simone Ferreira.
Nem o templo da cultura potiguar, o Teatro Alberto Maranhão,
escapou da faxina. Na manhã de ontem, funcionários
trabalhavam em ritmo acelerado para limpar o resto da sujeira que
ficou no local. A administração do TAM contratou uma
firma especializada para secar as poltronas que ficaram debaixo
dágua. A enchente de terça-feira
foi por do que a de 2005 quando o TAM também ficou alagado.
O nível da água ficou na altura do palco. Em 30 minutos
ficou tudo alagado, disse o chefe dos Serviços Gerais
do TAM, Aldenor Salvador.
De acordo com uma funcionária do Teatro, que preferiu não
se identificar, os espetáculos programados para esta semana
acontecerão normalmente, incluindo o que estava marcado para
ontem a noite.
O secretário municipal de Obras e Viação, Damião
Pita, fez uma avaliação dos estragos e segundo ele
não foi registrado nenhum grande dano material, só
alagamentos nas vias públicas. Algumas casas também
ficaram comprometidas, mas a Prefeitura já tomou as primeiras
providencias.
E o dia foi de faxina em toda a cidade. Algumas ruas foram interditadas
para que os reparos começasse a ser feitos. Na avenida Seis,
o trânsito foi interrompido e técnicos da Semov já
trabalhavam no local. Na avenida Miguel Castro, próximo ao
Hospital da Liga, uma casa está comprometida devido ao deslizamento
de uma parte da pista. O local estava isolado, a reportagem da TRIBUNA
DO NORTE procurou os proprietários da casa, mas ninguém
da vizinhança soube informar.
Já estamos recuperando algumas vias, como os buracos na Miguel
Castro, no bairro de Nazaré e Pereira Pinto, nas Quintas,
a Beira Canal e alguns outros locais que merecem uma maior atenção,
explicou Damião Pita. A Semov também está reforçando
a capacidade das bombas das lagoas dos bairros de Morro Branco,
Nova Descoberta e Cidade da Esperança.
Com relação as zonas Norte e Sul, o secretário
garantiu que as obras de pavimentação e drenagem nos
bairros de Capim Macio, zona Sul, e Nossa Senhora da Apresentação
estão seguindo dentro do cronograma e a previsão de
conclusão é até o fim do ano. Em Capim
Macio, 21 ruas já foram concluídas e até o
fim do ano pretendemos trabalhar em mais 37. Já no bairro
de Nossa Senhora da Apresentação, estamos trabalhando
em 120 ruas.
Chuvas
abrem valas de 3m no paredão
Vale
do Açu - As chuvas intensas do final do mês passado
e início deste mês abriram valas de 3 metros de profundidade
e até 20 de comprimento no paredão de piçarra
da Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, deixando
moradores das cidades do Vale do Açu preocupados com a estrutura
da barragem, que armazena 2,4 bilhões de metros cúbicos
de água.
As aberturas no paredão foram fotografadas pelo fotojornalista
Jean Lopes. O petroleiro Elson Luiz Santana, que mora em Assu, disse
que já estava preocupado com o paredão antes mesmo
do inverno. Pois, segundo ele, não existe uma escoação
adequada para a água que se acumula na parte superior do
paredão, que deveria ser impermeabilizado.
Assim como Elson Santana, os moradores das cidades de Carnaubais,
Pendências, Macau, Porto do Mangue, Alto do Rodrigues e especialmente
Ipanguaçu também se mostraram preocupados com as valas
que surgiram durante as fortes chuvas na região no paredão
da barragem Armando Ribeiro, que neste ano chegou a acumular 3,31
bilhões de metros de água.
Existem três valas. A maior tem cerca de 3,5 metros de profundidade
e mais de 20 metros de extensão, que se formou a partir do
rompimento das calhas de escoamento da água das chuvas. Uma
outra vala se formou do mesmo jeito. E menor, mas se continuar chovendo
tende a atingir proporções maiores. A outra vala se
abriu no paredão com a escoação natural da
água das chuvas.
A Barragem Armando Ribeiro foi concluída em 1983. Sangrou
pela primeira vez em 1985. Essa foi também a maior sangria,
chegando a atingir 4,5 metros no primeiro sangradouro. Tem aproximadamente
68 quilômetros de extensão e mais ou menos 15 de largura.
O paredão principal tem 225 metros de largura em sua base,
8 metros na parte superior e 2.553 metros de extensão. O
reservatório é administrado pelo Departamento Nacional
de Obras Contra a Seca (DNOCS).
A barragem é considerada importante do ponto de vista econômico
e social. Abastece mais de 40 cidades do Estado, inclusive Mossoró,
através do sistema de adutoras. Também é responsável
pela irrigação de 30 mil hectares na região
da várzea e o cultivo de camarão em cativeiro em mais
de 2,5 mil hectares no delta entre Pendências, Porto do Mangue
e Macau.
Dnocs
informa que valas não ameaçam paredão
A reportagem do DE FATO procurou o engenheiro João Guilherme,
chefe do Dnocs, com sede em Assu. Ele garantiu que as erosões
do maciço (paredão de piçarra) são normais
em períodos de chuvas e não representam qualquer perigo
de comprometer o paredão.
Sobre as valas, João Guilherme explicou que o paredão
passa por manutenção todos os anos. E adiantou mais.
É impossível o paredão se romper totalmente.
Só acontece se a água transbordar e o paredão
foi construído mais alto do que a lateral direita da barragem,
ou seja, não transborda, logo, não se rompe,
explica o engenheiro.
João Guilherme mostra o desenho da barragem. São três
sangradouros. O primeiro com 245 metros de extensão, o segundo
com 110 e o terceiro com 295. O segundo só entra em atividade
quando há lâmina de sangria de 2,5 metros. Ao chegar
a 3,5 metros, entra em atividade o terceiro sangradouro. Aí
temos 650 metros de extensão transbordando água. No
caso de chegar a 5,2 metros, o que seria quase impossível,
começa a se desmanchar o primeiro dos três diques de
contenção, continua o engenheiro.
Mas, se mesmo assim, se acontecer o absurdo do absurdo, ou
seja, o volume de água da barragem continuar subindo, o terceiro
sangradouro pode ser ampliado facilmente. A essa altura, o Vale
do Açu já vai estar debaixo, atesta o engenheiro,
que trabalhou no projeto de construção da barragem.
João Guilherme disse que para se ter uma idéia se
o açude Itans, de Caicó, se romper, a diferença
de sangria na Armando Ribeiro será de quatro centímetros;
insignificante. O Itans acumula quase um milhão de metros
cúbicos de água. E se o açude Coremas, que
acumula 1,3 bilhão de metros cúbicos de água
se romper, o nível na Armando Ribeiro eleva só 42
centímetros.
Ou seja, a Armando Ribeiro funciona com um mecanismo eficiente de
proteção das cidades do Vale do Açu. Esse
foi um dos propósitos do Vale do Açu. O outro é
o abastecimento humano e o desenvolvimento da região através
da agricultura irrigada e outros meios econômicos, explica.

Justiça
afasta prefeito pela terceira vez
Macau/Guamaré
O prefeito José da Silva Câmara, de Guamaré,
foi afastado em caráter temporário de novo do cargo.
Desta vez, a decisão foi assinada pela juíza Denise
Lea Sacramento de Aquino, de Macau, atendendo pedido do Ministério
Público Estadual que investiga supostos crimes de desvios
de recursos públicos através de fraudes em processos
de licitação pública.
No dia 28, completa oito meses que o prefeito José Câmara
foi afastado temporariamente pela primeira vez pela Justiça.
Essa primeira decisão foi assinada pelo juiz Cleanto Pantaleão.
O mesmo juiz também assinou o segundo afastamento do prefeito.
Nos dois casos, os motivos expostos pelo Ministério Público
apontam para supostos desvios de recursos públicos.
Meses antes da decisão da Justiça, José Câmara
foi afastado pela Câmara Municipal, num processo que pegou
todos de surpresa, inclusive o irmão do prefeito, Carlos
Câmara, que é vereador. Na época, o presidente
da Câmara, Hélio Williamy, alegou que o prefeito José
Câmara, seu aliado político, havia passado mais de
500 cheques sem fundos e que havia traído o povo de Guamaré.
José Câmara, por sua vez, alegou que pela Lei Orgânica
do Município tinha direito a se defender antes de ser afastado
sumariamente pela Câmara. Comentou que o afastamento, na verdade,
teria sido um golpe para que o vice-prefeito assumisse a Prefeitura
e assim tivesse documentos para processá-lo na
Justiça. Para justificar o suposto golpe, Câmara disse
na época que o Tribunal de Justiça anulou a decisão
da Câmara Municipal.
No entanto, o Ministério Público já havia sido
alimentado com documentos da Prefeitura, segundo ele todos contestáveis,
e, num curto período de tempo, a Justiça assinou o
seu afastamento temporário da Prefeitura. Logo em seguida,
a Justiça determinou busca e apreensão de documentos
nas casas do prefeito, familiares e auxiliares.
Passado o período de investigação, o prefeito
José Câmara recorreu à Justiça, pedindo
para retornar. A Justiça negou. Recorreu ao Tribunal de Justiça
do Estado. Apesar de ter atendido todos os chamados da Justiça,
o Tribunal de Justiça não atendeu o seu pedido. José
Câmara recorreu, então, ao Superior Tribunal de Justiça
(STJ), em Brasília. O ministro Teori Albino Zavascki determinou
o seu retorno ao cargo.
Entretanto, havia o segundo processo em tramitação
e este o impediu de reassumir a Prefeitura, mesmo com a decisão
do STJ: Em outras palavras, o que se diz é que há
necessidade de dilação probatória para apuração
dos danos causados pelas irregularidades indicadas. Todavia, não
há afirmação ou sequer indícios de que
tenha ocorrido qualquer interferência do requerente a dificultar
a apuração dos fatos e nem de que o seu afastamento
seja condição indispensável para a cessação
do possível ato danoso à instrução do
processo. Ora, sem essa demonstração, o afastamento
do cargo não se justifica, escreveu Teori Albino Zavascki.
Semana passada, a juíza Denise Leia Sacramento de Aquino,
novamente a pedido do Ministério Público Estadual,
afastou temporariamente o prefeito já afastado José
Câmara. Ontem, Câmara disse que se os outros afastamentos
já eram desnecessários, este agora é que não
tem sentido. Estou sendo vítima de prejulgamento na
Justiça de Macau, diz José Câmara, que
pretende recorrer da decisão.
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