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MOSSORÓ (RN), SEXTA-FEIRA, 25/04/2008 (ATUALIZADO: 01:27hs)
 
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» UFRN registra tremor de 6.5 graus no mar

» Momento é de calcular os prejuízos causados em Natal
» Chuvas abrem valas de 3m no paredão
» Justiça afasta prefeito pela terceira vez


SISMOLOGIA

UFRN registra tremor de 6.5 graus no mar
Um tremor de 6.5 graus na escala Richter foi registrado ontem pelo sismógrafo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) instalado no município de Riachuelo. O abalo, considerado de alta magnitude, ocorreu às 9h14, dois depois de um outro, de 5.2 graus, sentido em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná. De acordo com o coordenador do Laboratório Sismológico da UFRN, professor Joaquim Ferreira, o epicentro do tremor de ontem foi no oceano Atlântico, a 1.400 quilômetros da costa do Rio Grande do Norte no sentido leste-nordeste, numa zona sísmica, no encontro das placas tectônicas africana e sul-americana.
Apesar da intensidade, o abalo não foi sentido em nenhuma cidade da costa nordestina. Nem mesmo em Fernando de Noronha, o paraíso turístico do Atlântico. Consultado ontem pela Tribuna do Norte, moradores, visitantes e donos de pousada disseram não ter sentido nenhum vibração ou qualquer outra situação de anormalidade. Um funcionário da TV e Rádio Golfinho disse ter conhecimento do abalo, mas que até aquele momento, 18 horas, a emissora não havia sido procurada por ninguém da ilha querendo informações sobre o assunto.
Joaquim Ferreira disse ontem que apesar dos 6.5 graus, não houve risco de tsunami. Segundo ele, as ondas gigantes geralmente ocorrem em eventos acima de sete graus, dependendo da área e do relevo do fundo do mar.

LABORATÓRIOS
Os centros de estudos sismológicos nacionais começaram a ser avaliados para verificar a necessidade de investimentos na área de detecção de fenômenos como terremotos, afirmou ontem o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. Segundo ele, o tremor registrado terça-feira na costa brasileira acendeu uma luz amarela para o governo. “Por causa desse último terremoto, estamos fazendo um levantamento das necessidades nessa área para ver quais providências podemos tomar”, garantiu em entrevista a emissoras de rádio, no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação(EBC), em Brasília.
O ministro reconheceu que os laboratórios instalados no país possuem limitações e que os poucos investimentos no passado foram em razão de circunstância econômicas. As Universidades de Brasília (UnB) e de São Paulo (USP) foram mencionadas pelo ministro como importantes centros de pesquisa sobre abalos sísmicos. Mas, Rezende reconheceu que, mesmo sendo avaliados como referência, os laboratórios dessas instituições também demandam investimentos.

Momento é de calcular os prejuízos
causados pelas águas em Natal
Baixado o volume das águas, o momento foi de arregaçar as mangas, limpar a sujeira e calcular os prejuízos causados pelas seis horas de chuvas que caíram em Natal na última terça-feira. Ontem, o dia foi de muito trabalho tanto para os populares como para a prefeitura que já começou a trabalhar em alguns pontos da cidade.
Na lavanderia de José Francisco da Silva, que na terça-feira foi invadida pela água, o estrago foi menor do que ele imaginava. “Graças a Deus eu não perdi nenhuma máquina, conseguimos desligar todas a tempo. O prejuízo maior foi com muro lateral que caiu e com o tempo de trabalho e com algumas peças de roupa que a correnteza levou. Mas, ainda bem que ninguém se machucou”, disse o proprietário.
No muro da lavanderia deu para ver a marca da água, que chegou a uma altura de aproximadamente 1,50m. Dava para ver os estragos em toda a avenida Capitão Mor Gouveia e ruas próximas. Entre elas, a rua Mandacaru, onde mora a dona de casa Ana Paula Costa. “Hoje o dia foi de faxina, quer dizer, desde a terça-feira estamos tentando colocar a casa em ordem”.
Quem sofreu na pele os problemas da enchente vai demorar muito para esquecer os momentos de tensão. “Nunca vi uma coisa daquela, a minha sorte é que as pessoas vieram nos ajudar porque se fosse depender dos bombeiros estaríamos ilhados. Foi um dos piores momentos da minha vida”, contou emocionada a funcionária da lavanderia, Simone Ferreira.
Nem o templo da cultura potiguar, o Teatro Alberto Maranhão, escapou da faxina. Na manhã de ontem, funcionários trabalhavam em ritmo acelerado para limpar o resto da sujeira que ficou no local. A administração do TAM contratou uma firma especializada para secar as poltronas que ficaram debaixo d’água. “A ‘enchente’ de terça-feira foi por do que a de 2005 quando o TAM também ficou alagado. O nível da água ficou na altura do palco. Em 30 minutos ficou tudo alagado”, disse o chefe dos Serviços Gerais do TAM, Aldenor Salvador.
De acordo com uma funcionária do Teatro, que preferiu não se identificar, os espetáculos programados para esta semana acontecerão normalmente, incluindo o que estava marcado para ontem a noite.
O secretário municipal de Obras e Viação, Damião Pita, fez uma avaliação dos estragos e segundo ele não foi registrado nenhum grande dano material, “só alagamentos nas vias públicas. Algumas casas também ficaram comprometidas, mas a Prefeitura já tomou as primeiras providencias”.
E o dia foi de faxina em toda a cidade. Algumas ruas foram interditadas para que os reparos começasse a ser feitos. Na avenida Seis, o trânsito foi interrompido e técnicos da Semov já trabalhavam no local. Na avenida Miguel Castro, próximo ao Hospital da Liga, uma casa está comprometida devido ao deslizamento de uma parte da pista. O local estava isolado, a reportagem da TRIBUNA DO NORTE procurou os proprietários da casa, mas ninguém da vizinhança soube informar.
Já estamos recuperando algumas vias, como os buracos na Miguel Castro, no bairro de Nazaré e Pereira Pinto, nas Quintas, a Beira Canal e alguns outros locais que merecem uma maior atenção”, explicou Damião Pita. A Semov também está reforçando a capacidade das bombas das lagoas dos bairros de Morro Branco, Nova Descoberta e Cidade da Esperança.
Com relação as zonas Norte e Sul, o secretário garantiu que as obras de pavimentação e drenagem nos bairros de Capim Macio, zona Sul, e Nossa Senhora da Apresentação estão seguindo dentro do cronograma e a previsão de conclusão é até o fim do ano. “Em Capim Macio, 21 ruas já foram concluídas e até o fim do ano pretendemos trabalhar em mais 37. Já no bairro de Nossa Senhora da Apresentação, estamos trabalhando em 120 ruas”.

Chuvas abrem valas de 3m no paredão
Vale do Açu - As chuvas intensas do final do mês passado e início deste mês abriram valas de 3 metros de profundidade e até 20 de comprimento no paredão de piçarra da Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, deixando moradores das cidades do Vale do Açu preocupados com a estrutura da barragem, que armazena 2,4 bilhões de metros cúbicos de água.
As aberturas no paredão foram fotografadas pelo fotojornalista Jean Lopes. O petroleiro Elson Luiz Santana, que mora em Assu, disse que já estava preocupado com o paredão antes mesmo do inverno. Pois, segundo ele, não existe uma escoação adequada para a água que se acumula na parte superior do paredão, que deveria ser impermeabilizado.
Assim como Elson Santana, os moradores das cidades de Carnaubais, Pendências, Macau, Porto do Mangue, Alto do Rodrigues e especialmente Ipanguaçu também se mostraram preocupados com as valas que surgiram durante as fortes chuvas na região no paredão da barragem Armando Ribeiro, que neste ano chegou a acumular 3,31 bilhões de metros de água.
Existem três valas. A maior tem cerca de 3,5 metros de profundidade e mais de 20 metros de extensão, que se formou a partir do rompimento das calhas de escoamento da água das chuvas. Uma outra vala se formou do mesmo jeito. E menor, mas se continuar chovendo tende a atingir proporções maiores. A outra vala se abriu no paredão com a escoação natural da água das chuvas.
A Barragem Armando Ribeiro foi concluída em 1983. Sangrou pela primeira vez em 1985. Essa foi também a maior sangria, chegando a atingir 4,5 metros no primeiro sangradouro. Tem aproximadamente 68 quilômetros de extensão e mais ou menos 15 de largura. O paredão principal tem 225 metros de largura em sua base, 8 metros na parte superior e 2.553 metros de extensão. O reservatório é administrado pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS).
A barragem é considerada importante do ponto de vista econômico e social. Abastece mais de 40 cidades do Estado, inclusive Mossoró, através do sistema de adutoras. Também é responsável pela irrigação de 30 mil hectares na região da várzea e o cultivo de camarão em cativeiro em mais de 2,5 mil hectares no delta entre Pendências, Porto do Mangue e Macau.

Dnocs informa que valas não ameaçam paredão
A reportagem do DE FATO procurou o engenheiro João Guilherme, chefe do Dnocs, com sede em Assu. Ele garantiu que as erosões do maciço (paredão de piçarra) são normais em períodos de chuvas e não representam qualquer perigo de comprometer o paredão.
Sobre as valas, João Guilherme explicou que o paredão passa por manutenção todos os anos. E adiantou mais. “É impossível o paredão se romper totalmente. Só acontece se a água transbordar e o paredão foi construído mais alto do que a lateral direita da barragem, ou seja, não transborda, logo, não se rompe”, explica o engenheiro.
João Guilherme mostra o desenho da barragem. São três sangradouros. O primeiro com 245 metros de extensão, o segundo com 110 e o terceiro com 295. O segundo só entra em atividade quando há lâmina de sangria de 2,5 metros. Ao chegar a 3,5 metros, entra em atividade o terceiro sangradouro. “Aí temos 650 metros de extensão transbordando água. No caso de chegar a 5,2 metros, o que seria quase impossível, começa a se desmanchar o primeiro dos três diques de contenção”, continua o engenheiro.
“Mas, se mesmo assim, se acontecer o absurdo do absurdo, ou seja, o volume de água da barragem continuar subindo, o terceiro sangradouro pode ser ampliado facilmente. A essa altura, o Vale do Açu já vai estar debaixo”, atesta o engenheiro, que trabalhou no projeto de construção da barragem.
João Guilherme disse que para se ter uma idéia se o açude Itans, de Caicó, se romper, a diferença de sangria na Armando Ribeiro será de quatro centímetros; insignificante. O Itans acumula quase um milhão de metros cúbicos de água. E se o açude Coremas, que acumula 1,3 bilhão de metros cúbicos de água se romper, o nível na Armando Ribeiro eleva só 42 centímetros.
Ou seja, a Armando Ribeiro funciona com um mecanismo eficiente de proteção das cidades do Vale do Açu. “Esse foi um dos propósitos do Vale do Açu. O outro é o abastecimento humano e o desenvolvimento da região através da agricultura irrigada e outros meios econômicos”, explica.

Justiça afasta prefeito pela terceira vez
Macau/Guamaré – O prefeito José da Silva Câmara, de Guamaré, foi afastado em caráter temporário de novo do cargo. Desta vez, a decisão foi assinada pela juíza Denise Lea Sacramento de Aquino, de Macau, atendendo pedido do Ministério Público Estadual que investiga supostos crimes de desvios de recursos públicos através de fraudes em processos de licitação pública.
No dia 28, completa oito meses que o prefeito José Câmara foi afastado temporariamente pela primeira vez pela Justiça. Essa primeira decisão foi assinada pelo juiz Cleanto Pantaleão. O mesmo juiz também assinou o segundo afastamento do prefeito. Nos dois casos, os motivos expostos pelo Ministério Público apontam para supostos desvios de recursos públicos.
Meses antes da decisão da Justiça, José Câmara foi afastado pela Câmara Municipal, num processo que pegou todos de surpresa, inclusive o irmão do prefeito, Carlos Câmara, que é vereador. Na época, o presidente da Câmara, Hélio Williamy, alegou que o prefeito José Câmara, seu aliado político, havia passado mais de 500 cheques sem fundos e que havia traído o povo de Guamaré.
José Câmara, por sua vez, alegou que pela Lei Orgânica do Município tinha direito a se defender antes de ser afastado sumariamente pela Câmara. Comentou que o afastamento, na verdade, teria sido um golpe para que o vice-prefeito assumisse a Prefeitura e assim tivesse “documentos” para processá-lo na Justiça. Para justificar o suposto golpe, Câmara disse na época que o Tribunal de Justiça anulou a decisão da Câmara Municipal.
No entanto, o Ministério Público já havia sido alimentado com documentos da Prefeitura, segundo ele todos contestáveis, e, num curto período de tempo, a Justiça assinou o seu afastamento temporário da Prefeitura. Logo em seguida, a Justiça determinou busca e apreensão de documentos nas casas do prefeito, familiares e auxiliares.
Passado o período de investigação, o prefeito José Câmara recorreu à Justiça, pedindo para retornar. A Justiça negou. Recorreu ao Tribunal de Justiça do Estado. Apesar de ter atendido todos os chamados da Justiça, o Tribunal de Justiça não atendeu o seu pedido. José Câmara recorreu, então, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. O ministro Teori Albino Zavascki determinou o seu retorno ao cargo.
Entretanto, havia o segundo processo em tramitação e este o impediu de reassumir a Prefeitura, mesmo com a decisão do STJ: “Em outras palavras, o que se diz é que há necessidade de dilação probatória para apuração dos danos causados pelas irregularidades indicadas. Todavia, não há afirmação ou sequer indícios de que tenha ocorrido qualquer interferência do requerente a dificultar a apuração dos fatos e nem de que o seu afastamento seja condição indispensável para a cessação do possível ato danoso à instrução do processo. Ora, sem essa demonstração, o afastamento do cargo não se justifica”, escreveu Teori Albino Zavascki.
Semana passada, a juíza Denise Leia Sacramento de Aquino, novamente a pedido do Ministério Público Estadual, afastou temporariamente o prefeito já afastado José Câmara. Ontem, Câmara disse que se os outros afastamentos já eram desnecessários, este agora é que não tem sentido. “Estou sendo vítima de prejulgamento na Justiça de Macau”, diz José Câmara, que pretende recorrer da decisão.



       




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