

Régua
e compasso; flor e canhão
Estou
começando a me interessar por duas novelas complicadíssimas.
Uma é o Caso Isabella. A insistência da televisão
venceu a vontade de não ser manipulado. De repente, a gente
quer saber o que aconteceu de fato e o que está por trás
do blablablá que se faz em torno de uma vida que foi, literalmente,
jogada pela janela. A outra novela é a sucessão do
prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves. Quanto mais me aprofundo
menos consigo entender. Ora, como poderia entender, se os protagonistas
não conseguem ter clareza dos lances e apostas? O fato é
que tudo é possível, inclusive nada. Apesar da dificuldade
de compreender tantos lances incompreensíveis, dá
para sacar que, sem menosprezar o enorme peso dos outros atores
em cena e nos bastidores, a solução final vai depender
da posição da governadora Wilma de Faria. E ela não
tem interesse de estragar a excelente relação que
tem com o presidente Lula, nem quer antecipar os lances dramáticos
da sua própria sucessão cujo "taime" comporta
e exige quarentenas. Na base do governo Wilma tem quatro pré-candidatos
a governador, em 2010: Carlos Eduardo Alves, João Maia, Iberê
Ferreira de Souza e Robinson Faria. Cada qual com seu peso específico
e com uma capacidade muito grande causar estragos ao projeto Wilma
senadora 2010. Experiente como é, a governadora não
vai se deixar ser enquadrada, nem pisar em cascas de banana. Nas
paredes da memória política recente do RN temos o
exemplo de 2002, quando o então governador Garibaldi Alves
tinha na sua base todos os candidatos que disputaram sua sucessão.
Ruy Pereira, que era do PMDB, acabou sendo o candidato do PT, Fernando
Bezerra, que havia costurado para Garibaldi dar o nó, terminou
candidato do PFL, Fernando Freire, seu vice, terminou sendo o candidato
do grupo depois da derrocada da candidatura de Henrique Eduardo
e Wilma de Faria que era prefeita e perfeita aliada, terminou eleita
como candidata de oposição. Ou seja, se a governadora
deixar prosperar alguma aposta na "bolsa mercantil de futuros",
seu agrupamento estará comprometido em 2010 quando a candidata
será ela. Imagine agora. E, se 2008 será nitroglicerina
pura, o que dizer de 2010 depois dois anos de chuvas e trovoadas,
com a caixa de Pandora aberta... Cautela e caldo de galinha não
fazem mal a ninguém, mas o líder tem hora que se vê
diante de um nó górdio e não pode titubear.
E aí ou o desata o nó ou o corta de espada. O fato
é que, neste momento específico e especialíssimo,
a governadora tem que ter à mão régua, compasso,
paquímetro e balança de precisão, manejar com
presteza de malabarista a flor do seu charme de vencedora e o canhão
de guerreira vitoriosa. O apito do jogo não está na
mão de quem quer montar o cavalo selado, mas de quem tem
o poder botar-lhe a sela. Mais do que nunca, é preciso saber
dosar a habilidade da raposa com o poder do leão.
Crianças
violadas
O leitor Antônio Rinaldo envia carta à coluna: "Caríssimo
Crispiniano, Como faço quase todos os dias, lendo sua coluna,
vi os dados coletados junto ao Sistema de Informação
para a Infância e a Adolescência (SIPIA), sobre a violação
dos direitos da criança e do adolescente. Os números
apresentados são assustadores, mas imagine se o sistema mostra-se
a realidade dos atendimentos feitos no Conselho Tutelar... Com certeza,
esses números triplicariam. Vou explicar. O Sipia foi criado
para registrar todos os atendimentos realizados pelos conselheiros
tutelares. Só que na prática, poucos valorizam o sistema
e, por conseguinte, poucos fatos de violações são
registrados.
Crianças violadas II
"O sistema é ótimo e muito importante, como banco
de dados, para as estatísticas na área infanto-juvenil.
Fui conselheiro tutelar e tenho convicção disso. Mas,
sua manutenção, que é de responsabilidade exclusiva
do Conselho Tutelar, não é compulsória, ou
seja, registra quem quer. Com isso, posso lhe afirmar veementemente:
os dados são "furados" e estão longe de
representar a dura realidade das crianças e adolescentes
que são vitimados diariamente em todo país. Um forte
abraço. Antônio Rinaldo, ex-conselheiro tutelar de
Mossoró por dois mandatos - 1999 a 2005."
Fotolegenda

Vai uma chargesinha de Junião que encontrei no site www.vermelho,org.br
sobre a cobertura do Caso Isabella.
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