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MOSSORÓ (RN), SEXTA-FEIRA, 25/04/2008 (ATUALIZADO: 01:27hs)
 
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Régua e compasso; flor e canhão
Estou começando a me interessar por duas novelas complicadíssimas. Uma é o Caso Isabella. A insistência da televisão venceu a vontade de não ser manipulado. De repente, a gente quer saber o que aconteceu de fato e o que está por trás do blablablá que se faz em torno de uma vida que foi, literalmente, jogada pela janela. A outra novela é a sucessão do prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves. Quanto mais me aprofundo menos consigo entender. Ora, como poderia entender, se os protagonistas não conseguem ter clareza dos lances e apostas? O fato é que tudo é possível, inclusive nada. Apesar da dificuldade de compreender tantos lances incompreensíveis, dá para sacar que, sem menosprezar o enorme peso dos outros atores em cena e nos bastidores, a solução final vai depender da posição da governadora Wilma de Faria. E ela não tem interesse de estragar a excelente relação que tem com o presidente Lula, nem quer antecipar os lances dramáticos da sua própria sucessão cujo "taime" comporta e exige quarentenas. Na base do governo Wilma tem quatro pré-candidatos a governador, em 2010: Carlos Eduardo Alves, João Maia, Iberê Ferreira de Souza e Robinson Faria. Cada qual com seu peso específico e com uma capacidade muito grande causar estragos ao projeto Wilma senadora 2010. Experiente como é, a governadora não vai se deixar ser enquadrada, nem pisar em cascas de banana. Nas paredes da memória política recente do RN temos o exemplo de 2002, quando o então governador Garibaldi Alves tinha na sua base todos os candidatos que disputaram sua sucessão. Ruy Pereira, que era do PMDB, acabou sendo o candidato do PT, Fernando Bezerra, que havia costurado para Garibaldi dar o nó, terminou candidato do PFL, Fernando Freire, seu vice, terminou sendo o candidato do grupo depois da derrocada da candidatura de Henrique Eduardo e Wilma de Faria que era prefeita e perfeita aliada, terminou eleita como candidata de oposição. Ou seja, se a governadora deixar prosperar alguma aposta na "bolsa mercantil de futuros", seu agrupamento estará comprometido em 2010 quando a candidata será ela. Imagine agora. E, se 2008 será nitroglicerina pura, o que dizer de 2010 depois dois anos de chuvas e trovoadas, com a caixa de Pandora aberta... Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, mas o líder tem hora que se vê diante de um nó górdio e não pode titubear. E aí ou o desata o nó ou o corta de espada. O fato é que, neste momento específico e especialíssimo, a governadora tem que ter à mão régua, compasso, paquímetro e balança de precisão, manejar com presteza de malabarista a flor do seu charme de vencedora e o canhão de guerreira vitoriosa. O apito do jogo não está na mão de quem quer montar o cavalo selado, mas de quem tem o poder botar-lhe a sela. Mais do que nunca, é preciso saber dosar a habilidade da raposa com o poder do leão.

Crianças violadas
O leitor Antônio Rinaldo envia carta à coluna: "Caríssimo Crispiniano, Como faço quase todos os dias, lendo sua coluna, vi os dados coletados junto ao Sistema de Informação para a Infância e a Adolescência (SIPIA), sobre a violação dos direitos da criança e do adolescente. Os números apresentados são assustadores, mas imagine se o sistema mostra-se a realidade dos atendimentos feitos no Conselho Tutelar... Com certeza, esses números triplicariam. Vou explicar. O Sipia foi criado para registrar todos os atendimentos realizados pelos conselheiros tutelares. Só que na prática, poucos valorizam o sistema e, por conseguinte, poucos fatos de violações são registrados.

Crianças violadas II
"O sistema é ótimo e muito importante, como banco de dados, para as estatísticas na área infanto-juvenil. Fui conselheiro tutelar e tenho convicção disso. Mas, sua manutenção, que é de responsabilidade exclusiva do Conselho Tutelar, não é compulsória, ou seja, registra quem quer. Com isso, posso lhe afirmar veementemente: os dados são "furados" e estão longe de representar a dura realidade das crianças e adolescentes que são vitimados diariamente em todo país. Um forte abraço. Antônio Rinaldo, ex-conselheiro tutelar de Mossoró por dois mandatos - 1999 a 2005."

Fotolegenda

Vai uma chargesinha de Junião que encontrei no site www.vermelho,org.br sobre a cobertura do Caso Isabella.

 



       




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