

A
ascensão social da classe C
Agaciel da Silva Maia
O recente crescimento econômico verificado no Brasil muito
tem impressionado a mídia nacional e estrangeira, os analistas
econômicos e os meios político e empresarial. Artigos
recentemente publicados em diversos veículos de grande circulação
associam esse crescimento ao aumento do poder de compra da chamada
classe média-baixa, mais especificamente a classe C.
A classificação de consumidores em classes é
usada para fins de marketing. Busca-se, com ela, agrupar consumidores
em função de suas preferências, rendas ou potencial
de consumo. Assim, são utilizadas letras de A (para os consumidores
de renda mais elevada) até E (para os de menor nível
de renda), deixando a classe C na faixa intermediária. É
justamente a classe C que, no Brasil, tem apresentado, nos últimos
anos, vigoroso crescimento, fruto de uma migração
que ocorre a partir das classes E e D. Estima-se que, apenas nos
últimos dois anos, cerca de 20 milhões de brasileiros
fizeram essa migração. Estimativas sugerem que a classe
C representa cerca de 46% da população (ou 86 milhões
de pessoas), com renda familiar média de R$ 1.062. Já
as classes A e B, juntas, representariam 15% da população,
com renda familiar média de R$ 2.217, e as classes D e E
representariam cerca de 39% da população, com renda
familiar média de R$ 580.
Tais movimentos implicam aumento da capacidade de consumo das pessoas,
uma parte relacionada ao aumento de renda e outra à expansão
do crédito. Contudo, é inegável a importância
do aumento da oferta de trabalho e das transferências governamentais
de recursos às camadas mais pobres da população.
Essas últimas condições refletem, entre outras
coisas, os efeitos benéficos provocados por um período
de estabilidade econômica, políticas públicas
bem desenhadas e implementadas - como no caso de programas sociais
do governo federal - e o crescimento revigorante do investimento
privado nos últimos anos.
A influência das políticas e programas de governo nesse
processo de mudança é marcante. Pesquisas indicam
que os beneficiários do programa Bolsa Família, por
exemplo, estão mais equipados, ou melhor atendidos nas suas
necessidades de consumo. Eles possuíam, em 2006, mais bens
de consumo duráveis - como geladeiras, máquinas de
lavar e televisão - nos seus domicílios do que tinham
em 2004.
Mas a interferência positiva nesse processo de ascensão
social não se restringe às ações do
Poder Executivo federal. Estados e municípios também
fizeram a sua parte, gerenciando recursos de modo mais eficiente
e implementando políticas públicas eficazes, direcionadas,
na maioria das vezes, para a parcela mais desfavorecida da população.
O Poder Legislativo, convém que se diga, tem sido um ator
muito importante nesse processo. O Senado Federal e a Câmara
dos Deputados são responsáveis diretos pelo aperfeiçoamento
do ambiente jurídico-institucional, sem o qual o exercício
da governabilidade tenderia a definhar. No Senado Federal, as matérias
aprovadas nos últimos anos contribuíram, decisivamente,
para a geração de um ambiente propício à
estabilidade institucional, ao fortalecimento econômico dos
agentes e à distribuição da renda. Tais aspectos,
em conjunto, trazem a especial virtude de permitir que todos os
brasileiros desfrutem dos ganhos advindos do desenvolvimento econômico.
A contribuição do Senado pode ser notada, por exemplo,
na discussão e aprovação de normas como a Lei
nº 11.110/2005, que contemplou o Programa Nacional do Microcrédito
Produtivo Orientado; ou a Lei nº 11.196/2055, que concedeu
benefícios tributários para setores estratégicos,
ou a Emenda Constitucional nº 45, de 2004, que tratou da Reforma
do Judiciário.
O cadastro positivo de crédito, que amplia a segurança
na concessão de créditos bancários, também
foi um dos grandes temas aprovados no Senado. Do mesmo modo, a desburocratização
na abertura de empresas é outro destaque, materializado na
criação da Rede Nacional para a Simplificação
do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios
(Redesim), que agora tramita na Câmara dos Deputados.
Tudo isso revela que o Senado Federal e o Congresso Nacional estão
sintonizados com a realidade e as mudanças por que passam
a sociedade. O processo legislativo é o instrumento democrático
de mudança, de aperfeiçoamento institucional e de
progresso. Se o Brasil navega em ondas mais tranqüilas, se
sua economia hoje permite, concretamente, incluir pessoas no mercado
de trabalho e aprofundar a sua inserção nos circuitos
de partilha da renda e do consumo, isso se deve à estabilidade
macroeconômica, fenômeno impensável na ausência
da estabilidade política. E o parlamento é justamente
esse espaço de construção da governabilidade,
sempre temperado pelo necessário embate das forças
ali representadas.
Essa presença real do Senado no avanço das políticas
públicas deve-se à contínua aproximação
do processo legislativo, com vistas à superação
dos desafios que o país enfrenta, princípio esse do
qual seu atual presidente, Garibaldi Alves Filho, e a Comissão
Diretora da Casa não abrem mão.
Agaciel
da Silva Maia
é Economista.
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