|


FESTEJOS JUNINOS
Quadrilha
Zé Matuto chega aos 25 anos
Edilson Damasceno
Da Redação
Os netos sabem como conquistar mimos dos avós. E foi para
satisfazer uma das vontades da neta que Marlene Maria da Silva,
72, criou um grupo de dança junina, denominando "Zé
Matuto". Isso em 1983. Um mero capricho que se transformaria,
no decorrer desses 25 anos, em uma história de sucesso. Prova
disso são os troféus que estão postos em um
móvel logo na entrada da casa, localizada no bairro Santo
Antônio (zona norte). Marlene é de poucas palavras,
tímida. A sala se transformou em um atelier, em que mulheres
se revezam nas máquinas de costura das 9h até a madrugada.
Aos poucos, ela vai se acostumando com a presença do repórter
na sua casa. "Inventei esse grupo por causa de uma neta, que
era doida para brincar quadrilha", comenta, informando que
a Quadrilha Zé Matuto foi tradicional por muitos anos, mas
agora trabalha na linha estilizada. Aliás, foi campeã
do ano passado no Mossoró Cidade Junina, ficando entre as
12 melhores do Rio Grande do Norte e do Ceará. "No Ceará,
ficamos entre as seis melhores. As quadrilhas de lá são
fortes", afirma.
Nesses 25 anos, Marlene diz que tem trabalhado para manter a quadrilha,
e afirma que é uma atividade que apenas vem sendo realizada
por quem gosta dos costumes juninos. Deixa entender que não
é pelo prêmio que disputa concursos. É que para
o primeiro colocado no concurso deste ano, a premiação
será de R$ 5 mil, que não cobre nem metade do que
vem sendo investido em tecidos, linhas e demais itens relacionados
à confecção de roupas e adereços.
Até agora, segundo Marlene Maria, já foram investidos
cerca de R$ 15 mil. Vestir 40 casais e mais o puxador requer dinheiro.
Ela diz que os recursos chegam e que todo o grupo, composto por
81 pessoas, participa. "A gente trabalha muito, realiza bingos,
faz pedágio, festas e outras coisas", diz, comentando
que vez por outra surge um apoio. "É pouco, mas às
vezes se arranja um apoio."
"Tem que gostar, meu filho. Tem que gostar. Porque se fosse
só pela premiação, não dava. No ano
passado, por exemplo, gastamos R$ 10 mil, e o dinheiro que recebemos
mal deu para pagar o Grupo Regional (que tocou para animar a apresentação
da quadrilha no Mossoró Cidade Junina). Quadrilha é
só para quem realmente gosta. Não compensa",
diz.
Se depender da animação das pessoas que estavam ajudando
a concluir a confecção de roupas, a Zé Matuto
está no páreo. "Vamos para brigar pelo primeiro
lugar", diz Marlene. Tudo o que está sendo feito remete
ao tema do grupo para este ano: "Fogueira, bandeira e balão:
Zé Matuto, nos seus 25 anos, mostrando o verdadeiro São
João".
Mortes
por dengue ocorrem por falta
de atenção médica, diz sanitarista
MAGNOS ALVES
Da Redação
A falta de atenção médica é o principal
responsável pelas mortes por dengue hemorrágica. Quem
afirmou foi o sanitarista e gerente da Vigilância Sanitária
Municipal, Sodré Rocha.
Para ele, "é inadmissível perder vidas por conta
da dengue, que só ocorrem porque os procedimentos a serem
adotados com pacientes suspeitos da doença não são
seguidos pelos médicos".
Segundo Sodré, a atuação dos médicos
melhorou nos últimos meses, mas ainda está distante
do ideal. "Os médicos poderiam melhorar o atendimento
se tivessem um pouco mais de atenção", orientou.
Ele acrescentou que os médicos precisam fazer os procedimentos
indicados e solicitar aos pacientes com sintomas da dengue para
ficar em alerta. "Se tudo for bem-feito, não tem como
haver morte pela dengue, mas se não houver uma assistência
primária de qualidade a situação do paciente
pode se agravar", reiterou Sodré.
Sobre o número de casos de dengue (918) notificados em Mossoró
divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SESAP), o sanitarista
disse que não condiz com a realidade. Segundo Sodré,
791 casos de dengue foram notificados em Mossoró e não
918 casos, como divulgou a Sesap. A explicação para
a diferença seria casos de duplicidade nas notificações.
"Tem caso que é notificado mais de uma vez e depois
que a gente faz a triagem, o que não é feito pela
Sesap, que soma tudo", justificou.
Sodré declarou que a situação da dengue em
Mossoró está tranqüila, administrada. "O
que preocupa mesmo é o número de casos de dengue hemorrágica
(seis, segundo a Sesap), principalmente em criança",
observou.
A Vigilância e a Secretaria Municipal de Saúde estão
agendando atividades educativas para os bairros a partir da próxima
semana, com prioridade inicial para o Alto de São Manoel,
Ilha de Santa Luzia e Pereiros.
Além disso, a Prefeitura vai começar a agendar visitas
aos imóveis fechados. Quem possui imóvel nessa situação
deve ligar para os telefones 3315-2523 e 3315-1625 para agendar
a visita dos agentes. "Caso contrário, os imóveis
serão invadidos", ressaltou.
Motoboys
têm profissão aprovada e terão de se adequar
A Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados
aprovou na semana passada, em caráter conclusivo, o substitutivo
da comissão de viação e transportes ao projeto
de lei 6302/02, do Senado, que regulamenta as atividades de entrega
de produtos por motoboys.
O texto aprovado suprimiu o transporte de pessoas (mototáxi)
e a prestação de serviços comunitários
de rua por motociclistas. O autor do substitutivo, deputado Hugo
Leal (PSC-RJ), não quis regulamentar a mototáxi por
considerá-la perigosa para os passageiros. Como sofreu alterações
na Câmara, o projeto volta para o Senado.
Apesar de ter a profissão regulamentada, os motoboys agora
terão de se adequar a vários itens previstos no projeto
de lei.
Os veículos empregados em fretes devem ter protetor de motor
e aparador de linha (antena corta-pipa), além de passar por
inspeção semestral e ter registro na categoria de
aluguel, que deverá ser expedido pelo Detran.
Já o motoboy deverá ter aprovação em
curso especializado, além de utilizar colete de segurança
com dispositivos retrorrefletivos.
Para o motoboy Mário Kelson Pereira, a aprovação
da profissão só vai trazer exigências. "Agora
teremos de seguir várias normas, que vão gerar custos
para a gente", reclamou. Ele os demais condutores que já
atuam na atividade terão um ano, a partir da regulamentação
da nova lei pelo Contran, para se adequar às novas exigências
estabelecidas.
O projeto aprovado proíbe o transporte de combustíveis,
produtos inflamáveis ou tóxicos e de galões
por meio de motos. As exceções são o gás
de cozinha e galões de água, que deverão ser
transportados na lateral da moto (sidecar).
Fazer transporte de mercadorias em desacordo com as especificações
será considerado infração grave.
|