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CONSIGNADO
Regras
mais duras para empréstimos
O Ministério da Previdência Social
endureceu regras para empréstimo consignado para aposentados
e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com
objetivo de combater fraudes, evitar endividamento excessivo e disciplinar
a utilização do cartão de crédito.
As mudanças são regulamentadas pela instrução
normativa 28, publicada nesta semana. Estão proibidos saques
em espécie com cartão de crédito, reserva de
margem no crédito consignado sem autorização
prévia do beneficiário e oferta de empréstimos
com prazo de carência para início do pagamento.
"Essas mudanças visam a fechar ralos que permitiam fraudes,
proteger o beneficiário e melhorar relação
entre aposentados e pensionistas com instituições
financeiras que concedem os empréstimos", informa o
chefe da seção de Manutenção de Direitos
do escritório do INSS em Mossoró, Carlos Ferreira.
Ele admite que o endurecimento das regras decorre também
das reclamações de fraude. Conta que, por mês,
duas a três pessoas vão ao escritório do INSS
em Mossoró reclamar de desconto no seu benefício ou
aposentadoria por empréstimo feito sem o conhecimento do
titular.
"São aposentados, em geral desinformados e que assinaram
papéis sem saber a finalidade, às vezes lesados por
próprios familiares ou por agentes que vendem empréstimos",
diz Ferreira, que recomenda contratação de empréstimos,
de preferência, em bancos com agência na cidade.
As novas regras proíbem às instituições
de fazer operações com beneficiários de outros
Estados. Os empréstimos deverão obrigatoriamente ser
contratados no Estado em que o aposentado ou pensionista reside
e recebe o benefício.
O valor do empréstimo terá de ser creditado diretamente
na conta em que a pessoa recebe o benefício. Caso o pagamento
seja na modalidade cartão magnético, o depósito
deverá ser feito em conta corrente, na poupança da
qual a pessoa também seja titular ou por meio de ordem de
pagamento depositada preferencialmente na agência ou banco
em que o segurado recebe do INSS.
A possibilidade de prazo de carência para início do
pagamento foi terminantemente proibida para evitar aumento dos juros,
mas também fraudes, pois, no caso de um empréstimo
fraudado, o beneficiário só vai notar a ocorrência
do desconto meses depois de o dinheiro ter sido creditado na conta
do fraudador.
Foi fixado o prazo de 48 horas para a emissão de boleto pela
instituição financeira, quando o beneficiário
quiser quitar antecipadamente suas operações de empréstimo
ou com cartão de crédito.
As instituições financeiras ficam obrigadas a fornecer
previamente aos segurados informações sobre todos
os custos do empréstimo, inclusive a taxa de juros mensal
e anual; soma total do valor a pagar pelo empréstimo ou uso
do cartão; e data de início e fim do desconto.
Ministro
da Fazenda reforça
intenção de criar Fundo Soberano
Brasília (AE) - A despeito de todas
as críticas que a proposta vem recebendo, o ministro da Fazenda,
Guido Mantega, saiu em defesa do Fundo Soberano do Brasil (FSB)
e anunciou ontem que o projeto de lei que cria o FSB será
encaminhado ao Palácio do Planalto na próxima semana.
"O projeto de lei está praticamente pronto, faltam apenas
os aspectos jurídicos", disse o ministro, em breve entrevista
convocada para desmentir reportagens publicadas na imprensa informando
que, por determinação do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, a criação do Fundo seria postergada.
O presidente Lula é simpático à idéia
do fundo. Mas, segundo fontes do Planalto, ele quer esgotar as discussões
porque considera que há questões ainda não
estão totalmente esclarecidas. Apesar de Mantega e o presidente
do Banco Central, Henrique Meirelles, descartarem o uso das reservas
cambiais para compor o fundo, por exemplo, Lula ainda não
fechou posição sobre isso.
A confusão em torno do FSB reflete uma atitude recorrente
na gestão Mantega: o anúncio de estudos como fatos
consumados. Na semana passada, o ministro antecipou a divulgação
do Fundo à imprensa tomando como iminente algo que ainda
carecia de uma série de acertos técnicos - inclusive
no âmbito do próprio ministério que comanda
- e também políticos.
"A concepção econômica já está
clara e definida e ele será um instrumento muito importante
para o País", afirmou Mantega.
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