

Homem
e Mulher
Daladier Pessoa Cunha Lima
As diferenças de comportamento entre o homem e a mulher são
tão marcantes quanto as diferenças físicas.
Hoje, as diversas maneiras de agir dos dois sexos são vistas
à luz da neurociência, e não somente pela ótica
da sociologia ou pela história da formação
cultural. Modernas tecnologias de imagens são capazes de
mostrar que existe uma base neurológica para muitas reações
próprias de cada pessoa. Essas tecnologias podem tornar evidentes
que as diferenças corporais do homem e da mulher se repetem
nos respectivos cérebros.
É sabido que nas mulheres há domínio maior
do lado direito do cérebro, o que resulta em uma visão
abrangente. Por isso, diz-se que elas são mais curiosas,
ou seja, olham tudo ao seu redor e vêem inclusive os detalhes.
Nos homens, o forte é o lado cerebral esquerdo, voltado à
análise lógica e ao raciocínio rápido
e matemático, além de melhor orientação
espacial. No tocante ao desenvolvimento da linguagem falada, as
damas levam vantagem, pois têm essas funções
dispersas nos dois hemisférios do cérebro, enquanto
os varões as têm somente no lado esquerdo. Entre lágrimas,
sorrisos e abraços, elas usam melhor a linguagem corporal
e emocional, ao passo que eles são mais contritos e trancados.
Com menor produção de serotonina, as mulheres são
propensas à depressão, e, assim, tentam mais o suicídio.
Tentam, mas efetivam menos, porquanto se abrem para pedir ajuda.
Por outro lado, os homens tentam menos, porém efetivam mais.
As diferenças entre os sexos se refletem, também,
na maior ou menor presença de algumas doenças. Por
exemplo: enxaqueca, doença de Alzheimer e artrose do joelho
preferem as mulheres; cardiopatias, Parkinson e úlceras gástricas
preferem os homens. A medicina usa essa certeza para guiar certas
opções diagnósticas. As mudanças na
forma de viver das mulheres no mundo atual podem influir no mapa
dos males que lhes afetam a saúde. É o caso do aumento
do hábito de fumar entre elas, as quais agora estão
mais expostas às cardiopatias e ao câncer de pulmão.
Nova evidência médica, sob a ótica das diferenças
entre os sexos, expõe o vínculo entre sono e doenças
do coração. Há poucos dias, li essa notícia
na revista Time - edição de 31/03/2008 - que mostra
pesquisa feita na Duke University - USA - pelo Dr. Edward Suarez.
Conforme a pesquisa, existe nas mulheres uma associação
entre distúrbios do sono e risco para cardiopatias e diabetes.
O trabalho do Dr. Suarez foi publicado na revista Brain, Behavior
and Immunity.
A lenda grega diz que homens e mulheres eram criaturas únicas,
um só corpo com os dois sexos. Essas criaturas se tornaram
tão poderosas que tentaram aos deuses superar. Sentindo-se
ameaçados, os deuses dividiram-nas em duas metades. Em crônica
sobre esse tema, o escritor Moacyr Scliar comenta: Desde então
homens e mulheres buscam de novo unir-se para recuperar a unidade
e a força perdidas. Queremos todos a nossa cara-metade.
No final das contas as mulheres vivem mais cerca de seis anos. Que
vantagem, hem? Para cada homem com 85 anos, existem três mulheres
com essa idade. Por causa das variações hormonais,
elas têm oscilações de humor e, por isso, os
homens dizem que não há quem possa compreendê-las.
Mais estáveis, eles recebem as críticas femininas
de que os homens são todos iguais. Porém, os dois
sexos se completam, e vale a pena citar aqui o poeta alemão
Novalis (1772 - 1801): Ao homem é lícito desejar
as coisas sensíveis de maneira racional, enquanto à
mulher é lícito desejar as coisas racionais de maneira
sensível... A natureza secundária do homem é
a principal da mulher.
Daladier
Pessoa Cunha Lima
é Reitor da FARN
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