

A diferença entre cá e lá
Tenho
observado que, sempre que um crime de morte choca o país,
pelo requinte, a televisão se apressa em mostrar crimes monstruosos
no primeiro mundo, com segunda intenção, entende-se
a intenção de fazer ver, ao povo brasileiro, que a
coisa é universal. Ou muito me engano, mas a intenção
me parece ser essa. Também pode ser que não. Afinal,
não estou afirmando nada. Note-se.
Suposição, apenas. Direi mais: talvez, aqui, a falta
de assunto para a crônica de hoje. Também pode ser.
Mas vamos a essa história da universalidade do crime com
requinte, como foi o caso recente da morte da garota Isabela, em
São Paulo. Grande insensatez seria, da minha parte, porque
falo por mim, se chegasse ao ponto de negar crimes ditos hediondos
nos países na dianteira da civilização. Rotunda
insensatez!
Se não supina ignorância, como se diz. Ora, cá
como lá, a criatura humana é a mesma, mesmas as patologias
que dizem às tendências criminosas, e digo patologias,
que não posso conceber o assassino sem o mais mínimo
de compaixão humana, cruel, não seja vítima
de algum incômodo glandular. Uma criatura normal é
que não me parece ser. Mas vamos deixar esta parte para quem
é do ramo, segundo aconselha o bom-senso.
Bom. O que me, nos cabe comentar, a propósito de crimes que
pungem a opinião pública, está unicamente da
parte da impunidade; penso no Brasil. Quanto mais não seja,
dos favores da lei para crimes dessa natureza, do que seja exemplo
o responder-se ao processo em liberdade, se o criminoso tem profissão
definida, residência, outros quesitos que, a meu ver, se explicam
mas não justificam.
Ora, o que se põe, ou deve ser posto, é a natureza
do crime, o grau do ato criminoso, que não os antecedentes
e qualidades civis do criminoso. Claro que não estou falando
com boca de jurista, que não sou. Mas, se posso assim dizer,
em nome do que se me afigura como razão mais elementar, se
não fosse antes o bom-senso coletivo. Resumindo: a diferença,
entre nós e o mundo civilizado, é que lá a
lei não é nada boazinha com o assassino cruel.
Fraude
Manifestamente, os advogados dos matadores da garota Isabela, crime
que recém-abalou o país, pelo requinte, parece apelarem
para a fraude processual.
Fuxico
Emissora de televisão que chama de programa político
sessão de fuxico, padrão botequim, não merece
audiência. É o que vem a dar-se com certa concessionária
de televisão em Mossoró. Tal programa, vi uma vez,
para crer.
Sintonia
O prefeito Souza e o seu antecessor Bruno Filho seguem, numa perfeita
sintonia, rumo às eleições municipais em Areia
Branca.
LINGUAGEM
INDEPENDÊNCIA
OU MORTE! O estudante José Célio, de Natal, quer saber
se é possível analisar sintaticamente essa frase e,
em caso afirmativo, o que deve ser subentendido. Para começo,
toda análise que exige subentendimento é sempre deficiente
(Antenor Nascentes). Meu caro José Célio, trata-se
de uma frase de caráter subjetivo, ditada, e apenas, pelo
sentimento, razão por que não comporta a decomposição
analítica. Não se trata de uma oração,
que é a expressão do raciocínio lógico.
Temos, e só isso, uma frase.
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