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MOSSORÓ (RN), SÁBADO, 21/06/2008 (ATUALIZADO: 02:27hs)
 
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» Geraldo Melo tenta convencer Zé Mendes

» TREs fecham questão quanto a analisar a vida pregressa
» Democratas pede que seja impetrada uma ADIM contra Lula
» Tarso Genro nega caráter político para a operação da PF


DIÁLOGO
Geraldo Melo tenta convencer Zé Mendes
Julierme Torres
Da Redação

O PSDB oficializou ontem o apoio à candidatura da deputada estadual Larissa Rosado (PSB) à Prefeitura de Mossoró. O ato, que lotou as
galerias da Câmara Municipal, teve duas ausências percebidas. A do empresário Zé Mendes, que teve sua pré-candidatura a prefeito retirada pelo diretório municipal, e a do ex-senador Geraldo Melo, líder dos tucanos no Rio Grande do Norte.
Geraldo Melo cancelou sua vinda a Mossoró exata-mente para tentar unificar o diretório. O ex-senador convocou Zé Mendes para uma reunião, em Natal. Ele tentou convencer o empresário a acompanhar o partido no apoio a Larissa Rosado e, mais que isso, evitar novas críticas e acusações aos pré-candidatos a vereador do PSDB.
Zé Mendes chegou a declarar, através da imprensa, que os pré-candidatos a vereador do PSDB haviam exigido R$ 40 mil para manter a candidatura a prefeito. Depois que o diretório formalizou a retirada da pré-candidatura, o empresário não ficou atrás, declarou que poderia apoiar Larissa, mas exigia que o Governo viabilizasse a instalação de um posto de gás natural de sua propriedade, em Natal, e construísse uma escola de formação de pilotos em Mossoró.
Ontem, por telefone, Zé Mendes reafirmou essa disposição. Ele disse que estava em Natal e já tinha concluído a conversa com Geraldo Melo. O empresário disse que o líder tucano tentou lhe convencer que o diretório municipal do PSDB tomou o caminho que considerou mais acertado, e pediu que acompanhasse o partido no apoio a Larissa.
"Eu fui chamado por Geraldo e vim ouvir. Mas acho que ele deu aval para o diretório fazer o que fez", disse Zé Mendes, ao lembrar que o PSDB está na base de sustentação do Governo Wilma de Faria. Sobre os pedidos que tinha feito, Zé Mendes reconheceu que os dois projetos são empresariais. Mesmo assim, ele sustentou que existe um retorno social e é possível viabilizar. "Tudo tem política", disparou o empresário, ao lembrar que já vem lutando há dois anos para levar sua rede de postos para Natal. Mendes garantiu que o projeto já está na Companhia Potiguar de Gás (POTIGÁS) e garantiu que não vai se negar a pagar o que for sua responsabilidade na obra.
De acordo com Zé Mendes, Geraldo Melo não intermediou nenhuma conversa com a governadora Wilma Maria de Faria (PSB). Mas o empresário garantiu que ontem foi recebido pelo presidente da Potigás, Geraldo Pinto - que também é presidente do diretório do
Partido dos Trabalhadores (PT). Sobre essa conversa, Zé Mendes disse apenas que o dirigente da Potigás reconheceu que seu processo na empresa está parado á bastante tempo.

REPERCUSSÃO
Em Mossoró o presidente do diretório local do PSDB, David Rodrigues Júnior, voltou a negar as denúncias feitas por Zé Mendes, e garantiu que as exigências que o empresário está fazendo não têm o aval do partido. O dirigente afirmou ainda que está tranqüilo e a verdade sobre esse episódio vai aparecer.
David Rodrigues afirmou ainda que, independente da posição que vier a ser tomada por Zé Mendes, o PSDB local está fechado com a candidatura de Larissa Rosado. "Estamos com Larissa em nossa mente e em nosso coração. Vamos de corpo e alma para a campanha", disse o dirigente, acrescentando que os mossoroenses que simpatizam com o ex-senador Geraldo Melo vão optar pela candidata socialista.

Larissa e Sandra definem aliança com o PSDB como um reencontro
A pré-candidata do PSB à Prefeitura de Mossoró, Larissa Rosado, evitou a polêmica do PSDB. Ela disse apenas estar convicta de que os conflitos internos do partido serão resolvidos e que acredita que o empresário Zé Mendes, a quem definiu como um homem bem articulado, estará em seu palanque durante a campanha eleitoral.
"Eu já conversei com o Zé Mendes. Tenho certeza de que ele estará em nosso palanque", afirmou Larissa, que preferiu analisar a adesão do PSDB sobre a ótica de um reencontro. A pré-candidata lembrou que o partido já esteve com seu grupo político, e que tem uma ligação política histórica com o ex-senador Geraldo Melo (PSDB).
Esse também foi o discurso da deputada federal Sandra Rosado (PSB). A líder dos socialistas em Mossoró afirmou que a retomada do convívio político com Geraldo Melo é um motivo de alegria. "Eu e Geraldo temos uma história política juntos. Inclusive sofremos as mesmas injustiças no passado. Esse é um feliz reencontro", afirmou.
Enquanto os socialistas tratam a adesão do PSDB como um reencontro, os petistas se preocuparam em explicar a aliança com o partido que comanda a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"O que eu acho é que essa foi uma decisão sensata", afirmou o presidente do PT de Mossoró e pré-candidato à vice-prefeito, Tércio Pereira. Ele reconheceu que no plano nacional o PT e PSDB têm posicionamentos antagônicos, mas alertou que em Mossoró existem pontos em comum entre os dois partidos, no tocante a oposição ao governo municipal do Democratas.

Presidentes de TREs fe-cham questão
quanto a analisar a vida pregressa
Rio (AE) - Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais, reunidos no Rio, decidiram ontem (20) que os magistrados vão considerar a vida pregressa de políticos na hora de autorizar o regis-tro de candidaturas para as eleições deste ano. Apesar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter indicado recentemente que só a condenação na Justiça com todos os recursos esgotados (trânsito em julgado) poderá servir de impedimento para o direito de um candidato concorrer, os juízes regi-onais indicaram hoje que vão considerar processos enfrentados na Justiça por políticos para conceder os registros.
O presidente do TSE, mi-nistro Carlos Ayres Britto, que compareceu ao encerra-mento do encontro em um hotel de Copacabana (zona sul), reafirmou que a tendên-cia da Corte é considerar que a vida pregressa não é condição de inelegibilidade sem a condenação com trânsito em julgado. No entanto, ele lembrou que os juízes regionais gozam de autonomia e estão livres para tomar as decisões. No entanto, admitiu, é grande a chance dos candidatos recuperarem o registro ao recorrer ao TSE.
"Do ponto de vista técni-co, a resposta formal do TSE é apenas uma diretriz. Sinaliza como o TSE entende a matéria e como, provavelmente, vai se comportar no julgamento de eventuais processos (recursos por parte dos candidatos)", disse Britto, que evitou classificar a medida do Colégio como inócua.
O presidente do TRE do Rio (TRE-RJ), Roberto Wider, lembrou que a resolução do TSE não pode inibir um movimento que, apesar de ter começado no Rio, conta com o apoio da maior parte dos magistrados responsáveis pelos tribunais nos estados e da sociedade. Presidente do TRE do Rio Grande do Norte e do colégio, o desembargador Cláudio Santos lembrou que candidatos já foram diplomados na prisão. "Pre-cisamos evitar isso, que é inaceitável".
Questionado se a divergência entre o TSE e os juí-zes regionais não vai provocar uma batalha jurídica nas eleições deste ano, Ayres Britto foi evasivo: "A minha expectativa é de que as coisas sejam equacionadas com bom senso". A resolução do Colégio também determina que juízes e servidores da Justiça Eleitoral facilitem o acesso aos processos eleitorais que dizem respeito aos antecedentes dos pretendentes a candidaturas.

Democratas pede que seja impetrada
uma ADIM contra o presidente Lula
Brasília (AE) - O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) pediu ontem (20) ao comando nacional de seu partido e ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, que entrem com ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por não ter assegurado reajuste linear aos funcionários públicos nos anos de 2004, 2006 e 2007. "Houve omissão e descumprimento da lei", afirmou o senador, ao lembrar que esse direito é garantido pela Constituição.
A decisão de não conceder aumento geral aos funcionários públicos, preferindo reajustar salários seletivamente por carreira, não é exclusividade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Também nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, do qual fazia parte o PFL (agora DEM), a prática de reajustes lineares havia sido abandonada. Tanto que, em 1999, o PT e o PDT, entraram com Adin no Supremo Tribunal Federal (STF), exigindo aumentos gerais para os funcionários. A iniciativa tomada ontem por Heráclito Fortes repete o gesto feito pela oposição em 1999.
Pela Constituição, a remuneração dos servidores públicos deve ser fixada em lei, a ser proposta pelo presidente da República, sempre na mesma data e sem distinção de índices. Segundo o senador do DEM, em 2004, o presidente Lula não tomou nenhuma iniciativa em favor do reajuste geral dos salários, quando também o STF indeferiu Adin apresentada pelo PSDB. À época, o argumento do tribunal foi de que ainda restavam três meses para que o presidente exercitasse o seu poder.
Em 2005, entretanto, Lula tomou a iniciativa de enviar ao Congresso projeto reajustando em 0,1 % os salários dos servidores. Mesmo essa providência não avançou, pois a proposta continua engavetada na Câmara na Comissão de Finanças, após ser aprovada em duas outras comissões.
"Depois disso não houve iniciativa de reajuste geral para os anos de 2006, 2007 e até o momento para 2008 apesar de o presidente Lula, então presidente de honra do PT, ter sido um dos proponentes da Adin de 1999", ressaltou. O senador informou também que Lula nomeou os advogados signatários da petição para cargos no Planalto, se referindo aos advogados Luiz Alberto dos Santos, lotado na Subchefia de Coordenação Governamental da Casa Civil e Ronaldo Jorge Vieira Júnior, na Advocacia-Geral da União.
A manifestação de Heráclito acontece um dia depois do Congresso, em sessão conjunta, ter aprovado projeto que abre crédito extraordinário no valor de R$ 7,56 bilhões do orçamento para o pagamento de reajuste de funcionários. Mesmo assim, o senador não desistiu, alegando que os recursos vão atender algumas categorias do funcionalismo público. "Quero que o reajuste seja geral", disse.

Tarso Genro nega caráter político
para a operação João de Barro da PF
Brasília (AE) - O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou ontem (20) que a Operação João de Barro, desencadeada pela Polícia Federal em sete estados e no Distrito Federal, não teve caráter político e apenas seguiu orientações técnicas de órgãos da União Federal. Em entrevista no Ministério da Justiça, Genro ressaltou que a operação seguiu o novo manual da PF de não expor as pessoas acusadas de crimes. "Nós gostaríamos de dizer que todas essas buscas, mandados de prisão e o trabalho de investigação feito não têm nenhuma destinação voltada a qualquer região ou facção política. Ela obedece estritamente o trabalho de órgãos técnicos da União Federal", afirmou.
Tarso Genro disse que operações como a João de Barro continuarão sendo realizadas pela Polícia Federal. Segundo o ministro, as ações de hoje tiveram por finalidade combater a lavagem de dinheiro em Santa Catarina e São Paulo - o que envolveu o trabalho de 252 policiais e 33 auditores fiscais; o combate ao narcotráfico em Mato Grosso, onde um efetivo de 120 homens cumpriu 18 mandados de busca e 24 prisões e o trabalho de combate à corrupção em outros municípios do país, envolvendo mil policiais.




       




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