

DIÁLOGO
Geraldo
Melo tenta convencer Zé Mendes
Julierme Torres
Da Redação
O PSDB oficializou ontem o apoio à candidatura da deputada
estadual Larissa Rosado (PSB) à Prefeitura de Mossoró.
O ato, que lotou as
galerias da Câmara Municipal, teve duas ausências percebidas.
A do empresário Zé Mendes, que teve sua pré-candidatura
a prefeito retirada pelo diretório municipal, e a do ex-senador
Geraldo Melo, líder dos tucanos no Rio Grande do Norte.
Geraldo Melo cancelou sua vinda a Mossoró exata-mente para
tentar unificar o diretório. O ex-senador convocou Zé
Mendes para uma reunião, em Natal. Ele tentou convencer o
empresário a acompanhar o partido no apoio a Larissa Rosado
e, mais que isso, evitar novas críticas e acusações
aos pré-candidatos a vereador do PSDB.
Zé Mendes chegou a declarar, através da imprensa,
que os pré-candidatos a vereador do PSDB haviam exigido R$
40 mil para manter a candidatura a prefeito. Depois que o diretório
formalizou a retirada da pré-candidatura, o empresário
não ficou atrás, declarou que poderia apoiar Larissa,
mas exigia que o Governo viabilizasse a instalação
de um posto de gás natural de sua propriedade, em Natal,
e construísse uma escola de formação de pilotos
em Mossoró.
Ontem, por telefone, Zé Mendes reafirmou essa disposição.
Ele disse que estava em Natal e já tinha concluído
a conversa com Geraldo Melo. O empresário disse que o líder
tucano tentou lhe convencer que o diretório municipal do
PSDB tomou o caminho que considerou mais acertado, e pediu que acompanhasse
o partido no apoio a Larissa.
"Eu fui chamado por Geraldo e vim ouvir. Mas acho que ele deu
aval para o diretório fazer o que fez", disse Zé
Mendes, ao lembrar que o PSDB está na base de sustentação
do Governo Wilma de Faria. Sobre os pedidos que tinha feito, Zé
Mendes reconheceu que os dois projetos são empresariais.
Mesmo assim, ele sustentou que existe um retorno social e é
possível viabilizar. "Tudo tem política",
disparou o empresário, ao lembrar que já vem lutando
há dois anos para levar sua rede de postos para Natal. Mendes
garantiu que o projeto já está na Companhia Potiguar
de Gás (POTIGÁS) e garantiu que não vai se
negar a pagar o que for sua responsabilidade na obra.
De acordo com Zé Mendes, Geraldo Melo não intermediou
nenhuma conversa com a governadora Wilma Maria de Faria (PSB). Mas
o empresário garantiu que ontem foi recebido pelo presidente
da Potigás, Geraldo Pinto - que também é presidente
do diretório do
Partido dos Trabalhadores (PT). Sobre essa conversa, Zé Mendes
disse apenas que o dirigente da Potigás reconheceu que seu
processo na empresa está parado á bastante tempo.
REPERCUSSÃO
Em Mossoró o presidente do diretório local do PSDB,
David Rodrigues Júnior, voltou a negar as denúncias
feitas por Zé Mendes, e garantiu que as exigências
que o empresário está fazendo não têm
o aval do partido. O dirigente afirmou ainda que está tranqüilo
e a verdade sobre esse episódio vai aparecer.
David Rodrigues afirmou ainda que, independente da posição
que vier a ser tomada por Zé Mendes, o PSDB local está
fechado com a candidatura de Larissa Rosado. "Estamos com Larissa
em nossa mente e em nosso coração. Vamos de corpo
e alma para a campanha", disse o dirigente, acrescentando que
os mossoroenses que simpatizam com o ex-senador Geraldo Melo vão
optar pela candidata socialista.
Larissa
e Sandra definem aliança com o PSDB como um reencontro
A pré-candidata do PSB à Prefeitura de Mossoró,
Larissa Rosado, evitou a polêmica do PSDB. Ela disse apenas
estar convicta de que os conflitos internos do partido serão
resolvidos e que acredita que o empresário Zé Mendes,
a quem definiu como um homem bem articulado, estará em seu
palanque durante a campanha eleitoral.
"Eu já conversei com o Zé Mendes. Tenho certeza
de que ele estará em nosso palanque", afirmou Larissa,
que preferiu analisar a adesão do PSDB sobre a ótica
de um reencontro. A pré-candidata lembrou que o partido já
esteve com seu grupo político, e que tem uma ligação
política histórica com o ex-senador Geraldo Melo (PSDB).
Esse também foi o discurso da deputada federal Sandra Rosado
(PSB). A líder dos socialistas em Mossoró afirmou
que a retomada do convívio político com Geraldo Melo
é um motivo de alegria. "Eu e Geraldo temos uma história
política juntos. Inclusive sofremos as mesmas injustiças
no passado. Esse é um feliz reencontro", afirmou.
Enquanto os socialistas tratam a adesão do PSDB como um reencontro,
os petistas se preocuparam em explicar a aliança com o partido
que comanda a oposição ao governo do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT).
"O que eu acho é que essa foi uma decisão sensata",
afirmou o presidente do PT de Mossoró e pré-candidato
à vice-prefeito, Tércio Pereira. Ele reconheceu que
no plano nacional o PT e PSDB têm posicionamentos antagônicos,
mas alertou que em Mossoró existem pontos em comum entre
os dois partidos, no tocante a oposição ao governo
municipal do Democratas.
Presidentes
de TREs fe-cham questão
quanto a analisar a vida pregressa
Rio (AE) - Presidentes dos Tribunais Regionais
Eleitorais, reunidos no Rio, decidiram ontem (20) que os magistrados
vão considerar a vida pregressa de políticos na hora
de autorizar o regis-tro de candidaturas para as eleições
deste ano. Apesar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter indicado
recentemente que só a condenação na Justiça
com todos os recursos esgotados (trânsito em julgado) poderá
servir de impedimento para o direito de um candidato concorrer,
os juízes regi-onais indicaram hoje que vão considerar
processos enfrentados na Justiça por políticos para
conceder os registros.
O presidente do TSE, mi-nistro Carlos Ayres Britto, que compareceu
ao encerra-mento do encontro em um hotel de Copacabana (zona sul),
reafirmou que a tendên-cia da Corte é considerar que
a vida pregressa não é condição de inelegibilidade
sem a condenação com trânsito em julgado. No
entanto, ele lembrou que os juízes regionais gozam de autonomia
e estão livres para tomar as decisões. No entanto,
admitiu, é grande a chance dos candidatos recuperarem o registro
ao recorrer ao TSE.
"Do ponto de vista técni-co, a resposta formal do TSE
é apenas uma diretriz. Sinaliza como o TSE entende a matéria
e como, provavelmente, vai se comportar no julgamento de eventuais
processos (recursos por parte dos candidatos)", disse Britto,
que evitou classificar a medida do Colégio como inócua.
O presidente do TRE do Rio (TRE-RJ), Roberto Wider, lembrou que
a resolução do TSE não pode inibir um movimento
que, apesar de ter começado no Rio, conta com o apoio da
maior parte dos magistrados responsáveis pelos tribunais
nos estados e da sociedade. Presidente do TRE do Rio Grande do Norte
e do colégio, o desembargador Cláudio Santos lembrou
que candidatos já foram diplomados na prisão. "Pre-cisamos
evitar isso, que é inaceitável".
Questionado se a divergência entre o TSE e os juí-zes
regionais não vai provocar uma batalha jurídica nas
eleições deste ano, Ayres Britto foi evasivo: "A
minha expectativa é de que as coisas sejam equacionadas com
bom senso". A resolução do Colégio também
determina que juízes e servidores da Justiça Eleitoral
facilitem o acesso aos processos eleitorais que dizem respeito aos
antecedentes dos pretendentes a candidaturas.

Democratas
pede que seja impetrada
uma ADIM contra o presidente Lula
Brasília (AE) - O senador Heráclito
Fortes (DEM-PI) pediu ontem (20) ao comando nacional de seu partido
e ao procurador-geral da República, Antônio Fernando
de Souza, que entrem com ação direta de inconstitucionalidade
(Adin) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por
não ter assegurado reajuste linear aos funcionários
públicos nos anos de 2004, 2006 e 2007. "Houve omissão
e descumprimento da lei", afirmou o senador, ao lembrar que
esse direito é garantido pela Constituição.
A decisão de não conceder aumento geral aos funcionários
públicos, preferindo reajustar salários seletivamente
por carreira, não é exclusividade do governo de Luiz
Inácio Lula da Silva. Também nos dois mandatos de
Fernando Henrique Cardoso, do qual fazia parte o PFL (agora DEM),
a prática de reajustes lineares havia sido abandonada. Tanto
que, em 1999, o PT e o PDT, entraram com Adin no Supremo Tribunal
Federal (STF), exigindo aumentos gerais para os funcionários.
A iniciativa tomada ontem por Heráclito Fortes repete o gesto
feito pela oposição em 1999.
Pela Constituição, a remuneração dos
servidores públicos deve ser fixada em lei, a ser proposta
pelo presidente da República, sempre na mesma data e sem
distinção de índices. Segundo o senador do
DEM, em 2004, o presidente Lula não tomou nenhuma iniciativa
em favor do reajuste geral dos salários, quando também
o STF indeferiu Adin apresentada pelo PSDB. À época,
o argumento do tribunal foi de que ainda restavam três meses
para que o presidente exercitasse o seu poder.
Em 2005, entretanto, Lula tomou a iniciativa de enviar ao Congresso
projeto reajustando em 0,1 % os salários dos servidores.
Mesmo essa providência não avançou, pois a proposta
continua engavetada na Câmara na Comissão de Finanças,
após ser aprovada em duas outras comissões.
"Depois disso não houve iniciativa de reajuste geral
para os anos de 2006, 2007 e até o momento para 2008 apesar
de o presidente Lula, então presidente de honra do PT, ter
sido um dos proponentes da Adin de 1999", ressaltou. O senador
informou também que Lula nomeou os advogados signatários
da petição para cargos no Planalto, se referindo aos
advogados Luiz Alberto dos Santos, lotado na Subchefia de Coordenação
Governamental da Casa Civil e Ronaldo Jorge Vieira Júnior,
na Advocacia-Geral da União.
A manifestação de Heráclito acontece um dia
depois do Congresso, em sessão conjunta, ter aprovado projeto
que abre crédito extraordinário no valor de R$ 7,56
bilhões do orçamento para o pagamento de reajuste
de funcionários. Mesmo assim, o senador não desistiu,
alegando que os recursos vão atender algumas categorias do
funcionalismo público. "Quero que o reajuste seja geral",
disse.
Tarso
Genro nega caráter político
para a operação João de Barro da PF
Brasília (AE) - O ministro da Justiça,
Tarso Genro, afirmou ontem (20) que a Operação João
de Barro, desencadeada pela Polícia Federal em sete estados
e no Distrito Federal, não teve caráter político
e apenas seguiu orientações técnicas de órgãos
da União Federal. Em entrevista no Ministério da Justiça,
Genro ressaltou que a operação seguiu o novo manual
da PF de não expor as pessoas acusadas de crimes. "Nós
gostaríamos de dizer que todas essas buscas, mandados de
prisão e o trabalho de investigação feito não
têm nenhuma destinação voltada a qualquer região
ou facção política. Ela obedece estritamente
o trabalho de órgãos técnicos da União
Federal", afirmou.
Tarso Genro disse que operações como a João
de Barro continuarão sendo realizadas pela Polícia
Federal. Segundo o ministro, as ações de hoje tiveram
por finalidade combater a lavagem de dinheiro em Santa Catarina
e São Paulo - o que envolveu o trabalho de 252 policiais
e 33 auditores fiscais; o combate ao narcotráfico em Mato
Grosso, onde um efetivo de 120 homens cumpriu 18 mandados de busca
e 24 prisões e o trabalho de combate à corrupção
em outros municípios do país, envolvendo mil policiais.
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