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MOSSORÓ (RN), SÁBADO, 21/06/2008 (ATUALIZADO: 02:27hs)
 
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Sou um colecionador
de saudades
Já disse e não foram poucas vezes, eu sei, da minha fixação em fotografia de aspectos antigos de qualquer cidade E não é de agora tal fixação, vem de tempos que minha memória não consegue precisar, de tão longe.De cidades antigas do Nordeste, mais. Me comunicam ao espírito, essas fotografias, um não sei quê em forma de uma paz física que também não sei dizer.
Terá isto a ver com esse meu gosto, também sem identidade no tempo e no espaço, por antiquários. Tanto assim que, morador do Recife, lá pelos idos de 50, eu não passava de frente a um antiquário que havia ali uma quadra adiante do Cine São Luís, que não entrasse para encher os olhos com aqueles móveis e outros objetos antigos, numa volúpia de imaginação repleta de ternura.
Pois se deu que hoje dei casualmente com os olhos num calendário que já prestou seu serviço (2007), desses de arrancar ou e de dobrar por cima as folhas presas em espiral, e logo me chamou a atenção dos olhos uma estampa de uma rua antiga, de cidade antiga, um tanto parecida com Mossoró. Não era. Embaixo da estampa, ou fotografia, os dizeres indicavam uma rua de Manaus por nome Barroso. .
Um casarão residencial, porta e janelas numa sucessão que direi romântica, entre prédios notoriamente comerciais, de um andar, na frente destes carroças encostadas para o carregamento de mercadorias. Homens de paletó, chapéu e bengala indo e vindo. Sim, não falei naquela fileira de árvores altas, copas caudalosas de sombra e sonoras de pássaros. Mas uma rua que bem estar em qualquer cidade antiga.
Passei as folhas do dito calendário, era a única fotografia da Manaus antiga. Já sem utilidade, e jogado aí, arranquei a folha daquela rua de outras eras, para dar-lhe lugar nos meus guardados. Sabe? Sou um colecionador de saudades postas em retratos da fisionomia antiga de qualquer que seja a cidade. Mas, confesso: acabo perdendo, um pouco pelo gosto antigo saciado, o outro pouco por descuido mesmo.

Saúde
A prefeita Fafá Rosado acaba de inaugurar mais uma unidade básica de saúde na cidade, agora a do Alto da Conceição, a que dá nome o médico cardiologista José Leão.

Livro
Editora de São Paulo, Capital, interessou-se em reunir em livro ensaios literários do poeta Leontino Filho, por iniciativa própria, e que em breve chega à praça. Poeta de linguagem atual, Leontino é também, por formação, um mestre da teoria da literatura.

Correção
Pensei "arremedo disso", na crônica de quinta, 19, e escrevi "arredo disso". Desculpem.

LINGUAGEM
TRAZER À BAILA ou TRAZER À BALHA. Leitor do Jornal de Fato quer saber qual das duas formas está correta. Sem dúvida nenhuma, ambas as duas estão corretas. Tanto faz. O que não se admite é a forma "bailha", que muitos empregam sem conhecimento de causa. Uma observação: numa e noutra forma, o "a" aparece com o acento indicativo da crase. Indispensável. Na verdade, o apuro na correção da linguagem diz muito, muitíssimo, da educação da pessoa, em qualquer parte do mundo.



       




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