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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS
ROBINSON
FARIA
Não
fizeram a
leitura da união de
Robinson e João Maia
Por:
JULIERME TORRES - Foto: FRED VERAS
Semana
passada, o deputado estadual Robinson Faria (PMN), presidente da
Assembléia Legislativa, esteve em Mossoró. Veio participar
da Expofruit, mas também teve compromissos políticos.
Anunciou seu apoio e, conseqüentemente, do ex-deputado Francisco
José à candidatura da deputada estadual Larissa Rosado
(PSB) à Prefeitura. O deputado não esconde que essa
decisão está ligada com 2010. Ele deixa claro que
não poderia apoiar a prefeita Fafá Rosado (DEM), na
medida que ela já tem compromisso com a senadora Rosalba
Ciarlini (DEM) para o Governo do Estado. Robinson também
fala sobre sua parceria com o deputado federal João Maia
(PR). Afirma que os dois formam um bloco novo, que terá a
maioria dos prefeitos e que vai definir a eleição
para o Senado.
JORNAL DE FATO - O PMN ainda não se pronunciou oficialmente
sobre seu rumo nas eleições de Mossoró. Afinal
de contas, o partido vai ficar com Fafá ou com Larissa?
ROBINSON FARIA - O PMN de Mossoró tomou a decisão
política de apoiar a deputada Larissa Rosado. Isso vinha
sendo conversado. Ela vinha conversando com a nossa militância,
com o deputado Francisco José e o seu filho, o vereador Silveirinha.
Houve a identificação. Eu respeitei muito esse sentimento
local. Em nenhum momento eu impus. Muito pelo contrário.
Eles mesmos evoluíram, e coincidiu com a afinidade, amizade
e identificação que eu tenho com a deputada Larissa,
que é uma companheira minha na Assembléia Legislativa.
Então, o PMN de Mossoró já tem uma posição
tomada. Toda a nossa militância vai acompanhar a deputada
Larissa Rosado.
LARISSA Rosado já fechou a chapa majoritária dela
com o PT. Esse entendimento passou apenas pela chapa proporcional?
PELA proporcional e também pela identificação
com a candidata. Eu acho que qualquer coisa fora disso é
detalhe. Em nenhum momento buscamos a indicação do
vice. Deixamos ela (Larissa) totalmente à vontade para compor
com um partido que somasse para sua vitória. O PMN não
buscou a indicação do vice. Ao contrário. Deixou
a deputada Larissa totalmente à vontade. Eu estive conversando
com o deputado Francisco José e o seu filho Silveirinha,
e já há uma sintonia entre eles.
ATÉ que ponto a governadora Wilma de Faria participou desse
entendimento?
A GOVERNADORA não participou desse entendimento. Foi
uma coisa nossa mesmo. Minha, da deputada Larissa e dos amigos aqui
de Mossoró.
EM suas entrevistas, o senhor sempre coloca uma palavra quando fala
de entendimentos para as eleições deste ano. Essa
palavra é reciprocidade. Entende-se que essa reciprocidade
seja para 2010. As deputadas Sandra e Larissa Rosado assumiram esse
compromisso?
ISSO não foi tratado especificamente. Mas a deputada Larissa,
assim como a deputada Sandra, estão muito identificadas com
a nossa caminhada. A deputada Larissa está em total sintonia
com o projeto do deputado Robinson Faria. Eu não pedi que
ela declarasse, nem vou pedir que amanhã ela declare no palanque
que eu sou o seu candidato a governador. Até porque ela faz
parte de um sistema que tem outros nomes, além do nome do
deputado Robinson Faria. Mas política é afinidade,
é parceria, é confiança, é amizade e
cumplicidade. E isso existe entre mim e as deputadas Larissa e Sandra
Rosado.
CREMOS que seja a primeira vez que o senhor fala tão abertamente
que busca ser candidato a governador?
EU SOU muito sincero, e acho que o povo está cansado
de ouvir os políticos esconderem os seus sentimentos, tergiversarem
e até terem um pouco de hipocrisia. Isso está ficando
cansativo para a população. Todo mundo sabe que o
grupo do deputado Robinson, os deputados que me acompanham, que
inclusive ultrapassam, transcendem os partidos que eu faço
parte. Você mesmo viu, domingo passado, o deputado José
Dias, que é líder do PMDB, dizer na entrevista ao
jornal O Poti, que o candidato dele a governador é Robinson
Faria. Eu tenho recebido manifestação de políticos
de diversos partidos. PMDB, PSB, Democratas. Sem falar dos partidos
que já são ligados diretamente a mim, quase que diariamente.
Isso motiva a pessoa. Eu não estou pedindo para ninguém
me lançar governador. Isso está acontecendo naturalmente.
Com isso, não quero dizer que eu sou um candidato forte não.
Está muito cedo para saber quem será o candidato forte
a governador. Dois anos e meio antes, é muito subjetivo você
falar que Robinson ou qualquer outro nome seja um candidato forte
a governador. Agora, política se constrói. E isso
é uma construção. Eu acho que essa construção
está acontecendo para o nosso nome de forma espontânea.
Eu não estou premeditando. Mas está acontecendo. A
imprensa é testemunha disso. A classe política é
testemunha disso. Então, é lógico que eu não
vou esconder que se eu chegar a me viabilizar, como o candidato
que vai agregar mais e que tenha também o sentimento popular,
porque sem isso também não pode. Não adianta
eu ser o candidato da governadora, Carlos Eduardo vir a me apoiar,
ter vários partidos e vários deputados, se não
tiver o sentimento de aprovação do meu nome. Eu serei
o primeiro a não aceitar. Mas, até agora, eu tenho
ido para cidades onde nunca fui votado para deputado estadual e
tenho encontrado palavras de incentivo.
A DEPUTADA Larissa vai enfrentar uma prefeita que é candidata
à reeleição, e que tem o apoio da senadora
Rosalba, que é inquestionavelmente a maior eleitora de Mossoró.
O senhor realmente vê viabilidade nesse projeto?
EU vejo a deputada Larissa como uma candidata que não
é de brincadeira não. É uma candidata com chance
real de vitória. Eu digo isso até sem querer ser um
conhecedor da política de Mossoró. Mas eu tenho visto
pesquisas em que já há uma posição de
equilíbrio. Eu fico até muito à vontade para
dizer isso porque estou baseado nas informações que
eu tenho recebido. Eu não estou todo dia em Mossoró.
Mas, o fato é que ela (Larissa) está muito motivada.
Eu tenho conversado também com a governadora Wilma de Faria,
e ela está apostando numa vitória de Larissa. Não
estou aqui subestimando. Até porque do outro lado tem uma
candidata que eu tenho muito respeito. Tenho hoje uma amizade particular
muito forte com o deputado Leonardo Nogueira, mas em política
a gente tem que ter um lado. Ninguém pode ter dois lados.
Não pode torcer pelo ABC e pelo América ao mesmo tempo.
E PELO Potiguar e Baraúnas, pode?
NEM pelo Potiguar e pelo Baraúnas ao mesmo tempo. Política
é assim. Amizades nós temos e queremos preservar.
Mas o grupo do deputado Leonardo Nogueira tem uma pré-candidata
ao Governo do Estado. Eu respeito, mas ele também respeita
a minha posição. Um respeita a posição
do outro.
O SENHOR fez um acordo com o deputado federal João Maia para
as eleições deste ano, e que pode avançar para
2010. Isso vai se manter firme?
FIRME. E esse é o fato mais novo na política do
Rio Grande do Norte. Até dias atrás, ninguém
imaginava a união do deputado Robinson com o deputado João
Maia. João Maia também é um pré-candidato
falado, com muita legitimidade, ao Governo do Estado. Ele também
não esconde. É como eu. Não esconde essa pretensão.
Está lutando por isso. Conversa com prefeitos nesse sentido.
Faz alianças nesse sentido. Ele tem buscado. É um
direito legítimo, pela votação que teve para
deputado federal em 2006. Foi o segundo mais votado. Construiu um
grande partido, que é o PR. É um nome que tem total
legitimidade para falar em um projeto majoritário. O interessante
é que ainda não foi feita a leitura real do que significa
essa parceria do deputado Robinson com o deputado João Maia.
Se você analisar hoje a militância dos partidos que
seguem a liderança de Robinson e João Maia, talvez
seja o maior partido do Rio Grande do Norte, somados. Vamos aguardar
a abertura das urnas. Mas quando for somado, agora em 2008, a quantidade
de partidos eleitos no PTB, PP, PMN e PR, talvez seja quase a metade,
ou mais da metade dos prefeitos eleitos em 2008. Isso demonstra
um fato novo. É um grupo novo que surgiu no Estado. Esse
grupo do deputado Robinson, em parceria com o deputado João
Maia.
MAS essa parceria sobrevive nos municípios? Por exemplo,
aqui em Mossoró o PR de João Maia tem deixado claro
que tem dificuldades para apoiar a deputada Larissa.
NÃO é obrigado, agora em 2008, estarmos juntos
em todos os palanques não. O que existe é um desejo
do deputado João Maia e do deputado Robinson Faria de estarmos
juntos agora e em 2010. Em Natal, por exemplo, vamos tomar uma decisão
juntos. Seja qual for a decisão, estaremos juntos.
ENTÃO, essa decisão conjunta de Natal não tem
reflexo em Mossoró?
PODEREMOS discutir. Ainda não há nada definido,
mas poderá acontecer essa união também em Mossoró.
Onde puder vamos tentar convergir. Mas é lógico que
em algumas cidades não será possível. Em Ceará-Mirim,
por exemplo, eu tenho uma relação de amizade com o
senador Geraldo Melo, que tem dito que tem uma simpatia com o meu
projeto para 2010. A sua esposa (Edinólia Melo), que é
prefeita, votou no meu filho Fábio Faria para deputado federal.
Agora eu vou retribuir. O deputado João Maia teve o apoio
do candidato Peixoto, que será candidato novamente. Ele respeita
minha posição e eu respeito a dele. Onde puder haver
convergência, vamos convergir. Agora, o que importa é
que na política do Rio Grande do Norte temos um fato novo,
que é essa parceria.
JÁ que o senhor garante que será uma decisão
conjunta em Natal, seria possível antecipar para o leitor
qual será essa decisão?
INFELIZMENTE, não vou ter como lhe dar esse furo porque
eu não tenho uma decisão tomada. Natal, hoje, é
um quadro de muita complexidade. E tem uma coisa muito importante
para mim, que é essa aliança de muito respeito, lealdade
e gratidão que eu tenho com a governadora Wilma de Faria.
Eu discordei da forma como foi feito, apressado, esse acordo de
Natal. Eu não participei, João Maia também
não participou desse palanque que foi formado em Natal. Mas,
isso não vai desmerecer a confiança que eu tenho na
governadora. Nós temos uma aliança estadual e que
vem dando certo. E ela (Wilma) sabe que o grupo do deputado Robinson,
juntamente com João Maia, as lideranças jovens que
ela apostou, foi que garantiram a sua vitória. Isso não
vai se arranhar por conta de uma atitude isolada na eleição
de Natal. Eu estou tentando entender qual foi o motivo que levou
ela (Wilma) a tomar essa decisão. Por outro lado, a deputada
Micarla também tem uma amizade pessoal comigo. É minha
colega na Assembléia, é uma liderança jovem
e uma pessoa que tenho maior carinho. Vamos ver a melhor forma de
harmonizar esse grupo. Hoje, o PP em Natal tem mais de 40 candidatos
a vereador. Esse grupo todo aposta em meu projeto em 2010 e confia
na minha decisão em Natal. Eu não posso errar na decisão
de Natal. Não posso pensar só em mim. Tenho que pensar
neles, que estão com a eleição em jogo.
ESSE grupo que segue sua liderança em Natal tem preferência
por Micarla? Existe isso?
EXISTE. Existe. Não digo a maioria, mas uma parte boa
tem preferência pela deputada Micarla. Nada pessoal contra
a candidata Fátima. Mas discordaram da forma como foi feito
o acordo. Agora, todo esse grupo sabe da minha amizade e confiança
na palavra da governadora Wilma de Faria. Que não merece
questionamento. Ela tem sido correta conosco. É uma pessoa
que incentiva meu nome na política. Não quer dizer
que ela já tenha escolhido meu nome como candidato a governador.
Mas tem me incentivado para que eu vá adiante. Ela tem apostado
no meu projeto. Ela não disse de forma categórica
que eu sou o candidato dela a governador, mas tem me incentivado
para que eu busque isso.
NUMA entrevista que fizemos com o deputado João Maia, ele
disse que da forma como aconteceu o acordo de Natal, ficou parecendo
que existem duas bases do governo. Uma tipo "A" e outra
tipo "B". O senhor concorda?
REALMENTE houve um erro. Esse erro é normal. Aqui e acolá,
a política leva as pessoas a tomar decisões apressadas.
Isso pode acontecer com qualquer um. Mas, numa parceria não
se pode querer que tudo seja 100% de acerto. O líder ou o
liderado pode cometer um erro de estratégia. Mas, não
podemos condenar por uma decisão apressada. A governadora
achou que era bom para o Estado, porque iria unir a base de Lula.
Ela tem suas razões. Podemos até não concordar
com elas, mas ela tem suas razões que considera legítimas.
Ela acha que foi um apelo de Lula, a união da base de Lula
em Brasília. Tudo isso ela levou em consideração.
É um sentimento dela, que não é obrigado a
ser nosso. Mas nem vai diminuir o nosso respeito à liderança
da governadora Wilma de Faria.
HOJE, a deputada Micarla de Souza conta apenas com o apoio do senador
José Agripino. Caso o senhor e o deputado João Maia
optem pelo apoio a Micarla, estaria se configurando para 2010 o
bloco com Robinson, João e Agripino?
NINGUÉM trabalhou nesse sentido. Estamos cuidando de
Natal, como o caso de Natal. Agora, o que estamos vislumbrando como
bloco novo para 2010 é esse entre João Maia com o
deputado Robinson Faria. Essa é uma conversa nossa aberta.
Porque Zé Agripino conversa comigo, mas tem uma conversa
também com o senador Garibaldi Filho (PMDB). Ele tem conversa
com vários grupos. A minha posição é
mais clara. Eu tenho hoje um compromisso primeiro, que antecede
a todos, com a governadora Wilma de Faria. Esse é inquestionável.
O segundo aspecto é essa aliança com o deputado João
Maia. Eu sei do projeto dele, ele sabe do meu, e queremos construir
juntos essa caminhada. Os demais atores serão aqueles que
estiverem conosco com reciprocidade. Será que João
Maia e Robinson só servem para ser eleitor, e não
servem para ser votados? Nós só servimos para votar
neles? Por que eles não podem votar em nós? Eu acho
que esse grupo do deputado Robinson com João Maia pode definir
a eleição do Senado. Os dois senadores. Isso vai ser
provado matematicamente. Nós estaremos no palanque daqueles
que tiverem compromisso conosco.
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