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NO GOVERNO
Economistas
esperam redução de gastos
Iniciativas para conter a velocidade de expansão
do volume de crédito e a queda nos gastos governamentais
são esperadas por economistas como acompanhamentos necessários
à alta da Selic para domar a inflação nos próximos
meses. Para especialistas ouvidos pela Agência Estado, o Banco
Central (BC) não dispõe, no momento, de muitas alternativas
no cardápio de opções para reduzir o ritmo
de crescimento na demanda doméstica do País e afastar
o fantasma do descontrole inflacionário.
No momento em que os automóveis são financiados em
72 meses e o prazo médio para operações de
crédito à pessoa física chega a 457 dias -
em janeiro do ano passado não ultrapassava 374 dias -, o
ex-diretor de política monetária do Banco Central
e chefe do departamento de economia da Confederação
Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, lembra
que "o BC tem alternativas para que os bancos possam conceder
menos crédito".
A melhor opção na atual conjuntura econômica,
segundo ele, é uma via de mão dupla que inclui, juntas
ou separadas, as exigências de maiores provisões dos
bancos para a concessão de crédito e elevação
da exigência de capital para as instituições
financeiras que operam com crédito.
As duas iniciativas, segundo ele, diminuiriam a oferta de crédito
por parte dos bancos sem onerar mais os consumidores. A outra possibilidade
do BC intervir na concessão de crédito, que consiste
na elevação do compulsório, é considerada
por ele como retrocesso porque aumentaria o spread bancário
e poderia elevar a inadimplência. "Essa iniciativa rebateria
direto no consumidor, enquanto as provisões e a exigência
de capital afetam os bancos", disse, acrescentando que "o
aumento do compulsório já é um instrumento
defasado de política monetária".
Como a exigência de capital está sempre vinculada aos
prazos de financiamento, Thadeu de Freitas acredita que essa seria
uma solução eficaz para reduzir a velocidade com que
está ocorrendo o alongamento dos prazos, apesar da alta na
Selic. Ele lembra que em 2004, quanto teve início a trajetória
anterior de elevação dos juros, os prazos ficaram
imediatamente estagnados e agora continuam subindo, porque a liquidez
no mercado é muito mais ampla.
O economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-RJ, acredita que medidas
adicionais de controle da expansão do crédito surtiriam
importante efeito sobre a demanda, mas acredita que é difícil,
até mesmo para os especialistas do BC, definir qual seria
a iniciativa mais eficaz no momento, já que a cultura do
crédito é recente no Brasil.
Cunha admite que medidas de contenção do crédito
podem ser importantes, mas descarta o aumento do compulsório,
que segundo ele já é muito alto no País. Para
ele, a melhor companhia para a continuidade de elevação
da Selic é um compromisso efetivo, "um sinal concreto",
de elevação do superávit primário.
Segundo Cunha, este ano as contas públicas não preocupam,
mas no ano que vem a situação estará mais complicada,
já que o aumento do salário mínimo será
significativo - já que este está vinculado ao INPC,
cuja variação ele espera que possa chegar a 8% em
2008, acima do IPCA - e, com a desaceleração na expansão
da economia, haverá também um patamar menor de crescimento
da arrecadação do que vem sendo registrado este ano.
Ambas as variáveis têm efeito significativo sobre os
gastos do governo.
Indústria
defende apoio ao setor agrícola
O coordenador do departamento de Economia da
Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação
(Abia), Denis Ribeiro, defendeu ontem que o governo apóie
o setor produtivo. "Tudo gira em torno do alimento, tem que
trabalhar em conjunto com a produção agrícola
que é o básico", disse ao comentar o anúncio
feito na quinta-feira pelo ministro da Agricultura Reinhold Stephanes
de que os investimentos do Plano Agrícola passarão
de R$ 58 bilhões para R$ 65 bilhões, na safra 2008/2009.
"Quando o governo reconhece que há uma inflação
mundial de alimentos e que isso ocorre também no Brasil,
sabe que uma parte (da inflação) é nossa, mas
boa parte é problema de inflação importada.
A inflação importada vem do petróleo que pega
o fertilizante, e nós dependemos de fertilizante importado.
Isso aumenta o custo de produção", explicou.
Segundo Denis Ribeiro, houve também problemas com a cotação
de commodities agrícolas e minerais por parte da demanda.
Do lado da oferta, ele avaliou que houve inflação
importada, principalmente, dos EUA com o desvio do etanol derivado
do milho o que fez com que os preços explodissem e repercutissem
nos derivados.
Ribeiro reforçou que há um problema de desbalanceamento
de oferta e procura da produção agrícola, com
baixos estoques mundiais de grãos, o que fará com
os preços se mantenham altos por quatro ou cinco anos.
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