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MOSSORÓ (RN), SÁBADO, 21/06/2008 (ATUALIZADO: 02:27hs)
 
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» Economistas esperam redução de gastos
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NO GOVERNO
Economistas esperam redução de gastos
Iniciativas para conter a velocidade de expansão do volume de crédito e a queda nos gastos governamentais são esperadas por economistas como acompanhamentos necessários à alta da Selic para domar a inflação nos próximos meses. Para especialistas ouvidos pela Agência Estado, o Banco Central (BC) não dispõe, no momento, de muitas alternativas no cardápio de opções para reduzir o ritmo de crescimento na demanda doméstica do País e afastar o fantasma do descontrole inflacionário.
No momento em que os automóveis são financiados em 72 meses e o prazo médio para operações de crédito à pessoa física chega a 457 dias - em janeiro do ano passado não ultrapassava 374 dias -, o ex-diretor de política monetária do Banco Central e chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, lembra que "o BC tem alternativas para que os bancos possam conceder menos crédito".
A melhor opção na atual conjuntura econômica, segundo ele, é uma via de mão dupla que inclui, juntas ou separadas, as exigências de maiores provisões dos bancos para a concessão de crédito e elevação da exigência de capital para as instituições financeiras que operam com crédito.
As duas iniciativas, segundo ele, diminuiriam a oferta de crédito por parte dos bancos sem onerar mais os consumidores. A outra possibilidade do BC intervir na concessão de crédito, que consiste na elevação do compulsório, é considerada por ele como retrocesso porque aumentaria o spread bancário e poderia elevar a inadimplência. "Essa iniciativa rebateria direto no consumidor, enquanto as provisões e a exigência de capital afetam os bancos", disse, acrescentando que "o aumento do compulsório já é um instrumento defasado de política monetária".
Como a exigência de capital está sempre vinculada aos prazos de financiamento, Thadeu de Freitas acredita que essa seria uma solução eficaz para reduzir a velocidade com que está ocorrendo o alongamento dos prazos, apesar da alta na Selic. Ele lembra que em 2004, quanto teve início a trajetória anterior de elevação dos juros, os prazos ficaram imediatamente estagnados e agora continuam subindo, porque a liquidez no mercado é muito mais ampla.
O economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-RJ, acredita que medidas adicionais de controle da expansão do crédito surtiriam importante efeito sobre a demanda, mas acredita que é difícil, até mesmo para os especialistas do BC, definir qual seria a iniciativa mais eficaz no momento, já que a cultura do crédito é recente no Brasil.
Cunha admite que medidas de contenção do crédito podem ser importantes, mas descarta o aumento do compulsório, que segundo ele já é muito alto no País. Para ele, a melhor companhia para a continuidade de elevação da Selic é um compromisso efetivo, "um sinal concreto", de elevação do superávit primário.
Segundo Cunha, este ano as contas públicas não preocupam, mas no ano que vem a situação estará mais complicada, já que o aumento do salário mínimo será significativo - já que este está vinculado ao INPC, cuja variação ele espera que possa chegar a 8% em 2008, acima do IPCA - e, com a desaceleração na expansão da economia, haverá também um patamar menor de crescimento da arrecadação do que vem sendo registrado este ano. Ambas as variáveis têm efeito significativo sobre os gastos do governo.

Indústria defende apoio ao setor agrícola
O coordenador do departamento de Economia da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia), Denis Ribeiro, defendeu ontem que o governo apóie o setor produtivo. "Tudo gira em torno do alimento, tem que trabalhar em conjunto com a produção agrícola que é o básico", disse ao comentar o anúncio feito na quinta-feira pelo ministro da Agricultura Reinhold Stephanes de que os investimentos do Plano Agrícola passarão de R$ 58 bilhões para R$ 65 bilhões, na safra 2008/2009.
"Quando o governo reconhece que há uma inflação mundial de alimentos e que isso ocorre também no Brasil, sabe que uma parte (da inflação) é nossa, mas boa parte é problema de inflação importada. A inflação importada vem do petróleo que pega o fertilizante, e nós dependemos de fertilizante importado. Isso aumenta o custo de produção", explicou.
Segundo Denis Ribeiro, houve também problemas com a cotação de commodities agrícolas e minerais por parte da demanda. Do lado da oferta, ele avaliou que houve inflação importada, principalmente, dos EUA com o desvio do etanol derivado do milho o que fez com que os preços explodissem e repercutissem nos derivados.
Ribeiro reforçou que há um problema de desbalanceamento de oferta e procura da produção agrícola, com baixos estoques mundiais de grãos, o que fará com os preços se mantenham altos por quatro ou cinco anos.



       
 




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