

IRREGULARIDADE
Criação
de vagas é ilegal, afirma juiz
Andrey Ricardo
Da Redação
O decreto estadual assinado pela governadora Wilma de Faria, no
dia 12 de março deste ano, que modifica o sistema prisional
estadual, aumentando a sua capacidade em 29% não tem valor
jurídico e é ilegal, de acordo com o juiz Kennedy
de Oliveira Braga, Corregedor do Sistema Penitenciário Estadual
no Rio Grande do Norte. Ele explica que o decreto não tem
valor porque existe uma Lei, de caráter Federal, onde é
exigida a perícia de um órgão federal, que
irá definir a quantidade de novas vagas criadas naquele presídio.
O decreto anterior, assinado no dia 29 de outubro de 2004, afirma
que o RN pode abrigar 2.202 (dois mil, duzentos e dois presos).
Mas neste último, a capacidade foi modificada e estaria com
604 vagas a mais, ou seja, subiu para 2.846 (dois mil, oitocentos
e quarenta e seis). Para o juiz corregedor do Estado, Kennedy de
Oliveira, a nova medida foi criada para tentar escapar de uma outra
determinação do juiz da vara da Fazenda, que obrigou
o Governo do Estado a esvaziar as delegacias. "O juiz mandou
retirar os presos e agora eles estão assim. Ou constroem
presídios, ou soltam", declara.
O juiz corregedor explica que o decreto é irregular porque
o Governo, ao realizar obras nas unidades prisionais, como fez Alcaçuz,
que teve uma de suas alas desativadas e passou a ser utilizada como
carceragem, o Departamento Penitenciário Nacional (DEPEM)
deveria ter sido acionado para fazer uma perícia e estipular
o número de vagas criadas naquele espaço. "Esse
decreto assinado pela governadora não tem nenhum valor. Ela
pode criar dez mil vagas, que não serve", explica Kennedy,
ressaltando que o Governo está esquecendo da Lei Federal
de número 7.210, que regulariza tais mudanças.
"Esse decreto não tem valor jurídico. Não
é o Governo do Estado que diz o número de vagas. É
o Departamento Penitenciário Nacional", diz o juiz,
citando o caso de Alcaçuz, que foi reformado e, segundo o
Governo, foram criadas novas vagas para presos condenados. "Eles
(o Governo) acabaram com o departamento médico e disseram
que aumentou o número de vagas, como se fosse surtir efeito",
ironiza o juiz Kennedy de Oliveira, lembrando ainda que existe uma
outra lei que regulariza a situação dos presos. "É
por isso que há um órgão federal pra fazer
a inspeção", esclarece.
No caso das duas unidades prisionais de Mossoró, a Cadeia
Pública Juiz Manoel Onofre Lopes e o Complexo Penal Agrícola
Doutor Mário Negócios, as vagas surgiram, mas não
houve reformas nos prédios - o que é mais grave. A
cadeia foi criada há pouco mais de seis anos e deveria abrigar,
no máximo, 86 presos, mas está com 212. Mesmo depois
do novo decreto, a quantidade de presos ainda estaria longe do estipulado.
O número máximo subiu para 142. No complexo penal,
eram 184 apenados no regime fechado e 200 no semi-aberto. Agora,
são 200 e 300 vagas.
Ontem à tarde, o DE FATO tentou manter contato com o Secretário
Estadual de Justiça e Cidadania, Leonardo Arruda Câmara,
e o capitão José Deques, coordenador de administração
penitenciária no Estado, para comentar sobre a matéria,
mas nenhum dos dois foi localizado. Uma secretária de Leonardo
atendeu a ligação por duas vezes e disse que ele estava
ocupado e que depois retornaria (o que não houve). Já
José Deques, estava com o telefone celular desligado.
Juiz
pede punição para responsáveis
O Secretário Estadual de Justiça e Cidadania, Leonardo
Arruda Câmara, e o capitão José Deques, coordenador
de administração Penitenciária no Estado, José
Deques Alves, devem ser investigados pelo Ministério Público
Estadual sob suspeita de praticar abuso de autoridade no exercício
das suas funções. A denúncia foi realizada
pelo juiz criminal de Nísia Floresta, Marcos Vinícius
Pereira Júnior. Ele enviou uma documentação
ao MPE, onde recomenda a abertura de uma investigação
contra os dois.
Segundo Marcos Vinícius, Leonardo Arruda e José Deques
são responsáveis pelo encarceramento de 39 presos,
entre provisórios e dos regimes aberto e semi-aberto, que
estão na Penitenciária Estadual de Alcaçuz,
em Nísia Floresta. Ele ressalta que a unidade é apenas
para presos que foram julgados e condenados e que devem permanecer
no regime fechado, enfatizando que a unidade não tem autorização
para receber detentos em situação diferente desta.
Ainda de acordo com o relatório do juiz Marcos, José
Deques e Leonardo Arruda são acusados também de colocar
presos a mais dentro do sistema carcerário. Então,
além de orientar o MPE a investigar tais irregularidades,
o juiz ainda encaminhou cópias deste relatório ao
Governo do Estado do Rio Grande do Norte, solicitando algum tipo
de punição administrativa para os dois responsáveis
pelo sistema carcerário no Estado.
O pedido de punição contra os dois principais administradores
do sistema carcerário do Estado foi anunciado ontem pelo
juiz, após audiência com o corregedor geral de Justiça,
desembargador Cristóvam Praxedes, na qual também participaram
o juiz corregedor especialmente encarregado de fiscalizar o sistema,
Kennedy Braga, e o juiz de Execuções Penais de Parnamirim,
Eduardo Feld.
Para o corregedor Cristóvam Praxedes, a Justiça "precisa
dar um basta ao caos" que se estabeleceu no sistema prisional.
Ele enfatiza que "não haverá mais tolerância
em relação a abusos de autoridade". "Quem
tiver a responsabilidade sobre o que está acontecendo no
sistema carcerário terá que responder pela situação
a qual ele se encontra", ressalta Praxedes.
Três
veículos batem na BR-304 e uma pessoa termina gravemente
ferida
Três
veículos - dois grandes e um de pequeno porte - se envolveram
em um acidente no fim da manhã de ontem, e uma pessoa se
feriu e, até o fechamento, seu estado de saúde era
considerado grave. A ocorrência foi registrada na BR-304,
por volta das 12h, no trevo que dá acesso à fábrica
de cimento Itapetinga, situada na zona sul da cidade. O carro de
menor porte, um Fiat Pálio, atravessou a BR-304 e não
deu atenção à sinalização, que
dava preferência aos motoristas da rodovia federal. A carreta
se chocou com o Pálio, perdeu o controle e bateu na caçamba,
que vinha em sentido contrário.
De acordo com as pessoas que testemunharam o acidente, o paulista
Ricardo Felipe Armot, 36 anos, dirigia um Fiat Pálio de cor
prata e placas HYP - 1502, Mossoró. Ele cruzou a BR-304 (ele
vinha em sentido contrário à fábrica de cimento)
e acabou sendo colhido por uma carreta de cor branca e placas NDI
- 0679, Vilhena, Roraima, que pertence à Companhia Distribuidora
de Gás Natural (CDGN), que seguia pela BR no sentido Mossoró
à Fortaleza. Do outro lado, vinha uma Caçamba de cor
branca e placa HVW - 1310, Mossoró, que acabou se chocando
com a carreta.
Suspeitos
são soltos e recebem proteção
Natal
- Os seis suspeitos soltos ontem por ordem judicial deixaram a sede
da PF, em Lagoa Nova, pelos fundos, num procedimento atípico
e que surpreendeu os mais experientes agentes da instituição.
Tudo foi feito de forma a evitar o contato deles com a imprensa.
A PF montou todo um esquema para que os suspeitos deixassem a sede
com privacidade.
Primeiro, a PF permitiu que os advogados e parentes estacionassem
os carros no subsolo do prédio - numa área restrita
apenas a funcionários. A imprensa, que só tinha autorização
para permanecer na recepção, percebeu a manobra, mas
não foi autorizada a ir ao subsolo.
Do outro lado da PF, por cima de um muro, foi possível ver
os acusados sendo recebidos com abraços pelos advogados e
os poucos parentes. Depois, os seis embarcaram nos veículos
com vidros escuros - um deles modelo de luxo, novo e ainda sem placa
- e deixaram a PF pelo portão dos fundos, no acesso da Associação
dos Policiais Federais.
Nenhum policial federal comentou a soltura dos suspeitos. Até
ontem, a PF tinha se pronunciado apenas em uma entrevista coletiva,
na manhã de sexta-feira, em que sequer foi confirmada a identidade
dos presos.
MEDIDA
A governadora Wilma de Faria deverá afastar os servidores
estaduais envolvidos na Operação Hígia. Em
pronunciamento no final da manhã de ontem, o secretário
de Comunicação Social, Rubens Lemos Filho, afirmou
que a atitude deverá ser tomada assim que ela "julgar
necessário", para que os funcionários públicos
possam "se dedicar de forma integral às suas defesas",
no processo que investiga supostas fraudes em contratos de terceirização
da Secretaria Estadual de Saúde.
O secretário afirmou que Wilma de Faria recebeu com extrema
alegria a notícia de que seu filho, Lauro Maia, havia obtido
o habeas corpus, na manhã de ontem. "A governadora,
logicamente como mãe, ficou extremamente emocionada, feliz
em saber que seu filho está livre", afirmou. Segundo
Rubens Lemos, ela não contestou qualquer dos procedimentos
efetuados nos últimos dias, mas classificou esse período
de "extremamente dramático e difícil para a governadora".
Através de seu secretário, Wilma de Faria agradeceu
a todos os que torceram pela libertação de Lauro Maia.
"Ela está extremamente grata, desde seus amigos mais
próximos, até àquelas pessoas anônimas
que sempre a acompanharam", destacou o secretário. Ele
declarou ainda que o governo não tem nenhuma crítica
ao trabalho da imprensa, porém com ressalvas: "Da mesma
maneira, o governo espera que os acontecimentos de hoje sejam noticiados
com o mesmo destaque dos acontecimentos da última sexta-feira
(quando foi deflagrada a operação)".
(Com informações da Tribuna do Norte)
Seis
presos acusados de tráfico
A
polícia efetuou a prisão em flagrante de seis pessoas
em Caiçara do Norte por tráfico de drogas, desde o
último dia dezessete de maio até dezessete deste mês,
entre eles dois casais. São eles: João Luiz Borges
de Lima, 21 anos, mais conhecido por "ciclone", João
Maria de Oliveira Torres, 22, e os casais Francinildo Matias da
Silva, 21, e Claudiane Batista da Silva, 21, e, Francisco Wellington
Torres Gomes, "Moréia", 23, e Darivânia Silva
Costa, 25.
Todos negam as acusações e confessam que são
apenas viciados. Um deles, "ciclone", preso no dia 17
de maio, acusa a polícia de ter forjado o flagrante. Com
Darivânia, presa com o marido no dia 17 de junho, foi apreendido
50 gramas de maconha e R$ 1.994 em espécie que estavam escondidos
dentro de suas vestes. Ela alega que havia comprado a droga para
sustentar o vício do marido. Já com o outro casal,
Francinildo e Claudiane, presos em 14 de junho, foram apreendidos
um pacote de maconha e quatro trouxinhas de crack. João Maria,
preso no dia 25 de maio, estava de posse de 60 pedras de crack e
dois blocos de pedra da droga.
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