

DECISÃO
TREs
vão analisar passado de políticos
Os presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais
(TREs) dos 27 Estados da Federação decidiram, ontem,
manter a orientação para que se aumente o rigor na
hora de analisar o pedido de registro de candidatura de políticos
com a 'ficha suja'. A decisão vai de encontro ao que foi
deliberado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quanto ao direito
de políticos que respondem a processos serem candidatos.
A decisão do TSE, por quatro votos contra três, que
o político tem direito de continuar se candidatando, mesmo
que responda a processos na Justiça. O entendimento da corte
é que prevalece a regra constitucional da presunção
da inocência. O acusado é considerado inocente até
que tenha sido condenado em última instância.
"Não será pela decisão do TSE que vamos
arrefecer na defesa da moralidade pública", afirmou
o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte,
desembargador Cláudio Santos. Ele participou do 41º
Encontro do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais
Eleitorais, da qual é presidente. O evento prossegue até
hoje, no Rio de Janeiro.
Durante a abertura do evento foi aprovado o entendimento de todos
os presidentes de TREs. A orientação é para
que os juízes eleitorais sejam rigorosos com os candidatos
que tem a ficha suja, independente do processo ter sido ou não
julgado em última instância.
Alguns presidentes de TREs aproveitara o encontro para testemunhar
que a população tem parabenizado a Justiça
Eleitoral, por estar liderando a cruzada pela moralização
da política. A assessoria de imprensa do TRE-RN informou
que as pessoas vêm pedindo para que os políticos corruptos
não sejam mais candidatos.
Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do TRE
do Rio de Janeiro, desembargador Roberto Wider, o tribunal fluminense
vai rejeitar todos os registros de candidaturas de políticos
que tenham a ficha criminal comprometida. O magistrado deixou claro
que o candidato poderá até recorrer ao TSE e reconquistar
o direito de se candidatar. "Nesse caso, o eleitor já
estará alertado sobre a situação do candidato.
Caberá apenas a ele decidir", afirmou.
Wilder disse que os juízes eleitorais terão bom senso
na hora de analisar a vida pregressa dos candidatos. Caberá
ao juiz, em primeira instância, avaliar se o crime ao qual
o candidato responde judicialmente é suficiente para comprometer
sua vida pública. Ele citou o exemplo de um acidente simples
de trânsito, para mostrar um caso que não teria influência
na avaliação, e o de desvio de recursos públicos,
furto e homicídio, como casos que justificariam a negativa
do registro.
O desembargador reconheceu que não existe uma lei específica
que defina esses critérios para impugnação
de uma candidatura. No entanto, Wilder alertou que a Justiça
não pode se eximir da responsabilidade. Ele afirmou que o
Judiciário deve se basear no princípio da moralidade
da administração pública, que é garantido
pela Constituição.
Cláudio Santos reafirmou também na Agência Brasil,
que é favorável a atuação da Justiça
para tornar candidatos inelegíveis, a partir da avaliação
da vida pregressa. No entanto, ele se mostrou contra uma outra corrente
que vem ganhando força na Justiça Eleitoral, que é
a da divulgação dos processos que correm contra os
candidatos.
Um dos líderes dessa corrente que prega a divulgação
dos processos que correm contra os candidatos, é o próprio
presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto. Ontem, Britto afirmou
que está estudando uma forma de viabilizar essa divulgação.
Para Cláudio Santos, esse papel não caberia à
Justiça Eleitoral, mas sim aos partidos políticos
e à sociedade civil.
Presidente
do PPS diz que Garibaldi e Agripino não cumpriram a palavra
O presidente do diretório do Partido
Popular Socialista (PPS) em Mossoró, Wellington Barreto,
criticou os senadores José Agripino Maia (DEM) e Garibaldi
Alves Filho (PMDB) pela decisão de engavetar, no Senado Federal,
a Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
A matéria criava oito mil novas vagas de vereador em todo
o Brasil.
"Eles quebraram a palavra", afirmou Barreto, durante participação,
ontem, no programa Cenário Político, da TV Cabo Mossoró
(TCM). O dirigente lembrou que Garibaldi Filho, na condição
de presidente do Senado, e José Agripino, como líder
da oposição, garantiram que a matéria teria
tramitação célebre.
Com o engavetamento da Pec, Mossoró continuará tendo
apenas 13 vagas na Câmara Municipal. Se a matéria tivesse
sido aprovada pelos senadores, o legislativo da cidade saltaria
para 21 lugares no plenário. Wellington Barreto avaliou que
essa situação dificultou a condição
para os pequenos partidos.
No caso do PPS, Wellington Barreto disse que será formada
uma aliança com outros dois partidos pequenos. A sigla estará
coligada com o PSC, controlado pelo deputado federal Betinho Rosado
(DEM) e com o PV que é comandado pela prefeita Fafá
Rosado (DEM), através do secretário da Cidadania,
Francisco Carlos Carvalho de Melo.
Através da união dos três partidos, Wellington
acredita que conseguirá apresentar uma chapa com 26 candidatos
a vereador. Assim, a idéia é que se consiga eleger
pelo menos um representante para a Câmara Municipal de Mossoró.
Na eleição de 2004, o PPS apresentou dez candidatos
a vereador, e recebeu 3.292 votos.
MAJORITÁRIA
Quanto a chapa majoritária, Wellington admitiu que seu partido
é ideologicamente distante do Democratas. Mesmo assim, o
PPS vai apoiar a reeleição da prefeita Fafá
Rosado (DEM). Ele disse que essa decisão se justifica pela
aliança histórica que o partido tem com o grupo político
liderado pela senadora Rosalba Ciarlini (DEM). "Estamos com
esse grupo desde 1988", justificou.

Sérgio
Guerra fecha acordo e tenta amenizar racha no PSDB de São
Paulo
São Paulo (AE) - O senador Sérgio
Guerra (PE), presidente nacional do PSDB, conseguiu um acordo que
dispensa os anéis, mas preserva os dedos do tucanato paulista
na sucessão municipal. No final da tarde de ontem (19), ele
conseguiu um compromisso dos dois lados tucanos que se enfrentam
na eleição municipal paulistana: domingo, a convenção
do PSDB terá duas chapas para prefeito e uma chapa única
para vereador.
A definição do candidato majoritário - se o
ex-governador Geraldo Alckmin ou o prefeito Gilberto Kassab - será
no voto. "Estabelecemos um padrão de convivência
até a convenção e depois dela", afirmou
o cansado Guerra ontem à noite, a caminho do Recife. "Os
conflitos foram desarmados e a convenção vai acontecer
de forma civilizada", gabou-se. Guerra passou dois dias em
São Paulo tentando quebrar a resistência dos dois lados
e sua missão esteve a pique de fracassar na véspera.
O acordo foi obtido numa reunião, já no final da tarde
de hoje, que contou com um grupo de vereadores e o secretário
Walter Feldman, pelo lado kassabista, e os deputados Edson Aparecido
e Júlio Semeghini, aliados de Alckmin, além do presidente
estadual do PSDB, deputado Mendes Thame. Quem acabou cedendo foi
o grupo alckmista, que defendia, desde o início da crise,
uma só chapa, incluindo o nome de Alckmin e dos candidatos
do partido a vereador. Onze dos 12 vereadores do PSDB na capital
queriam que houvesse duas chapas majoritárias e uma só
chapa de vereadores, que seriam registradas em separado no partido.
Todos perdem
Em São Paulo, Guerra não parou. Além de sucessivas
reuniões, falou muitas vezes ao telefone com o governador
José Serra, com o candidato Geraldo Alckmin e com o presidente
municipal do PSDB, o secretário de Relações
Internacionais do governo Serra, José Henrique Lobo. A todos,
repetia a mesma cantilena: do jeito que está todos perderão.
A falta de um acordo, dizia a todo instante, prejudicará
Alckmin e os candidatos a vereador.
O acordo é inédito na história do PSDB, acostumado
a decisões pouco conflituosas e a nunca promover disputas
abertas nas convenções. Ontem à noite, ninguém
estava feliz dos dois lados em disputa, mas todos se mostravam aliviados
pelo alcance do "mal menor". Cedo, os kassabistas diziam
que a culpa de tudo era de Lobo, que teria administrado a disputa
com dureza. O vereador Gilberto Natalini, que apóia Kassab,
disse que Lobo conduziu a questão de forma "fascista"
e Lobo rebateu que a acusação é paradoxal,
"vindo de um homem com larga militância no PC do B".
Chocado com um impasse incomum em sua história, o PSDB paulista
estava perplexo pela impossibilidade de um acordo, afinal conseguido
por Guerra. O que mais aturdia os tucanos era o desgaste inevitável
que a crise sinalizava para Alckmin e, mais ainda, para Serra, que
já está numa situação difícil
com as duas candidaturas e ficaria mais constrangido com uma guerra
interna.
Senado
entra em recesso branco e vota projetos no mês de julho
Brasília (AE) - O Senado vai entrar
em recesso branco na próxima semana e só retomará
as votações no plenário no dia 1 º de
julho. A decisão foi anunciada ontem (19) pelo presidente
do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), depois de ter sido tomada
anteontem em reunião com todos os líderes partidários.
Além das festas juninas no Nordeste, que mobilizam os políticos,
Garibaldi ressaltou que os senadores estarão envolvidos também
nas negociações políticas por conta das convenções
municipais.
"Os líderes concluíram que haverá dificuldade
de quorum e, por isso, as votações foram transferidas
para 1º de julho", disse. O período de maior movimentação
em torno das convenções municipais que escolherão
os candidatos a prefeitos será de 27 a 30 de junho, quando
termina o prazo estabelecido pela justiça eleitoral.
Garibaldi disse também, que vai discutir com os líderes
partidários uma a proposta alternativa à Contribuição
Social para a Saúde (CSS), que prevê a criação
de uma Contribuição de Intervenção no
Domínio Econômico (Cide) para taxar produtos, como
bebidas, fumo e automóveis de luxo. A arrecadação
seria destinada à saúde. A proposta, que seria apresentada
como substitutivo ao projeto da Câmara, é mais uma
reação política à criação
da CSS. Pelos cálculos de Garibaldi, os recursos serão
na ordem de R$ 8 bilhões, valor também previsto para
a CSS.
"Se houver consenso dos líderes, vamos apresentá-la",
afirmou, acrescentando que a proposta ainda está sendo concluída
por técnicos e consultores do Senado. Ele disse que o governo
não quer votar na CSS no Senado antes das eleições
e a oposição quer, simplesmente, derrubar o novo tributo.
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