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PÁGINA ATUALIZADA AOS DOMINGOS
WILMA
DE FARIA
O
PR vai somar com a gente
Por:
ANA RUTH DANTAS E ALDEMAR FREIRE (Tribuna do Norte)
A governadora
Wilma Maria de Faria (PSB) lançou formalmente o nome da deputada
estadual Larissa Rosado (PSB) como sua candidata a prefeita de Mossoró.
Apesar do apoio da líder socialista, surgiram resistências
na base. Principalmente no PR e no PC do B. Nesta entrevista a governadora
reafirma a candidatura de Larissa. Garante que ela está crescendo
eleitoralmente e, mais que isso, aponta como certo o apoio do rebelde
PR, que já apresentou a pré-candidatura do vereador
Renato Fernandes. Wilma fala, principalmente, sobre o acordo que
união a base do presidente Lula, em Natal. Diz que está
numa relação boa com o senador Garibaldi Filho (PMDB),
admite que nesse entendimento houve diálogo sobre 2010, mas
nada fechado.
EM diversas eleições seguidas em Natal a senhora ou disputou
a Prefeitura ou apoiou um nome de seu partido. Desta vez, o que
motivou uma aliança para apoiar a deputada petista Fátima
Bezerra?
WILMA DE FARIA - Essa decisão foi tomada a partir do
amadurecimento político das lideranças, além
da preocupação de agregar mais e unir as bases. Hoje,
eu tenho o apoio de dez partidos. E esse grupo tinha pré-candidatos
pelo PT, PSB e PV. Hoje, cinco partidos (PT, PMDB, PC do B, PSB,
PRB) estão com a candidatura de Fátima Bezerra. Temos
condições de trazer o PMN, o PR e o PP. São
partidos que podem vir, além do PHS.
HÁ quem aponte uma mudança de estilo da senhora por
formar essa aliança e apoiar um nome do PT...
NÃO mudei. Continuo a mesma pessoa com capacidade de
ir à luta e que não teme absolutamente nada. Ao mesmo
tempo, consegui que a classe política do RN viesse somar
conosco em benefício do Rio Grande do Norte. Nosso Estado
é pequeno, mas potencialmente rico. Precisamos que a classe
política esteja unida. E isso conseguimos. Em Natal, evoluímos
para unir quem estava na nossa base e outras forças que agora
se aproximaram. A capacidade de agregar em favor da cidade e do
povo é muito importante. Independente disso, o nosso pré-candidato
(Rogério Marinho) teve uma carreira que começou como
vereador, depois se elegeu deputado federal e pode completar o seu
mandato, atendendo as expectativas da população. Ele
sabia, desde o início, que podíamos caminhar desta
forma. Não foi novidade para ele. Estava preparado, desde
quando se lançou candidato, para a possibilidade de fazermos
aliança e o PSB não ser cabeça de chapa.
O DEPUTADO federal Rogério Marinho está desafiando
a presidente estadual do PSB?
O DEPUTADO Rogério Marinho está esquecendo coisas
importantes, como o desenvolvimento do Rio Grande do Norte e de
Natal. Acima dos meus interesses e dos objetivos partidários,
está o interesse de Natal, onde nasci politicamente e militei.
É uma cidade libertária e independente. Estamos preocupados
em dar continuidade ao trabalho que eu iniciei de transformação
da cidade, da qual fui prefeita em três mandatos. Depois,
o prefeito Carlos Eduardo prosseguiu e recebeu um grande apoio,
que eu não tive condições de receber, do presidente
da República. Portanto, é importante assegurar essa
continuidade. Por isso, fizemos uma aliança com outros partidos
da base de apoio tanto do governo Wilma, quanto do governo Lula.
Assim, a candidatura da deputada Fátima foi lançada
para dar continuidade a esses projetos. Queremos fazer de Natal
uma cidade cada vez mais moderna e saudável.
O SENTIMENTO é de decepção com o deputado Rogério
Marinho?
HOJE ele (Rogério) está se agregando a forças
antagônicas ao nosso grupo. Forças que fazem oposição.
Está recebendo o apoio de quem nunca deu apoio a ele. Isso
para desqualificar uma decisão tomada pelo PSB. Ele é
dirigente do partido. Então, isso me preocupa. O deputado
é inteligente, não deve ser ingênuo. Isso me
faz pensar que ele está mudando, o que não é
bom para o nosso partido, que precisa estar unido e forte para termos
mais uma vitória.
A RELAÇÃO política dele com a senhora está
irremediavelmente abalada?
É POSSÍVEL estarmos todos juntos. O partido começa
a enxergar isso e está se unindo cada vez mais em torno da
nossa decisão. O próprio Rogério Marinho pediu
que o prefeito de Natal assumisse o processo. O prefeito é
presidente do diretório municipal do PSB e estava à
frente do processo. A partir daí, tomamos a decisão.
E eu só decido depois de ouvir. Fizemos uma escolha depois
de escutar muitos companheiros.
A ALIANÇA para a disputa da Prefeitura de Natal pode implicar
em mudanças na equipe de auxiliares do primeiro escalão?
POR enquanto não tratamos deste assunto. Continuamos
na administração sem problema. Num ano eleitoral,
se somos um agente político, temos de fazer a parte política.
Principalmente eu, que sou presidente de um partido. Naturalmente,
vou colaborar para o PSB continuar forte em todo o Estado e vamos
buscas alianças com as legendas que somam conosco no governo.
Isso é normal nas democracias.
COMO ficará a relação do PSB com o PT a partir
da formação desta coligação em Natal?
VEJA, eu poderia apoiar a candidatura de uma pessoa de minha
relação pessoal. Mas estou apoiando uma candidata
que tem toda uma história de crescimento político
independente de qualquer relação familiar ou base
econômica. Então, é uma candidata que tem história
em Natal. E faço isso em função do desenvolvimento
da cidade. Também é preciso destacar outra coisa importante:
o PSB recebeu o apoio do PT em 2002, no segundo turno; em 2004,
no segundo turno; e, em 2006, já no primeiro turno. Quando
articulamos a chapa, em 2006, havia a reivindicação
para o PT indicar o vice-governador. Inicialmente, aceitamos. Mas,
em seguida, vimos a necessidade de agregar mais. Com isso, tiramos
Iberê Ferreira da candidatura de deputado federal para ser
o vice. O PT aceitou de pronto, porque via que a chapa Wilma/Iberê
somaria mais.
O PMN, do deputado Robinson Faria, vai apoiar a candidatura de Fátima
Bezerra?
EU conversei com o deputado Robinson e o convidei para somar
conosco.
A SENHORA ofereceu a indicação do candidato a vice-prefeito
ao PMN?
NÃO discutimos nestes termos. Conversamos sobre a possibilidade
dele vir. A questão do vice não entrou nesse diálogo.
NA negociação com o PMDB e PT ficou definido que a
escolha do vice de Fátima Bezerra cabe ao PSB. Como está
essa discussão?
AINDA não discutimos com o partido, porque o prefeito
vai convocar a executiva e o diretório municipais para debatermos
esse assunto.
NA campanha deste ano, a senhora dará prioridade ao interior?
NATURALMENTE vou participar da campanha no interior, mas também
estarei em Natal.
VAI, então, caminhar em cada rua com a deputada Fátima?
VOU caminhar em vários bairros. Não poderei fazer
o que faço quando sou candidata. Nas eleições
em que fui candidata a prefeita, fiz campanha só em Natal.
Agora, terei que ir a todos municípios do Estado. O importante
é que nós temos argumentos para apresentar na campanha
da deputada Fátima. O próprio prefeito pode dizer
o quanto ela ajudou a ele fazer a boa administração
que está fazendo.
QUAIS as implicações desta aliança em Natal
com o PMDB e o PT para 2010?
POR enquanto, vamos tratar só de 2008. É melhor
deixarmos 2010 para o momento propício. Posso afirmar que
há uma relação muito boa da governadora com
o senador Garibaldi. Eu apoiei a eleição dele para
presidente do Senado. Dei declaração formal e conversei
com o presidente Lula sobre a importância da eleição
do senador Garibaldi para a presidência do Senado. Fui, portanto,
favorável. Ficamos muito ligados também para defender
os interesses do Estado nas proposições e projetos
grandiosos, como o aeroporto de São Gonçalo. Então,
estamos nos relacionando muito bem. Mas 2010 não está
em discussão. Vamos deixar 2010 para mais adiante.
MAS, a senhora vislumbra como possibilidade maior disputar uma vaga
do Senado?
NOSSOS companheiros têm falado muito no Senado, afirmando
que seria o caminho natural. Mas não me pronunciei ainda.
Não está no momento de fazer campanha para um pleito
que está distante. É um desserviço ao nosso
governo discutir eleições de 2010, porque temos ainda
muito tempo de administração. Precisamos cuidar em
primeiro lugar da administração.
DOS nomes que são cogitados para disputar a sucessão
do governo, em quais a senhora vê mais vocação
ou que teria mais possibilidade de concorrer?
NÃO quero antecipar nada. Vamos focar, por enquanto,
para 2008. Eleições de 2010 ficam para depois.
MAS esse assunto não surgiu nas conversas sobre a coligação
em Natal?
NATURALMENTE, quando vamos fazer uma aliança como essa
conversamos sobre os cenários e o futuro. Claro que alguma
coisa foi discutida. Mas o essencial foi a eleição
deste ano.
A FORMAÇÃO de uma nova aliança terá
algum reflexo na base de apoio da senhora na Assembléia?
NÃO haverá problema. A eleição municipal
é diferente da estadual. Não é em todos os
municípios que conseguimos agregar todos. Numa cidade estamos
com o PR, em outra com o PT, em outro com o PMDB. Então,
varia muito, de acordo com as características, a soma de
esforços, as identidades e afinidades do partido em cada
município. Não temos ainda, no país, com definição
dos partidos que seja cumprida rigorosamente em cada cidade. O Brasil
precisa de uma reforma política muito séria, com diminuição
dos números de partidos. Além disso, é necessária
uma preocupação dos agentes políticos para
fortalecer cada vez mais os partidos. Isso só pode acontecer
se houver uma reforma política. E ainda não aconteceu.
COMO estão as definições sobre candidaturas
ou apoios com relação ao PSB em dois municípios
com colégios eleitorais expressivos, Mossoró e Parnamirim?
EM Mossoró, a nossa candidata a prefeita, Larissa Rosado,
é do PSB. Ela está crescendo eleitoralmente.
HÁ uma resistência do PR em apoiar Larissa Rosado...
O PR vai somar com a gente. Tudo indica que sim.
EM Natal também?
ESPERO que sim. Não temos certeza ainda, porque haverá
uma conversa com o deputado João Maia, que é o presidente
do partido, para discutirmos também outros municípios.
E COM relação a Parnamirim?
NÃO temos ainda uma decisão. Estamos conversando
com o deputado Gilson Moura (pré-candidato pelo PV), mas
não temos ainda uma decisão oficializada. Em Parnamirim,
em nível municipal o PSB se aproximou de Gilson. No entanto,
não há definição.
A ALIANÇA em Natal do PSB e do PMDB com o PT pode facilitar
a relação do governo estadual com a União para
captar investimentos?
A RELAÇÃO com o governo federal já é
muito boa. O presidente Lula tem essa atenção com
todos os estados, como tenho com todos os municípios. Reconhece
que essa identidade com o governo federal pode trazer o que o Rio
Grande do Norte nunca teve: O apoio para os grandes projetos. Isso
pode ajudar muito ao RN, que seria recompensado com determinados
projetos que deveriam ter chegado há muito tempo.
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