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TOTAL
A
volta do danado
A companhia Máscara de Teatro volta
a apresentar o espetáculo "Deus Danado" no RN,
desta vez, com apresentações amanhã em Caraúbas
e dia 19 em Apodi. A peça, que conta com um elenco formado
por Damásio Costa, Tony Silva, Luciana Duarte e Jeyzon Leonardo,
foi mostrada em março em dois importantes eventos destinados
às artes cênicas: a III Semana do Teatro de São
Luiz (MA) e o Festival Internacional de Teatro de Curitiba (PR).
Desta vez, as apresentações recebem o apoio da Fundação
José Augusto. "A companhia Máscara foi selecionada
entre os 80 projetos dos 756 inscritos", adianta ela, referindo-se
ao concurso paranense.
Não será a primeira vez que este texto de João
Denys vai ganhar uma versão para os palcos. Em 99, quando
a obra foi editado pela Funarte, uma pequena adaptação
foi mostrada a partir dos atores pernambucanos João Augusto
Lira, Almir Rodrigues e Filipe Khoury. "Neste caso, aproveitamos
o texto de Denys dando uma realidade ainda maior para o sofrimento
do nordestino, não da forma folclórica como muito
se propagada. Vamos mostrar tudo de uma forma trágica mesmo,
até porque é trágica", explicou o diretor
Marcelo Flecha.
O texto é o segundo da Tetralogia do Seridó, fase
temática iniciada pelo dramaturgo em 1979, com o espetáculo
A Pedra do Navio. Completam a teatralogia de Denys: Flores D'América
(Premiado no Concurso Nacional de Dramaturgia Hermilo Borba Filho
e finalista do Concurso de Literatura Cidade de Belo Horizonte)
e Os Pés Feridos D'América, ambos inéditos.
Em "Deus Danado", dois personagens, Teodoro e Luiz, vivem
o drama de atravessar 13 jornadas, entre o claro e o escuro, cercados
da seca que destrói e resseca muito mais que a terra árida
do sertão. "A seca destrói outras culturas e
a natureza do homem aniquila o próprio homem: o coloca diante
do silêncio aborrecido de Deus".
A produção e a quantidade de atores para "Deus
Danado" serão reduzidos para caber na proposta da turnê
de "democratizar o acesso ao teatro". "Temos uma
preocupação maior que é manter o perfil de
levar a peça para cidades pequenas, a fim de que todos possam
ter acesso", adiantou Flecha. Serão três atores
diretamente ligados à montagem.
"O que percebemos em Flecha é que a crueza do roteiro
de João Denys está exposto na peça. Isso torna
o drama nordestino ainda mais acentuado", comentou Tony Silva.
"Focaliza com ênfase o problema, que é antigo,
da caatinga".
Para dar vida a "Deus Danado", Flecha está entre
Mossoró e o Maranhão, Estado onde mora. O grupo Máscara
existe há dois anos e já apresentou um outro espetáculo,
este infantil: "A Viagem de um Barquinho".
Tony Silva é conhecida em Mossoró, organiza eventos
como o carnaval de Maria Ispaia Brasa e participou do filme "Lua
Cambará", de Rosemberg Cariry, interpretando Cabinda,
uma velha escrava de fazenda que sabe os segredos mais escabrosos
de seu patrão - inclusive um estupro cometido pelo famigerado
coronel que gera a Lua Cambará, personagem principal da trama,
interpretada pela cearense Dira Paes. Tony Silva contou que o seu
papel foi pensado inicialmente para a atriz Zezé Motta ("Xica
da Silva").
Cannes
aplaude filme de Meirelles por cinco minutos
Poucas horas antes da sessão de gala
de seu "Ensaio sobre a Cegueira", que inaugurou ontem
o 61º Festival de Cannes, em competição pela
Palma de Ouro, o cineasta brasileiro Fernando Meirelles dizia: "Ainda
acho que esse não é um bom filme para abrir o festival",
dada sua história pesadamente dramática.
O tempo provou que Meirelles não tinha razão. Quando
terminou a projeção de "Ensaio..." no Palácio
dos Festivais, às 22h11 (17h11, no horário de Brasília),
a platéia toda se pôs de pé e, nos cinco minutos
seguintes, aplaudiu, voltada para Meirelles e sua equipe.
Foi a segunda vez na noite que o diretor recebeu aplausos de pé
dos convidados internacionais do festival, como as atrizes Cate
Blanchett, Faye Dunaway e Eva Longoria, que dividiam a platéia
com boa parte do quem é quem do cinema francês.
A primeira ovação ocorreu quando o diretor chegou
para a cerimônia de abertura, e sua presença foi anunciada
pelo cerimonial, com a frase: "Senhoras e senhores, Fernando
Meirelles". Entre uma e outra salva de palmas ao brasileiro,
viu-se uma celebração ao cinema, em tom favorável
aos autores que mantêm suas carreiras distantes do epicentro
mercadológico da indústria (Hollywood), e seus filmes
livres de ditames estéticos.
"Cartas de amor"
"O Festival de Cannes sempre seleciona grandes filmes. Vamos
mandar cartas de amor a alguns deles, com o aviso aos distribuidores
de que não são confidenciais", disse o ator e
diretor norte-americano Sean Penn, que preside o júri desta
edição. Em entrevista pela manhã, Penn ressaltara
a pretensão de fazer com que os prêmios a serem concedidos
por seu júri, no próximo dia 25, ajudem os filmes
a "encontrar o seu público".
O ator francês Édouard Baer, mestre de cerimônias,
citou a aparência de superficialidade que certos comportamentos
em Cannes evocam -"os arrogantes, os que têm dentes sem
sorrisos e sorrisos sem dentes"-, antes de enumerar filmes
-como o vencedor de 2007, "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias",
do romeno Cristian Mungiu- e encerrar com um "obrigado ao Festival
de Cannes por haver seqüestrado as maiores brutalidades do
mundo, em benefício da mais singular beleza".
Quem declarou oficialmente aberto o festival foi o cineasta francês
Claude Lanzmann, 82, que disse ter descoberto recentemente pontos
de contato entre suas idéias de cinema e as do diretor americano
Quentin Tarantino, cuja obra é antípoda da sua. "Assim
como a humanidade é uma só, o cinema é um só."
Pela manhã, após a primeira projeção
para a imprensa de "Ensaio sobre a Cegueira", que terminou
sem reações de aplauso ou vaias, Meirelles e elenco
falaram aos jornalistas.
Imaginação
O diretor citou o escritor português José Saramago,
autor do livro no qual o filme se baseia. "Saramago disse que
o cinema destrói a imaginação e [por isso]
não queria vender os direitos do livro [para a adaptação]."
Na versão de Meirelles para a trama sobre epidemia de cegueira
que atinge toda uma população, exceto uma mulher (vivida
pela norte-americana Julianne Moore), há momentos de breu
e outros de branco total na tela, deixando a imaginação
do espectador livre para preencher as cenas.
O público conta, porém, durante todo o filme com o
auxílio de um som límpido e audível até
os detalhes, um recurso do diretor para mostrar como se aguçam
os demais sentidos dos personagens recém-cegos.
O roteirista e ator (no papel do ladrão) canadense Don McKellar
disse que era também preocupação de Saramago
que o filme mantivesse "o caráter alegórico"
do livro, "um verdadeiro sumário do milênio",
na opinião de McKellar.
A Meirelles interessava abordar "a fragilidade da nossa civilização".
Para o diretor, o livro de Saramago mostra que "nós
nos consideramos tão sólidos, mas, quando uma coisa
desaparece [a visão], tudo colapsa".
O ator norte-americano Danny Glover, intérprete do velho
com a venda, foi o mais enfático ao associar a ficção
à realidade, tomando como exemplo o furacão Katrina,
ocorrido em 2005 nos Estados Unidos.
"O negócio com o Katrina não é o que o
governo fez ou deixou de fazer. É que aquelas pessoas [atingidas
pela devastação] eram invisíveis para nós,
assim como são no Iraque ou em Darfur. Nós vivemos
num mundo em que não vemos pessoas", afirmou Glover.

Adorável
trapalhão
Alisamento de pêlo, levantamento de
pálpebra de bassê e radiofreqüência para
tonificar pele de pescoço de são bernardo. As idéias,
que soariam absurdas até a um dono de "pet shop",
foram dadas por Felipe, personagem de Gustavo Leão em "Beleza
Pura", durante uma reunião onde eram discutidas novidades
para a clínica de estética que dá título
à trama. Por aí, dá para perceber que o "faz-tudo"
da empresa é do tipo "non-sense", daqueles que
não pensam antes de dar mais uma "bola fora". "No
início, achei que o personagem fosse mais sério, marrento.
Mas, no decorrer dos capítulos, vi que ele é totalmente
sem-noção e tem um lado bem engraçado",
define.
Não foi à toa que ele se envolveu, de cara, com outra
que transita em um universo paralelo: Rakelli, manicure "doidinha"
interpretada por Ísis Valverde. Mas o romance esfriou e,
de uns tempos para cá, Felipe está caidinho por Luiza,
"adolescente-problema" de Bianca Comparatto. A relação
tem tudo para dar certo, já que o jeitão espontâneo
do personagem garante certa leveza à deprimida estudante.
"Fazer comédia é mais difícil. Sinto que
às vezes erro por querer fazer a frase ser engraçada,
mas aprendi que você não tem de querer que seja. A
graça vem naturalmente", ensina.
E é justamente essa ligação direta com a comédia
o que mais instiga o ator. "É ótimo fazer um
cara do bem que tem tiradas engraçadas. Aprendo demais no
dia-a-dia", valoriza Gustavo, que também fez aulas de
dança e agora está prestes a tirar carteira de motorista
categoria "A", que o habilita a pilotar motocicletas.
"Eu só sabia pegar onda e jogar futebol. Agora me sinto
cheio de utilidades porque aprendo muita coisa que nem imaginava",
ressalta.
Depois de passar por testes para atuar em "Floribella"
- novela da Band que marcou sua estréia na tevê - e
"Paraíso Tropical", onde viveu o bom-moço
Matheus, Gustavo não suou tanto para garantir o papel em
"Beleza Pura". O ator foi escalado para a trama de Andrea
Maltarolli quando ainda estava na de Gilberto Braga. "Dessa
vez, entrei mais seguro. Claro que estava apreensivo, mas sabia
que horrível não ia ficar", diverte-se. Agora,
Gustavo não esconde a vontade de interpretar um vilão
mas, cauteloso, ele confessa que acha importante viver tipos "tranqüilos"
no início da carreira. "Quero muito fazer um vilão,
mas ainda me sinto inseguro. Acho que preciso de mais experiência
porque quero fazer bem e não 'meia-boca'", pondera.
Aos 21 anos, o ator nascido em São Bernardo do Campo e criado
em Santos se diz totalmente acostumado a viver fora da "barra
da saia da mamãe". "Só dou satisfação
a mim mesmo. Isso é bom porque aprendi a viver sozinho, a
não ser dependente", explica. Demonstrando maturidade,
ele fala que escolheu a profissão ciente da inevitável
perda de privacidade, do assédio das fãs e tudo mais
decorrente da exposição imposta pela tevê. "Encaro
com naturalidade e adoro quando as pessoas comentam minhas cenas.
Só me incomodo quando batem na porta da minha casa para tirar
foto. Tudo tem limite", pontua.
Falante e bem-humorado, Gustavo usa a mesma cautela para falar de
seus planos profissionais. Embora demonstre certa vontade de fazer
teatro, seus olhos brilham mesmo quando o assunto é cinema.
O ator diz que pretende estrear nas telonas já em 2009 para,
daqui a uns dez anos e talvez trilhar carreira internacional. "Não
adianta eu ir e não fazer nada. Quero ir e fazer bonito.
Mas se a oportunidade não chegar, eu vou até ela",
sonha.
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