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MOSSORÓ (RN), SEXTA-FEIRA, 16/05/2008 (ATUALIZADO: 01:37hs)
 
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A volta do danado
A companhia Máscara de Teatro volta a apresentar o espetáculo "Deus Danado" no RN, desta vez, com apresentações amanhã em Caraúbas e dia 19 em Apodi. A peça, que conta com um elenco formado por Damásio Costa, Tony Silva, Luciana Duarte e Jeyzon Leonardo, foi mostrada em março em dois importantes eventos destinados às artes cênicas: a III Semana do Teatro de São Luiz (MA) e o Festival Internacional de Teatro de Curitiba (PR). Desta vez, as apresentações recebem o apoio da Fundação José Augusto. "A companhia Máscara foi selecionada entre os 80 projetos dos 756 inscritos", adianta ela, referindo-se ao concurso paranense.
Não será a primeira vez que este texto de João Denys vai ganhar uma versão para os palcos. Em 99, quando a obra foi editado pela Funarte, uma pequena adaptação foi mostrada a partir dos atores pernambucanos João Augusto Lira, Almir Rodrigues e Filipe Khoury. "Neste caso, aproveitamos o texto de Denys dando uma realidade ainda maior para o sofrimento do nordestino, não da forma folclórica como muito se propagada. Vamos mostrar tudo de uma forma trágica mesmo, até porque é trágica", explicou o diretor Marcelo Flecha.
O texto é o segundo da Tetralogia do Seridó, fase temática iniciada pelo dramaturgo em 1979, com o espetáculo A Pedra do Navio. Completam a teatralogia de Denys: Flores D'América (Premiado no Concurso Nacional de Dramaturgia Hermilo Borba Filho e finalista do Concurso de Literatura Cidade de Belo Horizonte) e Os Pés Feridos D'América, ambos inéditos.
Em "Deus Danado", dois personagens, Teodoro e Luiz, vivem o drama de atravessar 13 jornadas, entre o claro e o escuro, cercados da seca que destrói e resseca muito mais que a terra árida do sertão. "A seca destrói outras culturas e a natureza do homem aniquila o próprio homem: o coloca diante do silêncio aborrecido de Deus".
A produção e a quantidade de atores para "Deus Danado" serão reduzidos para caber na proposta da turnê de "democratizar o acesso ao teatro". "Temos uma preocupação maior que é manter o perfil de levar a peça para cidades pequenas, a fim de que todos possam ter acesso", adiantou Flecha. Serão três atores diretamente ligados à montagem.
"O que percebemos em Flecha é que a crueza do roteiro de João Denys está exposto na peça. Isso torna o drama nordestino ainda mais acentuado", comentou Tony Silva. "Focaliza com ênfase o problema, que é antigo, da caatinga".
Para dar vida a "Deus Danado", Flecha está entre Mossoró e o Maranhão, Estado onde mora. O grupo Máscara existe há dois anos e já apresentou um outro espetáculo, este infantil: "A Viagem de um Barquinho".
Tony Silva é conhecida em Mossoró, organiza eventos como o carnaval de Maria Ispaia Brasa e participou do filme "Lua Cambará", de Rosemberg Cariry, interpretando Cabinda, uma velha escrava de fazenda que sabe os segredos mais escabrosos de seu patrão - inclusive um estupro cometido pelo famigerado coronel que gera a Lua Cambará, personagem principal da trama, interpretada pela cearense Dira Paes. Tony Silva contou que o seu papel foi pensado inicialmente para a atriz Zezé Motta ("Xica da Silva").

Cannes aplaude filme de Meirelles por cinco minutos
Poucas horas antes da sessão de gala de seu "Ensaio sobre a Cegueira", que inaugurou ontem o 61º Festival de Cannes, em competição pela Palma de Ouro, o cineasta brasileiro Fernando Meirelles dizia: "Ainda acho que esse não é um bom filme para abrir o festival", dada sua história pesadamente dramática.
O tempo provou que Meirelles não tinha razão. Quando terminou a projeção de "Ensaio..." no Palácio dos Festivais, às 22h11 (17h11, no horário de Brasília), a platéia toda se pôs de pé e, nos cinco minutos seguintes, aplaudiu, voltada para Meirelles e sua equipe.
Foi a segunda vez na noite que o diretor recebeu aplausos de pé dos convidados internacionais do festival, como as atrizes Cate Blanchett, Faye Dunaway e Eva Longoria, que dividiam a platéia com boa parte do quem é quem do cinema francês.
A primeira ovação ocorreu quando o diretor chegou para a cerimônia de abertura, e sua presença foi anunciada pelo cerimonial, com a frase: "Senhoras e senhores, Fernando Meirelles". Entre uma e outra salva de palmas ao brasileiro, viu-se uma celebração ao cinema, em tom favorável aos autores que mantêm suas carreiras distantes do epicentro mercadológico da indústria (Hollywood), e seus filmes livres de ditames estéticos.

"Cartas de amor"
"O Festival de Cannes sempre seleciona grandes filmes. Vamos mandar cartas de amor a alguns deles, com o aviso aos distribuidores de que não são confidenciais", disse o ator e diretor norte-americano Sean Penn, que preside o júri desta edição. Em entrevista pela manhã, Penn ressaltara a pretensão de fazer com que os prêmios a serem concedidos por seu júri, no próximo dia 25, ajudem os filmes a "encontrar o seu público".
O ator francês Édouard Baer, mestre de cerimônias, citou a aparência de superficialidade que certos comportamentos em Cannes evocam -"os arrogantes, os que têm dentes sem sorrisos e sorrisos sem dentes"-, antes de enumerar filmes -como o vencedor de 2007, "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias", do romeno Cristian Mungiu- e encerrar com um "obrigado ao Festival de Cannes por haver seqüestrado as maiores brutalidades do mundo, em benefício da mais singular beleza".
Quem declarou oficialmente aberto o festival foi o cineasta francês Claude Lanzmann, 82, que disse ter descoberto recentemente pontos de contato entre suas idéias de cinema e as do diretor americano Quentin Tarantino, cuja obra é antípoda da sua. "Assim como a humanidade é uma só, o cinema é um só."
Pela manhã, após a primeira projeção para a imprensa de "Ensaio sobre a Cegueira", que terminou sem reações de aplauso ou vaias, Meirelles e elenco falaram aos jornalistas.

Imaginação
O diretor citou o escritor português José Saramago, autor do livro no qual o filme se baseia. "Saramago disse que o cinema destrói a imaginação e [por isso] não queria vender os direitos do livro [para a adaptação]."
Na versão de Meirelles para a trama sobre epidemia de cegueira que atinge toda uma população, exceto uma mulher (vivida pela norte-americana Julianne Moore), há momentos de breu e outros de branco total na tela, deixando a imaginação do espectador livre para preencher as cenas.
O público conta, porém, durante todo o filme com o auxílio de um som límpido e audível até os detalhes, um recurso do diretor para mostrar como se aguçam os demais sentidos dos personagens recém-cegos.
O roteirista e ator (no papel do ladrão) canadense Don McKellar disse que era também preocupação de Saramago que o filme mantivesse "o caráter alegórico" do livro, "um verdadeiro sumário do milênio", na opinião de McKellar.
A Meirelles interessava abordar "a fragilidade da nossa civilização". Para o diretor, o livro de Saramago mostra que "nós nos consideramos tão sólidos, mas, quando uma coisa desaparece [a visão], tudo colapsa".
O ator norte-americano Danny Glover, intérprete do velho com a venda, foi o mais enfático ao associar a ficção à realidade, tomando como exemplo o furacão Katrina, ocorrido em 2005 nos Estados Unidos.
"O negócio com o Katrina não é o que o governo fez ou deixou de fazer. É que aquelas pessoas [atingidas pela devastação] eram invisíveis para nós, assim como são no Iraque ou em Darfur. Nós vivemos num mundo em que não vemos pessoas", afirmou Glover.

Adorável trapalhão
Alisamento de pêlo, levantamento de pálpebra de bassê e radiofreqüência para tonificar pele de pescoço de são bernardo. As idéias, que soariam absurdas até a um dono de "pet shop", foram dadas por Felipe, personagem de Gustavo Leão em "Beleza Pura", durante uma reunião onde eram discutidas novidades para a clínica de estética que dá título à trama. Por aí, dá para perceber que o "faz-tudo" da empresa é do tipo "non-sense", daqueles que não pensam antes de dar mais uma "bola fora". "No início, achei que o personagem fosse mais sério, marrento. Mas, no decorrer dos capítulos, vi que ele é totalmente sem-noção e tem um lado bem engraçado", define.
Não foi à toa que ele se envolveu, de cara, com outra que transita em um universo paralelo: Rakelli, manicure "doidinha" interpretada por Ísis Valverde. Mas o romance esfriou e, de uns tempos para cá, Felipe está caidinho por Luiza, "adolescente-problema" de Bianca Comparatto. A relação tem tudo para dar certo, já que o jeitão espontâneo do personagem garante certa leveza à deprimida estudante. "Fazer comédia é mais difícil. Sinto que às vezes erro por querer fazer a frase ser engraçada, mas aprendi que você não tem de querer que seja. A graça vem naturalmente", ensina.
E é justamente essa ligação direta com a comédia o que mais instiga o ator. "É ótimo fazer um cara do bem que tem tiradas engraçadas. Aprendo demais no dia-a-dia", valoriza Gustavo, que também fez aulas de dança e agora está prestes a tirar carteira de motorista categoria "A", que o habilita a pilotar motocicletas. "Eu só sabia pegar onda e jogar futebol. Agora me sinto cheio de utilidades porque aprendo muita coisa que nem imaginava", ressalta.
Depois de passar por testes para atuar em "Floribella" - novela da Band que marcou sua estréia na tevê - e "Paraíso Tropical", onde viveu o bom-moço Matheus, Gustavo não suou tanto para garantir o papel em "Beleza Pura". O ator foi escalado para a trama de Andrea Maltarolli quando ainda estava na de Gilberto Braga. "Dessa vez, entrei mais seguro. Claro que estava apreensivo, mas sabia que horrível não ia ficar", diverte-se. Agora, Gustavo não esconde a vontade de interpretar um vilão mas, cauteloso, ele confessa que acha importante viver tipos "tranqüilos" no início da carreira. "Quero muito fazer um vilão, mas ainda me sinto inseguro. Acho que preciso de mais experiência porque quero fazer bem e não 'meia-boca'", pondera.
Aos 21 anos, o ator nascido em São Bernardo do Campo e criado em Santos se diz totalmente acostumado a viver fora da "barra da saia da mamãe". "Só dou satisfação a mim mesmo. Isso é bom porque aprendi a viver sozinho, a não ser dependente", explica. Demonstrando maturidade, ele fala que escolheu a profissão ciente da inevitável perda de privacidade, do assédio das fãs e tudo mais decorrente da exposição imposta pela tevê. "Encaro com naturalidade e adoro quando as pessoas comentam minhas cenas. Só me incomodo quando batem na porta da minha casa para tirar foto. Tudo tem limite", pontua.
Falante e bem-humorado, Gustavo usa a mesma cautela para falar de seus planos profissionais. Embora demonstre certa vontade de fazer teatro, seus olhos brilham mesmo quando o assunto é cinema. O ator diz que pretende estrear nas telonas já em 2009 para, daqui a uns dez anos e talvez trilhar carreira internacional. "Não adianta eu ir e não fazer nada. Quero ir e fazer bonito. Mas se a oportunidade não chegar, eu vou até ela", sonha.



       




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