

VIOLÊNCIA
Menor
descarrega arma dentro de escola
Andrey Ricardo
Da Redação
Um menor armado com uma pistola de calibre 380 invadiu o Centro
de Apoio Integrado à Criança (CAIC) situado no bairro
Abolição IV (zona oeste) e atirou contra oito pessoas
que conversavam no pátio. Dois adolescentes e um jovem de
19 anos foram atingidos no ataque e estão internados no Hospital
Regional Tarcísio Maia (HRTM) - um deles está em estado
grave e corre risco. A Polícia Civil suspeita que o ataque
seja resultado de uma disputa entre duas gangues que atuam na periferia
da cidade.
De acordo com o menor de 14 anos que foi atingido por três
disparos - perna, tórax e braço -, ele e outros sete
garotos estavam sentados no pátio da escola, por volta das
20h30. O atirador chegou de surpresa, com a arma em punho, e deu
a ordem para que eles ficassem deitados no chão. "Nessa
hora, todo mundo começou a correr e eu levei três tiros",
relembra a vítima, que caiu próximo a outras duas
pessoas. Uma delas tem 16 anos e foi atingida nas costas de maneira
transfixante. O outro é o estudante Jéferson de Oliveira
da Silva, 19 anos, morador do bairro. Ele foi alvejado com dois
tiros.
Até o final da tarde de ontem, os três feridos continuavam
internados no Tarcísio Maia, mas o estado mais grave era
o de Jéferson, que foi atingido na cabeça e estava
com o projétil alojado. Os outros dois estão bem e
devem voltar para casa ainda nesta semana. Dois deles conversaram
com o DE FATO e afirmaram não ter condições
de reconhecer a pessoa que efetuou os disparos e que não
sabem quem seria o alvo daquele ataque. "Estava escuro e na
hora dos tiros não dava para ver nada", declara outro
adolescente, de 16 anos. "Eu não sei quem é que
ele queria pegar", complementa a vítima.
Ontem mesmo, a Polícia Civil começou a investigação
e já tinha o nome de um possível suspeito. Ele é
menor de idade, tem entre 16 e 17 anos, e mora na Favela do Pantanal,
situada no bairro Belo Horizonte (zona leste). Como o trabalho ainda
está no início, a Polícia ainda não
sabe ao certo o que pode ter provocado o ataque, mas suspeita que
seja fruto de uma briga entre adolescentes usuários de drogas.
"Eu não acho que seja disputa pelos pontos de venda.
É mais uma briga de usuários. O pessoal do Pantanal
tem uma rixa com a turma do Abolição IV", conta
um agente que está no caso.
Diretor
reconhece clima de insegurança dentro da instituição
O diretor do Centro de Apoio Integrado à Criança (CAIC)
do Abolição IV, Ângelo Canuto, reconhece que
a instituição tem um histórico de violência
e admite que se sente um pouco amedrontado para tentar coibir o
uso de drogas entre alunos. "Eu confesso que já cheguei
a sentir o cheiro da droga aqui dentro do colégio",
revela o educador, acrescentando que, diante dessa situação
crítica, tem investido em programas educativos para tentar
mudar o quadro. "Parte desse pessoal não está
mais aqui, mas eu sei que a escola, seja pública ou privada,
não está livre desse tipo de coisa", acrescenta.
"Admito que é uma instituição complicada,
mas a gente tem como combater essa violência através
de programas voltados para a educação, e é
isso o que nós estamos fazendo. Hoje não existe tempo
vago dentro da escola. Nós procuramos preencher todos os
espaços para evitar que esse tipo de coisa aconteça.
Para você ter uma idéia, até dia de domingo
temos programação para os alunos e seus pais",
ameniza Ângelo Canuto, acrescentando que, às vezes,
o problema é com a família dos alunos. "É
preciso ter cuidado porque os pais de alguns vendem ou usam drogas",
complementa.
Briga
entre gangues
O atentado da noite de quarta-feira passada pode estar ligado às
ações criminosas que vêm sendo protagonizadas
por um grupo formado por jovens que moram na Favela do Pantanal
e que já se envolveram em conflitos armados na cidade no
início deste ano. O grupo, segundo investigações,
é comandado por Alisson Sabino da Silva, que tem 18 anos
e está com sua prisão preventiva decretada. Ele é
acusado de dois homicídios, fruto da briga entre seu bando
e um outro, que atua no bairro Belo Horizonte, e agora está
sendo investigado também sob suspeita de mais um crime.
De acordo com um agente da Segunda Delegacia de Polícia Civil
que apura o atentado de quarta-feira e investigou os crimes praticados
pela gangue de "Galeguinho", além do menor que
atirou, havia uma outra pessoa. O segundo envolvido estava em uma
motocicleta e ficou aguardando em uma rua mais afastada, enquanto
seu colega realizava o serviço. "A gente sabe, pelo
menos, que Galeguinho não estava no local nessa hora",
conta o agente, acrescentando que, de maneira indireta, Galeguinho
poderia estar envolvido. "Os dois são parceiros e Galeguinho
pode estar por trás", acrescenta.
PM
prende motoqueiros e impede assalto
O mecânico David Duarte Alves, 18 anos,
morador do bairro Alto da Conceição, e o fugitivo
da Justiça Djangues Santiago Cruz, 33, morador do conjunto
Promorar, foram presos no fim da manhã de ontem pela Polícia
Militar. Por volta das 11h, eles invadiram a loja Diótica,
que fica situada na Rua João Pessoa, 141, Centro, e fizeram
cerca de dez pessoas reféns durante um assalto, mas terminaram
sendo presos pela PM, que foi acionada por uma das vítimas
e chegou ao local a tempo de prendê-los. Agora, a dupla terá
sua participação em outros crimes investigada pela
Polícia Civil de Mossoró.
Segundo funcionários da loja, um dos bandidos chegou de capacete
e anunciou o assalto. Ele mandou todos deitar no chão, enquanto
seu comparsa, que estava desarmado, entrou na loja com uma sacola
grande e começou a pegar os óculos, relógios,
anéis e pulseiras, além dos pertences das vítimas
e do dinheiro que estava no caixa do estabelecimento. Na hora da
saída, os assaltantes foram surpreendidos pela Polícia
Militar, que já havia cercado o prédio. "Uma
pessoa acionou a PM e nós fomos para o local e pegamos eles
ainda lá dentro da loja", diz o soldado Ocimar, comandante
da viatura 201.
Ao perceber que não tinha mais como fugir, um dos assaltantes
tentou sair da loja se passando por cliente. Ele soltou a sacola
com as coisas e partiu em direção à porta da
frente, mas foi logo rendido pelos policiais militares. "Ele
soltou a bolsa e saiu andando como se fosse um cliente", diz
o soldado Ocimar. Enquanto isso, o outro assaltante tentou se livrar
da arma e fugir por uma janela lateral, mas assim como seu colega,
não logrou êxito e foi capturado. "Nós
entramos e revistamos tudo e achamos a arma. Só tinha um
revólver", acrescenta Ocimar, que coordenou a prisão.
Conduzidos para a Delegacia Especializada em Furtos e Roubos (DEFUR),
os dois foram autuados em flagrante e serão investigados
sob suspeita de ter ligação com outros assaltos de
natureza semelhante ocorridos na cidade durante os últimos
meses. Um deles é fugitivo do Complexo Mário Negócio
e o outro era desconhecido das autoridades até então.
Ontem mesmo, pessoas que foram vítimas de assaltantes usando
motos foram à Defur para tentar reconhecer os suspeitos.
"A gente espera que eles sejam reconhecidos por outras vítimas
de assalto", ressalta um agente da Furtos e Roubos.
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