

Diploma
em jornalismo
Beth Costa
A informação jornalística é um elemento
estratégico das sociedades contemporâneas. Por isso
é que o Programa de Qualidade de Ensino da Federação
Nacional dos Jornalistas - debatido, aperfeiçoado e apoiado
pelas principais entidades da área acadêmica (como
Intercom - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da
Comunicação; Abecom - Associação Brasileira
de Escolas de Comunicação; Enecos-Executiva Nacional
dos Estudantes de Comunicação; Compós - Associação
Nacional dos Programas de Pós-Graduação em
Comunicação; e Fórum de Professores de Jornalismo)
- defende a formação tanto teórica e cultural
quanto técnica e ética. Tal formação
deve se expressar seja num programa de TV de grande audiência
ou numa TV comunitária, num jornal diário de grande
circulação ou num pequeno de bairro, num site na Internet
ou num programa de rádio, na imagem fotojornalística
ou no planejamento gráfico.
É por isso que, num curso de Jornalismo, é possível
tratar de aspectos essenciais às sociedades contemporâneas
e com a complexidade tecnológica que os envolve, incluindo
procedimentos éticos específicos adequados - do método
lícito para obter informação à manipulação
da imagem fotográfica, do sigilo da fonte ao conflito entre
privacidade e interesse público, por exemplo. É na
escola que há laboratórios de telejornalismo, radiojornalismo,
fotojornalismo, planejamento gráfico, jornal, revista, webjornalismo
e outros. A escola pode formar profissionais para atuar em jornalismo
- e não para uma ou outra empresa. Pode formar profissionais
capazes de atuar em quaisquer instituições, setores
ou funções. É a formação que
também permite o debate e novas experiências.
As escolas não são culpadas, certamente, pelo fato
de algumas empresas reduzirem a atividade profissional a aspectos
simples ou simplórios.
Por isso, mesmo onde a obrigatoriedade do diploma não existe,
como em países europeus, cresce o número de escolas
de jornalismo. É por isso que o Conselho Europeu de Deontologia
(dever-ser) do Jornalismo, aprovado em 1993, estipulou, em seu artigo
31, que os jornalistas devem ter uma adequada formação
profissional. E que surgem, a cada ano, em muitos países,
documentos reforçando a necessidade de formação
na área.
Além de tudo, há uma discussão bastante reducionista,
uma espécie de favor ou contra. Ora, diploma é uma
palavra. Trata-se, no entanto, de palavra que exprime outras duas:
formação profissional, atestada por um documento que
deve valer seu nome. Há um lugar, chamado escola, que sistematiza
conhecimentos e os vincula a outras áreas a partir da sua.
A regulamentação e a formação são
o resultado disso, que se manifesta em exigências como a do
registro prévio para o exercício da profissão.
Por isso, a regulamentação brasileira para o exercício
do jornalismo é um avanço, não um retrocesso.
O pensar e o fazer jornalístico, resultados de um ethos profissional
- essencial à identidade de categoria e de profissão
e socialmente relevante- não pode voltar atrás. A
Fenaj defende a formação profissional em cursos de
jornalismo de graduação com quatro anos e, no mínimo,
2.700 horas-aula, como já apontavam as diretrizes curriculares
aprovadas após inúmeros debates e congressos na área.
A formação em Jornalismo, que deve ser constante e
aprimorada durante toda a vida, é a base inicial para o exercício
regulamentar da atividade. A tudo isso chamamos profissão
Jornalismo. E não nos parece pouco.
Beth
Costa
é Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas.
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