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MOSSORÓ (RN), DOMINGO, 15/06/2008 (ATUALIZADO: 18:27hs)
 
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» SUS tratará infertilidade em 6 meses

» Professora fez fertilização in vitro
» Pesquisa avança através de parcerias
» Trabalho infantil chega a 89 mil no RN
» RN na rota do refino de petróleo
» Tradição das fogueiras está se apagando


DE GRAÇA
SUS tratará infertilidade em 6 meses
Edilson Damasceno
Da Redação

A Organização Mundial de Saúde (OMS) informa que a infertilidade é um problema vivido por um percentual de 8% a 15% dos casais, e que no Brasil o número chega a 278 mil. Diante dessa realidade, o Ministério da Saúde lançou o programa de Reprodução Humana Assistida, que terá o suporte do Sistema Único de Saúde (SUS) no tratamento de mulheres e homens que querem filhos. O programa tem um prazo de seis meses para ser iniciado em todo território brasileiro. Em Mossoró, apesar da garantia do Governo Federal, a iniciativa não será a curto prazo, pois não se tem estrutura laboratorial e profissional para a atividade. A gerente executiva da Saúde, Dorinha Burlamaqui, informa que tem interesse, mas enfrentará dificuldades, e uma delas é a ausência de um Centro de Saúde Reprodutiva, mas, nesse caso específico, Dorinha afirma que manterá contatos com médicos da área para propor parceria.
O tratamento para combater a infertilidade ou planejar uma fertilização in vitro requer tempo. O ginecologista Inavan Lopes da Silveira, explica que, além de demorado, os custos são elevados. “O ciclo de fertilização custa de R$ 8 mil a R$ 10 mil”, afirma o médico, acrescentando que não é todo casal que dispõe de recursos para investir no tratamento. Com o programa do Ministério da Saúde, o médico acredita que essa realidade mudará.
Mas, a exemplo do que disse a gerente executiva da Saúde, o ginecologista – apesar de reconhecer que o programa é excelente – diz que ficará difícil colocá-lo em prática em Mossoró. “Tem que ter o suporte de um laboratório e profissionais para tratar o sêmen. Aqui tem laboratório”, comenta, acrescentando que esse projeto poderá ser efetivado a médio prazo.
“Se houver interesse político, e estrutura básica, Mossoró terá esse programa. Até porque nós temos demanda para tal”, diz o ginecologista, informando que atende pacientes que têm problemas de infertilidade. “A procura é elevada e comum”, garante. Ele diz que, como não existe tratamento em Mossoró, orienta para que os casais procurem o suporte de profissionais de Natal.

Custos
O tratamento, nesses casos, é complicado para casais carentes. Como existem apenas dois centros especializados no assunto, em Natal, os custos são elevados. É que, além do dinheiro, de R$ 8 mil a R$ 10 mil, ainda terá gasto com passagem, alimentação e hospedagem.
Com a implementação do programa do Ministério da Saúde, todo o tratamento passará a ser feito em Mossoró. Mas, além da falta de laboratório e de biólogos especializados no trato do sêmen, o município ainda enfrenta mais uma dificuldade: falta de obstetra, que faz todo o acompanhamento durante a gestação via Sistema Único de Saúde.

Professora fez fertilização in vitro
“A impossibilidade de ter um filho traz uma série de problemas, e a frustração de não poder ser mãe é grande”, diz a professora Carla Yara Castro, 38, do curso de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Ela tinha problemas para engravidar e passou oito anos tentando. Até que, em 2001 iniciou tratamento em Natal, da fertilização in vitro. Em fevereiro de 2002, nasceram dois filhos, um menino e uma menina, que hoje estão com seis anos. A professora informa que a fertilização deu certo na terceira tentativa.
Para Carla Yara, a orientação para que procurasse suporte em Natal partiu do ginecologista Inavan Lopes. Ela conta que o médico Fábio Macedo foi quem coordenou o trabalho, já que ele vinha desenvolvendo pesquisas com uma equipe da Itália.
A professora ressalva que a infertilidade não é um problema que acomete apenas mulheres, e que os homens também estão sujeitos. Ela diz que o que impedia a gravidez era uma endometriose (problema relacionado aparelho reprodutor feminino). “Fiz o tratamento, mas não obtive sucesso, e a saída foi optar pela fertilização in vitro”, diz.
Carla comenta que fez o tratamento quando tinha 32 anos, e aconselha que as mulheres que tenham esse problema procurem orientação médica antes dos 40 anos. “Não que uma pessoa com essa idade não possa, mas a possibilidade de sucesso é maior antes dos 40 anos, já que a resistência do corpo também conta muito”, diz.
Para ela, a impossibilidade de ter filhos era frustrante. Agora, seis anos depois, diz que todo o trabalho valeu a pena. “Ter meus filhos foi uma felicidade enorme, e o lado emocional conta muito”, comenta.
Sobre a possibilidade de Mossoró dispor desse serviço gratuito, a professora diz que se essa expectativa se concretizar será bom. “Considero isso fantástico. É um tratamento caro, e o SUS abrindo essa oportunidade, com certeza muitos casais vão fazer o tratamento”, diz.

Pesquisa avança através de parcerias
Sandra Monteiro
Da redação

O crescimento da demanda de alunos e a necessidade de maiores avanços no desenvolvimento na área de pesquisa "força" às universidades mossorenses a mostrar resultados, que vêm através da implantação de um número crescente de cursos de pós-graduação. No caso da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), somente este ano teve início três cursos de mestrado nas áreas de Ciências da Computação, Física e Letras.
A parceria com outras instituições de ensino superior local, como a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) e de outros estados da região, a exemplo da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e Universidade estadual do Ceará (UECE), agrega valores e atrai estudantes de outras regiões do País. Perla Viscovi veio de longe. Estado do Espírito Santo. Ela já havia concluído uma especialização, e ao tomar conhecimento da abertura de vagas para o mestrado em Ciências da Computação, não pensou duas vezes. Mudou-se para Mossoró e agora é mestranda na Uern. "Confesso que não imaginei que poderia ser aprovada na seleção, mas mandei os documentos necessários e em seguida recebi a resposta. Comecei o curso e estou satisfeita", comenta a estudante.
No caso específico do mestrado em Ciências da Computação, a parceria se dá com a Ufersa. Ambas as instituições dividem a coordenação do curso e realizam o intercâmbio de professores. Para o professor Pedro Fernandes Ribeiro Neto, chefe do Departamento de Informática da Uern, as parcerias são indispensáveis para o avanço na implantação de um número ainda maior de cursos da pós-graduação. "É muito interessante adotar este tipo de parceria que funciona aqui na Uern. Cada um participa com uma ferramenta e o resultado são cursos de qualidade", ressalta Fernandes.
Segundo ele, uma das dificuldades enfrentadas pela universidade é manter o aluno estudando sem o auxílio de bolsas de estudo. A CAPES, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, fornece um número reduzido deste tipo de incentivo, e a Uern precisa viabilizar mais bolsas através do orçamento próprio. "Isso é inovador. Somente nós fazemos este tipo de incentivo para agregar resultados na pesquisa", acrescenta.
O professor Josias Caitano, que coordena as especializações comemora os avanços. Ele explica que as implantações, tanto das especializações quanto dos mestrados são frutos diretos dos investimentos feitos em capacitação para os professores da instituição. "Nos últimos sete anos tivemos grandes incentivos em capacitação. Muitos professores foram estudar fora, e agora estamos colhendo os frutos destes investimentos", explica o professor.
O crescimento no número da oferta de cursos de pós-graduação não se restringe apenas às universidades públicas. As instituições privadas locais também já se preocupam com o assunto. Mather Christi, Unp e Facene ofertam cerca de 10 cursos de especialização nas mais diversas áreas do conhecimento. Nestas instituições, ainda não existem cursos de mestrado.

Doutorado ainda não é realidade
Apesar dos 30 anos de existência, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte não possui nenhum curso de doutorado. A dificuldade maior estaria em enquadrar a realidade dentro dos quesitos exigidos pela CAPES, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. As exigências vão desde a estrutura física mínima das instalações até o total de professores doutores existentes na universidade e envolvidos no curso.
Mas um dos itens principais diz respeito ao conceito obtido junto a Capes. Se no caso no mestrado, a o conceito deve ser quatro, no doutorado passa a ser cinco. Acrescenta-se ainda o número de publicações dos professores envolvidos.
O professor Pedro Fernandes explica que, apesar das exigências, a Uern não está distante de alcançar instalar cursos Strictus sensus. Mas para ele, o interessante, no momento, é manter os cursos de mestrado já existentes. "Essa é a nossa meta principal, agora. Trabalhar com a estrutura que temos e manter os cursos latu sensus. Não é que não pensemos em instalar curso de doutorado. Longe disso. Em breve teremos algum curso sim", comenta.

Trabalho infantil chega a 89 mil no RN
JANAÍNA HOLANDA
Da Redação

Cinco milhões de crianças em todo país desenvolvem algum tipo de atividade profissional. Mesmo proibido por lei, de norte a sul, a infância sofre ameaças.
A situação é pior no Nordeste: 10% de todas as crianças brasileiras que trabalham estão na Bahia, que concentra quase a metade dos pequenos trabalhadores da região. No Maranhão, Piauí e Ceará, de cada 100 crianças, 18 são forçadas a trabalhar.
No Rio Grande do Norte, a situação também é preocupante, já que mais de 89 mil potiguares trabalham como gente grande em carvoarias, lavoura, cooperativas, lixões, matadouros, atividades domésticas e feiras livres.
Aliás, o trabalho informal concentra atualmente o maior número de crianças em atividade profissional. "Mesmo sem estatística oficial, é possível afirmar que o trabalho informal envolve a maior parte dos trabalhadores mirins em Mossoró. São em sua maioria meninos que pastoram carros, vendem coisas no centro e também atuam como engraxate em restaurantes e bares da cidade", afirmou a Assistente Social Myrna Aparecida, coordenadora do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) no Município.
E como se trata de uma atividade informal, de endereço variante, a fiscalização é sempre mais difícil. Mesmo assim, as notificações estão acontecendo. A Procuradoria Regional do Trabalho de Mossoró aplicou no ano passado, 9 Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) e esse ano já foram 3 além dos processos que estão em andamento.
"Foram denúncias envolvendo trabalho infantil na lavoura, no comércio, no lixão, em propagandas e até na segurança armada", falou o procurador Fábio Romero Aragão, referindo-se ao caso de um adolescente de 17 anos que foi contratado por uma empresa de segurança em Mossoró para trabalhar armado, fazendo segurança privada.
Além de Mossoró, a Procuradoria do Trabalho responde por outros 26 municípios da região Oeste do Estado e isso acaba limitando o trabalho.
"Como é uma abrangência muito grande, eu tenho que trabalhar em parceria com outros órgãos que atuam na defesa dos direitos da criança e isso tem surtido bom efeito", falou o procurador.
Segundo ele, na região Oeste, Mossoró lidera o número de denúncias. A maioria, diz respeito ao comércio, contratação irregular, exploração de trabalho, entre outras exigências.
Um dos casos mais inusitados foi de um adolescente no circo, onde o trabalho é permitido, desde que na condição de aprendiz. O problema foi que o jovem era impedido de ter contato com a família e a promotoria teve que intervir.
Nos Conselhos Tutelares, uma das principais preocupações é a exploração doméstica, que é uma das situações mais difícil de fiscalizar. As crianças entre 5 e 13 anos são as mais vulneráveis, e as meninas as mais prejudicadas. Além disso, faltam denúncias.
"As pessoas às vezes até sabem do caso, mas não denunciam e isso dificulta muito o nosso trabalho", falou o conselheiro Naelson Silva.
Segundo ele, os casos mais comuns de denúncias que chegam aos conselhos de Mossoró referem-se à negligência, espancamento e atentado, que vem registrando um número considerável de casos esse ano.

RN na rota do refino de petróleo
Regy Carte
Da Redação

O anúncio da ampliação pela Petrobras da Unidade de Tratamento de Fluidos de Guamaré para produzir gasolina automotiva foi recebido com certo pessimismo por segmentos da classe política do Rio Grande do Norte, que vêem como insuficiente o investimento, de US$ 200 milhões, e defendem compensação mais significativa da Petrobras ao RN pela exploração do petróleo no Estado.
A senadora Rosalba Ciarlini (DEM), por exemplo, disse que o Rio Grande do Norte merece muito mais do que a ampliação do pólo de Guamaré e que tem o direito de receber refinaria de grande porte, como as previstas para o Ceará e Maranhão. O presidente da Assembléia Legislativa, Robinson Faria (PMN), afirmou que a Petrobras humilha o RN e que o Estado deve romper com a estatal por mais uma vez ter sido por ela preterido como sede de refinaria.
Em comunicado oficial divulgado terça-feira, 10, a Petrobras confirma a ampliação do pólo de Guamaré para transformá-lo na 12ª refinaria da empresa. A produção, porém, é pequena (cerca de 15 mil barris por dia) e será destinada ao mercado local.
A companhia também melhorará a qualidade do diesel que já é produzido em Guamaré e reduzirá o nível de enxofre dos atuais 1,2 mil para 50 partes por milhão. A nova unidade se somará às plantas industriais já existentes em Guamaré, onde são produzidos óleo diesel, querosene de aviação, gás natural, GLP e biodiesel

OPINIÃO TÉCNICA
Alheio a questão política, o consultor da área de recursos naturais, Jean Paul Prates, diz que o investimento no pólo de Guamaré vai transformá-lo em refinaria de médio porte e que o Rio Grande do Norte deve comemorar, sobretudo, por dois motivos: o reconhecimento da unidade de Guamaré como refinaria de petróleo, o que colocará o Estado no centro da política de refino do país, e o anúncio do investimento, que não se trata de projeto ou intenção, como no Maranhão e Ceará, mas fato concreto.
“O investimento terá repercussão de caráter estratégico na relação entre Petrobras e o Rio Grande do Norte. O pólo de Guamaré passará da área do ativo de produção para o ativo de refino da empresa. Essa mudança, imediata, tirará o Estado do tradicional foco de perfuração de poços e o colocará no centro da ação de refino no Brasil”, avalia.
O reconhecimento do pólo de Guamaré como refinaria, explica Prates, é o primeiro passo da caminhada rumo a benefícios futuros. “Trata-se de uma semente que renderá bons frutos ao Estado. Dá mais prestígio técnico ao Rio Grande do Norte, facilita a viabilização de novos projetos e abre novas possibilidades para o presente e para o futuro”, explica ele, entusiasmado.
Isso porque também ampliará a presença da Petrobras no RN, que ganharia mais uma diretoria técnica da empresa: de Refino e Abastecimento, a qual se somará às já existentes de Exploração e Produção e de Gás e Energia.
Jean Paul Prates também rechaça críticos do valor do investimento, que seria baixo diante dos previstos para as refinarias do Maranhão e do Ceará. “Já tem muita coisa feita em Guamaré, fruto de série de investimentos nos últimos anos, o que não exige investimento bilionário porque não começaríamos do zero, como o Maranhão, por exemplo”, observa.
Ele acredita que o Rio Grande do Norte superará dificuldades de logística, como de calado (mar raso para aporte de grandes embarcações) com outras vantagens de transporte, de energia e de produção, já que o petróleo produzido no Rio Grande do Norte é de alta rentabilidade, ou seja, de boa qualidade e de extração a baixo custo.

Refinaria do CE ainda continua no papel
A Petrobras ainda não oficializou a instalação de refinaria no Ceará. Em comunicado oficial divulgado na última terça-feira, 10, a estatal confirma apenas intenção de implantá-la.
“A Petrobras e o governo cearense estudarão os termos de um memorando de entendimentos, a ser firmado no prazo máximo de 120 dias, que estabelecerá as premissas iniciais para a atuação das partes na implementação do empreendimento”, diz o texto.
Para receber a refinaria, o Ceará terá de cumprir exigências da Petrobras, previstas nos termos nesse termo de compromisso e apresentadas por 14 técnicos da estatal ao governador Cid Gomes (PSB) em Fortaleza (CE), na última terça-feira.
Entre elas, a desapropriação de terreno de 14 quilômetros quadrados para instalação da planta de refino, água (fornecimento de 0,75 metro cúbico por segundo), energia elétrica (100 megawatts a cada hora), ampliação do Porto de Pecém e melhoria de acessos viários.
O governador Cid Gomes é cauteloso quanto à oficialização do empreendimento. “Estamos discutindo as questões. Há grandes possibilidades da refinaria vir para o Estado. Mas definido não está. Estará quando vier aqui o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, e junto comigo anunciar”, disse em entrevista ao Diário do Nordeste.
Mas Cid Gomes mostra-se confiante. Sobretudo porque, no projeto a ele apresentado por técnicos da Petrobras na reunião de terça-feira, não consta concorrência do Ceará com outro Estado. “Esse é um projeto específico para o Ceará”, revelou o diretor de abastecimento da petrolífera, Paulo Roberto Costa.

Tradição das fogueiras está se apagando
MAGNOS ALVES
Da Redação

Praticada há milhares de anos, a tradição de acender fogueiras durante os festejos juninos está se apagando. Antes, era comum ver fogueiras acesas nas noites que antecedem os dias de Santo Antônio, São João e São Pedro. Hoje, essa é uma imagem difícil de ser encontrada.
A reportagem do JORNAL DE FATO percorreu vários bairros de Mossoró na última quinta-feira (12) e teve dificuldades para encontrar fogueiras.
Motivo para que a chama dessa tradição esteja se apagando é falta de crença das pessoas mais jovens, afirmou a aposentada Maria Bernardete de Souza. “No meu tempo a gente reunia todas as famílias da rua e fazia fogueiras em todas as casas”, informou, acrescentando que, hoje, seus filhos já não fazem o mesmo.
A afirmação da aposentada é reiterada pela administradora Josélia Suely da Silva. Ela confessa que não vê atrativo nenhum para acender fogueiras. “É apenas mais um costume criado pelo povo de antigamente, como tantos outros”, opinou.
A dona-de-casa Marlene de Souza não acende fogueira, mas também não esquece de homenagear os santos. Para isso arrumou modo mais prático. “Acendo uma vela em todas as noites de fogueiras”, explicou.
Mesmo quem ainda acende fogueira já não preserva velhos costumes de antigamente, como os batizados de fogueira.
A aposentada Rita de Cássia de Arruda informou que é madrinha de fogueira de mais de uma dezena de pessoas. “Aumentei a família como os muitos compadres e afilhados de fogueira”, destacou.
Ela lembrou que praticamente em todos os anos era madrinha de alguém. “Mas já faz algum tempo que não ganhou um novo afilhado, acrescentou, em tom de lamento. “As pessoas não se interessam mais”, complementou.
A igreja reconheceu que já não se acendem fogueiras juninas como antigamente, mas garantiu que a tradição vai se manter.
O vigário geral da Diocese de Mossoró, padre Flávio Augusto de Melo, disse que a tradição de se acender fogueira sempre esteve voltada, principalmente, para a zona rural. Segundo ele, nas áreas rurais a tradição se mantém forte, especialmente na noite São João.
Padre Flávio observou que a questão ambiental contribuiu para que menos fogueiras sejam acesas nos dias de hoje. “Acender fogueira representa a queima de madeira, e muita gente não compartilha com a idéia de agredir o meio ambiente”, destacou.
O vigário explicou como foi iniciada a tradição de acender fogueiras no mês de junho. Segundo ele, conta à lenda que Isabel, grávida de João, encontrava-se nas montanhas de Judá, na companhia de sua prima Maria, noiva de José. Maria combinou com José que quando o filho de Isabel nascesse, acenderia uma fogueira para avisá-lo, já que se encontravam numa região isolada. “É por isso que em homenagem a São João são acesas fogueiras no dia 23 de junho”, complementou.

Arranjos
Cada uma das três fogueiras juninas exige um arranjo diferente. Na de Santo Antônio, as lenhas são atreladas em formato quadrangular; na de São Pedro, são em formato triangular e na de São João possui formato arredondado semelhante à pirâmide.

Cada fogueira representa três árvores
Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) revelou que para cada fogueira queimada seria necessário o replantio de três árvores por ano.
Segundo o professor do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas (DCSA), José Cláudio de Oliveira Flores, a utilização inadequada da madeira para a lenha é uma agressão à natureza.
A pesquisa apontou como solução, uma mobilização da sociedade para a preservação da natureza. “Também precisamos do apoio da igreja católica, que incentiva a tradição. Podemos sugerir ainda que as famílias de uma mesma rua se juntem e façam apenas uma fogueira. Dessa forma, também vamos diminuir o número de lenhas”, conclui.
Além dos danos ambientais, acender fogueira também representa perigo para a segurança dos que lidam com o fogo, principalmente crianças.
O Corpo de Bombeiros orienta para que não sejam montadas fogueiras muito altas, que podem desabar durante a queima provocando graves acidentes; nem próximo às linhas de energia elétrica, às árvores, a postos de combustíveis e a locais de concentração de público, como pontos de ônibus, por exemplo. Pede ainda que não se jogue qualquer produto inflamável para acender a fogueira, pois esse é um tipo de queima não controlada, e que não se permita que crianças soltem fogos dentro da fogueira.



       
 




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