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DE GRAÇA
SUS
tratará infertilidade em 6 meses
Edilson Damasceno
Da Redação
A Organização Mundial de Saúde (OMS) informa
que a infertilidade é um problema vivido por um percentual
de 8% a 15% dos casais, e que no Brasil o número chega a
278 mil. Diante dessa realidade, o Ministério da Saúde
lançou o programa de Reprodução Humana Assistida,
que terá o suporte do Sistema Único de Saúde
(SUS) no tratamento de mulheres e homens que querem filhos. O programa
tem um prazo de seis meses para ser iniciado em todo território
brasileiro. Em Mossoró, apesar da garantia do Governo Federal,
a iniciativa não será a curto prazo, pois não
se tem estrutura laboratorial e profissional para a atividade. A
gerente executiva da Saúde, Dorinha Burlamaqui, informa que
tem interesse, mas enfrentará dificuldades, e uma delas é
a ausência de um Centro de Saúde Reprodutiva, mas,
nesse caso específico, Dorinha afirma que manterá
contatos com médicos da área para propor parceria.
O tratamento para combater a infertilidade ou planejar uma fertilização
in vitro requer tempo. O ginecologista Inavan Lopes da Silveira,
explica que, além de demorado, os custos são elevados.
O ciclo de fertilização custa de R$ 8 mil a
R$ 10 mil, afirma o médico, acrescentando que não
é todo casal que dispõe de recursos para investir
no tratamento. Com o programa do Ministério da Saúde,
o médico acredita que essa realidade mudará.
Mas, a exemplo do que disse a gerente executiva da Saúde,
o ginecologista apesar de reconhecer que o programa é
excelente diz que ficará difícil colocá-lo
em prática em Mossoró. Tem que ter o suporte
de um laboratório e profissionais para tratar o sêmen.
Aqui tem laboratório, comenta, acrescentando que esse
projeto poderá ser efetivado a médio prazo.
Se houver interesse político, e estrutura básica,
Mossoró terá esse programa. Até porque nós
temos demanda para tal, diz o ginecologista, informando que
atende pacientes que têm problemas de infertilidade. A
procura é elevada e comum, garante. Ele diz que, como
não existe tratamento em Mossoró, orienta para que
os casais procurem o suporte de profissionais de Natal.
Custos
O tratamento, nesses casos, é complicado para casais carentes.
Como existem apenas dois centros especializados no assunto, em Natal,
os custos são elevados. É que, além do dinheiro,
de R$ 8 mil a R$ 10 mil, ainda terá gasto com passagem, alimentação
e hospedagem.
Com a implementação do programa do Ministério
da Saúde, todo o tratamento passará a ser feito em
Mossoró. Mas, além da falta de laboratório
e de biólogos especializados no trato do sêmen, o município
ainda enfrenta mais uma dificuldade: falta de obstetra, que faz
todo o acompanhamento durante a gestação via Sistema
Único de Saúde.
Professora
fez fertilização in vitro
A impossibilidade de ter um filho traz
uma série de problemas, e a frustração de não
poder ser mãe é grande, diz a professora Carla
Yara Castro, 38, do curso de Serviço Social da Universidade
do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Ela tinha problemas para
engravidar e passou oito anos tentando. Até que, em 2001
iniciou tratamento em Natal, da fertilização in vitro.
Em fevereiro de 2002, nasceram dois filhos, um menino e uma menina,
que hoje estão com seis anos. A professora informa que a
fertilização deu certo na terceira tentativa.
Para Carla Yara, a orientação para que procurasse
suporte em Natal partiu do ginecologista Inavan Lopes. Ela conta
que o médico Fábio Macedo foi quem coordenou o trabalho,
já que ele vinha desenvolvendo pesquisas com uma equipe da
Itália.
A professora ressalva que a infertilidade não é um
problema que acomete apenas mulheres, e que os homens também
estão sujeitos. Ela diz que o que impedia a gravidez era
uma endometriose (problema relacionado aparelho reprodutor feminino).
Fiz o tratamento, mas não obtive sucesso, e a saída
foi optar pela fertilização in vitro, diz.
Carla comenta que fez o tratamento quando tinha 32 anos, e aconselha
que as mulheres que tenham esse problema procurem orientação
médica antes dos 40 anos. Não que uma pessoa
com essa idade não possa, mas a possibilidade de sucesso
é maior antes dos 40 anos, já que a resistência
do corpo também conta muito, diz.
Para ela, a impossibilidade de ter filhos era frustrante. Agora,
seis anos depois, diz que todo o trabalho valeu a pena. Ter
meus filhos foi uma felicidade enorme, e o lado emocional conta
muito, comenta.
Sobre a possibilidade de Mossoró dispor desse serviço
gratuito, a professora diz que se essa expectativa se concretizar
será bom. Considero isso fantástico. É
um tratamento caro, e o SUS abrindo essa oportunidade, com certeza
muitos casais vão fazer o tratamento, diz.
Pesquisa
avança através de parcerias
Sandra Monteiro
Da redação
O crescimento da demanda de alunos e a necessidade de maiores avanços
no desenvolvimento na área de pesquisa "força"
às universidades mossorenses a mostrar resultados, que vêm
através da implantação de um número
crescente de cursos de pós-graduação. No caso
da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), somente
este ano teve início três cursos de mestrado nas áreas
de Ciências da Computação, Física e Letras.
A parceria com outras instituições de ensino superior
local, como a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)
e de outros estados da região, a exemplo da Universidade
Federal de Campina Grande (UFCG) e Universidade estadual do Ceará
(UECE), agrega valores e atrai estudantes de outras regiões
do País. Perla Viscovi veio de longe. Estado do Espírito
Santo. Ela já havia concluído uma especialização,
e ao tomar conhecimento da abertura de vagas para o mestrado em
Ciências da Computação, não pensou duas
vezes. Mudou-se para Mossoró e agora é mestranda na
Uern. "Confesso que não imaginei que poderia ser aprovada
na seleção, mas mandei os documentos necessários
e em seguida recebi a resposta. Comecei o curso e estou satisfeita",
comenta a estudante.
No caso específico do mestrado em Ciências da Computação,
a parceria se dá com a Ufersa. Ambas as instituições
dividem a coordenação do curso e realizam o intercâmbio
de professores. Para o professor Pedro Fernandes Ribeiro Neto, chefe
do Departamento de Informática da Uern, as parcerias são
indispensáveis para o avanço na implantação
de um número ainda maior de cursos da pós-graduação.
"É muito interessante adotar este tipo de parceria que
funciona aqui na Uern. Cada um participa com uma ferramenta e o
resultado são cursos de qualidade", ressalta Fernandes.
Segundo ele, uma das dificuldades enfrentadas pela universidade
é manter o aluno estudando sem o auxílio de bolsas
de estudo. A CAPES, Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior, fornece um número reduzido
deste tipo de incentivo, e a Uern precisa viabilizar mais bolsas
através do orçamento próprio. "Isso é
inovador. Somente nós fazemos este tipo de incentivo para
agregar resultados na pesquisa", acrescenta.
O professor Josias Caitano, que coordena as especializações
comemora os avanços. Ele explica que as implantações,
tanto das especializações quanto dos mestrados são
frutos diretos dos investimentos feitos em capacitação
para os professores da instituição. "Nos últimos
sete anos tivemos grandes incentivos em capacitação.
Muitos professores foram estudar fora, e agora estamos colhendo
os frutos destes investimentos", explica o professor.
O crescimento no número da oferta de cursos de pós-graduação
não se restringe apenas às universidades públicas.
As instituições privadas locais também já
se preocupam com o assunto. Mather Christi, Unp e Facene ofertam
cerca de 10 cursos de especialização nas mais diversas
áreas do conhecimento. Nestas instituições,
ainda não existem cursos de mestrado.
Doutorado
ainda não é realidade
Apesar dos 30 anos de existência, a Universidade do Estado
do Rio Grande do Norte não possui nenhum curso de doutorado.
A dificuldade maior estaria em enquadrar a realidade dentro dos
quesitos exigidos pela CAPES, Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior. As exigências vão
desde a estrutura física mínima das instalações
até o total de professores doutores existentes na universidade
e envolvidos no curso.
Mas um dos itens principais diz respeito ao conceito obtido junto
a Capes. Se no caso no mestrado, a o conceito deve ser quatro, no
doutorado passa a ser cinco. Acrescenta-se ainda o número
de publicações dos professores envolvidos.
O professor Pedro Fernandes explica que, apesar das exigências,
a Uern não está distante de alcançar instalar
cursos Strictus sensus. Mas para ele, o interessante, no momento,
é manter os cursos de mestrado já existentes. "Essa
é a nossa meta principal, agora. Trabalhar com a estrutura
que temos e manter os cursos latu sensus. Não é que
não pensemos em instalar curso de doutorado. Longe disso.
Em breve teremos algum curso sim", comenta.
Trabalho
infantil chega a 89 mil no RN
JANAÍNA HOLANDA
Da Redação
Cinco milhões de crianças em todo país desenvolvem
algum tipo de atividade profissional. Mesmo proibido por lei, de
norte a sul, a infância sofre ameaças.
A situação é pior no Nordeste: 10% de todas
as crianças brasileiras que trabalham estão na Bahia,
que concentra quase a metade dos pequenos trabalhadores da região.
No Maranhão, Piauí e Ceará, de cada 100 crianças,
18 são forçadas a trabalhar.
No Rio Grande do Norte, a situação também é
preocupante, já que mais de 89 mil potiguares trabalham como
gente grande em carvoarias, lavoura, cooperativas, lixões,
matadouros, atividades domésticas e feiras livres.
Aliás, o trabalho informal concentra atualmente o maior número
de crianças em atividade profissional. "Mesmo sem estatística
oficial, é possível afirmar que o trabalho informal
envolve a maior parte dos trabalhadores mirins em Mossoró.
São em sua maioria meninos que pastoram carros, vendem coisas
no centro e também atuam como engraxate em restaurantes e
bares da cidade", afirmou a Assistente Social Myrna Aparecida,
coordenadora do Programa de Erradicação do Trabalho
Infantil (PETI) no Município.
E como se trata de uma atividade informal, de endereço variante,
a fiscalização é sempre mais difícil.
Mesmo assim, as notificações estão acontecendo.
A Procuradoria Regional do Trabalho de Mossoró aplicou no
ano passado, 9 Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) e esse ano
já foram 3 além dos processos que estão em
andamento.
"Foram denúncias envolvendo trabalho infantil na lavoura,
no comércio, no lixão, em propagandas e até
na segurança armada", falou o procurador Fábio
Romero Aragão, referindo-se ao caso de um adolescente de
17 anos que foi contratado por uma empresa de segurança em
Mossoró para trabalhar armado, fazendo segurança privada.
Além de Mossoró, a Procuradoria do Trabalho responde
por outros 26 municípios da região Oeste do Estado
e isso acaba limitando o trabalho.
"Como é uma abrangência muito grande, eu tenho
que trabalhar em parceria com outros órgãos que atuam
na defesa dos direitos da criança e isso tem surtido bom
efeito", falou o procurador.
Segundo ele, na região Oeste, Mossoró lidera o número
de denúncias. A maioria, diz respeito ao comércio,
contratação irregular, exploração de
trabalho, entre outras exigências.
Um dos casos mais inusitados foi de um adolescente no circo, onde
o trabalho é permitido, desde que na condição
de aprendiz. O problema foi que o jovem era impedido de ter contato
com a família e a promotoria teve que intervir.
Nos Conselhos Tutelares, uma das principais preocupações
é a exploração doméstica, que é
uma das situações mais difícil de fiscalizar.
As crianças entre 5 e 13 anos são as mais vulneráveis,
e as meninas as mais prejudicadas. Além disso, faltam denúncias.
"As pessoas às vezes até sabem do caso, mas não
denunciam e isso dificulta muito o nosso trabalho", falou o
conselheiro Naelson Silva.
Segundo ele, os casos mais comuns de denúncias que chegam
aos conselhos de Mossoró referem-se à negligência,
espancamento e atentado, que vem registrando um número considerável
de casos esse ano.
RN
na rota do refino de petróleo
Regy Carte
Da Redação
O anúncio da ampliação pela Petrobras da Unidade
de Tratamento de Fluidos de Guamaré para produzir gasolina
automotiva foi recebido com certo pessimismo por segmentos da classe
política do Rio Grande do Norte, que vêem como insuficiente
o investimento, de US$ 200 milhões, e defendem compensação
mais significativa da Petrobras ao RN pela exploração
do petróleo no Estado.
A senadora Rosalba Ciarlini (DEM), por exemplo, disse que o Rio
Grande do Norte merece muito mais do que a ampliação
do pólo de Guamaré e que tem o direito de receber
refinaria de grande porte, como as previstas para o Ceará
e Maranhão. O presidente da Assembléia Legislativa,
Robinson Faria (PMN), afirmou que a Petrobras humilha o RN e que
o Estado deve romper com a estatal por mais uma vez ter sido por
ela preterido como sede de refinaria.
Em comunicado oficial divulgado terça-feira, 10, a Petrobras
confirma a ampliação do pólo de Guamaré
para transformá-lo na 12ª refinaria da empresa. A produção,
porém, é pequena (cerca de 15 mil barris por dia)
e será destinada ao mercado local.
A companhia também melhorará a qualidade do diesel
que já é produzido em Guamaré e reduzirá
o nível de enxofre dos atuais 1,2 mil para 50 partes por
milhão. A nova unidade se somará às plantas
industriais já existentes em Guamaré, onde são
produzidos óleo diesel, querosene de aviação,
gás natural, GLP e biodiesel
OPINIÃO TÉCNICA
Alheio a questão política, o consultor da área
de recursos naturais, Jean Paul Prates, diz que o investimento no
pólo de Guamaré vai transformá-lo em refinaria
de médio porte e que o Rio Grande do Norte deve comemorar,
sobretudo, por dois motivos: o reconhecimento da unidade de Guamaré
como refinaria de petróleo, o que colocará o Estado
no centro da política de refino do país, e o anúncio
do investimento, que não se trata de projeto ou intenção,
como no Maranhão e Ceará, mas fato concreto.
O investimento terá repercussão de caráter
estratégico na relação entre Petrobras e o
Rio Grande do Norte. O pólo de Guamaré passará
da área do ativo de produção para o ativo de
refino da empresa. Essa mudança, imediata, tirará
o Estado do tradicional foco de perfuração de poços
e o colocará no centro da ação de refino no
Brasil, avalia.
O reconhecimento do pólo de Guamaré como refinaria,
explica Prates, é o primeiro passo da caminhada rumo a benefícios
futuros. Trata-se de uma semente que renderá bons frutos
ao Estado. Dá mais prestígio técnico ao Rio
Grande do Norte, facilita a viabilização de novos
projetos e abre novas possibilidades para o presente e para o futuro,
explica ele, entusiasmado.
Isso porque também ampliará a presença da Petrobras
no RN, que ganharia mais uma diretoria técnica da empresa:
de Refino e Abastecimento, a qual se somará às já
existentes de Exploração e Produção
e de Gás e Energia.
Jean Paul Prates também rechaça críticos do
valor do investimento, que seria baixo diante dos previstos para
as refinarias do Maranhão e do Ceará. Já
tem muita coisa feita em Guamaré, fruto de série de
investimentos nos últimos anos, o que não exige investimento
bilionário porque não começaríamos do
zero, como o Maranhão, por exemplo, observa.
Ele acredita que o Rio Grande do Norte superará dificuldades
de logística, como de calado (mar raso para aporte de grandes
embarcações) com outras vantagens de transporte, de
energia e de produção, já que o petróleo
produzido no Rio Grande do Norte é de alta rentabilidade,
ou seja, de boa qualidade e de extração a baixo custo.
Refinaria
do CE ainda continua no papel
A Petrobras ainda não oficializou a instalação
de refinaria no Ceará. Em comunicado oficial divulgado na
última terça-feira, 10, a estatal confirma apenas
intenção de implantá-la.
A Petrobras e o governo cearense estudarão os termos
de um memorando de entendimentos, a ser firmado no prazo máximo
de 120 dias, que estabelecerá as premissas iniciais para
a atuação das partes na implementação
do empreendimento, diz o texto.
Para receber a refinaria, o Ceará terá de cumprir
exigências da Petrobras, previstas nos termos nesse termo
de compromisso e apresentadas por 14 técnicos da estatal
ao governador Cid Gomes (PSB) em Fortaleza (CE), na última
terça-feira.
Entre elas, a desapropriação de terreno de 14 quilômetros
quadrados para instalação da planta de refino, água
(fornecimento de 0,75 metro cúbico por segundo), energia
elétrica (100 megawatts a cada hora), ampliação
do Porto de Pecém e melhoria de acessos viários.
O governador Cid Gomes é cauteloso quanto à oficialização
do empreendimento. Estamos discutindo as questões.
Há grandes possibilidades da refinaria vir para o Estado.
Mas definido não está. Estará quando vier aqui
o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, e junto comigo
anunciar, disse em entrevista ao Diário do Nordeste.
Mas Cid Gomes mostra-se confiante. Sobretudo porque, no projeto
a ele apresentado por técnicos da Petrobras na reunião
de terça-feira, não consta concorrência do Ceará
com outro Estado. Esse é um projeto específico
para o Ceará, revelou o diretor de abastecimento da
petrolífera, Paulo Roberto Costa.
Tradição
das fogueiras está se apagando
MAGNOS ALVES
Da Redação
Praticada há milhares de anos, a tradição de
acender fogueiras durante os festejos juninos está se apagando.
Antes, era comum ver fogueiras acesas nas noites que antecedem os
dias de Santo Antônio, São João e São
Pedro. Hoje, essa é uma imagem difícil de ser encontrada.
A reportagem do JORNAL DE FATO percorreu vários bairros de
Mossoró na última quinta-feira (12) e teve dificuldades
para encontrar fogueiras.
Motivo para que a chama dessa tradição esteja se apagando
é falta de crença das pessoas mais jovens, afirmou
a aposentada Maria Bernardete de Souza. No meu tempo a gente
reunia todas as famílias da rua e fazia fogueiras em todas
as casas, informou, acrescentando que, hoje, seus filhos já
não fazem o mesmo.
A afirmação da aposentada é reiterada pela
administradora Josélia Suely da Silva. Ela confessa que não
vê atrativo nenhum para acender fogueiras. É
apenas mais um costume criado pelo povo de antigamente, como tantos
outros, opinou.
A dona-de-casa Marlene de Souza não acende fogueira, mas
também não esquece de homenagear os santos. Para isso
arrumou modo mais prático. Acendo uma vela em todas
as noites de fogueiras, explicou.
Mesmo quem ainda acende fogueira já não preserva velhos
costumes de antigamente, como os batizados de fogueira.
A aposentada Rita de Cássia de Arruda informou que é
madrinha de fogueira de mais de uma dezena de pessoas. Aumentei
a família como os muitos compadres e afilhados de fogueira,
destacou.
Ela lembrou que praticamente em todos os anos era madrinha de alguém.
Mas já faz algum tempo que não ganhou um novo
afilhado, acrescentou, em tom de lamento. As pessoas não
se interessam mais, complementou.
A igreja reconheceu que já não se acendem fogueiras
juninas como antigamente, mas garantiu que a tradição
vai se manter.
O vigário geral da Diocese de Mossoró, padre Flávio
Augusto de Melo, disse que a tradição de se acender
fogueira sempre esteve voltada, principalmente, para a zona rural.
Segundo ele, nas áreas rurais a tradição se
mantém forte, especialmente na noite São João.
Padre Flávio observou que a questão ambiental contribuiu
para que menos fogueiras sejam acesas nos dias de hoje. Acender
fogueira representa a queima de madeira, e muita gente não
compartilha com a idéia de agredir o meio ambiente,
destacou.
O vigário explicou como foi iniciada a tradição
de acender fogueiras no mês de junho. Segundo ele, conta à
lenda que Isabel, grávida de João, encontrava-se nas
montanhas de Judá, na companhia de sua prima Maria, noiva
de José. Maria combinou com José que quando o filho
de Isabel nascesse, acenderia uma fogueira para avisá-lo,
já que se encontravam numa região isolada. É
por isso que em homenagem a São João são acesas
fogueiras no dia 23 de junho, complementou.
Arranjos
Cada uma das três fogueiras juninas exige um arranjo diferente.
Na de Santo Antônio, as lenhas são atreladas em formato
quadrangular; na de São Pedro, são em formato triangular
e na de São João possui formato arredondado semelhante
à pirâmide.
Cada
fogueira representa três árvores
Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Estadual do Sudoeste
da Bahia (UESB) revelou que para cada fogueira queimada seria necessário
o replantio de três árvores por ano.
Segundo o professor do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas
(DCSA), José Cláudio de Oliveira Flores, a utilização
inadequada da madeira para a lenha é uma agressão
à natureza.
A pesquisa apontou como solução, uma mobilização
da sociedade para a preservação da natureza. Também
precisamos do apoio da igreja católica, que incentiva a tradição.
Podemos sugerir ainda que as famílias de uma mesma rua se
juntem e façam apenas uma fogueira. Dessa forma, também
vamos diminuir o número de lenhas, conclui.
Além dos danos ambientais, acender fogueira também
representa perigo para a segurança dos que lidam com o fogo,
principalmente crianças.
O Corpo de Bombeiros orienta para que não sejam montadas
fogueiras muito altas, que podem desabar durante a queima provocando
graves acidentes; nem próximo às linhas de energia
elétrica, às árvores, a postos de combustíveis
e a locais de concentração de público, como
pontos de ônibus, por exemplo. Pede ainda que não se
jogue qualquer produto inflamável para acender a fogueira,
pois esse é um tipo de queima não controlada, e que
não se permita que crianças soltem fogos dentro da
fogueira.
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