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MOSSORÓ (RN), QUINTA-FEIRA, 15/05/2008 (ATUALIZADO: 01:37hs)
 
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» Delegada vem ouvir presos em Mossoró


TENTATIVA DE FUGA
Líderes serão transferidos para Alcaçuz
Os 26 apenados envolvidos na tentativa de fuga frustrada na madrugada de domingo, 11, de um dos blocos do Complexo Penal Agrícola Doutor Mário Negócio serão punidos pela direção daquela unidade prisional. Três deles, apontados como os líderes do movimento, serão transferidos para o presídio de Alcaçuz, em Nísia Floresta, e o restante vai receber punição administrativa e pode ainda responder pelos danos que provocaram durante a depredação das celas, que tiveram suas grades serradas. O inquérito para apurar esse caso deverá ser instaurado na Segunda Delegacia de Polícia.
Segundo Alvibar Gomes, que é major da Polícia Militar e dirige aquela unidade prisional, pelo menos três apenados foram identificados como os líderes da tentativa de fuga, que vinha sendo arquitetada havia vários meses e foi colocada em prática há poucos dias, quando o túnel começou a ser cavado na cela de número 2 no bloco B do pavilhão do Regime Fechado. Os líderes são Aerton Tavares, “Biro-Biro”, condenado por homicídio, e os irmãos Alexander e Alexandro Gomes Rocha, assaltantes. “Eu estou esperando só confirmar as vagas para transferir”, adianta o major Alvibar Gomes.
O diretor daquele complexo revelou ainda que vai acionar o Ministério Público Estadual para solicitar abertura de um inquérito criminal para apurar as conseqüências da tentativa de fuga, como por exemplo a depredação do prédio público. “Eles vão ter que responder também pelo crime que estão cometendo quando destroem as celas do presídio”, destaca o oficial militar, acrescentando ainda que a pena, caso venham a ser condenados, pode ser de até três anos, que devem ser somados à pena que eles já foram condenados. “Eles têm que responder criminalmente também”, enfatiza Alvibar.
Até o fim da tarde de terça-feira passada, o clima ainda era tenso dentro do complexo. O major Alvibar explicou que os presos estavam reclamando da suspensão do banho-de-sol por causa da tentativa de fuga. “Eu não tinha como liberar antes que as celas fossem reparadas. Nós passamos a tarde inteira para tapar o buraco. Mas hoje tudo voltou ao normal”, diz Alvibar, acrescentando que o banho-de-sol foi liberado para os que tinham direito e ainda houve até visita. “Está tudo como antes”, reforça o oficial militar, explicando que a tentativa de fuga é resultado da deficiência do sistema local.
“A Justiça demora para avaliar os processos e, enquanto isso, os presos ficam aqui esperando para sair. É por isso que eles acabam tentando fugir”, conta Alvibar, acrescentando ainda que a superlotação do sistema carcerário também agrava a situação dentro do Estado. “É uma conseqüência. O sistema está superlotado. Não tem mais vaga para ninguém”, diz o major Alvibar, que passa pela mesma situação das outras unidades que abrigam presos dentro do Estado. Na Cadeia Pública Juiz Manoel Onofre de Souza, o quadro é ainda mais crítico. São mais de 200 presos em condições desumanas.

Presos tentam fugir através de um túnel
Domingo passado, agentes penitenciários do Complexo Penal Agrícola Doutor Mário Negócio, situado na zona rural de Mossoró, evitaram o que poderia ter sido uma das maiores fugas em massa dos últimos anos. A suspeita é que cerca de 40 apenados poderiam fugir através de um buraco que foi cavado dentro do bloco B do Regime Fechado. O túnel media mais de vinte metros de comprimento e dois de largura e contava uma estrutura razoável, com sistema interno de ventilação e eletricidade. A areia retirada do buraco era colocada em sacos plásticos dentro das celas ou em cima das camas de alvenaria. A fuga só não foi concretizada porque os presos foram flagrados durante a madrugada pelo sistema de câmeras que é instalado nos corredores dos blocos. Todos foram retirados de suas celas, resultando no fim do plano. O buraco foi tapado anteontem e a ordem voltou ao presídio.

Delegada vem ouvir presos em Mossoró
Os presos Francisco Gleison Dantas, Rafânio Brito de Medeiros e Ricardo Gledson Lima Silva serão ouvidos hoje pela delegada Sheila Maria sobre a tentativa de assalto que resultou na morte do eletricista mossoroense José Etelvino da Silva, que tinha 58 anos e foi assassinado com dois tiros de pistola no dia 4 deste mês, em Triunfo Potiguar. A suspeita é que o trio esteja diretamente ligado a um numeroso grupo de criminosos que pode estar por trás de vários crimes que foram registrados no interior do Rio Grande do Norte nos últimos meses, como assaltos, pistolagem e tráfico de drogas.
Segundo um policial lotado na Delegacia de Caraúbas, Sheila chega hoje em Mossoró com uma equipe para ouvir os três suspeitos e dar continuidade nas investigações em torno do latrocínio ocorrido na cidade de Triunfo Potiguar. “Ela está indo aí com uma equipe para ouvir esse pessoal e também para fazer algumas diligências que podem ajudar a esclarecer o crime”, adiantou o policial, acrescentando ainda que, além do latrocínio, o trio deverá ser ouvido também a respeito do roubo de um WV Pólo de cor preta que foi usado durante o assalto da Guanabara, ocorrido entre Mossoró e Assu.
Além da delegada Sheila Maria, Gleison, Ricardo e Rafânio são investigados por vários outros delegados do interior do RN. Em Mossoró, por exemplo, há um inquérito em andamento sendo conduzido por Antônio Pinto, da Primeira Delegacia de Polícia Civil, outro por Luís Fernando Sávio, que responde pela Especializada em Furtos e Roubos (DEFUR), além do delegado Edvan Queiros, de Areia Branca. Os delegados Roberto Moura, da regional de Patu, e Ronaldo Gomes, do Departamento Especializado no Combate e Investigação Contra o Crime Organizado (DEICOR) auxiliam também.
O trio foi preso em Mossoró pela Polícia Militar na noite de domingo passado, acusado de assaltar o vereador Osnildo Morais, que é sargento da PM, e tentar contra a filha de um juiz aposentado. Com o bando foram apreendidas três pistolas de uso exclusivo, munições de vários calibres e outros objetos que estão sendo analisados – um dos celulares apreendidos com eles foi reconhecido por uma vítima de Caicó, que foi assaltada pela quadrilha. O trio, que já tinha outros processos na Justiça, vai responder agora por assalto e formação de quadrilha – com o agravante de estarem todos armados.



       




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