

Salvador
Estive
em Salvador, na Bahia, duas vezes no mesmo mês, com uns quinze
dias de diferença. Em ambas as vezes, permanência de
apenas um dia, contado da tarde de um para a tarde do outro. Quer
dizer, vinte e quatro horas. Andando o mais das vezes a pé,
e era a maior parte do meu dia, conheci muito pouco de Salvador,
mais ali pelo centro, principalmente a parte antiga.
Para começo, de duas coisas fiquei com pena, até hoje:
não conheci por dentro o Instituto Nina Rodrigues, em obras
de conservação, e a casa onde morou Rui Barbosa, fechada
à visitação pública,. não me
lembro bem por quê. Também serviço de conservação,
parece. O que não deixa de ser uma frustração
de ordem intelectual, eu que lá cheguei com essa intenção
na cabeça.
Meio para baixo, meus olhos já anteviam, com antecipada satisfação,
todo o interior daqueles prédios de feição
antiga, no traço arquitetônico como no aspecto de respeitável
erudição, mas, como dito, como que se nublaram em
face da impossibilidade, tomei outros rumos pela cidade misteriosa,
como se diz. Nas ruas do meu trânsito de um só dia,
procurando sentir a cidade.
Quero dizer, a alma da cidade, na feição antiga dos
seus sobrados densos da vida escritural que ficou para a contemplação
dos séculos, nas pedras quase pretas do tempo daquelas ruas
da cidade antiga, ou dito melhor, da Cidade Velha. Em principal,
a Baixa do Sapateiro, com o Pelourinho a campear, sem o orgulho
dos monumentos heróicos, tendo por pano de fundo, no tempo,
a ignomínia sobre o nosso sangue ancestral.
Mas, a bem dizer, e isto me traz uma certa frustração,
conheço mesmo Salvador é pela literatura do baiano
Jorge Amado, por assim falar, historicamente descomprometida. Isto
quer dizer a cidade aquém dos arredores do seu tempo histórico,
que minha disposição, lá, não foi suficiente
para conhecer-lhe a alma digamos profunda, no seu Tudo forjado na
bigorna dos séculos, vá lá a figura cediça,
à falta de outra que me salve do lugar-comum, pulgão
do estilo.
Elogio
Secretaria da Saúde do Estado elogia o trabalho realizado
pela Prefeitura de Mossoró com o fim de evitar uma epidemia
de dengue na cidade.
Desmantelo
O prefeito de Areia Branca, Souza, ainda às voltas com o
desmantelo deixado pelo prefeito que o substituiu por desgraçados
sete meses, por força de uma cassação de mandato
engendrada pelo arbítrio.
Pessoa
Na Independência e na Casa da Revista o livro Momentos de
Reflexão, uma visão do homem diante da vida, do nosso
amigo João Pessoa. Dos bons livros do gênero.
LINGUAGEM
ELA ANDA
COMO SE VOASSE. O estudante João Damasceno pergunta, de Natal,
se, para analisar este período, é preciso subentender:
Ele anda como andaria se voasse. Absolutamente não. Deve-se
analisar o que está. Assim. Período composto por subordinação
(duas orações). Oração principal: Ela
anda. Oração subordinada adverbial condicional hipotética
- como se voasse. Conectivo subordinativo: como se. Toda análise
que exige subentendimento é sempre deficiente (Antenor Nascentes).Como
dito, deve-se analisar o que está.
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