

Prisão
mostra a Wilma que poder tem limites
Era sexta-feira
13, mas nem a governadora Wilma de Faria fazia idéia do que
o dia de ontem a esperava. Logo de madrugadinha, o mundo desabou
sobre seus ombros com a notícia de que a Polícia Federal
havia cercado vistosamente o edifício onde reside seu único
filho varão, o advogado Lauro Maia Neto, que tem o nome de
um falecido homem público que morreu sem perder sua dignidade,
e, pior ainda, com a informação de que nem seu prestígio
impediria a prisão do rapaz. Munidos de determinação
judicial, os policiais o levariam de qualquer jeito, assim como
a outros doze indigitados numa investigação que vinha
evoluindo desde meados do ano passado a respeito de matreirices
na administração de lícitações
promovidas com recursos de Brasília pela Secretaria Estadual
de Saúde. O que primeiramente lhe aconteceu foi a recorrência
de uma crise de hipertensão que agora lhe sobrevêm
sempre que enfrenta adversidades. Cercada de médicos e contando
com a presença, em sua residência, do advogado Erick
Pereira, antigo especialista em direito eleitoral que a família
no poder está forçando a se aprofundar no criminal,
o que Wilma passou a tentar, inclusive envolvendo autoridades ministeriais
em Brasília, foi interferir no modus faciendi.
Mostrou que não suportaria o sofrimento de saber que fotógrafos
e cinegrafistas houvessem registrado o momento em que Lauro saísse
de casa com as mãos algemadas como as do filho do ex-governador
paulista Paulo Maluf. Antes que ele fosse levado para a sede natalense
da Polícia Federal, Natal já estava dominada pela
maré de informações a respeito desta ofensiva:
a começar pelos blogues e seguindo as emissoras de rádio
e televisão locais, todo mundo repassava o que sabia, quem
sabe acrescentando o ponto determinado pelo velho ditado popular.
O certo era que treze pessoas, a princípio, haviam sido presas,
nos mais diferentes pontos de Natal, por conta de uma constatação
a que a polícia e o ministério público federais
haviam chegado, de que uma quadrilha orquestrada depauperava sem
pena o erário a partir da Secretaria de Saúde. Estranhamente,
para muitos natalenses, nem o atual anestesiologista Adelmaro Cavalcanti
Júnior, nem os administradores que o precederam à
frente da pasta constavam da lista de presos, a despeito de circular
na praça, a partir da sede da Polícia Federal, a informação
de que o objeto das investigações vem crescendo como
bola de neve desde, pelo menos, o segundo mandato do atual presidente
do Congresso Nacional, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB), na
cadeira de dona Wilma. Mas haviam sido trancafiadas pessoas sobre
as quais ninguém residente em Natal seria capaz de lançar
a menor sobra de dúvida ou suspeita, a começar pela
esposa do secretário de Segurança, advogado Carlos
Castim, a contabilista Leonora, que administrava as finanças
da pasta da Saúde. A maior surpresa correspondia à
detenção da advogada Rosa Maria Filgueira Caldas,
procuradora do Estado, que a princípio ninguém relacionava
à secretaria responsável pela aplicação
no Rio Grande do Norte de boa parte dos recursos repassados pelo
Sistema Único de Saúde (SUS). Quanto a Lauro, é
impressionante, ninguém mostrou surpresa. Compreende-se:
havia muito tempo que seu nome vinha sendo mencionado em relação
a vícios comprometedores em termos de gestão da res
pública. Ele foi a grande presença oculta no escândalo
do Foliaduto, aquela contratação fraudulenta
de conjuntos musicais que em nome da Fundação José
Augusto e com dinheiro e papéis administrativos deste órgão
era feita à sombra de Lauro no gabinete civil da mãe
Wilma. Pior do que isto, antes mesmo dela assumir o governo, em
2003, o nome de Lauro já fornia inquéritos policiais
e investigações do Ministério Público
Federal por conta de relações que ele nunca conseguiu
esclarecer com os piores suspeitos de formação de
uma grande quadrilha de âmbito nacional, a do Ouro Negro.
Na hora do fechamento desta coluna, nem Wilma nem ninguém
poderia prever o que ocorreria a Lauro Neto, mas todo eleitor em
Natal chegava à conclusão de que a prisão deste
veio finalmente explicar o fato de a governadora ter caído
naquela armação que a levou a apoiar subitamente um
nome do PT a prefeito da capital em detrimento do projeto de candidatura
em que ela vinha investindo pessoalmente desde a apuração
dos votos de 2006, a do deputado federal Rogério Marinho,
seu correligionário formal no PSB. Desde a hora em que Wilma
se ajoelhou e passou a rezar a catilina da união dos aliados
locais do presidente Lula da Silva, sem ver como ficou exposta a
discriminação contra outro candidato aliado deste,
a deputada estadual Micarla de Souza, cujo partido, o PV, ocupa
cadeira na equipe presidencial, muita gente perguntava em Natal
sobre qual teria sido o objeto da chantagem que a enquadrou tão
facilmente. Muitos pensavam que ao deserdar Rogério, Wilma,
mãe, estaria garantindo que ninguém em Brasílla
tiraria de cima do processo relativo ao Ouro Negro,
que tramita em segredo de justiça em tribunal superior, a
pedra que garantia sobrevida à liberdade de Lauro. No início
da tarde, porém, constatou-se que a prisão não
tinha nada a ver com este escândalo. Curiosamente, decorria
de investigação que o governo de Wilma iniciou contra
seu antecessor no Palácio Potengi, o ex-governador Fernando
Freire. A versão mais consistente que chegou ao conhecimento
de integrantes da comissão de combate à corrupção
criada recentemente pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) era
de que as prisões foram ensejadas pela evolução
que Polícia Federal e Ministérios Públicos
Federal e Estadual haviam promovido nas investigações
alusivas à contratação de mão de obra
fictícia por Fernando Freire e colaboradores, inclusive.
Acontece que se pode determinar como uma investigação
deve se iniciar, mas nem sempre se garante como termina. Após
dissecarem a questão dos gafanhotos, como foram
referenciados os servidores fantasmas, os investigadores resolveram
horizontalizar mais a questão, partindo do princípio
de que gratificações fixadas por lei constituíam
ponta de lenço para arraia miúda. Era nas contratações
das empresas que deveria residir o filé da corrupção.
Ocorre que, ao investigarem o governo pretérito, os policiais
e procuradores da instância federal chegaram à conclusão
de que as práticas haviam sido mantidas e a única
novidade na praça eram os novos nomes e sobrenomes dos praticantes.
Para azar de Wilma, o de Lauro era o nome mais sonoro que aparecia,
recorrentemente, nas páginas produzidas pelas investigações.
Centenário
e esquecimento
O centenário de nascimento do saudoso governador Walfredo
Gurgel, um homem de bem na melhor expressão da palavra, transcorrerá
a 2 de dezembro deste ano, e até agora ninguém apareceu
querendo promover algo em sua homenagem.
Corrupção
Tão logo tomou conhecimento das treze prisões que
a Polícia Federal efetuou na manhã de ontem em Natal,
uma delas a do advogado Lauro Maia Neto, filho e assessor direto
da governadora Wilma de Faria, o professor Wagner Alcântara,
presidente da Comissão de Combate à Corrupção
instalada recentemente pela seccional potiguar da Ordem dos Advogados
(OAB), compareceu à sede da corporação, na
Cidade da Esperança, em Natal. Não foi assegurar os
direitos do colega, como rezam os estatuso da OAB, e sim para mostrar
o interesse da autarquia especial no acompanhamento das investigações
em curso sobre irregularidades nas contratações pela
Secretaria Estadual de Saúde.
Prisão
dá mais tempo a Castim na Segurança
Às vezes, como diz um velho ditado, uma topada leva pra frente.
A prisão da contabilista Leonora Castim, coordenadora financeira
da Secretaria Estadual de Saúde, ontem, pela Polícia
Federal, deverá adiar a saída de seu marido, o advogado
Carlos, da Secretaria de Segurança, onde estaria rifado há
muito tempo, conforme vinha sugerindo o notíciário
político em Natal.
Acordão
Antes de tudo, não participei do acórdão
grafado no alto da coluna de ontem e pelo qual, assim mesmo, peço
desculpas ao leitor. O título que saiu de meu computador
não tinha o acento sobre o a, mas informática
tem mistérios que nunca compreenderei.
Plantão
A 14ª Vara Cível de Mossoró é quem garantirá,
no final de semana, o plantão do Poder Judiciário
nesta e nas comarcas de Areia Branca e Baraúnas, conforme
escala montada pelo tribunal estadual.
|