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MOSSORÓ (RN), SÁBADO, 14/06/2008 (ATUALIZADO: 01:27hs)
 
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Prisão mostra a Wilma que poder tem limites
Era sexta-feira 13, mas nem a governadora Wilma de Faria fazia idéia do que o dia de ontem a esperava. Logo de madrugadinha, o mundo desabou sobre seus ombros com a notícia de que a Polícia Federal havia cercado vistosamente o edifício onde reside seu único filho varão, o advogado Lauro Maia Neto, que tem o nome de um falecido homem público que morreu sem perder sua dignidade, e, pior ainda, com a informação de que nem seu prestígio impediria a prisão do rapaz. Munidos de determinação judicial, os policiais o levariam de qualquer jeito, assim como a outros doze indigitados numa investigação que vinha evoluindo desde meados do ano passado a respeito de matreirices na administração de lícitações promovidas com recursos de Brasília pela Secretaria Estadual de Saúde. O que primeiramente lhe aconteceu foi a recorrência de uma crise de hipertensão que agora lhe sobrevêm sempre que enfrenta adversidades. Cercada de médicos e contando com a presença, em sua residência, do advogado Erick Pereira, antigo especialista em direito eleitoral que a família no poder está forçando a se aprofundar no criminal, o que Wilma passou a tentar, inclusive envolvendo autoridades ministeriais em Brasília, foi interferir no “modus faciendi”. Mostrou que não suportaria o sofrimento de saber que fotógrafos e cinegrafistas houvessem registrado o momento em que Lauro saísse de casa com as mãos algemadas como as do filho do ex-governador paulista Paulo Maluf. Antes que ele fosse levado para a sede natalense da Polícia Federal, Natal já estava dominada pela maré de informações a respeito desta ofensiva: a começar pelos blogues e seguindo as emissoras de rádio e televisão locais, todo mundo repassava o que sabia, quem sabe acrescentando o ponto determinado pelo velho ditado popular. O certo era que treze pessoas, a princípio, haviam sido presas, nos mais diferentes pontos de Natal, por conta de uma constatação a que a polícia e o ministério público federais haviam chegado, de que uma quadrilha orquestrada depauperava sem pena o erário a partir da Secretaria de Saúde. Estranhamente, para muitos natalenses, nem o atual anestesiologista Adelmaro Cavalcanti Júnior, nem os administradores que o precederam à frente da pasta constavam da lista de presos, a despeito de circular na praça, a partir da sede da Polícia Federal, a informação de que o objeto das investigações vem crescendo como bola de neve desde, pelo menos, o segundo mandato do atual presidente do Congresso Nacional, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB), na cadeira de dona Wilma. Mas haviam sido trancafiadas pessoas sobre as quais ninguém residente em Natal seria capaz de lançar a menor sobra de dúvida ou suspeita, a começar pela esposa do secretário de Segurança, advogado Carlos Castim, a contabilista Leonora, que administrava as finanças da pasta da Saúde. A maior surpresa correspondia à detenção da advogada Rosa Maria Filgueira Caldas, procuradora do Estado, que a princípio ninguém relacionava à secretaria responsável pela aplicação no Rio Grande do Norte de boa parte dos recursos repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Quanto a Lauro, é impressionante, ninguém mostrou surpresa. Compreende-se: havia muito tempo que seu nome vinha sendo mencionado em relação a vícios comprometedores em termos de gestão da res pública. Ele foi a grande presença oculta no escândalo do “Foliaduto”, aquela contratação fraudulenta de conjuntos musicais que em nome da Fundação José Augusto e com dinheiro e papéis administrativos deste órgão era feita à sombra de Lauro no gabinete civil da mãe Wilma. Pior do que isto, antes mesmo dela assumir o governo, em 2003, o nome de Lauro já fornia inquéritos policiais e investigações do Ministério Público Federal por conta de relações que ele nunca conseguiu esclarecer com os piores suspeitos de formação de uma grande quadrilha de âmbito nacional, a do “Ouro Negro”. Na hora do fechamento desta coluna, nem Wilma nem ninguém poderia prever o que ocorreria a Lauro Neto, mas todo eleitor em Natal chegava à conclusão de que a prisão deste veio finalmente explicar o fato de a governadora ter caído naquela armação que a levou a apoiar subitamente um nome do PT a prefeito da capital em detrimento do projeto de candidatura em que ela vinha investindo pessoalmente desde a apuração dos votos de 2006, a do deputado federal Rogério Marinho, seu correligionário formal no PSB. Desde a hora em que Wilma se ajoelhou e passou a rezar a catilina da união dos aliados locais do presidente Lula da Silva, sem ver como ficou exposta a discriminação contra outro candidato aliado deste, a deputada estadual Micarla de Souza, cujo partido, o PV, ocupa cadeira na equipe presidencial, muita gente perguntava em Natal sobre qual teria sido o objeto da chantagem que a enquadrou tão facilmente. Muitos pensavam que ao deserdar Rogério, Wilma, mãe, estaria garantindo que ninguém em Brasílla tiraria de cima do processo relativo ao “Ouro Negro”, que tramita em segredo de justiça em tribunal superior, a pedra que garantia sobrevida à liberdade de Lauro. No início da tarde, porém, constatou-se que a prisão não tinha nada a ver com este escândalo. Curiosamente, decorria de investigação que o governo de Wilma iniciou contra seu antecessor no Palácio Potengi, o ex-governador Fernando Freire. A versão mais consistente que chegou ao conhecimento de integrantes da comissão de combate à corrupção criada recentemente pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) era de que as prisões foram ensejadas pela evolução que Polícia Federal e Ministérios Públicos Federal e Estadual haviam promovido nas investigações alusivas à contratação de mão de obra fictícia por Fernando Freire e colaboradores, inclusive. Acontece que se pode determinar como uma investigação deve se iniciar, mas nem sempre se garante como termina. Após dissecarem a questão dos “gafanhotos”, como foram referenciados os servidores fantasmas, os investigadores resolveram horizontalizar mais a questão, partindo do princípio de que gratificações fixadas por lei constituíam ponta de lenço para arraia miúda. Era nas contratações das empresas que deveria residir o filé da corrupção. Ocorre que, ao investigarem o governo pretérito, os policiais e procuradores da instância federal chegaram à conclusão de que as práticas haviam sido mantidas e a única novidade na praça eram os novos nomes e sobrenomes dos praticantes. Para azar de Wilma, o de Lauro era o nome mais sonoro que aparecia, recorrentemente, nas páginas produzidas pelas investigações.

Centenário e esquecimento
O centenário de nascimento do saudoso governador Walfredo Gurgel, um homem de bem na melhor expressão da palavra, transcorrerá a 2 de dezembro deste ano, e até agora ninguém apareceu querendo promover algo em sua homenagem.

Corrupção
Tão logo tomou conhecimento das treze prisões que a Polícia Federal efetuou na manhã de ontem em Natal, uma delas a do advogado Lauro Maia Neto, filho e assessor direto da governadora Wilma de Faria, o professor Wagner Alcântara, presidente da Comissão de Combate à Corrupção instalada recentemente pela seccional potiguar da Ordem dos Advogados (OAB), compareceu à sede da corporação, na Cidade da Esperança, em Natal. Não foi assegurar os direitos do colega, como rezam os estatuso da OAB, e sim para mostrar o interesse da autarquia especial no acompanhamento das investigações em curso sobre irregularidades nas contratações pela Secretaria Estadual de Saúde.

Prisão dá mais tempo a Castim na Segurança
Às vezes, como diz um velho ditado, uma topada leva pra frente. A prisão da contabilista Leonora Castim, coordenadora financeira da Secretaria Estadual de Saúde, ontem, pela Polícia Federal, deverá adiar a saída de seu marido, o advogado Carlos, da Secretaria de Segurança, onde estaria rifado há muito tempo, conforme vinha sugerindo o notíciário político em Natal.

Acordão
Antes de tudo, não participei do “acórdão” grafado no alto da coluna de ontem e pelo qual, assim mesmo, peço desculpas ao leitor. O título que saiu de meu computador não tinha o acento sobre o “a”, mas informática tem mistérios que nunca compreenderei.

Plantão
A 14ª Vara Cível de Mossoró é quem garantirá, no final de semana, o plantão do Poder Judiciário nesta e nas comarcas de Areia Branca e Baraúnas, conforme escala montada pelo tribunal estadual.



       




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