

Não esperemos por milagre
Todos
falamos mal dos políticos, as mais vezes generalizando, e
lhes atribuímos o atraso do nosso país, sob todos
os aspectos. Na verdade, é bem de ver que, querendo, poderiam
eles mudar a realidade presente para um padrão de dignidade
em termos de nação e de povo. Mas, para tanto, falta
alguma coisa, que é bem a vontade popular, como ocorre nos
países do chamado primeiro mundo.
A verdade, porém, é que não vai ser só
pela vontade dos políticos que o Brasil tomará impulso
no rumo da organização política e social, indiscutivelmente
o fundamento da prosperidade econômica como deve ser. Aplica-se,
aqui, a lei de causa e efeito. Quero dizer, sem a força revolucionária
das classes oprimidas, eles os políticos continuarão
chumbados a suas atitudes acomodadas e individualistas.
Ainda, quero dizer, explicando-me, somente o povo, mudando de mentalidade,
pela educação política, pode mudar a realidade
que aí está, forçando governantes e legisladores
a estabelecerem o equilíbrio entre ricos e pobres, ainda
como se dá no dito primeiro mundo. É obra do povo,
portanto. Fora daí, será comodismo além da
conta a esperança, ou convicção, de que isto
possa vir a ocorrer por milagre. O homem é o sujeito (sociologia).
Verdade seja que, aos poucos (não direi aos muitos) as massas
populares vão abrindo os olhos para a realidade que as cerca,
mas ainda é muito pouco, quase nada. É bem o fato
que os nossos homens de governo não aluirão do lugar
em que se fixaram, sem que uma força preponderante, ou seja
a revolta das massas oprimidas, numa relação de causalidade,
os predisponha à solidariedade social.
Não é por outra coisa que é geralmente dito
e sabido que está da parte da educação o progressos
dos povos e das nações. No que ainda estamos muito
abaixo na escala desse valor, em termos mundiais. Não será
de bom alvitre, todavia, o perder-se a esperança; mas firmes
na convicção de que não será por milagre
que o nosso Brasil venha a ser um país decente, respeitado
no concerto das nações.
Recado
Dr. Paulo Linhares, preciso falar com vossamecê. Em que mundo,
em que estrela posso encontrá-lo?
Reeleição
Vão se avolumando adesões à reeleição
da prefeita Fafá Rosado, notadamente pelo seu trabalho à
frente da municipalidade, se mais não seja pela humildade
com que faz política e pelo trato pessoal.
CPI
5,28 milhões de reais do governo federal é uma boa
grana. O senador Colombo apura o paradeiro.
LINGUAGEM
VULTOSA QUANTIA
ou VULTUOSA QUANTIA? Quer saber leitor do Jornal de Fato. Na verdade,
muitos cometem equívoco no emprego de um vocábulo
e do outro. O primeiro (vultoso) significa de grande vulto, volumoso,
elevado: Fundações políticas recebem do governo
vultosas quantias. O segundo (vultuoso) quer dizer atacado de vultuosidade,
doença que provoca inchação em toda a face:
Ela amanheceu com o rosto vultuoso. Para quantia, indenização,
recompensa etc., use "vultoso".
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