

PRESSÃO
PDT
quer Claudionor fora da liderança
JULIERME TORRES
Da Redação
O presidente do PDT de Mossoró, vereador Claudionor dos Santos,
deve se afastar da liderança da prefeita Fafá Rosado
(DEM) na Câmara Municipal. Isso ficou definido em uma reunião
da executiva municipal do partido com 20 pré-candidatos a
vereador. Os membros do PDT temem que a posição de
seu dirigente crie dificuldades para negociar com outros blocos
políticos.
Segundo o suplente de vereador Jório Nogueira (PDT), os pré-candidatos
não tentaram enquadrar Claudionor. Ele disse que o entendimento
da maioria do partido é que, tendo em vista que o PDT ainda
não tem compromisso fechado com nenhum candidato a prefeito,
fica incoerente que o presidente do partido lidere o bloco de apoio
da prefeita que vai tentar a reeleição.
Jório lembrou que o apoio de Claudionor e do vereador Aluísio
Feitosa (PDT) a Fafá Rosado é pessoal. O suplente
disse que o partido não está exigindo o rompimento
político deles com a prefeita. "Pedimos apenas que Claudionor
se afaste da liderança da prefeita até que o partido
decida seu rumo político", explicou Jório, acrescentando
que fica complicado o líder da base governista negociar,
em nome de seu partido, um entendimento, por exemplo, com a candidatura
de Larissa Rosado.
De acordo com Jório Nogueira, Claudionor acatou o pedido
do diretório. Ele disse que o vereador se comprometeu a seguir
qualquer deliberação da maioria dos membros do PDT
e ficou de procurar o grupo da prefeita Fafá Rosado para
comunicar a decisão partidária.
Na noite de ontem, Claudionor cumpriu parcialmente a promessa. Ele
se reuniu com o chefe de Gabinete da prefeita, Gustavo Rosado. A
reunião, ocorrida no Palácio da Resistência,
durou pouco mais de uma hora e não foi conclusiva.
"Não conversamos sobre isso. Haverá outra oportunidade",
disse Claudionor, por telefone, evitando estender o diálogo
sobre a possibilidade de deixar a liderança da prefeita na
Câmara. O vereador, que ontem pela manhã participou,
junto com outras lideranças do PDT, da festa em que o PT
lançou o nome de Tércio Pereira para vice de Larissa
Rosado, garantiu que o PDT ainda está discutindo o rumo que
vai tomar nas eleições deste ano.
Já, Gustavo Rosado, contou mais detalhes da reunião.
Ele disse que Claudionor lhe garantiu não ter interesse de
se afastar da liderança da prefeita, mas reclamou que estaria
sendo pressionado no PDT. Gustavo disse ainda que o vereador preferiu
não informar quais os membros do PDT que estariam defendendo
a aproximação do partido com a candidatura de Larissa
Rosado.
Como alternativa para tentar contornar o impasse, Claudionor pediu
que a própria prefeita ou o deputado estadual Leonardo Nogueira
(DEM) participasse de uma reunião com todo o PDT. Esse encontro
seria para tentar solucionar os pontos de divergência e permitir
que a sigla participe da aliança que vai defender a reeleição
da prefeita.
"Eu me comprometi a trabalhar para que essa reunião
aconteça ainda nesta semana", disse Gustavo Rosado,
acrescentando que a prefeita tem pressa nesse diálogo. "Estamos
abertos e conversando com todos os partidos que pretendam se engajar
nesse projeto", informou.
Tércio
será o vice de Larissa e PSB
espera negociar com a proporcional
Está fechada a primeira chapa para
a disputa da Prefeitura de Mossoró. Ontem, o Partido dos
Trabalhadores (PT) apresentou o nome de seu presidente, Tércio
Pereira, para ser o candidato a vice-prefeito na chapa que será
encabeçada pela deputada estadual Larissa Rosado (PSB). Essa
será a primeira vez, desde 1982, que os petistas não
terão um candidato a prefeito.
A apresentação da chapa de oposição
à prefeita Fafá Rosado (DEM) trouxe a Mossoró
os principais nomes do PT potiguar. O presidente do diretório
estadual, Geraldo Pinto, disse que a decisão foi "um
amadurecimento". O deputado estadual Fernando Mineiro falou
em alinhamento de Mossoró à proposta de transformação
representada pelo Governo Lula.
O agora pré-candidato a vice-prefeito, Tércio Pereira,
disse que o PT abdicou de ter uma candidatura própria a prefeito
de Mossoró em nome de uma proposta maior, que seria a unificação
da base de apoio do presidente Lula. Ele garantiu que a executiva
nacional de seu partido vem acompanhando esses entendimentos, e
convocou os outros partidos da base lulista a se integrar à
aliança.
Apesar da convocação de Tércio, esse engajamento
não parece fácil. O PR e o PC do B não se fizeram
representados na festa para lançar a chapa Larissa/Tércio.
A novidade foi a participação dos representantes do
PDT. Estiveram no evento o suplente de vereador Thomaz Neto (PDT),
o presidente de honra Rútilo Coelho e o presidente do diretório
municipal, vereador Claudionor dos Santos, que também é
líder da prefeita Fafá Rosado na Câmara. O vereador
Francisco José Júnior (PMN) também compareceu
e apontou que está bem mais próximo de fechar aliança
em torno de Larissa.
Outra surpresa foi a participação dos vereadores do
PDMB Izabel Montenegro e Daniel Gomes. Eles participaram da festa
do PT e, inclusive, tiveram direito à participação
na mesa com as lideranças da base lulista.
Com a chapa majoritária fechada, as lideranças do
PSB de Mossoró encontraram um novo discurso para tentar o
diálogo com os partidos "rebeldes". A deputada
federal Sandra Rosado (PSB) afirmou que os entendimentos podem avançar
pela chapa proporcional e na divisão de espaços em
um eventual governo socialista.
Larissa Rosado afirmou que, tendo em vista o compromisso com o PT,
os entendimentos com os outros partidos da base do presidente Lula
serão feitos a partir da chapa proporcional. A pré-candidata
garantiu que, se eleita, vai fazer um governo de coalizão,
abrindo espaços para os partidos que lhe deram apoio.
PMDB
Os líderes do PT e do PSB reafirmaram ontem que ainda trabalham
com a perspectiva de repetir em Mossoró o entendimento de
Natal, e esperam que o PMDB do senador Garibaldi Filho se integre
ao bloco que vai apoiar a chapa Larissa/Tércio.
Sandra Rosado afirmou que deve prevalecer a afinidade da base do
presidente Lula, em que o partido Democratas, do senador José
Agripino Maia, é apontado como principal adversário
do Governo Lula. Esse entendimento foi reafirmado pelo presidente
estadual do PT, Geraldo Pinto.
Geraldão disse que o presidente Lula não faz intervenção
nos partidos aliados, mas que está fazendo um "pedido"
ao senador Garibaldi Filho. "O presidente Lula deve voltar
a Mossoró, para mais um contato com a população
da cidade", garantiu o dirigente.

Mangabeira
no comando do PAS foi a gota dágua para Marina Silva
Brasília (AE) - Cinco anos, quatro
meses e treze dias depois de assumir o cargo de ministra do Meio
Ambiente, a senadora Marina Silva (PT-AC) cumpriu a promessa de
que perderia a cabeça "mas não o juízo".
Numa carta enviada ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, ela pediu demissão do cargo. Nesse caso, perder o
juízo seria continuar no governo tendo de conviver com o
ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger,
como coordenador do Plano Amazônia Sustentável (PAS).
Com a ministra, saem também dois auxiliares de sua absoluta
confiança: Basileu Aparecido, que acumula as funções
de chefe de gabinete de Marina e presidente do Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA),
e João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Meio
Ambiente e presidente do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade.
O desfalque para o Planalto é ainda maior, embora incomensurável.
A saída de Marina abala a imagem do Brasil no exterior. A
ex-ministra era uma espécie de porta-estandarte da defesa
do meio ambiente no Brasil e candidata a ganhar o prêmio Nobel
da Paz.
A desmontagem da equipe do Meio Ambiente foi negociada. Basileu
reuniu-se durante toda a tarde e noite de hoje com a ministra. Disse
que ajudará na transição, visto que a saída
é de todo um grupo e não somente da ministra.
Oficialmente, a assessoria de Marina Silva informou que o afastamento
dela ocorreu por causa de uma série de desgastes gerados
por ações do governo com as quais não concordava
e uma seqüência de insatisfações com as
atitudes do próprio presidente Luiz Inácio Lula da
Silva. Mas aquilo que pode ser qualificado de "gota d'água"
foi, de fato, a escolha de Mangabeira Unger para a chefia do conselho
gestor do Plano Amazônia Sustentável, embora a ministra
tenha orientado todos os assessores a negar essa versão,
por não querer se envolver numa discussão sem fim
com seu desafeto.
Por se julgar a pessoa que mais entende de Amazônia dentro
do governo - ela nasceu no Acre, lá cresceu, tornou-se vereadora,
deputada federal e senadora -, Marina sentiu-se desprestigiada pelo
presidente Lula por não ser a responsável pelas ações
que teriam como prioridade garantir a proteção ambiental
da região. No fim de semana, reunida com assessores e aliados
na sua casa, comunicou que deixaria o cargo e voltaria ao Senado.
Sua promessa de que preferia perder a cabeça mas não
o juízo foi relembrada.
Na solenidade de lançamento do plano, o presidente Lula chegou
a fazer um comentário pró-Marina, dizendo que ela
seria a "mãe do PAS", numa referência ao
fato de a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ter sido chamada
por ele de "mãe do PAC (Programa de Aceleração
de Crescimento). Em vez de agradar a ministra, o comentário
de Lula a irritou muito. Segundo um amigo da ministra, a reação
dela foi do tipo "eu sou a mãe do PAS, mas quem vai
criar o filho é outra pessoa".
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