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MOSSORÓ (RN), QUARTA-FEIRA, 14/05/2008 (ATUALIZADO: 01:37hs)
 
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» PDT quer Claudionor fora da liderança

» Tércio será o vice de Larissa
» Mangabeira no comando do PAS foi a gota d’água para Marina


PRESSÃO
PDT quer Claudionor fora da liderança
JULIERME TORRES
Da Redação

O presidente do PDT de Mossoró, vereador Claudionor dos Santos, deve se afastar da liderança da prefeita Fafá Rosado (DEM) na Câmara Municipal. Isso ficou definido em uma reunião da executiva municipal do partido com 20 pré-candidatos a vereador. Os membros do PDT temem que a posição de seu dirigente crie dificuldades para negociar com outros blocos políticos.
Segundo o suplente de vereador Jório Nogueira (PDT), os pré-candidatos não tentaram enquadrar Claudionor. Ele disse que o entendimento da maioria do partido é que, tendo em vista que o PDT ainda não tem compromisso fechado com nenhum candidato a prefeito, fica incoerente que o presidente do partido lidere o bloco de apoio da prefeita que vai tentar a reeleição.
Jório lembrou que o apoio de Claudionor e do vereador Aluísio Feitosa (PDT) a Fafá Rosado é pessoal. O suplente disse que o partido não está exigindo o rompimento político deles com a prefeita. "Pedimos apenas que Claudionor se afaste da liderança da prefeita até que o partido decida seu rumo político", explicou Jório, acrescentando que fica complicado o líder da base governista negociar, em nome de seu partido, um entendimento, por exemplo, com a candidatura de Larissa Rosado.
De acordo com Jório Nogueira, Claudionor acatou o pedido do diretório. Ele disse que o vereador se comprometeu a seguir qualquer deliberação da maioria dos membros do PDT e ficou de procurar o grupo da prefeita Fafá Rosado para comunicar a decisão partidária.
Na noite de ontem, Claudionor cumpriu parcialmente a promessa. Ele se reuniu com o chefe de Gabinete da prefeita, Gustavo Rosado. A reunião, ocorrida no Palácio da Resistência, durou pouco mais de uma hora e não foi conclusiva.
"Não conversamos sobre isso. Haverá outra oportunidade", disse Claudionor, por telefone, evitando estender o diálogo sobre a possibilidade de deixar a liderança da prefeita na Câmara. O vereador, que ontem pela manhã participou, junto com outras lideranças do PDT, da festa em que o PT lançou o nome de Tércio Pereira para vice de Larissa Rosado, garantiu que o PDT ainda está discutindo o rumo que vai tomar nas eleições deste ano.
Já, Gustavo Rosado, contou mais detalhes da reunião. Ele disse que Claudionor lhe garantiu não ter interesse de se afastar da liderança da prefeita, mas reclamou que estaria sendo pressionado no PDT. Gustavo disse ainda que o vereador preferiu não informar quais os membros do PDT que estariam defendendo a aproximação do partido com a candidatura de Larissa Rosado.
Como alternativa para tentar contornar o impasse, Claudionor pediu que a própria prefeita ou o deputado estadual Leonardo Nogueira (DEM) participasse de uma reunião com todo o PDT. Esse encontro seria para tentar solucionar os pontos de divergência e permitir que a sigla participe da aliança que vai defender a reeleição da prefeita.
"Eu me comprometi a trabalhar para que essa reunião aconteça ainda nesta semana", disse Gustavo Rosado, acrescentando que a prefeita tem pressa nesse diálogo. "Estamos abertos e conversando com todos os partidos que pretendam se engajar nesse projeto", informou.

Tércio será o vice de Larissa e PSB
espera negociar com a proporcional
Está fechada a primeira chapa para a disputa da Prefeitura de Mossoró. Ontem, o Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou o nome de seu presidente, Tércio Pereira, para ser o candidato a vice-prefeito na chapa que será encabeçada pela deputada estadual Larissa Rosado (PSB). Essa será a primeira vez, desde 1982, que os petistas não terão um candidato a prefeito.
A apresentação da chapa de oposição à prefeita Fafá Rosado (DEM) trouxe a Mossoró os principais nomes do PT potiguar. O presidente do diretório estadual, Geraldo Pinto, disse que a decisão foi "um amadurecimento". O deputado estadual Fernando Mineiro falou em alinhamento de Mossoró à proposta de transformação representada pelo Governo Lula.
O agora pré-candidato a vice-prefeito, Tércio Pereira, disse que o PT abdicou de ter uma candidatura própria a prefeito de Mossoró em nome de uma proposta maior, que seria a unificação da base de apoio do presidente Lula. Ele garantiu que a executiva nacional de seu partido vem acompanhando esses entendimentos, e convocou os outros partidos da base lulista a se integrar à aliança.
Apesar da convocação de Tércio, esse engajamento não parece fácil. O PR e o PC do B não se fizeram representados na festa para lançar a chapa Larissa/Tércio. A novidade foi a participação dos representantes do PDT. Estiveram no evento o suplente de vereador Thomaz Neto (PDT), o presidente de honra Rútilo Coelho e o presidente do diretório municipal, vereador Claudionor dos Santos, que também é líder da prefeita Fafá Rosado na Câmara. O vereador Francisco José Júnior (PMN) também compareceu e apontou que está bem mais próximo de fechar aliança em torno de Larissa.
Outra surpresa foi a participação dos vereadores do PDMB Izabel Montenegro e Daniel Gomes. Eles participaram da festa do PT e, inclusive, tiveram direito à participação na mesa com as lideranças da base lulista.
Com a chapa majoritária fechada, as lideranças do PSB de Mossoró encontraram um novo discurso para tentar o diálogo com os partidos "rebeldes". A deputada federal Sandra Rosado (PSB) afirmou que os entendimentos podem avançar pela chapa proporcional e na divisão de espaços em um eventual governo socialista.
Larissa Rosado afirmou que, tendo em vista o compromisso com o PT, os entendimentos com os outros partidos da base do presidente Lula serão feitos a partir da chapa proporcional. A pré-candidata garantiu que, se eleita, vai fazer um governo de coalizão, abrindo espaços para os partidos que lhe deram apoio.

PMDB
Os líderes do PT e do PSB reafirmaram ontem que ainda trabalham com a perspectiva de repetir em Mossoró o entendimento de Natal, e esperam que o PMDB do senador Garibaldi Filho se integre ao bloco que vai apoiar a chapa Larissa/Tércio.
Sandra Rosado afirmou que deve prevalecer a afinidade da base do presidente Lula, em que o partido Democratas, do senador José Agripino Maia, é apontado como principal adversário do Governo Lula. Esse entendimento foi reafirmado pelo presidente estadual do PT, Geraldo Pinto.
Geraldão disse que o presidente Lula não faz intervenção nos partidos aliados, mas que está fazendo um "pedido" ao senador Garibaldi Filho. "O presidente Lula deve voltar a Mossoró, para mais um contato com a população da cidade", garantiu o dirigente.

Mangabeira no comando do PAS foi a gota d’água para Marina Silva
Brasília (AE) - Cinco anos, quatro meses e treze dias depois de assumir o cargo de ministra do Meio Ambiente, a senadora Marina Silva (PT-AC) cumpriu a promessa de que perderia a cabeça "mas não o juízo". Numa carta enviada ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela pediu demissão do cargo. Nesse caso, perder o juízo seria continuar no governo tendo de conviver com o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, como coordenador do Plano Amazônia Sustentável (PAS).
Com a ministra, saem também dois auxiliares de sua absoluta confiança: Basileu Aparecido, que acumula as funções de chefe de gabinete de Marina e presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), e João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Meio Ambiente e presidente do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade.
O desfalque para o Planalto é ainda maior, embora incomensurável. A saída de Marina abala a imagem do Brasil no exterior. A ex-ministra era uma espécie de porta-estandarte da defesa do meio ambiente no Brasil e candidata a ganhar o prêmio Nobel da Paz.
A desmontagem da equipe do Meio Ambiente foi negociada. Basileu reuniu-se durante toda a tarde e noite de hoje com a ministra. Disse que ajudará na transição, visto que a saída é de todo um grupo e não somente da ministra.
Oficialmente, a assessoria de Marina Silva informou que o afastamento dela ocorreu por causa de uma série de desgastes gerados por ações do governo com as quais não concordava e uma seqüência de insatisfações com as atitudes do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas aquilo que pode ser qualificado de "gota d'água" foi, de fato, a escolha de Mangabeira Unger para a chefia do conselho gestor do Plano Amazônia Sustentável, embora a ministra tenha orientado todos os assessores a negar essa versão, por não querer se envolver numa discussão sem fim com seu desafeto.
Por se julgar a pessoa que mais entende de Amazônia dentro do governo - ela nasceu no Acre, lá cresceu, tornou-se vereadora, deputada federal e senadora -, Marina sentiu-se desprestigiada pelo presidente Lula por não ser a responsável pelas ações que teriam como prioridade garantir a proteção ambiental da região. No fim de semana, reunida com assessores e aliados na sua casa, comunicou que deixaria o cargo e voltaria ao Senado. Sua promessa de que preferia perder a cabeça mas não o juízo foi relembrada.
Na solenidade de lançamento do plano, o presidente Lula chegou a fazer um comentário pró-Marina, dizendo que ela seria a "mãe do PAS", numa referência ao fato de a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ter sido chamada por ele de "mãe do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento). Em vez de agradar a ministra, o comentário de Lula a irritou muito. Segundo um amigo da ministra, a reação dela foi do tipo "eu sou a mãe do PAS, mas quem vai criar o filho é outra pessoa".




       




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