

ALIANÇA
João
Maia confirma decisão do PR hoje
Julierme Torres
Da Redação
O Partido da República (PR) define hoje o rumo que vai tomar
nas eleições de Mossoró. O deputado federal
João Maia, presidente estadual da sigla, desembarca no Aeroporto
Augusto Severo às 17h para, após reunião com
os pré-candidatos a vereador, decidir se mantém o
projeto de candidatura própria, ou se firma aliança
com uma das duas alas da família Rosado.
"Amanhã (hoje) tem que decidir. Pode até não
haver um anúncio, mas tem que sair uma decisão",
disse João Maia, ontem. O deputado garantiu que vem a Mossoró
desarmado e disposto a ouvir. A reunião que vai definir o
futuro dos republicanos vai acontecer durante um jantar na casa
do empresário Alberto Néo.
João Maia adiou seu desembarque em Mossoró para o
final da tarde a pedido da governadora Wilma de Faria (PSB). Ele
vai almoçar com a líder socialista. No cardápio,
consta as eleições em Natal e Mossoró. "Não
tem como não falar sobre isso com a governadora", admitiu
o deputado, que ao acrescentar que não poderia falar muito
para não atrapalhar as conversas que terá hoje.
Enquanto espera por uma decisão do líder republicano,
o vereador Renato Fernandes (PR) garante que ainda acredita na manutenção
de sua candidatura a prefeito de Mossoró. Como prova desse
otimismo, Renato disse que já comunicou à Justiça
Eleitoral que a convenção do PR será no próximo
dia 22, e já solicitou as dependências da Câmara
Municipal para realizar o evento.
Renato Fernandes confirmou a afirmação de João
Maia quanto a uma decisão. "De amanhã (hoje)
não pode passar. Até porque nem temos mais tempo",
afirmou o vereador, que garantiu que nos últimos três
dias tem evitado falar com o deputado federal, para que não
fique a impressão de que estaria fazendo algum tipo de pressão.
"Minha opinião é que João vai respeitar
a autonomia do diretório. Com isso, minha candidatura estará
mantida", afirmou Renato Fernandes, admitindo estar consciente
que o líder de seu partido estaria sendo pressionado. "Caso
seja tomada outra decisão, vou apoiar os candidatos a vereador
do partido. Apenas isso", garantiu.
De acordo com o vereador, as especulações de que assumiriam
um posto no Governo do Estado, em troca da retirada de sua candidatura
a prefeito, não tem base. Renato Fernandes garantiu que não
foi convidado, e afirma que não está disposto a aceitar
outra missão, que não seja a de disputar a Prefeitura
de Mossoró.
"Não é vaidade. Acontece que recebi uma tarefa
do partido. Assumi algumas posturas e firmei compromissos",
justificou Renato Fernandes, ao dizer que não pretende fazer
uma campanha de prefeito agressiva contra a família Rosado.
"Não vou fazer o que houver no Avança Mossoró,
com aquela história de férias para os Rosados. Apenas
acho que existe espaço para um projeto alternativo",
analisou.
DEMOCRATAS
Fernandes confirmou que o diálogo do PR com o Democratas,
da prefeita Fafá Rosado (DEM) foi reaberto, mas negou que
a iniciativa tenha sido de seu partido. Ele disse que chegou a ter
um rápido diálogo com o ex-deputado estadual Carlos
Augusto Rosado no Aeroporto de Mossoró, na noite de inauguração
da Avenida Rio Branco, e que se buscou uma conversa com João
Maia.
"Tem um fundo de verdade a informação que o diálogo
foi reaberto, mas não tenho informação de avanço
com o Democratas em Mossoró", afirmou Renato Fernandes.
Agripino
questiona prestígio da base
de Lula no RN ao cobrar investimentos
José Paulo Tupinambá
Agência Senado
O senador José Agripino (DEM-RN) protestou em Plenário,
ontem (12), pela falta de atendimento das demandas do Rio Grande
do Norte por parte do governo federal. Ele reclamou das negativas
para a instalação de uma fábrica de PVC em
Guamaré; de uma refinaria de petróleo; e de socorro
para as plantações e salinas destruídas pelas
últimas enchentes.
José Agripino disse que as salinas de Macau foram, em grande
parte, destruídas pelas cheias, lembrando que o Estado produz
95% do sal marinho do Brasil. Afirmou que o governo anunciou a liberação
de R$ 78 milhões e, depois, mais R$ 20 milhões para
socorrer as vítimas das enchentes, não só do
Rio Grande do Norte, mas também do Piauí, do Maranhão,
da Paraíba e de Pernambuco. No entanto, nenhum recurso chegou
até agora.
"O Rio Grande do Norte tem o presidente do Senado (Garibaldi
Alves Filho), tem o líder do PMDB (na Câmara, deputado
Henrique Eduardo Alves), a governadora é da base aliada (Wilma
Faria, PSB), mas o governo (federal) diz não a todos os interesses
do Estado", afirmou Agripino.
O parlamentar também criticou a decisão do governo
de instalar a refinaria de petróleo entre o Maranhão
- que não produz petróleo ou gás - e o Ceará
- que produz muito pouco -, preterindo o Rio Grande do Norte, que
produz mais de 100 mil barris de petróleo diariamente. Lamentou
ainda a negativa para a construção da fábrica
de PVC - matéria-prima para a fabricação de
plástico - em Guamaré, cidade que tem vantagens logísticas
importantes para a atividade.
Agripino ainda citou a paralisação do trânsito
na BR 384, que liga Mossoró a Assu, em protesto contra a
situação calamitosa no Estado. "A fome é
má conselheira; daqui a pouco vai haver baderna feia",
advertiu.

Presidente
do TSE diz que jornais devem evitar proselitismo político
Brasília (AE) - O presidente do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, afirmou ontem (12),
que entrevistas concedidas por pré-candidatos a jornais impressos,
que possam ser contestadas por adversários políticos,
ou pelo Ministério Público, ou supostamente configurar
propaganda antecipada, serão analisadas caso a caso pela
Justiça Eleitoral.
Os jornais, de acordo com ele, podem entrevistar pré-candidatos
desde que não beneficiem deliberadamente os políticos
ou tenham a intenção de antecipar a campanha política.
"O que devem fazer é evitar o proselitismo e o marketing
pessoal", afirmou.
A promotoria de Justiça Eleitoral representou contra a empresa
Folha da Manhã S.A., que edita a 'Folha de S.Paulo",
na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo por uma entrevista
concedida pela pré-candidata à prefeitura da cidade
Marta Suplicy (PT). A matéria foi publicada na edição
do último dia 4.
Para o MP, a entrevista se configuraria como propaganda eleitoral
antecipada. Em resposta, a empresa informou hoje que "a entrevista
publicada não é propaganda, é material jornalístico".
Garibaldi
Filho prevê dificuldades para governo conseguir aprovar CSS
Brasília (AE) - Mesmo com um novo nome
de batismo, a CPMF enfrentará no Senado um velho problema:
a articulação de senadores contrários à
Contribuição Social para a Saúde (CSS).
Ontem (12), o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou
que a aprovação da Casa "não vai ser fácil",
uma vez que mesmo na Câmara, onde o governo tem uma situação
tranqüila, o resultado foi apertado. "Se o governo não
tiver as devidas precauções, pode realmente ter um
insucesso como teve com a CPMF. O resultado da Câmara é
um aviso e, ao mesmo tempo, uma advertência em relação
ao Senado", disse.
Garibaldi disse que já pediu à consultoria do Senado
alternativas ao imposto do cheque para se prevenir diante de um
eventual impasse. "Pode ser que nos vejamos diante de um impasse
e tenhamos que apelar para uma alternativa, que poderia ser a transferência
da cobrança de impostos para a saúde de produtos como
cigarros, bebidas e determinados automóveis de luxo, de importação
e bingos", afirmou. "Essa cobrança da CSS não
me parece a mais viável, a mais sintonizada com o sentimento
da sociedade, com a carga tributária que nós temos
aí", prosseguiu.
Indagado se não estava falando como oposicionista, o presidente
do Senado reagiu, sorrindo: "Eu estou falando como se fosse
da sociedade, eu estou me colocando na situação do
cidadão, mas reconheço que a saúde precisa
ter recursos para poder cumprir seus objetivos que são os
mais necessários possíveis", disse.
Há uma sintonia no Senado que atravessa partidos da base
e da oposição contra a CSS. "Há um grande
número de senadores da base governista achando que o projeto
é uma provocação ao Congresso e que o voto
contra a CSS é um gesto de legítima defesa do Senado",
disse o líder do DEM, Agripino Maia (RN).
Integrante da base, o senador Renato Casagrande (PSB-ES) considera
que será difícil a aprovação da nova
CPMF. Mesmo sendo líder de um partido da base governista,
que encampa a promoção do novo imposto, Casagrande
se vê numa situação complicada para votar a
matéria. "Nós já tivemos um desgaste muito
grande com a votação da CPMF no Senado no final do
ano passado", afirmou o senador em entrevista à Rádio
Eldorado.
A recriação da CPMF será uma corrida de obstáculos
para os defensores do novo imposto. Além de atuar no Senado
para derrubar a CSS, a oposição questionará
no Supremo Tribunal Federal (STF) a constitucionalidade do projeto,
caso seja aprovado pelo Senado.
No entanto, o ministro da Justiça, Tarso Genro, defende que
a aprovação da CSS não significará nada
além de "mais recursos para a saúde". Para
Genro, da mesma forma que o fim da CPMF não trouxe "nenhuma
vantagem direta ou indireta para os brasileiros", a aprovação
da CSS não mexerá com o bolso do contribuinte.
OAB
promete questionar a legalidade
da CSS
Brasília (AE) - O presidente nacional
da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, disse que
o Conselho Federal da OAB também poderá apresentar
ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação direta
de inconstitucionalidade (ADI) da Contribuição Social
para a Saúde (CSS) - aprovada pela Câmara - se sua
criação for confirmada pelo Senado. Senadores dos
partidos oposicionistas PSDB e DEM já anunciaram que poderão
questionar no Supremo a constitucionalidade da CSS.
Britto fez, porém, a ressalva de que espera que o projeto
de criação da CSS seja derrubado pelos senadores,
assim como fizeram, em dezembro passado, com a Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
As declarações de Britto constam de nota distribuída
ontem (12) pela Assessoria de Imprensa da OAB.
Ele disse que a rejeição da CSS seria uma questão
de coerência para os senadores, já que extinguiram
a CPMF, mas, caso o projeto seja aprovado, determinará à
Comissão de Estudos Constitucionais da OAB Nacional uma análise
da matéria e, depois, submeterá o assunto à
reunião que o conselho federal da OAB fará no dia
11 de agosto. Caberá ao conselho, segundo Britto, decidir
se propõe ou não ao STF a inconstitucionalidade da
contribuição.
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