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ESTRANGEIROS
Incra
investiga aquisição ilegal de terras
Esdras Marchezan
Da Redação
Silenciosos, estrangeiros interessados em comprar terras brasileiras
estão 'invadindo' o Rio Grande do Norte e muitos de forma
ilegal e sem conhecimento do Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (INCRA). Dados do instituto mostram que
14.643 hectares de terra no Rio Grande do Norte estão em
poder de estrangeiros, mas a realidade é bem diferente do
que os números apresentam, sugere o presidente do Incra/RN,
Paulo Sidney. A falta de comunicação entre os cartórios
dos municípios e os órgãos nacionais de fiscalização
está acobertando o investimento milionário de estrangeiros
em terras potiguares.
"Temos notícias do investimento de muitos grupos internacionais
em toda a costa potiguar, desde Tibau até a outra ponta do
Estado. Por isso achamos que o total de terras (nas mãos
de estrangeiros) é maior que o registrado", disse ele.
Em todo o Brasil, 3,8 milhões de hectares de terra estão
nas mãos de estrangeiros. Somente em Mato Grosso, os investidores
internacionais têm aproximadamente 754 mil hectares, divididos
em 1.377 propriedades rurais. Seguem na lista São Paulo e
Mato Grosso do Sul estado em que os estrangeiros têm, respectivamente,
504 mil e 423 mil hectares.
O presidente do Incra/RN, Paulo Sidney disse que em fiscalização
recente o órgão detectou municípios onde a
aquisição de terrenos por investidores de outros países
ultrapassou o limite que prevê a legislação
brasileira.
Um exemplo acontece no município em Galinhos, onde portugueses
ultrapassaram o limite de terras que poderiam ter adquirido na cidade.
"Pela lei, estrangeiros da mesma nacionalidade não podem
comprar além de 10% da área do município. Em
Galinhos descobrimos que portugueses já haviam adquirido
4.662 hectares de terra, quando o máximo permitido seria
de 3.334 hectares. Entramos com um processo na justiça para
apurar a situação", comentou Paulo Sidney.
A área em poder de pessoas de outros países, no Rio
Grande do Norte, é maior que a registrada nos estados da
Paraíba (8.043 hectares), Amapá (6.428), Pernambuco
(12.510), Sergipe (3.741) e Distrito Federal (3.876).
Diante do crescimento da participação de estrangeiros
sobre a compra de terras brasileiras a Advocacia-Geral da União
(AGU) trabalha na elaboração de um parecer para limitar
a compra de terras brasileiras por estrangeiros, como estratégia
de defesa da soberania do país.
"Com essa mudança na legislação acreditamos
que o rigor e fiscalização sobre a chegada desses
grupos internacionais em nosso Estado vai aumentar", comentou
o superintendente regional do Incraz.
Inscrições
ao Prouni e Enem encerram hoje
As inscrições para a 11ª
edição do Exame Nacional do Ensino Médio -
Enem 2008 terminam hoje. Até ontem 1.025.095 estudantes haviam
se inscrito pela internet. No ano passado o Enem registrou 3,5 milhões
de inscritos em todo o país. As inscrições
estão sendo feitas nas agências dos Correios ou pelo
site www.mec.gov.br.
Podem participar do exame alunos que estão concluindo ou
que já concluíram o ensino médio em anos anteriores.
Todos os estudantes concluintes de escolas públicas e ainda
aqueles declarados carentes - egressos ou estudantes de escolas
particulares - não pagam a taxa de inscrição,
no valor de R$ 35,00.
No caso de pagantes que fizerem inscrição pela internet,
será gerado um boleto com vencimento em 16 de junho, segunda-feira.
A prova será realizada em todo o Brasil no dia 31 de agosto,
às 13h, e terá cinco horas de duração.
Serão 63 questões de múltipla escolha e uma
redação.
O Enem é um dos requisitos para o estudante concorrer a uma
bolsa no Programa Universidade para Todos, o ProUni. Além
disso, cerca de 500 universidades já usam o resultado do
exame como critério de seleção para o ingresso
no ensino superior.
PROUNI - Hoje também é o último dia para os
interessados em receber bolsas integrais ou parciais do Programa
Universidade para Todos (ProUni) no semestre 2008.2.
Estão disponíveis 119.529 bolsas, sendo 47.006 integrais,
42.270 parciais (50%) e 30.253 complementares (25%), em todo o país.
Em Mossoró estão cadastradas a Universidade Potiguar
e a Faculdade Mater Christi.
A oferta de bolsas deste processo seletivo mais do que dobrou em
relação ao mesmo período do ano passado, quando
foram oferecidas cerca de 55 mil bolsas.
Mossoró
em 1927, uma viagem bem real
Edilson Damasceno
Da Redação
Uma viagem pela Mossoró de 1927. Conhecer a cidade da época,
os costumes, os times de futebol e uma história que vem sendo
contada há exatos 81 anos. Foi em 13 de junho de 1927 que
Lampião tentou tirar daqui 400 contos de Réis, e partiu
correndo para o sertão paraibano. Os painéis expostos
no Memorial da Resistência mostram os detalhes do plano dos
cangaceiros, a reação do prefeito Rodolfo Fernandes,
a formação das trincheiras... Tudo contado em figuras
e palavras.
O que restou daquela época faz parte da história.
E é um pouco dela que o repórter propõe contar
agora: Mossoró de 1927 era uma cidade em crescimento comercial
devido à exploração do sal, bem como um centro
de expansão financeira, já que circulava cerca de
900 contos de Réis por dia na agência do Banco do Brasil.
Foi essa peculiaridade que chamou a atenção dos cangaceiros.
Pelas bandas do Ceará, o coronel Isaías Arruda tramou
a invasão à cidades das quatro torres (das igrejas).
E aqui se abre um parêntese para informar que Lampião
sabia que não seria fácil arrancar 400 contos de Réis
tão fácil de uma cidade que tinha essas torres todas.
Era sinal de que tinha uma população numerosa. Na
verdade, Mossoró apresentava pouco mais de 20 mil habitantes.
Voltando ao plano, com base nas informações passadas
por Massilon Leite - cangaceiro com livre acesso à região
Oeste e Alto Oeste do Rio Grande do Norte, já que era natural
da cidade de Luiz Gomes, o coronel Isaías findou convencendo
Lampião que o trabalho seria fácil. Tudo foi pensado
para nada dar errado, e que a invasão ocorreria sorrateiramente.
O que não se esperava era que os cangaceiros não se
contivessem. Tanto que, antes mesmo de chegar ao Rio Grande do Norte,
em 10 de junho de 1927, o prefeito Rodolfo Fernandes já sabia
que o alvo seria Mossoró. E não deu outra. Um mês
antes, em 10 de maio, um bando liderado por Massilon entrou em Apodi
e fez um alvoroço grande. Houve saques ao comércio.
Em 12 de junho, Lampião estava em Mossoró. Na então
Freguesia de São Sebastião - atualmente município
de Governador Dix-sept Rosado. De lá partiram bilhetes endereçados
ao prefeito Rodolfo Fernandes. Mas Mossoró já estava
preparada para o confronto, e antes do combate, mulheres, crianças,
idosos e enfermos foram levados para lugares seguros. Trincheiras
foram armadas em locais estratégicos.
Às 16h do dia 13, o bando entra na cidade, pela Avenida Alberto
Maranhão. Da torre da Matriz de Santa Luzia vem o sinal.
O clima fica tenso e se escuta, pouco tempo depois, o tirinete de
bala troando. O confronto maior se deu na Capela de São Vicente,
onde, no adro, tombou Colchete, atingido na cabeça, e outro,
Jararaca, foi ferido no peito.
O restante da história todo mundo sabe. E quem ainda não
tem ciência do resultado, basta visitar o Memorial da Resistência
e saber quem foram os resistentes, as principais trincheiras e ler
a troca de bilhetes entre Rodolfo Fernandes e Lampião.
Mossoró
retém produtividade do HRTM
Edilson Damasceno
Da Redação
O secretário municipal da Cidadania, Francisco Carlos, convocou
ontem servidores do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM)
e representantes do Sindicato dos Servidores da Saúde do
Rio Grande do Norte (SINDSAÚDE) para uma reunião,
visando tratar assunto relacionado à retenção
de recursos destinados à produtividade da unidade hospitalar.
A intenção do secretário foi mostrar os motivos
da atitude. Segundo Francisco Carlos, os servidores da unidade hospitalar
estavam culpando a Prefeitura pelo atraso no recebimento da produtividade,
com base em informações passadas pela Secretaria Estadual
de Saúde Pública (SESAP).
"Eles foram informados que a Prefeitura de Mossoró não
tinha repassado a verba da produtividade. Mas foi essa a maneira
que encontramos para pressionar o Governo do Estado a cumprir acordo",
afirma Francisco Carlos. Ele se refere ao resultado de visita feita
pelo secretário Adelmaro Cavalcante, no final de fevereiro
passado, quando se discutiu débitos relacionados à
manutenção dos serviços de hemodinâmica
na Casa de Saúde Dix-sept Rosado e de plantões no
Tarcísio Maia.
Ainda segundo Francisco Carlos, passados quatro meses, o secretário
estadual de Saúde ainda não assinou a ata protocolar
daquele encontro, daí que a Prefeitura de Mossoró
decidiu reter os recursos destinados à produtividade. Francisco
Carlos enfatiza que, ao colocar os servidores do hospital contra
o município, a Sesap estaria misturando política (partidária)
com saúde.
O secretário da Cidadania afirma que a retenção
da verba é para fazer com que o secretário Adelmaro
Cavalcante volte a discutir o assunto. "O Estado não
está cumprindo com a responsabilidade. Eles estavam pagando
a produtividade normalmente, mesmo sem receber o repasse. E agora,
na pré-campanha eleitoral, surge esse problema. Estão
misturando política com saúde, e isso não está
certo", diz, acrescentando: "Saúde não pode
se misturar com política, pois quem os usuários são
penalizados, os servidores, os técnicos e, por último,
os políticos", afirma.
O secretário também disse que hoje a prefeita Fafá
Rosado se pronunciará sobre o caso, e que talvez autorize
a liberação de R$ 100 mil.
Outro lado
O diretor do HRTM, Marcelo Duarte, explica que a situação
não é do jeito que informou o secretário da
Cidadania. Segundo ele, o documento não foi assinado porque
o Estado discorda dos valores apresentados pela Prefeitura de Mossoró.
Duarte comenta que os valores expostos na ata, de quase R$ 7 milhões,
são débitos que não se creditam ao Governo
do Estado, e sim ao Governo Federal. "Falta consenso. O Estado
reconhece como débito apenas os 50% dos 150% que são
pagos aos anestesistas", comenta, acrescentando que essa dívida
reivindicada pela Prefeitura já foi parcialmente resolvida
com o reconhecimento do programa, pelo Ministério da Saúde,
que parcelou, em oito vezes, a devida restituição
ao município.
O diretor informa também que o secretário estadual
de Saúde ficou de vir a Mossoró na próxima
semana para conversar com a Prefeitura de Mossoró, visando
resolver esse problema.
MP
vai fazer concurso para suprir vagas de promotores
Dentro de no máximo 60 dias o Ministério
Público Estadual (MPE) vai lançar edital do concurso
público para preenchimento de vagas existentes em várias
comarcas do Estado para o cargo de promotor substituto. Dos 226
cargos de promotores existentes no Rio Grande do Norte, 57 estão
vagos, o que afeta o trabalho dos promotores nas cidades do interior
potiguar.
O procurador geral de justiça, José Augusto de Souza
Peres Filho afirmou que há uma insuficiência muito
grande de profissionais no Ministério Público Estadual,
o que acarreta no acúmulo de várias comarcas por promotores.
"Há uma falta grande de promotores e com a demanda de
inquéritos que existem no Estado, isso termina afetando.
Por isso estamos abrindo agora concurso para suprir vagas que estão
ociosas", explicou o procurador.
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