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MOSSORÓ (RN), SEXTA-FEIRA, 13/06/2008 (ATUALIZADO: 01:27hs)
 
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COLUNA ATUALIZADA AOS DOMINGOS

UMA EXPERIÊNCIA NA ESCOLA DA MAGISTRATURA DA FRANÇA

Flávia Sousa Dantas Pinto
Juíza do Estado do RN

Estive em meados do mês de março próximo pretérito na França para, em companhia de mais um juiz brasileiro, o Dr. Roberto Fragale, Juiz do Trabalho do Rio de Janeiro, participarmos do Curso de Formação de formadores oferecido pela Escola da Magistratura Francesa em convênio com a Embaixada da França e a Escola da Magistratura Nacional. O curso, ministrado pela segunda escola de magistratura mais antiga do mundo, foi oferecido a uma turma de 21 participantes, dentre os quais destacavam-se ministros de supremas cortes, integrantes de conselhos de estado e de tribunais de cassação de 5 diferentes países: Brasil, Marrocos, Togo, Congo, Argélia e Madagascar, de modo que além de nós, brasileiros, apenas mais uma juíza do Marrocos éramos Juízes Monocráticos. Lá, encontramos um contexto social, digamos assim, interessante, pois em razão de decisões judiciais adotadas no famoso Affaire d'Outreau, principalmente as formas de recrutamento de juízes e o curso de formação inicial da ENM francesa estavam passando por forte reavaliação social e política, em especial pelo fato de tais decisões judiciais terem sido proferidas por um jovem juiz de aproximadamente 25 anos. Enfim, o curso ofertado tinha tríplice função: (i) passar informações pedagógicas sobre como formar formadores para as escolas de magistratura; (ii) trazer ao conhecimento dos participantes a experiência da escola francesa; e (iii) permitir intercâmbio de informações entre os integrantes do curso. A primeira função foi atingida com êxito, pois nos foi proporcionado com louvor, por parte da professora mestre em pedagogia Véronique Duveau-Patureau, graciosas informações que iam desde modelos de estruturação de uma escola da magistratura (engenharias da informação), passando por formas de recrutamento de professores e sempre atentando para o fato de que o pedagogo deve, em qualquer hipótese, pensar nos alunos e nos objetivos que pretende atingir e, em nosso caso, no perfil do magistrado que desejamos e necessitamos formar. A segunda função foi igualmente atingida de forma exitosa, pois não só tivemos acesso ao funcionamento da sede da escola em Paris, onde se realiza a formação contínua de todos os magistrados franceses, quanto em Bourdeaux, onde se encontra a grande sede da escola francesa e local de realização da formação inicial de seus juízes. Alguns dados interessantes: (i) a França recruta, anualmente, cerca de 300 novos Juízes, através de concurso público nacional, não havendo sub-divisão da magistratura nas "áreas" que encontramos no Brasil; (ii) o ministério público integra a magistratura francesa, ou seja, todos são magistrados e recebem a mesma formação inicial; (iii) esta é feita de forma centralizada na mencionada sede de Bordeaux, diversamente do Brasil, em que a Escola Nacional tem função meramente diretiva, sendo a formação inicial dos magistrados realizada pelas escolas regionais, sejam elas da magistratura estadual, da magistratura trabalhista, de magistratura federal ou de formação do ministério público. Tal diversidade e descentralização decorre, obviamente, das proporções continentais de nosso país, que impossibilita, tanto a realização de um único concurso nacional para provimento de todos os cargos de juiz existentes no Brasil, como a realização de uma formação única para os egressos na carreira. Por fim, a última função não chegou a ter êxito absoluto, em razão de greve geral promovida na França em protesto à lei do primeiro emprego, o que atrasou nossa vinda de Bordeaux para Paris e impediu a realização da parte da programação que incluía a troca de informações entre os juízes que participavam do curso. Não obstante, através dos contatos diretos, constatei que os demais países presentes demonstravam graves problemas com corrupção no Poder Judiciário, o que não me parece ser o problema fulcral do Brasil. Atualmente, o fator que mais incomoda a sociedade, preenche grande parte dos noticiários jornalísticos e tira o sono dos Juízes brasileiros é a falta de efetividade da prestação jurisdicional, a famosa morosidade. Por mais que se trabalhe, sempre nos deparamos com uma sobrecarga desumana e, por vezes, ineficiente, em razão de leis ultrapassadas que exigem uma excessiva burocracia para a tramitação dos feitos. Voltei da França invadida por um imenso sentimento de orgulho e com uma certeza: apesar de todos os defeitos, contamos com um Poder Judiciário forte, independente e bem estruturado.

I CURSO DE ATUALIZAÇÃO
PARA MAGISTRADOS
No período de 18 a 22 de setembro do corrente ano, estarão abertas as inscrições para o I Curso de Atualização para Magistrados - Região Oeste, com 180 horas-aula, promovido pela ESMARN em convênio com Universidade Potiguar - UnP, que certificará a Pós-graduação Lato Sensu. O curso terá início no dia 06 de outubro, às 14h30min. Serão oferecidas aos magistrados 50 (cinqüenta) vagas, preenchidas por ordem de inscrição.

II CONGRESSO DA ESMARN
Aconteceu com o sucesso esperado o II Congresso da ESMARN - Região Oeste, tratando sobre o tema "Direito no Século XXI", quando foi lançada a Revista Direito e Liberdade, vol. 3. Os esforços desempenhados durante os meses de elaboração do evento refletiram-se na grande participação da comunidade jurídica, nos trabalhos defendidos e na qualidade das conferências realizadas. Os palestrantes atenderam às expectativas e retribuíram com conhecimento de alto nível a atenção dada pelos congressistas.

REVISTA DIREITO E LIBERDADE
A Esmarn/Região Oeste receberá, até 31 de outubro de 2006, trabalhos para seleção e posterior publicação no volume 4 da Revista Jurídica "Direito e Liberdade" (ISSN 1809-3280), em dezembro próximo. A Revista é mais um dos projetos da ESMARN, na tentativa de ampliar os horizontes acadêmicos e estimular a pesquisa entre os profissionais do Direito. As normas para a publicação dos artigos estão disponíveis no sítio da ESMARN (www.mossoro.esmarn.org.br).

JUDICIÁRIO X CORRUPÇÃO
ELEITORAL
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) promove, em todo o território nacional, uma campanha de conscientização dos eleitores. Ciente de que é melhor prevenir do que remediar, a entidade lançou, desde o último dia 10 de maio, a Operação Eleições Limpas. A intenção é fornecer subsídios para que os cidadãos denunciem ao Ministério Público Eleitoral quaisquer indícios de fraudes.

JUDICIÁRIO X CORRUPÇÃO
ELEITORAL II
Dentro da idéia da operação, e para facilitar o trabalho de juízes e eleitores, a AMB elaborou a cartilha "Eleições Limpas - A Luta dos Juízes pela Ética na Política", que está em sua segunda edição. A cartilha apresenta dicas para um voto consciente, explica as principais regras sobre recebimento e gastos de recursos em campanhas eleitorais em 20 pontos, e conta também com itens sobre o que pode e não pode ser feito em propaganda eleitoral. Maiores informações: www.amb.com.br.

DESTAQUE
FLÁVIA SOUSA DANTAS PINTO. Juíza de Direito, Mestre e Doutoranda em Direito Tributário pela PUC/SP, professora da ESMARN, FESMP e especialização da FARN. Juíza de Direito da Comarca de Parelhas/RN, foi uma dos dois escolhidos, entre magistrados de todo o Brasil para participar do Curso de Formação de formadores oferecido pela Escola da Magistratura Francesa, em convênio com a Embaixada da França e a Escola da Magistratura Nacional.

GRADE DE AULAS DA SEMANA
18 a 19/09 - Técnica de Decisões Criminais -
Esp. Armando Ponte;
21/09 - Crimes contra a Incolumidade Pública
e Paz Pública - Ms. Paulo Leão;
22 e 23/09 - Crimes contra a Fé a Administração
Pública - Ms. Paulo Leão.



       




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