

Motores
do Desenvolvimento
Alcyr Veras
Considero louvável e oportuna a realização,
na semana passada, do Seminário Os Motores do Desenvolvimento
do Rio Grande do Norte, promovido conjuntamente pelo Jornal
Tribuna do Norte, Governo do Estado, Federação das
Indústrias Fiern e Federação do Comércio
Fecomércio. Entre as propostas apresentadas, algumas
já são conhecidas há bastante tempo, outras,
entretanto, são novas e desafiadoras.
Acho que um dos pontos de grande relevância do evento foi
o caráter interinstitucional, ou seja, a participação
e o envolvimento, ao mesmo tempo, do poder público e da iniciativa
privada.
Sabe-se que no passado foram promovidos eventos semelhantes, com
essa mesma intenção, mas que lamentavelmente não
produziram os resultados desejados. Um dos motivos foi a falta de
sintonia e de diálogo entre seus agentes promotores. Não
houve convergência de idéias. Agora, parece-me que
todos, as entidades empresariais e o Estado, comunicam-se por via
expressa e falam o mesmo idioma.
Acredito mesmo que a ação simultânea, Governo-Empresa,
tem tudo para obter resultados concretos. Por isso, tomo a liberdade
de sugerir a constituição de um Comitê interdisciplinar
(público-privado), com o propósito de colaborar no
acompanhamento sistemático das atividades e na motivação,
de forma a assegurar a continuidade de tão importante parceria.
A Refinaria de Petróleo e a ZPE Zona de Processamento
de Exportações são reivindicações
que já demandam algum tempo. Em relação à
ZPE, é claro que há a necessidade de uma reconfiguração
estrutural, com o objetivo de atualizar seu próprio conceito
e modo de produção, tendo em vista que afinal são
mais de 20 anos desde a sua primeira proposta de localização
em Macaíba (que agora deve ser em São Gonçalo).
No caso particular da Refinaria, o Rio Grande do Norte vêm,
literalmente, sendo injustiçado. O bom senso recomenda que
não há justificativa técnica e/ou econômica
que possa explicar, e convencer, a razão pela qual o segundo
maior produtor de petróleo do Brasil não tenha instalada,
em sua área de produção, uma ou mais refinarias
de óleo. Foge aos mais elementares princípios da Logística.
E se compararmos com outros Estados (com exceção de
Campos-Rio de Janeiro), agiganta-se mais ainda a legitimidade do
Rio Grande do Norte em ter a sua própria refinaria de petróleo.
Outro grande projeto de vital interesse para o desenvolvimento da
economia norte-rio-grandense é a construção
do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, cuja operacionalização
vai permitir a integração do mercado interno com países
da América Latina e da Europa. Nesse sentido, Natal ocupa
posição geográfica privilegiada quanto ao fluxo
de cargas e de passageiros com as rotas continentais. Esse é,
ao meu ver, o empreendimento mais arrojado e de maior impacto sócio-econômico
da primeira década do século XXI para o Rio Grande
do Norte. O investimento inicial do projeto está estimado
em 500 milhões de reais. Quando estiver inteiramente concluído,
movimentará entre 35 e 40 milhões de passageiros por
ano, e demandará energia elétrica equivalente ao consumo
de uma cidade de 10 mil habitantes.
Quero acrescentar, aqui, mais dois grandes motores potenciais
do desenvolvimento: a coragem e a obstinação da Governadora
Vilma de Faria; e o indispensável apoio e atuante empenho
dos meios de comunicação, principalmente do Jornal
a Tribuna do Norte.
Alcyr
Veras
é Economista
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