

A ENGENHARIA MÉDICA
Um cientista
europeu (não guardei o nome) anuncia que, com a engenharia
da célula-tronco, a criatura humana pode chegar a viver duzentos
anos. Deve ser assim mesmo, e motivos de sobra temos para crer.
Não vê aí os progressos da engenharia genética?
Coisas com que nem Mendel terá sonhado. Isto sem falar nos
grandes, e algumas vezes incríveis, progressos tecnológicos
nos arredores da ciência do materialmente verificável.
Começa que, para tanta longevidade, será preciso naturalmente
um (imperioso) controle de nascimentos, a se supor para todos os
humanos, ricos e pobres, esse achado revolucionário da engenharia
da medicina. Ou o planeta terra não terá como comportar
e alimentar tanta gente. Já pensou, por exemplo, a China?
E que dizer da destruição contínua da natureza?
Mas vamos esquecer tais questões. A coisa ainda será
realidade, mas não agora. Ou não?
Aqui fico pensando em duas coisas. Uma, o tédio existencial
que pode sobrevir aos futuros matusaléns fabricados pela
ciência médica, ainda que lhes seja a vida plena de
conforto e tudo o mais. Não sei, não, mas creio eu
ser inevitável o cansaço tedioso do organismo psíquico,
da estrutura psicológica, em decorrência das também
inevitáveis desilusões, coisas assim deste gênero,
pela própria condição humana.
A outra, o conservar-se vivo, séculos, tanto patife que melhor
fora não ter nascido, ou então, ter nascido morto.
Com isso, ganha o Mal o seu mais poderoso aliado na ciência
médica, como não foi em tempo algum da história
da humanidade. Se não bastasse a ciência investindo
dinheiro pesado na indústria da guerra. Quando afinal morrem
de fome dois terços da humanidade. Quero dizer, com esse
dinheiro se melhoria as condições de vida no mundo,
a todos os respeitos.
Mas, finalmente, se sou contra o prolongar-se a vida para duzentos
anos? Não se trata disso, absolutamente. O que estou a dizer,
porém sem pretensão nenhuma, juro, é que não
sei se o tédio não vai um dia atrapalhar. Ou se inventará
um antídoto eficaz para o tédio existencial? É...
pode ser. Somente duvido a medicina venha a descobrir uma substância
para uma vacina, definitivamente eficaz, contra a maldade no coração
humano, como equilíbrio moral na engenharia da longevidade.
DESCASO
Está bem de ver que essa epidemia de dengue no Brasil tem
a ver com o descaso dos nossos governantes, no geral, que com outra
coisa mais não se preocupam senão com a permanência
no poder. Querem resolver o problema só com a distribuição
de avulsos, palestras, quando a solução está
da parte de uma ação conjunta, digo, governo federal,
governos estaduais e municipais.
FÁTIMA
A governadora Wilma de Faria, com o olho no Senado, faz qualquer
negócio, até preterir candidato do seu partido à
prefeitura de Natal na deputada do PT Fátima Bezerra. Que
se danem os compromissos partidários antes assumidos. É
o que o Rei mandar.
DISCURSO
Será que Fátima vai sustentar aquele velho e violento
discurso partidário?
LINGUAGEM
O estudante
João Damasceno pergunta, de Natal, se o certo é "o
dengue" ou "a dengue." Diz que, de alguns médicos,
já ouviu "o dengue", daí sua dúvida.
Sem dúvida nenhuma, meu caro Damasceno, trata-se de palavra
feminina quando a designa a doença. Um detalhe. A rigor,
o mosquito Aedes aegypti é o transmissor da dengue do tipo
hemorrágico. As outras formas da dengue, pelo mosquito Aedes
albopictus, também chamado Tigre-asiático. Deus o,
nos livre desse mosquito miserável que encontrou ambiente
no descaso do governo.
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