

DE LIVRARIAS E SEBOS
Devo ir
a Natal esta semana e já estou fazendo a lista da velharia
a procurar nos sebos. Raridades bibliográficas. Mas é
que esses antiquários de Natal, como os daqui, são
por demais escassos na especialidade. Nem sempre se encontra o que
se procura. Outra observação. Os livros são
os encontráveis em qualquer livraria, e as mais vezes com
pequena diferença de preço.
De resto, deve ser dito, não será tão diferente
nas demais capitais brasileiras. Seja por exemplo. Desde há
muito ando navegando pela moderna internet, através de amigos,
que não sei usar tal coisa, em busca de algumas obras raras,
e nada. E sebos de grande propaganda, como um de Goiás, que
anuncia um estoque de milhões de títulos, se não
estou enganado nesta parte.
Interessante. Muitas obras raras que já procurei, em vão,
nos sebos do Recife, do Rio, até da enorme São Paulo,
fui um dia achar, e por acaso, num desses sebos acanhados do interior
pequeno. A Gramática de João Ribeiro, tão suspirada,
em razão da sua orientação científica,
à base da gramaticologia alemã. Foi isto na cidade
de Cristinópolis, Sergipe. Pequena que só ela.
Mas, infelizmente, já não a possuo, o miserável
do cupim. (Mais um vivente que não sei mesmo para que a natureza
fez nascer na face da terra.) Amigos me prometem garimpar nos sebos
por aí afora, e depois me dão calado por resposta.
Não gosto desse tipo de coisa. Me dê pelo menos qualquer
satisfação. Sou assim: quando prometo, faço.
Mas enfim cada um é como é.
Se vai aqui um pedido, ao vento? Claro que sim. Mas dizia que devo
ir a Natal esta semana. Não desanimo de uma volta pelas livrarias
e sebos, mania nem sei de quando, mas certo de que tanto umas como
os outros não fazem inveja a Mossoró. O mesmo "não
tem". Aquelas, vendem capas vistosas. Conteúdo nenhum.
Estes, mais a porcaria que se encontra em todo canto.
Insegurança
Vai aumentando a cada dia em todo o País. Na cidade daqui,
em particular, um assalto de seis em seis horas, segundo informação
confiável.
Aparelho
De nada adiante o reforço do aparelho policial, se não
mudar a legislação penal. Nesta parte, como se vê,
é que está a questão.
Parlamentares
Das suas alturas, que se presumem inalcançáveis pela
violência que aí está, nossos distintos parlamentares
nem se movem na defesa da sociedade ordeira. De lascar.
LINGUAGEM
TIRO FÉRIA EM MARÇO. Leitor do Jornal de Fato candidato
a concurso público quer saber se há erro nessa expressão.
Claro que sim. Vejamos. Féria (singular) é o que se
apura em determinado período: A féria do comércio
aumenta muito no Natal. Quando se trata do período de descanso,
usa-se férias (plural): Tiro férias em março.
É bom memorizar o significado de um e outro vocábulo.
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